3. TEKNİK ANALİZ
3.2 Üretim Teknolojisi
Quando falamos em envelhecimento, tal remete-nos para a passagem do tempo, ou seja, para a dimensão temporal do conceito. Contudo, não podemos esquecer que esse tempo é ocupado num determinado espaço. O ambiente físico, designadamente a localização da residência dos idosos e as condições habitacionais, as barreiras existentes e os recursos à sua disposição, influenciam a interação social e podem limitar ou impedir o acesso a determinados espaços e serviços,22 interferindo na realização de determinadas atividades e na qualidade de vida.
Logo, um envelhecimento saudável pode ser facilitado ou dificultado pelos recursos que o ambiente coloca à disposição das pessoas (Fernández-Ballesteros & Rodríguez, 2009). De facto, o ambiente, “considerado como o complexo de estimulação sociofísica, constitui um
22 Foi a preocupação com o ambiente e com as barreiras existentes nos meios urbanos, as quais colocam em
causa a segurança e a participação dos idosos, que levou ao desenvolvimento do Programa “Cidades Amigas das Pessoas Idosas” da OMS.
dos conjuntos de fatores que devem ser tidos em conta na hora de estabelecer a tipologia de experiências do envelhecimento” (Fernández-Ballesteros & Rodríguez, 2009: 252).23
Segundo Lawton (1986, cit. por Fernández-Ballesteros & Rodríguez, 2009), o contexto físico e social em que a pessoa se desenvolve ajuda a compreender as suas ações e o seu funcionamento psicológico. A pessoa torna-se progressivamente mais sensível ao meio à medida que envelhece, sendo, por isso, importante compreender a relação entre ambiente e velhice.
Existem vários modelos no que respeita ao estudo desta relação. Entre eles, Fernández- Ballesteros & Rodríguez (2009) destacam os modelos de congruência, como o de Carp, em que a congruência entre as necessidades das pessoas e as características físicas e organizacionais do meio leva ao bem-estar e à satisfação; o modelo da competência de Lawton, segundo o qual a pressão ambiental não deve ser demasiado baixa nem demasiado elevada e quanto menor o nível de competência, maior é a influência dos fatores ambientais no bem-estar da pessoa; o modelo ecológico social de Moos e Lemke, que mostra que o bem- estar e a satisfação dependem tanto de características ambientais como das pessoais e da interação entre ambas; e o modelo ecológico-comportamental de Fernández-Ballesteros. Importa realçar este último (veja-se a figura 1) uma vez que, elaborado a partir do de Moos e Lemke, acrescenta a referência ao tempo social e histórico e ao tempo pessoal.
Segundo este modelo, existe uma relação direta entre a saúde e o comportamento. Essa relação influencia e é influenciada por variáveis contextuais e pessoais e pela relação entre essas variáveis. Quer umas quer outras só podem ser analisadas tendo em conta a trajetória de vida, o passado e o presente. Deste modo, importa ver “a pessoa no ambiente”, sendo “o ambiente físico e social, determinante e produto da atividade humana” (Fernández-Ballesteros & Rodríguez, 2009: 259).24
É, portanto, fácil perceber a importância da promoção de espaços saudáveis que não sejam discriminatórios e segregacionistas, devendo tal fazer parte da agenda política de intervenção local (Bárrios & Fernandes, 2014).
O local de residência é um dos aspetos que pode ser pensado aquando da preparação e transição para a reforma. Segundo Carp e Carp (1982, cit. por Fernández-Ballesteros & Rodríguez, 2009), as características mais importantes e que influenciam o desejo de
23 Tradução livre da autora a partir do original, onde se lê: ”Más allá de las definiciones y/o confrontaciones disciplinares, el ambiente, considerado éste como el complejo de estimulación sociofísica, constituye uno de los conjuntos de factores que deben ser tenidos en cuenta a la hora de establecer la tipología de experiencias del
envejecimiento” (Fernández-Ballesteros & Rodríguez, 2009: 252).
24Tradução livre da autora a partir do original, onde se lê: ”El ambiente, físico y social, es a la vez determinante y producto de la actividad humana” (Fernández-Ballesteros & Rodríguez, 2009: 259).
permanecer num lugar são a facilidade de acesso a serviços e equipamentos (lojas, transporte, parques), a facilidade em estabelecer relações sociais (amigos que vivem perto, vizinhos sociáveis, segurança) e o fator estético (zona limpa, agradável, tranquila).
Modelo ecológico- comportamental do envelhecimento
Figura 1- Modelo ecológico- comportamental do envelhecimento (Fernández- Ballesteros, 2009: 258). 25
Relativamente ao meio rural, de acordo com Lawton (1989, cit. por Fonseca, 2005), este proporciona menos pressão e confusão, sendo um ambiente de maior calma e segurança visto que o meio social não se altera tão rapidamente. Contudo, não podemos esquecer que tal como existem mitos relativamente ao envelhecimento, existem também no que concerne aos idosos que vivem em meio rural. Krouts & Coward (1998, cit. por Fonseca, Paúl, Martín & Amado, 2005) mencionam os seguintes: os idosos, quando se reformam em pequenas comunidades, vivem felizes e com poucas preocupações; têm um elevado apoio de redes familiares, sempre disponíveis quando necessitam de cuidados; possuem níveis elevados de saúde e de satisfação; vivem em comunidades que se preocupam com as suas necessidades; não necessitam de muitos serviços de apoio; conseguem responder às suas necessidades porque os custos de vida no meio rural são baixos; e são pessoas com poucas diferenças entre si, sendo o ambiente onde vivem idêntico para todos. É claro que os mesmos autores, assim como Fonseca et al. (2005), alertam para a realidade, bastante distinta, em que as zonas rurais são crescentemente despovoadas, com migração dos mais jovens e de familiares que
25 A informação presente nesta figura resulta da tradução livre da autora a partir do quadro original (Fernández- Ballesteros, 2009:258). Variáveis Pessoais Reportórios básicos de comportamento: Cognitivo-linguísticos Emocionais e motivacionais Sensorio-motores Ambiente Cultural Geográfico Social Variáveis contextuais Culturais Físicas e arquitetónicas Organizacionais Sociodemográficas Psicossociais Stressores Comportamento Saúde Pessoa Reportórios básicos de comportamento: Cognitivo-linguísticos Emocionais e motivacionais Sensorio-motores Passado Presente
poderiam dar algum apoio, onde existe escassez de serviços, dificuldades económicas e de acesso a recursos e onde os idosos se sentem sozinhos. Estes últimos investigadores realizaram um estudo quantitativo (do ponto de vista psicológico) com idosos residentes na comunidade, em meio rural e urbano, para conhecer as diferenças e as semelhanças existentes no processo de envelhecimento e verificaram que os idosos rurais dispõem de uma rede mais alargada de familiares e amigos, assim como um maior nível de autonomia (devido à dedicação à agricultura e à criação de animais) do que os urbanos, mas, no que respeita à satisfação com a vida, revelam alguma solidão (sentimento que apresenta níveis idênticos em ambos os contextos) e insatisfação, assim como agitação e ansiedade (embora menor do que em contexto urbano) e ainda baixas expectativas e resignação. Os idosos residentes em meio rural encontram-se mais favorecidos relativamente aos urbanos pois, apesar do menor grau de escolaridade e dos baixos recursos materiais e económicos, verifica-se uma maior congruência com o meio.
No caso dos idosos institucionalizados, sabe-se que a institucionalização constitui um momento de transição que pode ter efeitos negativos devido às mudanças nas redes sociais e de suporte. Segundo Paúl (1992, 1996, 1997, cit. por Fonseca, 2005b), em geral, os residentes em lares sentem-se mais sós e insatisfeitos, afastados das redes sociais, enquanto os residentes na comunidade, por sua vez, sentem falta de apoio na realização das tarefas da rotina diária. Por outro lado, a mudança também se verifica a nível do espaço físico. Assim, as características arquitetónicas, o equipamento dos espaços, a organização da instituição são aspetos a ter em conta, devendo permitir a autonomia e o desenvolvimento dos idosos.