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Üniversite KurumsallaĢma Düzeyi ve Örgütsel Sessizlik Arasındaki ĠliĢki

4.2. BULGULAR

4.2.7. Üniversite KurumsallaĢma Düzeyi ve Örgütsel Sessizlik Arasındaki ĠliĢki

Carvalho realizou uma pesquisa com falantes de Santa Luzia com a finalidade de estudar o comportamento dos verbos experienciais psicológicos, físicos, epistêmicos e de percepção. Utilizando-se de um corpus composto de 16 entrevistas com falantes adultos, com escolaridade básica e de duas regiões distintas da cidade, a autora orientou sua análise pela hipótese de que o contexto de uso do pronome é reduzido devido ao grande volume de construções perifrásticas realizadas pelos verbos experienciais. As outras hipóteses que guiaram a pesquisa foram:

Verbos experienciais privilegiam as construções em que o experienciador se estrutura na função sintática de sujeito;

Nas estruturas em que o experienciador exerce a função sintática de sujeito, as construções perifrásticas são favorecidas;

Nas estruturas em que o experienciador exerce a função sintática de objeto, as construções sintéticas são favorecidas;

Todos os pronomes tendem a ser apagados independentemente da classe semântica do verbo;

Os itens lexicais apresentam comportamento idiossincrático tanto na análise das construções pronominais quanto na análise da distribuição sintática do experienciador e da realização morfológica dos verbos.

Os 1.932 dados do corpus permitiram constatar que o contexto do pronome é bastante reduzido (somente 9% dos dados), e a análise exibiu índices praticamente nulos de uso do pronome (98% de ausência). Destaca-se que a autora escolheu informantes com nível baixo de escolaridade e agrupou-os de acordo com a faixa etária (37 a 62 anos e mais de 70 anos). Os informantes também foram agrupados de acordo com a região em que viviam – o centro histórico da cidade e o bairro Adeodato – configurando, assim, classes sociais distintas. Contrariamente ao que se esperava, nenhum dos fatores extralinguísticos influenciou o uso ou o apagamento do pronome, uma vez que o apagamento foi praticamente categórico.

As únicas quatro ocorrências de presença de pronome ilustram a classe dos psicológicos (1 ocorrência) e dos epistêmicos (3 ocorrências). Além do mais, esses casos de presença

remetem ao pronome pseudo-reflexivo. A esse respeito, a autora propõe que a frequencia de type10 pseudo-reflexivo estaria a serviço da forma conservadora, por ser este o tipo de pronome com contexto de uso mais frequente. Carvalho também pondera que o apagamento do clítico “terá atingido em seu percurso, estruturas de type menos frequente, como a dos reflexivos e recíprocos, para, a seguir, atingir aquelas de type mais frequente, como a dos pseudo-reflexivos” (p. 146). No que concerne à frequência de token, a autora especifica o verbo lembrar, que representa 50% das ocorrências que exibem contexto relevante ao uso do pronome. Por também apresentar contexto de pronome pseudo-reflexivo, a autora não consegue avaliar qual o tipo de frequencia – type ou token – atua no processo de apagamento do pronome. É importante salientar que em todas as etapas da análise, identificaram-se comportamentos idiossincráticos que permitiram apontar a atuação do fator item lexical.

Em relação à hipótese inicial da pesquisa, Carvalho observou que somente para a classe dos psicológicos é possível afirmar que as construções analíticas restringem o contexto do pronome pseudo-reflexivo. A hipótese não se mostrou pertinente para os verbos de percepção, que não apresentaram formas analíticas e para os verbos epistêmicos, que apresentaram 2% dessas formas. A análise da classe dos verbos físicos também não comprovou a hipótese, uma vez que somente 20% dos verbos apresentaram-se na forma analítica. Desta maneira, foi possível observar a seguinte gradação concernente à presença da forma analítica nas classes analisadas: Percepção (0%) < Epistêmicos (2%) < Físicos (20%) < Psicológicos (32%).

A autora se propôs a classificar, em cada classe semântica, o experienciador, de acordo com as funções sintáticas de sujeito e de objeto, além do tipo da realização morfológica dos verbos. O quadro a seguir apresenta as principais características de cada classe:

10 A autora remete à teoria de Bybee (2001), que analisa a frequencia dos dados: frequência de token e

frequência de type. Neste caso, a frequência de type é o contexto mais frequente de aparecimento do pronome – o contexto do pseudo-reflexivo. A frequência de token diz respeito aos itens mais frequentes do corpus. O tema frequência e a teoria de Bybee serão tratados no capítulo “Metodologia”, seção item lexical.

Quadro 1:Propriedades sintáticas apresentadas pelos verbos experienciais. Fonte: Carvalho (2008: 127).

Classe semântica Distribuição do Experienciador Realização morfológica Percepção Realizam-se quase categoricamente com experienciador na posição de sujeito. Realizam-se categoricamente na forma sintética.

Epistêmicos Realizam-se quase categoricamente com

experienciador na posição de sujeito.

Realizam-se quase categoricamente na forma sintética.

Físicos Realizam-se com experienciador na posição preferencialmente de sujeito, mas podem se realizar com experienciador na posição de objeto.

Realizam-se

preferencialmente na forma sintética, mas podem ocorrer na forma analítica.

Psicológicos Realizam-se com experienciador na posição preferencialmente de sujeito, mas podem se realizar com experienciador na posição de objeto.

Realizam-se na forma sintética ou analítica.

Carvalho observou que os verbos de percepção apresentam exclusivamente formas sintéticas e ilustram quase categoricamente o experienciador na posição de sujeito. Os verbos epistêmicos apresentaram um índice pouco significativo de construções analíticas (somente 2% de ocorrências) e igualmente exibem quase que categoricamente o experienciador na posição de sujeito. Os verbos físicos apresentaram uma relação maior de construções analíticas (20% de ocorrências) e de ocorrências com experienciador na posição de objeto (15%). Os verbos psicológicos apresentaram um alto índice de construções analíticas (32%) e poucas ocorrências de experienciador na posição de objeto (apenas 7%). Assim, a autora nos chama a atenção para a seguinte gradação a respeito do experienciador na posição de objeto: Percepção (1%) < Epistêmicos (2%) < Psicológicos (7%) < Físicos (15%).

As reflexões de Carvalho contribuirão significativamente para a presente pesquisa. Não somente será possível comparar os resultados obtidos como também contribuir com novas descobertas relativas a cada classe semântica e, por fim, acrescentar uma nova

classe: a dos verbos beneficiários.

Benzer Belgeler