A gestão ambiental é uma iniciativa a ser realizada não só por uma pessoa, mas por um conjunto, todos unidos com o objetivo de combater a degradação ambiental. A sociedade civil, os empresários, o governo, as instituições não governamentais, todos empenhados em minimizar os impactos ambientais e garantir o futuro da humanidade.
A gestão ambiental é conceituada por Barbieri (2007, p. 25) como as diretrizes e as atividades administrativas e operacionais, tais como, planejamento, direção, controle, alocação de recursos e outras realizadas com o objetivo de obter efeitos positivos sobre o meio ambiente. E a gestão ambiental empresarial, (BARBIERI, 2007, p. 153), ocorre nas diferentes atividades administrativas e operacionais realizadas pela empresa para abordar problemas ambientais decorrentes da sua atuação ou para evitar que eles ocorram no futuro.
Philippi Jr, Romero e Bruna (2004, p. 701) entendem por gestão ambiental a existência de leis, normas, decretos, regulamentos, escritos dirigidos e determinados com o objetivo de solucionar as questões do ambiente. Necessitando, contudo, que a gestão aconteça de fato, deixando de ser apenas situações hipotéticas previstas na legislação para uma mudança do poder ser real para o ser real.
Assim, a gestão ambiental empresarial ocorre quando as empresas realizam de fato os preceitos da legislação, concretizando o planejamento ambiental da referida gestão e proporcionando efeitos positivos.
Entretanto, a gestão ambiental empresarial só ocorrerá de forma positiva ao meio ambiente se houver um esforço em conjunto, onde todos ajudem na obtenção deste objetivo. O governo institua as normas e fiscalize o cumprimento delas. A sociedade realize um consumo consciente e exija a responsabilidade ambiental das empresas. E, por fim, as empresas façam um planejamento e uma gestão ambiental, buscando sua lucratividade, sem agredir a biodiversidade, cumprindo com a legislação e, principalmente, prevendo e prevenindo os possíveis danos ao meio ambiente.
A gestão ambiental no Setor Sucroalcooleiro ocorre principalmente com relação aos resíduos gerados nos processos de produção e beneficiamento da cana de açúcar. A atividade empresarial responsável exige uma mudança de gerenciamento, respeitando a legislação vigente, além de exigências do mercado internacional, para tanto, as empresas buscam certificações para atestar a capacidade técnica e empresarial de sua atividade com estratégias novas concretizando a melhoria da imagem institucional perante a população e seus consumidores potenciais, para com isso aumentar a produtividade. Assim, concernente à área ambiental, tem-se a necessidade da busca por uma produção mais limpa.
A Lei nº 10.305, de 2 de agosto de 2010 institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos conceituando no art. 3º, X gerenciamento de resíduos sólidos como sendo o conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos. O art. 9o , por sua vez, determina que deve ser observada, na gestão de resíduos sólidos, a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Devendo, portanto, não só o Setor Sucroalcooleiro, mas todas as atividades empresariais desenvolver sua gestão dos resíduos sólidos para minimizar os impactos causados por suas atividades ao meio ambiente.
A Lei dos Agrotóxicos, Lei nº 7.802/89 e seus Decretos nº 98.816/90 e 4.074/2002, determinam a forma de utilização desses produtos pela agroindústria. A legislação é pertinente haja vista que o uso frequente e indevido dos agrotóxicos oferece riscos de contaminação dos solos, das águas superficiais e subterrâneas, dos alimentos, e por conseguinte, apresentam riscos de efeitos negativos em organismos terrestres e aquáticos e problemas com intoxicação humana pelo consumo de água e alimentos contaminados. Com
isso, para um melhor entendimento o art. 2º da Lei nº 7.802/89 conceitua agrotóxico como sendo os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas.
No Brasil os estados, conforme Valadão (2005, p. 42), com grande representatividade na produção da cana de açúcar são: Alagoas, São Paulo e Paraná, sendo que este último é o único produtor de álcool da região Sul do País. A produção paulista de cana-de-açúcar, álcool e açúcar constituem, respectivamente, 58%, 59% e 61% da produção brasileiro. E Alagoas é o maior produtor na Região Nordeste, superando Pernambuco.
Em nível mundial, os principais países importadores do açúcar são: no Oriente Médio, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Irã; na África, Nigéria, Egito e Marrocos; na Europa Oriental, Rússia, que tem sido o principal importador. (VALADÃO, 2005, p. 47).
O álcool no Brasil ganhou força com a criação do PROALCOOL pelo Governo Federal na década de 1970. E em 2012 têm seu mercado interno aquecido com a política do governo em diminuir o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados dos veículos e, consequentemente fomentado as vendas dos veículos flex-fuel (veículos com motor bicombustível – gasolina e álcool). Além disso, o aumento do preço da gasolina também reflete o aumento no consumo do álcool e, no fim do ano de 2013 o governo já aumento a gasolina.
Assim, a demanda interna por álcool depende dos seguintes fatores, segundo Valadão (2005, p. 52):
Preços dos combustíveis;
Legislação sobre mistura do álcool na gasolina; Crescimento das vendas de carros bicombustível;
Uso do álcool no processo de produção (transesterificação) de biodiesel; e, Expansão do gás natural veicular.
A exportação de álcool pelo Brasil, segundo Valadão (2005, p. 55) em 2002 e 2003 foi de 700 (setecentos) mil litros de álcool. Já em 2004 pulou para quase 2 bilhões de litros de álcool exportados. O consumo dos combustíveis renováveis é uma tendência mundial inevitável, haja vista a pressão da opinião pública e da adaptação ao Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em fevereiro de 2005, vários países já estão adequando suas legislações para estimular o uso dos combustíveis renováveis, com o intuito de minimizar a degradação ambiental, existente com o aquecimento global na emissão de gases poluentes, o que ocorre
com a utilização do petróleo. Assim, as exportações brasileiras de álcool devem se elevar cada vez mais, já que Países como EUA, Japão, Índia e Tailândia, além da União Europeia, têm projetos de misturar álcool na gasolina.
Por conseguinte, outra consequência positiva do Protocolo de Kyoto para a produção da cana de açúcar é o crédito de carbono com a possibilidade concreta de novos financiamentos oriundos da cogeração de energia. Isto porque o Protocolo de Kyoto permite que empresas dos países desenvolvidos troquem carbono, produzido em seus países, por investimentos em projetos que promovam a captura de gás carbono, em países emergentes (VALADÃO, 2005, p. 57).
A geração de energia é uma realidade em todas as usinas/destilaria na produção da cana de açúcar, seja através da queima de bagaço de cana ou com a extração do gás oriundo do melaço da vinhaça, assim, as empresas do setor sucroalcooleiro produzem energia suficiente para seu consumo, como também têm excedentes destinados à venda para as empresas distribuidoras de eletricidade.
A mecanização da colheita da cana crua é outro ponto que começa a ser implantada na produção da cana de açúcar, contudo, principalmente na Região Nordeste, a queima da cana e em seguida a colheita manual ainda persiste, seja por causa do valor elevado das máquinas ou pela falta de interesse de alguns empreendedores.
Já com relação à colheita da cana crua através da mecanização, também se tem algumas consequências, segundo Valadão (2005, p. 61): aumento do tamanho dos talhões, pressionando a concentração das propriedades fundiárias e industriais; redução da possibilidade de permanência no SAG (sistema agroindustrial) de produtores de cana com área média entre 50 e 125 hectares; e, perda de postos de trabalhos não qualificados. Além disso, é bom frisar que a mecanização depende também da topografia do local, uma vez que não é possível a realização deste tipo de colheita em áreas acidentadas, permanecendo, portanto, o corte manual.
Valadão (2005, p. 62) ainda alerta que o ritmo de introdução do corte mecanizado de cana crua depende de uma série de variáveis:
Desenvolvimento de novas variedades de cana, com crescimento ereto e com menor produção de palha;
Desenvolvimento de conhecimentos: para sistematização de talhões para plantio e corte de cana; para sincronização das atividades de corte,
carregamento e transporte para eficiência das operações; e para o uso racional de máquinas e equipamentos;
Disponibilidade de capitais para a inversão em máquinas e para transferência da atividade para novas áreas mais planas e com possibilidade de irrigação; Disponibilidade de força de trabalho mais qualificada; e,
Disponibilidade de força de trabalho para o corte de cana crua em áreas não mecanizadas.
Desta forma, há pontos positivos e negativos para a implantação da mecanização na colheita da cana, contudo, o que se deve pensar é quais as possibilidades de minimizar os impactos desta atividade no meio ambiente.
A irrigação, por sua vez, esta é um importante fator para melhorar a competitividade da produção da cana, haja vista que a irrigação influencia no tempo de duração da atividade industrial, de transformação da cana em açúcar, álcool e demais derivados, agregando, assim, valores para competir com a produção do milho estadunidense. O milho apesar de ter sua produção mais cara comparando-se com a cana de açúcar, contudo, possui um diferencial no armazenamento para manutenção de estoque e disponibilidade ao longo do ano, o que não ocorre com a cana.
Já a cana de açúcar possui um aproveitamento integral tanto com relação aos produtos oriundos da cana, açúcar, álcool, cachaça, como também em relação aos seus subprodutos, como se verifica nos quadros 05 e 06 abaixo.
Quadro 05: SUBPRODUTOS DO PROCESSAMENTO DA CANA DE AÇÚCAR
SUBPRODUTO APLICAÇÃO
Melaço rico Indústria de alimentos, ração animal,
álcool etílico, levedura, outros.
Melaço pobre Ração animal, fermento.
Ponta e palha da cana Ração animal, cobertura do solo.
Bagaço Energia para combustão, papel, papelão,
compensado, adubo, ração.
Torta de filtro Fertilizante, ração
Levedura Ração
Vinhoto Adubo (fertiirrigação)
Quadro 06: APROVEITAMENTO INTEGRAL DA CANA DE AÇÚCAR
OPERAÇÃO SUBPRODUTO UTILIZAÇÃO
Corte da cana Ponta da cana Adubo, ração, palmito da cana;
Moagem Bagaço Combustível, energia
elétrica, adubo, ação, papel;
Fermentação Leveduras Ração, fermento;
Destilação Vinho Adubo, ração;
Concentração do caldo Borra Ração.
Fonte: Valadão, 2005, p. 116
Para que a produção dos produtos da cana aumentem é necessário investimentos em pesquisas e tecnologias, seja na área agrícola como também na industrial (VALADÃO, 2005, p. 313). O Brasil precisa pensar no mercado interno e no externo, além de fomentar esses investimentos em conformidade com a questão social e a ambiental. O mercado internacional, principalmente, é um mercado exigente que só firma contratos quando se tem o cumprimento das legislações trabalhistas e ambientais, servindo, portanto, de incentivo para a melhoria da qualidade de vida e da conservação ambiental.
A produção Brasileira de Cana de Açúcar de 2000 a 2013 segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA (2013) teve a evolução em conformidade com o Quadro 07:
Quadro 07 – Produção Brasileira de Cana de Açúcar Ano Cana de Açúcar em Toneladas
2000/2001 254.921.721 2001/2002 292.329.141 2002/2003 316.121.750 2003/2004 357.110.883 2004/2005 381.447.102 2005/2006 382.482.002 2006/2007 428.816.921 2007/2008 495.843.192 2008/2009 572.738.489 2009/2010 603.056.367 2010/2011 624.501.165 2011/2012 560.993.790 2012/2013 589.237.141 2013/2014* 590.618.123 Fonte: MAPA, 2013 * Estimativa
De acordo com o Quadro 07 a produção brasileira de cana de açúcar (MAPA, 2013) tem uma evolução com um crescente aumento na produção do alcóol, ocasionando uma diminuição apenas na safra de 2011/2012, contudo em seguida continuou a aumentar a produção da cana de açúcar, verificando com isso, consequentemente, o aumento no valor bruto da produção, como pode-se constatar no Quadro 08 com os dados do MAPA (2013). Quadro 08 – Valor Bruto da Produção Brasileira de Cana de Açúcar
Ano Cana de Açúcar em milhões (R$)
2003 13.484,8 2004 12.308,9 2005 13.713,2 2006 17.988,6 2007 25.721,6 2008 25.029,3 2009 27.992,3 2010 29.810,0 2011 38.621,8 2012 42.579,7 2013* 47.806,4 Fonte: MAPA, 2013 * Dados atualizados em 01/12/2013
Por conseguinte, na mesma proporção que aumenta a produção e o valor bruto da produção da cana de açúcar, aumento a degradação ambiental. O desmatamento da Mata Atlântica, o bioma com maior degradação ambiental no Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2012) tinha originalmente cerca de 1.300.000 km² em 17 estados, estando hoje fragmentado e com cerca de 22% de sua vegetação nativa inicial. Na Paraíba há 4.571 km² de Mata Atlântica remanescente, conforme MMA (2012).