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FİZİK DERSİ ÖĞRETİM PROGRAMI ÜNİTE ORGANİZASYONU

KİTAP FORMA SAYILARI

D. Öğrenilecek Bilimsel Kavram ve Konular

1. ÜNİTE: MADDE VE ÖZELİKLERİ

Sabemos, obviamente, que metáfora e metonímia são processos semânticos diferentes. Conceptualmente, a metáfora processa-se pela transferência, usa-se a designação de uma entidade para nos referirmos a outra, concebemos uma coisa em termos de outra, enriquecendo, principalmente, a compreensão. Na metonímia, joga-se essencialmente com a função referencial. Aqui uma entidade toma o lugar de outra. Isso não significa que se oblitere a compreensão, pois, se pensarmos no caso da metonímia “cabeça”, conforme explica Vilela (2002, p. 80), ao designarmos “alguém” por uma boa “cabeça” ou um bom “cérebro”, não se introduz apenas uma nova designação ou referência, mas também se salienta a propriedade para a qual apontamos: a cabeça, o cérebro como sedes de inteligência, havendo, dessa forma, um reforço da compreensão, e, evidentemente, do cognitivo.

41 No Dicionário Houaiss da língua portuguesa, encontramos a informação de que o termo tábua, designando um quadro sistemático de consulta de dados, índice, catálogo, tabela, surge no século XV por derivação metonímica.

Contudo, nem sempre é fácil identificar se um termo é metafórico ou metonímico. Poderíamos nos perguntar até que ponto há marcas tão distintivas entre a metáfora e a metonímia. Tomemos, por exemplo, o caso do termo pacote fiscal, o qual categorizamos, neste estudo, como um caso de metonímia. Parece-nos também que existe a presença de uma metáfora, pois houve um processo de transferência de sentido: pacote, além de representar o total de elementos que compõem o todo – e nesse sentido verifica-se um processo metonímico –, também significa, metaforicamente, em pacote fiscal, um conjunto de medidas que objetivam alterar a política fiscal do governo, por meio do aumento da arrecadação tributária e da diminuição de gastos.

No caso do termo capital, expandido em capital humano, capital volante, capital volátil, capital especulativo, capital especulativo internacional, categorizados na tipologia proposta neste trabalho como metáforas ontológicas, pode-se também pensar em uma metonímia, pois capital representa, nesse caso, toda riqueza capaz de produzir renda.

O que parece existir realmente, em alguns momentos, é um continuum entre a metáfora e a metonímia. Para os cognitivistas, metáfora e metonímia não são mecanismos conceptuais independentes, mas interagem freqüentemente. Sendo assim, sugere-se, neste estudo, que muitas vezes não se tem muita clareza dos limites entre um e outro processo, em virtude da interação que há muitas vezes entre a metáfora e a metonímia (cf. Dirven & Pörings, Lakoff & Turner e Gibbs (2002, 1989 e 1994, apud Silva 2003, p. 51-52)42.

Goosens (1990, 2002, apud Silva 2003, p. 52)43 evidencia essa interação, nomeando esse processo como “metaphtonymy”. O autor acredita que há casos de integração da metonímia e da metáfora, ora como “metonímia dentro da metáfora” ora, mais raramente, “metáfora dentro da metonímia”, e casos de cumulação, quer como “metáfora a partir de uma metonímia” quer, menos freqüentemente, como “metonímia a partir de uma metáfora”.

42DIRVEN, Renné & PÖRINGS, Ralf (eds.). Metaphor and metonymy in comparison and contrast. Berlin: Mouton de Gruyter, 2002; LAKOFF, George & TURNER, Mark. More than cool reason: a field guide to

poetic metaphor. Chicago: The University of Chicago Press, 1989.; GIBBS, Raymond W. The poetics of mind figurative thought, language, and understanding. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.

43

GOOSENS, Louis. “Metaphonymy. The interaction of metaphor and metonymy in expressions for

linguistic action”. Cognitive Linguistics 1-3, 323-340, 1990.

_______________. “Metaphtonymy. The interaction of metaphor and metonymy in expressions for

linguistic action”. In: R. Dirven & Pörings (eds.), Metaphor and metonymy in comparison and contrast,

Seguindo essa mesma linha, Barcelona (2002, apud Silva, 2003, p. 52)44 propõe a distinção entre dois grandes tipos de interação: em nível conceptual, ora como motivação metonímica da metáfora, ora como motivação metafórica da metonímia, e como instanciação textual numa mesma expressão lingüística45.

De acordo com Silva (2003, p. 53), a Semântica Diacrônica sempre compreendeu que a metáfora e a metonímia operam em sucessão como mecanismos de extensão semântica. Conseqüentemente, para esse autor, é natural que surjam casos situados entre estes dois processos.

Em relação ao corpus jornalístico da Economia, encontramos o uso de termos de temperatura para tratar do desenvolvimento positivo das atividades econômicas, constituindo casos em que podemos sentir o processo semântico ora como metonímico (causa e efeito), ora como metafórico (transferência de domínio).

O termo aquecimento econômico ou aquecimento da economia, por exemplo, é um caso que podemos categorizar como uma metáfora, pois aquecimento atribui um conceito positivo à Economia; porém, é também possível classificá-lo como uma metonímia, já que podemos imaginar, de acordo com a Lingüística Cognitiva, que a unidade aquecimento foi ativada a partir de determinado efeito fisiológico do corpo humano para falar do aumento das atividades econômicas:

. aquecimento econômico . aquecimento da economia

Além da Argentina e do imbróglio político, há outro problema que tem preocupado grande parte dos economistas. Trata-se do <aquecimento da economia> e seu impacto sobre a inflação. O economista Celso Toledo, da MCM Consultoria,

44BARCELONA, Antonio. “Clarifying and applying the notions of metaphor and metonymy within cognitive

linguistics: And updte”. In: R. Dirven & R. Pörings (eds.) Metahor and metonymy in comparison and contrast, Berlin: Mouton de Gruyter, 2002.

45 Silva (2003, p. 52) explica que um dos domínios em que a interação metáfora-metonímia é particularmente recorrente é o das categorias de emoção, pois na conceptualização das emoções e dos sentimentos funciona um princípio metonímico geral de tipo EFEITO PELA CAUSA, pelo qual a ira, a tristeza, o medo, a alegria, o amor e outras emoções/sentimentos são referidas por sintomas fisiológicos correspondentes – tais como abaixamento de temperatura do corpo, rosto corado/pálido, gritos e lágrimas. Uma das várias metáforas conceptuais desencadeadas por metonímias fisiológicas é do tipo IRA É CALOR. Ex.: Ferve-me o sangue, de raiva.

começa a enxergar sinais de que o aquecimento acima do esperado neste início de ano já estaria causando impacto sobre a inflação. (FSP, 12-03-01, p. B. 2, c. 1-2) Para definir, por exemplo, a situação em que um investidor gera prejuízo nos seus balanços para com isso pagar menos IR, também se faz uso de termos relacionados à temperatura. Exemplo:

. operação esquenta-esfria

Segundo o analista, esse mecanismo poderá inibir as chamadas <operações “esquenta-esfria”>, em que um investidor precisa gerar prejuízo para lançar nos seus balanços, e,com isso pagar menos IR, enquanto outro aplicador busca o lucro. (FSP, 11-10-99, p. 2.5, c. 6)

A constatação de que os dois processos se integram ou surgem um a partir do outro parece ser ainda mais evidente quando alguns autores, como Barcelona (2000, apud Silva, 2003, p. 53)46, assumem uma posição radical ao defenderem a hipótese de que qualquer metáfora é motivada por uma metonímia conceptual, incluindo-se os casos de sinestesia.

Particularmente, no caso das cores, podemos notar que, além da relação metonímica marcada pela idéia de contigüidade e de extensão, parece-nos também que há marcas metafóricas em relação à criação de conceitos.

Os termos operar no azul e sair do vermelho, por exemplo, podem ter motivação metonímica, possivelmente, via domínio contábil47, pois há algum tempo, nos livros de registro de contabilidade, quando a empresa apresentava lucro, o saldo era grafado por caneta azul, e, no caso de prejuízo, esse valor era lançado com caneta vermelha. Geraram- se, então, a partir dessas metonímias, metáforas como operar no azul, em que azul, na posição de determinante, revela um conceito positivo, relativo àquilo que representa lucratividade, e, no caso de sair do vermelho, o conceito negativo aparece na posição de determinante, cor vermelha, representando prejuízo:

46 BARCELONA, Antonio. “on the plausibility of claiming a metonymic motivation for conceptual

metaphor”. In: A. Barcelona (ed.), Metaphor and metonymy at the crossroads, Berlin: Mouton de Gruyter,

31-58., 2000.

. operar no azul

Das 24 empresas de capital aberto do setor elétrico que já divulgaram seus balanços do segundo trimestre deste ano, apenas sete registraram lucro (29%). Das que <operam no azul>, três são controladas por grupos estrangeiros e as demais são estatais. (ESP, 02-09-02, p. B.1, c. 5)

. sair do vermelho

Mas não é só isso. No ano passado, a empresa conseguiu <sair do vermelho> pela primeira vez desde sua privatização, ocorrida em 1994. (FSP, 19-04-99, p. 2.1, c.1) Sendo assim, esse tipo de mesclagem nos leva a pensar que muito cuidado deve ter o pesquisador no momento da classificação entre um processo metafórico e metonímico, sendo necessária certa relativização na asseveração de alguns conceitos.

Benzer Belgeler