III. Cephe Yağışları: Sıcak hava ile soğuk havanın karşılaşması sonucu oluşur
16. Ülkemizde dünya miras listesine alınmış yerler:
VERA CABRAL – Quero destacar que estou trabalhando com dados sobre
despesa total com educação. Para os fins desta discussão, seria mais conveniente usarmos dados específicos para o ensino fundamental. Mas é muito difícil trabalhar com esse nível de desagregação, por conta da confiabilidade dos dados. Quanto mais se trabalha com balanços estaduais e municipais, mais se percebe que os critérios de apropriação de despesas por programas de trabalho são extremamente flexíveis: eles variam de ano para ano e, em muitos casos, dentro de um mesmo exercício. No caso dos estados, sabe-se que boa parte das despesas com ensino médio acabam ficando alocadas no ensino fundamental. O maior exemplo nesse sentido é dado pelo pagamento dos professores: como normalmente não há carreira específica para o ensino médio, boa parte dessa despesa acaba alocada no fundamental. Nos municípios verifica-se situação semelhante mas relacionando, principalmente, a educação infantil e o ensino fundamental. Portanto, há uma grande contaminação das informações sobre despesas realizadas em cada um dos níveis de ensino e em outros programas, como administração.
Como percentual do PIB, em 1995, o gasto com educação foi 4,3%, excluída a despesa com inativos. Estes dados têm como fonte um estudo do IPEA que constituiu- se em referência nessa área. Alguns outros estudos apontam o gasto com educação
como sendo próximo a 6% do PIB. Nesses casos, com certeza, estão incluídas as despesas realizadas com o pagamento de inativos da área da educação. Segundo o mesmo estudo do IPEA, o gasto social como um todo, incluindo as despesas com previdência, chegou a 20,9% em 1995.
Vale salientar que, nos balanços estaduais, nos demonstrativos anuais de gastos realizados com educação incluem-se as despesas com o pagamento dos inativos. Tais demonstrativos destinam-se à comprovação da aplicação do mínimo constitucio- nalmente destinado à educação (25% de impostos recolhidos e transferidos). Essa prática é comum aos estados e aos municípios.
Vamos agora falar sobre o FUNDEF. Do ponto de vista do financiamento da educação, o FUNDEF é a inovação mais relevante nesses últimos tempos. Para quem não tem muita familiariedade com o FUNDEF, ele tem âmbito estadual: ele é constituído por recursos das esferas estadual e municipal de um mesmo Estado e é redistributivo dentro desse mesmo Estado. A esfera estadual e todos os municípios contribuem e é como se o dinheiro fosse para um mesmo saco. O valor arrecadado é divido pelo total de alunos do ensino fundamental da rede pública nesse estado (estadual e municipais) e repassado para cada município e para o governo estadual em função do número de alunos de ensino fundamental que cada um deles tem. Nos estados em que esses recursos do Fundo não atinjam o valor mínimo nacional, fixado anualmente por Lei Federal, a União complementa com os recursos necessários para que esse valor mínimo seja alcançado. Em valores de 2000, tem-se que no seu primeiro ano (1998), o FUNDEF foi de R$ 17,6 bilhões. Desse total, a esfera federal contribuiu com R$ 616 milhões, ou 3%; a estadual com cerca de R$ 11 bilhões, ou
62%; e a municipal com R$ 6 milhões, ou 35%. Em 1999, o valor total do FUNDEF
foi de R$ 17,5 bilhões e em 2000, novamente cerca de R$17 bilhões. No entanto, se olharmos os valores nominais, ano a ano, a sensação é a de que houve um grande crescimento nos montantes movimentados pelo FUNDEF. Mas quando trazemos esses valores para uma mesma data, verificamos que não foi bem assim. Dois motivos explicam esse não crescimento. O primeiro deles associa-se ao comportamento da arrecadação dos impostos federais que constituem a base para o FPM – Fundo de partição dos Municípios – e para o FPE – Fundo de Participação dos Estados, que caiu no período. Da mesma forma, a arrecadação do ICMS tampouco apresentou crescimento no agregado para o País. O segundo motivo diz respeito à contribuição da União ao FUNDEF, que depende da fixação, pela União, do valor mínimo nacional por aluno do ensino fundamental. Pela regra definida na lei de criação do FUNDEF, os valores mínimos anuais deveriam corresponder ao montante total arrecadado (estimativas) dividido pelo número total de alunos de ensino fundamental público no País. No entanto, na fixação do valor mínimo para 1998 essa regra não foi obedecida, ficando definido um valor menor, de R$ 315. Em 1999 foi mantido o mesmo valor, de R$ 315. Ou seja: era R$ 315 em 98 e ficou em R$ 315,00 em 99, quando houve uma inflação de 11%. Se fosse feita apenas a correção pela inflação, o valor em 99 deveria ser aproximadamente R$ 350. Em 2000 os valores tiveram uma correção e foram fixados em R$ 333 para a 1ª a 4ª série e em R$ 359 para 5ª a 8ª
série. Em resumo, se os R$ 315,00 fixados em 98 fossem só corrigidos pela inflação, chegaríamos a 2000 com um valor próximo a R$ 400. O importante a destacar é que aquilo que está definido na legislação com relação à fixação dos valores mínimos para o FUNDEF não vem sendo cumprido; nem mesmo a atualização monetária dos valores fixados, pelos índices de inflação, vem ocorrendo. Isso não invalida, no
entanto, do meu ponto de vista, nem a iniciativa que representa a criação do FUNDEF
e nem o próprio FUNDEF. São problemas separados. Não acho que o FUNDEF
seja ruim porque não está sendo atualizado. Ele é uma boa e importante iniciativa. É muito interessante. É justo. O seu problema reside exatamente na questão da fixação dos valores mínimos, o que no limite pode comprometer toda a política.
A partir desses dados do FUNDEF, podemos fazer uma estimativa gasto total em ensino fundamental. Tomando o ano de 1999, podemos somar as demais despesas do governo federal nesse nível de ensino, que foram de cerca de R$ 3,7 bilhões. Com isso, chega-se a um total de R$ 22 bilhões como gasto total no ensino fundamental, com a despesa da União subindo de R$ 819 milhões (sua contribuição ao FUNDEF) para cerca de R$ 4,5 bilhões. Os estados e os municípios também gastam além daquilo que colocam no Fundo, até pelo fato de que os recursos retidos no FUNDEF são menores do que o total da vinculação constitucional. De forma que esse valor ainda está um pouco subestimado.
Temos alguns dados interessantes sobre o que significa a apropriação dos recursos do FUNDEF pela esfera municipal. Em 98, 38% dos recursos do FUNDEF
ficaram com os municípios. Em 2000 essa porcentagem subiu para 44%. Isso deixa claro o processo de municipalização em curso. Além disso, em 1998, 49% dos municípios brasileiros tiveram ganhos de receita com o Fundef. Em 2000, isso ocorreu em 62% dos municípios do País.