“Como ajudar seu filho a estudar melhor?”
Autora: Danila Secolim Coser (2007)
Aplicadora: Ana Carolina Christovam
presença e da ajuda do adulto para sobreviver e se desenvolver; ele demora a se movimentar com independência, a comer sozinho, a se defender mesmo de pequenos insetos... Mas chega longe, se tiver o apoio necessário!
Cabe aos adultos em geral, e aos pais em particular, cuidar para que as crianças sejam expostas às melhores condições de ensino e aprendizagem. Embora a responsabilidade de ensinar a criança a estudar seja considerada da escola, os pais podem (e devem) não apenas servir como vigilantes das condições de estudo que seus filhos obtêm na escola, mas assumir um papel
ativo na educação escolar dessas crianças.
Mesmo respeitadas as diferenças individuais, é possível afirmar que estudar bem é
resultado de aprender a estudar bem. E estudar bem está diretamente relacionado a gostar de fazê-lo. Para a criança que começa sua vida de estudos, é fundamental estabelecer uma relação
inicial muito gratificante com essa atividade. Como fazer isso? Sem a pretensão de dar receitas, os encontros que iremos realizar têm como objetivo identificarmos possibilidades sobre o que fazer para favorecer que seus filhos e suas filhas aprendam a estudar melhor; as informações contidas nesta apostila devem nos ajudar neste trabalho.
Ao longo dessa apostila você encontrará algumas recomendações que se referem ao local de estudo adequado, organização do material escolar, procedimentos de estudo, relacionamento entre pais e professores dos filhos, verificações de tarefa da criança e uma série de outros aspectos que serão abordados durante o treinamento de pais e que podem favorecer um estudo eficiente e agradável.
Lembre-se, contudo, que em geral mudanças acontecem aos poucos, não num “passe de mágica”; por isso, seu empenho e dedicação, para colocar em prática aquilo que será desenvolvido nos encontros, são essenciais para alcançarmos bons resultados!
Aí vai uma dica para começarmos com o pé direito: evite levar a criança a se sentir
culpada de suas dificuldades: este é um sentimento que marca uma criança para o resto de sua
vida. A criança deve aprender a estudar pelo que de bom isto vai trazer, não por culpa ou medo. Pode parecer difícil, mas vale a pena!
Para muitos aspectos da vida da criança (e para uma boa relação entre pais e filhos também!) é importante que os pais conheçam as dificuldades e habilidades dela, saibam o que ela gosta, o que não gosta, o que deixa ela triste, o que faz ela feliz e saibam também que o que vale para uma criança pode não valer para outra.
Muitos pais consideram que conhecem tudo sobre seus filhos, mas será que conhecem mesmo?
Pense no quê você sabe sobre seus filhos: Qual matéria seu filho mais gosta na escola? E
qual ele menos gosta? Qual o nome do melhor amigo do seu filho na escola? Qual seu programa de TV favorito? Qual carinho ele mais gosta que você faça? Qual a comida preferida dele? Do que ele mais gosta de brincar?
Se você não sabe responder a estas perguntas, procurar saber pode ajudar muito a lidar com seus filhos: observe atentamente seu filho no dia a dia e pergunte a ele seus gostos, preferências, desejos, etc. Mas, lembre-se: saber sobre seu filho não deve significar forçá-lo a se expor além do que deseja; embora crianças gostem de saber que os pais se interessam por estas coisas, também gostam de sentir que a vontade dele conversar é respeitada!
Como conhecer e conversar com seu filho de maneira agradável, demonstrando real interesse e não fazendo uma lista de perguntas? Algumas dicas:
- pais devem estar, sempre que possível, dispostos para acolher a criança, para que ela tenha liberdade e vontade de procurá-los quando sentir necessidade; não havendo possibilidade de atender a criança na hora em que ela procura pelos pais, é importante esclarecer os motivos (de modo que a criança saiba que não a estão rejeitando, e sim impedidos por alguma razão importante) e combinar o momento em que poderão se dedicar a esta atividade;
- aproveitar bem os momentos que favoreçam uma conversa em família; por exemplo, se a família faz pelo menos uma refeição junta, este pode ser um período para perguntar a todos como foi o dia, o que fizeram, do que gostam, além de elogiar bons comportamentos como uma nota boa, uma lição de casa feita, etc. É preferível que eventuais queixas e broncas não sejam feitas nestas situações, e sim em particular!
Você pode se perguntar: “Em que este conhecimento pode me ajudar a auxiliar meu filho no estudo?” Pode ajudar muito e em vários aspectos!
Veja alguns exemplos de como pode ser útil você conhecer bem seu filho:
Saber as habilidades e dificuldades da criança auxilia na hora de exigir o que, quando e como ela deve estudar. Cada um tem um rendimento diferente do outro ao estudar; por isso, é importante descobrir o quanto a criança consegue estudar, de forma que consiga dar conta de suas tarefas, sem que isso a impeça de fazer outras coisas agradáveis.
Estudar conversando com uma pessoa, ouvindo música, vendo televisão pode atrapalhar o estudo (a criança fica distraída e isto pode fazer com que ela erre mais ou demore mais para fazer a lição); porém existem crianças que podem conseguir fazer suas tarefas, sem erro e sem demora, ouvindo uma música suave. E seu filho? Além disso, ao saber mais sobre seu filho você pode se colocar no
lugar da criança, tornando mais fácil entender as necessidade e reações
deles. Quando você se aproxima do seu filho, e se interessa por suas
coisas, ele se sentirá mais seguro e amado, podendo superar os obstáculos
com mais facilidades.
UNIDADE II
RELAÇÃO COM A ESCOLA
Os pais podem e devem conversar com os professores de seus filhos!
Pesquisas mostram que quando os pais estão envolvidos com a escola, melhora o rendimento escolar dos filhos, diminui o número de faltas e repetências, melhora o comportamento do aluno, os professores vêem os pais como interessados e tendem a ajudar mais a criança.
Por isso, é muito importante conversar com os professores do
seu filho, não apenas quando você é chamado para uma reunião ou
para conversar de coisas que não estão indo bem (notas baixas, brigas com colegas, etc.).
O envolvimento com a escola e conversas com os professores devem ser constantes para que você possa:
Olhar as tarefas de casa da criança e saber quanto de lição a professora está pedindo, o
quê está sendo pedido como tarefa para a criança, se a criança sabe exatamente o que é esperado dela (se ela tem as informações necessárias para realizar as atividades
previstas ou se sabe como obtê-las ou, ainda, se sabe descobrir como obtê-las), que
dificuldades ela apresenta na sala de aula, etc;
Consultar o professor sobre os resultados que ele deseja alcançar e as razões para isso, ou sobre formas de dar apoio para a criança em casa;
Informar o professor se a criança não fez a tarefa porque não havia entendido o que deveria ser feito, se não tinha material para fazer o que o professor solicitou, se teve alguma dificuldade específica para fazer a lição etc. Uma conversa com o professor
pode ajudar a criança a enfrentar a situação de ter errado ou deixado de fazer alguma parte de sua lição;
Ajudar o professor a notar a necessidade de uma atenção maior ou especial ao seu filho;
Informar os professor sobre os procedimentos de estudo aplicados em casa;
Sugerir ao professor condições que podem ajudar a criança a cumprir suas tarefas
escolares, a partir de observações cuidadosas do comportamento da criança em casa.
Ajudar o professor a identificar a quantidade de lição que a criança consegue realizar bem, sem ter que passar o tempo todo estudando. Afinal, se o importante é que a criança goste de estudar, tudo que fizer o estudo se tornar desagradável pode atrapalhar o seu rendimento.
Quando conversar com o professor, avalie se a interação está sendo efetiva, pergunte a ele se o que vocês discutem sobre a criança está trazendo alguma mudança. Caso a sua avaliação indique que conversar com o professor não está levando ao efeito desejado, tente dar outras sugestões a ele, verifique se não deixou de perguntar algo ou dar alguma informação importante ao professor.
Depois das conversar é importante também saber o que fazer com informações que os professores dão! Apenas xingar ou brigar com a criança se a professora reclamou não provoca mudanças duradouras; assim, estabelecer metas e regras para que a criança consiga melhorar é fundamental. (Como fazer isso? É o que vamos aprender nesse curso, também!)
Além de conversar com os professores, participar dos eventos da escola como festas e comemorações mostram aos filhos que a escola é um local agradável e prestigia o trabalho da equipe escolar. Ao participarem, os pais demonstram que valorizam o mundo escolar da criança!
UNIDADE III