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Belgede Çalışma ve Toplum Dergisi (sayfa 31-38)

As mudanças socioeconômicas que afetaram a produção de moda e bens de consumo no Brasil redesenham, consequentemente, o mercado consumidor e o próprio campo. Com

base em dados do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI, 2014a), discute-se o perfil do mercado e do público consumidor de vestuário como parâmetro para entender o panorama socioeconômico atual da moda.

Na sua capacidade produtiva, o Brasil conta com:

 25,7 mil unidades com porte industrial;

 6,2 bilhões (peças) em produção de roupas, meias e acessórios;

 produção de 31,7 peças per capita por ano, com avanço de 0,8% em 2013;  gera 1,2 milhões de empregos;

 62% das importações brasileiras de vestuário em 2013 foram provenientes da China;  US$ 49 bilhões em valores de produção;

 US$ 150 milhões exportados;  US$ 2,4 bilhão importado.

Figura 2: Consumo x Produção.

Fonte: ABIT, 2014.

Na figura, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT, 2015) compara os resultados entre produção e consumo para todo o setor têxtil e aponta produção em queda no país, tanto na fabricação de têxteis em geral quanto na fabricação de vestuário. No entanto, a demanda de consumo por produtos desse setor é inversamente crescente, apresentando queda apenas em 2009, período posterior à crise, mas com rápida recuperação e crescimento. Apesar de ser um mercado produtor robusto, apresentou pouco crescimento no período avaliado e

grande concorrência dos importados, principalmente da China, um dos desafios dessa indústria que tem dificuldades de lidar com o barateamento da produção chinesa.

Ou seja, mesmo com a produção decaindo, reflexo de um cenário global da indústria que envolve o deslocamento das indústrias para países asiáticos, no que tange ao consumo de vestuário, no mesmo período:

 o varejo de vestuário movimentou em torno de US$ 80 bilhões (cerca de R$ 172,4 bilhões);

 crescimento de 36,0% entre 2009 e 2013;  consumo interno de 7 bilhões de peças;

 deste total, 12,1% se refere a artigos importados;

 o Sudeste é a principal região de consumo (47,0%) e São Paulo o principal estado (26,3% do total), seguida da região Nordeste (21,1%) e da região Sul (16,5%);

 o grupo consumidor que mais gasta com o produto é a classe média (poder de compra B2/C), moradora dos centros urbanos (84,9% da população brasileira).

A representação da classe média no Brasil e o poder de compra para o vestuário – 79,4% da demanda interna, quando as classes mais altas, A1/A2 representam 15,4% (IEMI, 2014b) traz impactos para a cultura de moda. Primeiro, é importante saber o que cada estrato significa. De acordo com o Critério Brasil de Classificação Econômica:

Figura 3: Renda Média Domiciliar por estrato socioeconômico.

Figura 4: Distribuição das classes por região brasileira.

Fonte: Critério Brasil de Classificação Econômica, ABEP, 2015.

A ascensão dos estratos intermediários do consumo no Brasil, com maior distribuição de renda, equidade e diminuição das camadas desprivilegiadas vem sendo apontada desde meados da primeira década do século XXI. É importante atentar que, por mais expressiva que seja a demanda da classe média e o quanto passa a ser definidora do mercado no país, fala-se de famílias que possuem uma renda ainda bastante modesta. Observa-se a considerável concentração de renda nas classes C2, C1 e B2 e na região Sudeste. As alterações nos grupos de renda de acordo com PNAD/IBGE são descritas por Neri (2009, p. 6 - 7):

 entre 2003 e 2008, 6 milhões de pessoas ascenderam às classes AB, totalizando 19,4 milhões;

 no mesmo período, a classe C passa de 37,56% da população para 49,22%, ou 91 milhões de brasileiros, um crescimento de 31% nesse período;

 as classes DE, no entanto, ainda apresentam quantidade elevada, totalizando 40,37% da população.

Esse movimento de ascensão fez popularizar o termo “nova classe média”, impulsionado pelo aumento de renda vindo de programas sociais como o Bolsa Família, os reajustes na previdência associados ao salário mínimo e do próprio salário mínimo, entre outras variações econômicas (NERI, 2009). O maior acesso ao crédito e às compras parceladas também traz incremento ao poder de compra, embora tenha o endividamento como consequência. Desse momento, do qual já é possível alinhar alguns estudos e percepções sobre o impacto na cultura brasileira, deriva uma movimentação no mundo do consumo, que

via na expansão das classes entrantes no mundo do consumo oportunidades para novos mercados, novos modelos de negócios e ampliação do mercado brasileiro.

O principal canal de distribuição no Brasil é o de lojas de departamentos especializadas em moda, ou seja, o que comercializa a moda em sua etapa de difusão e popularização, sem compromissos com o luxo ou a vanguarda estética de grifes e costureiros, a preços mais acessíveis.

Sobre as lojas de departamento especializadas (IEMI, 2014c):

 o principal público alvo é exatamente a classe C, com 51,5%;  buscam, principalmente, a consumidora feminina;

 a média dos preços populares dos produtos femininos gira em torno de R$ 96,92 por peça, enquanto a média dos preços mais elevados é de R$ 192,85. Alguns produtos, como a calça jeans, pode variar de R$ 19,99 em pontos de venda populares até uma média de R$ 413 nos mais exclusivos;

 os produtos da linha jeanswear em geral apresentam variação no preço médio entre os diferentes canais, sendo o preço mínimo médio de R$ 46,26 nos hipermercados e o máximo de R$ 233,16 nas redes de lojas independentes.

O que podemos apreender desses resultados é que a produção voltada para os estratos intermediários da população brasileira tem grande potencial, movimentando os negócios de grandes lojas de departamento e oferecendo às classes com crédito e poder aquisitivo recentemente adquirido, porém, ainda modesto, as oportunidades participar dos ciclos de estilos propostos pelo sistema de moda.

No entanto, a “nova classe média” é questionada por Yaccoub (2011), ao admitir que existem diferenças no modo ou estilo de vida do grupo abrangido por essa classificação social em comparação as classes consumidoras dominantes, mas não de forma a sedimentar uma classificação única adequada para todos. Para definir e classificar a identidade social de um grupo demanda acessar além de informações sobre bens de consumo, informações sobre os valores imateriais na reprodução das classes “suas formas de ser, estilos, modos de consumo, formas de linguagem, comportamento corporal, habitus, capitais culturais, sociais e simbólicos, etc” (YACCOUB, 2011, p.: 201).

A visão economicista universalizaria os pressupostos da classe média para todas as classes inferiores, desconsiderando diversidades sociais e imateriais, sendo representadas

como vencedoras de todas as mazelas por mérito próprio, alcançando estratos sociais mais privilegiados por meio do aumento do poder aquisitivo. Ao sair das classes DE e atingirem a classe C essas pessoas, obviamente, mudariam suas formas de ser e estar no mundo – deixariam de ser “pobres” para se tornarem das classes médias consumidoras, realizando desejos de consumo nunca antes possíveis. No entanto, essa impressão de invisibilidade daqueles que antes estavam nas classes “pobres” deturpa o que essa movimentação social possa ainda mostrar:

Numa perspectiva antropológica, é bastante nítido que um aumento de renda por si só não vai determinar uma adoção mecânica a um novo estilo de vida, como parece estar embutido, em boa parte, nessa discussão sobre a "nova classe média". Os estratos mais baixos não eram vistos com esse potencial de consumo,

mas consumiam, só que em outras esferas de consumo (YACCOUB, 2011, p. 209).

Esses grupos ascendentes também consumiam, das formas de consumo possíveis para a condição de carência e, enquanto isso, almejavam os confortos que apenas uma renda maior permitiria. A visão da ascensão social tomando “o indivíduo num tempo N como se não existisse um tempo N – 1” (MOTTA, 2012, p. 70) anula a trajetória em que foram formados preferências e gostos, como se o indivíduo atualizasse suas relações com as novas condições de forma imediata. Suas aspirações e experiências no processo de mobilidade econômica são bagagem para o estilo de vida que se constituirá.

Belgede Çalışma ve Toplum Dergisi (sayfa 31-38)

Benzer Belgeler