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3.2. İkinci Aşama

3.2.3. Üçüncü Soruya Verilen Cevaplara Göre Grupların Karşılaştırılması

A estrutura dos códigos de catalogação, como o AACR2, mostra que a distinção entre os diversos suportes documentais que portam a informação e a informação em si é confusa. Tais fatos são percebidos ainda no sumário do AACR2 e, no corpo do texto, é possível verificar, por exemplo, que há ausência de clareza na concepção de elementos como “designação geral de material” (DGM5) – braile, microforma, multimeios, música, reália e outros – e “designação específica de material” – página, mapa, partitura, cassete sonoro,

3 Em português, “Requisitos Funcionais dos Registros Bibliográficos”.

4 Nos termos de Ortega (2009b, p. 1), grafamos a área como substantivo próprio para designá-la enquanto fun- damentos teórico-metodológicos, em contraponto ao substantivo comum que designa os processos de produ- ção de descrição bibliográfica e pontos de acesso. Essa distinção estende-se a situações similares.

5 A controvérsia gerada em torno do DGM causou a inserção simultânea de duas listas distintas no AACR2: uma para atender às agências bibliográficas da Grã-Bretanha e outra para atender as da Austrália, do Canadá e dos Estados Unidos.

videocassete, diorama e outros. Tais designações misturam dados relativos ao suporte, ao meio e ao conteúdo. A International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA)6 percebeu tal incongruência e estabeleceu uma nona área da descrição bibliográfica para a “Internacional Standard Bibliographical Description” (ISBD7), em 2009, denominada por “Área 0 – Forma de Conteúdo e Tipo de Mídia”, mas a aplicabilidade ainda precisa ser avaliada.

O desenvolvimento da tecnologia eletrônica aplicada ao processo de catalo- gação ressaltou ainda mais as lacunas ocultas na estrutura dos registros bibliográficos ela- borados conforme o AACR2, embora possamos presumir que o mesmo ocorreu em menor ou maior grau em outros instrumentos normativos da catalogação.

Além disso, em outro aspecto, a tecnologia eletrônica também contribuiu para a diversificação e aumento de suportes documentais reunidos nas coleções de serviços de informação, antes compostas majoritariamente por documentos impressos. Não devemos esquecer, inclusive, que a tecnologia permitiu outros modos de apropriação dos suportes documentais pelo usuário de informação.

Em catalogação e ordenação de documentos, as novidades desenvolvidas para o processo, especialmente as tecnológicas, parecem induzir a comunidade de cataloga- dores a adotá-las de imediato sem as devidas reformulações, como se deu, desde o início, com os catálogos automatizados que imitavam os catálogos em ficha. Nesse movimento, os avanços da catalogação ocorridos no passado foram esquecidos na ficha catalográfica, como aconteceu com a remissiva que foi ignorada por muitos catálogos on-line. O mesmo parece ocorrer nos FRBR porque, de modo parecido, a comunidade reinvidica soluções ime- diatas para sua aplicação sem as devidas reflexões e diálogos com a produção sobre Cata- logação. Nesse sentido, há pouco engajamento do profissional na pesquisa teórica que fun- damente a elaboração de base de dados documentária, inclusive, de modo recorrente, adota-se uma postura passiva deixando que outros determinem o rumo da catalogação.

Essas e outras lacunas foram identificadas em estudos desenvolvidos no Brasil e no exterior sobre a aplicabilidade de modelos conceituais do universo bibliográfico (MORENO, 2006; FUSCO, 2010; BRENNE, 2004; O’NEILL, 2007), às quais acrescentamos:

- dificuldades na estruturação dos limites entre as entidades bibliográficas; - embora os FRBR particularizem os relacionamentos entre as entidades

bibliográficas, quando suas orientações são aplicadas na elaboração de

6 Em português, Federação Internacional de Associações Bibliotecárias.

7 ISBD é sigla da norma internacional que em português corresponde a “Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada”.

registro bibliográfico, em alguns casos, falsas associações e pouca explicitação dos relacionamentos podem ocorrer;

- incompatibilidade de concepções entre os diferentes instrumentos norma- tivos empregados no processo, como entre modelo bibliográfico e formato de intercâmbio de registro bibliográfico;

- os FRBR são estudados ou analisados isoladamente em torno de si mes- mos sem considerar as contribuições dos estudos que os antecederam; O Modelo FRBR não apresenta claramente as contribuições que ensejaram o seu estabelecimento. Um exemplo é dado por Alfredo Serrai (2002 apud LE BŒUF, 2005) que cita um artigo de Michael Heaney, publicado em 1995, no qual o autor propõe um modelo de catalogação orientado a um objeto constituído por três elementos: obra abstrata, publicação e cópia. Serrai se queixa de que tais estudos foram ignorados pela IFLA, a ponto de ele insinuar que os consultores dos FRBR plagiaram as ideias de Heaney. Desse fato, podemos notar que o resgate histórico de estudos da obra em Catalogação é oportuno.

Além disso, a maioria dos estudos do FRBR tem uma abordagem mais geral do Modelo, dando pouca contribuição para as questões relativas aos aspectos conceituais das entidades bibliográficas, que podem compor a catalogação – alguns, sem considerar o entendimento das entidades e dos atributos representados. Identificamos muitos estudos que focam alguma tipologia mais específica: obra musical, obra literária, obra cinematográfica, obra cartográfica e outras. Abordagens mais específicas, como as que há na coletânea coordenada por Le Bœuf (2005), são importantes e devem ser consideradas, porém, nossa análise busca compreender a noção de obra independentemente de tais qualificações.

Nessa perspetiva, o estudo da entidade obra não pode ser reduzido à definição proposta nos FRBR, criação de conteúdo intelectual ou artístico diferenciados. Aliás, a noção de obra é questão insuficientemente tratada em Organização da Informação. Nesse sentido, é necessário explorarmos o conceito de obra de modo mais amplo, buscando aportes teóricos em áreas como a Comunicação, a Literatura, a Linguística, dentre outras.

Há que se investigar os artifícios empregados para a criação da obra pelo criador que a imagina, bem como o modo em que ela se realiza e se materializa em suporte documental. Para tanto, o criador participa diretamente de revisões, de ampliações, de atualizações e de alterações de sua obra durante o tempo em que tiver condições físicas e mentais para tal. Quando a participação do autor se torna impossível, a versão final da obra pode ser considerada a mais apurada. Podemos pressupor que o processo de criação da obra estende-se por toda a vida do autor, salvo se houver edição crítica póstuma. Diante

disso questionamos: qual o sentido e as implicações em Organização da Informação do processo de revisão, de ampliação e de alteração a que a obra se submete? Qualquer alteração póstuma no conteúdo pode implicar em outra obra? Diante dessas questões, parece haver uma espécie de ‘arqueologia’ da obra que precisa ser considerada.

Na catalogação de obra musical, há lacunas que precisam ser exploradas, por exemplo: letra e melodia criadas por diferentes autores, usadas em obra musical, podem ser tratadas como obras distintas ou integradas? Além disso, há que se considerar a variação desta obra em diferentes materializações, como: a música vocal em expressão sonora, em expressão textual, em expressão notacional em variações tonais, em expressão audiovisual e em outras proliferações, inclusive se é extrato, parte ou versão de obra. Como se cataloga situações similares a estas? São questões que não foram suficientemente tratadas em Cata- logação de modo conceitual, pois, em grande parte, são tratadas de modo circunstancial no processo.

A obra também é produto social, do que decorre que apresenta as caraterísticas do grupo que a criou. Compartilha a língua, a estética, a história, o pensamento de seu contexto social e pode interessar a outros contextos independentemente de limites do espaço, do tempo e da comunidade em que foi criada. Essas caraterísticas devem ser observadas quando a obra é identificada e selecionada para compor um sistema de informação documentária.

Quando submetido à catalogação, o documento que porta a obra precisa ser analisado de modo consistente para designar o que se representa e para quem se repre- senta ou, dito de outro modo, o documento como obra precisa ser analisado como entidade de interesse para um dado contexto institucional, caracterizado por um público usuário de base de dados documentária, na qual a obra pode ser buscada por uma ou mais pessoas para diferentes propósitos.

Assim, o que precisa ser explorado é o conceito, a criação, a materialidade e a representação do documento como obra em registro bibliográfico para fins de acesso, de modo que atenda a previsão de busca da informação pelos usuários. Nesses termos, há que se investigar em que medida o registro bibliográfico estabelece distinção clara entre as entidades obra e documento. Acreditamos que, ao discriminar entidades bibliográficas, o registro será estruturado de modo mais consistente.

Levando esses problemas em consideração, as questões centrais que condu- zem a análise são apresentadas abaixo:

- como a obra é constituída nos atos criativos empreendidos pelos seus criadores, inclusive nos modos em que é materializada e recebida pelo público?

- que aspectos dos estudos da Documentação do documento como obra podem contribuir para a catalogação?

- como a entidade obra é tratada historicamente no âmbito da Catalogação? - que aspectos do documento como obra devem ser expressos claramente

no registro bibliográfico de modo que este atenda à previsão de busca dos usuários de informação que buscam uma determinada obra?

- ao se estabelecer diálogos entre Documentação e Biblioteconomia, de que forma podemos estabelecer o documento como obra em Organização da Informação?

1.4 OBJETIVOS

Buscamos atingir ao objetivo geral e aos objetivos específicos enunciados abaixo. O objetivo geral é,

- explorar o documento como obra em Organização da Informação, bus- cando contribuir para a construção de conceitos pertinentes em Ciência da Informação.

Os tópicos enunciados a seguir mostram os objetivos específicos que preten- demos atingir:

- avançar na elaboração de conceitos mais fundamentais aos processos da Organização da Informação que envolvam a noção de obra;

- propor alternativas produtivas à variação terminológica em torno do objeto com o qual se trabalha em Organização da Informação, quais sejam: docu- mento, obra e item;

- discutir os processos e produtos que envolvem a noção de obra em Orga- nização da Informação de forma a fornecer quadro conceitual que facilite as operações concretas;

- promover o avanço em Ciência da Informação ao discorrer sobre as contri- buições da Biblioteconomia e da Documentação no que tange ao tema deste trabalho.