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Üçüncü Öğrenciye İlişkin Bulgular

5. VERİLERİN ANALİZLERİ

5.4. Üçüncü Öğrenciye İlişkin Bulgular

Cesare Beccaria é tido como a primeira grande referência do utilitarismo penal em sua versão moderna, sobretudo da teoria da prevenção geral negativa (Xavier, 2012). Em oposição às teorias retributivistas e sob o argumento de “humanizar” e de “racionalizar” a pena, Beccaria sintetizou os elementos de uma teoria que até hoje constitui um dos pilares do sistema criminal moderno.

211 PL 1368/2007 e PL 5784/2005 – Câmara dos Deputados. 212 PL 3760/2004 – Câmara dos Deputados.

213 PL 438/2003 – Senado Federal.

Contrariando seus antecessores (retributivistas), propôs que a resposta a um ato criminoso fosse justifica por sua utilidade para a sociedade, e não pela necessidade de restabelecimento de uma moral metafísica (idem). De acordo com Beccaria, seriam dois os objetivos da pena: impedir o delinquente de cometer novos delitos (prevenção especial negativa); impedir que os demais cidadãos, em razão do medo que causa a pena em suas mentes, cometessem atos semelhantes (prevenção geral negativa). Para tanto, o terror da pena deveria ser suficiente para provocar um estímulo negativo entre os que ainda não cometeram qualquer delito e a certeza de sua aplicação, incontestável.

Como podemos notar, os partidários da teoria da prevenção geral negativa pretendem obter com a ameaça de pena a dissuasão dos que não delinquiram e que, por qualquer motivo, podem vir a sentir-se tentados a fazê-lo (Zaffaroni et al, 2003). A ameaça e a execução da pena atuariam sobre a coletividade de modo a fazer com que os potenciais criminosos abandonassem seus intentos; o medo e o horror provocados pela ameaça de pena e pela experiência da sua execução seriam capazes de intimidar aqueles propensos a condutas criminosas (Günther, 2009). A criminalização, sob esse aspecto, assumiria uma função utilitária e sua medida deveria ser suficiente para intimidar os indivíduos tentados a cometer crimes; a punição do delinquente seria apenas um meio para provocar sensações em terceiros, pois “[instrumentalizaria] o apenado para alcançar fins que nada [teriam] a ver com ele [próprio] ou com sua conduta. A conduta penal apenas ofereceria o ensejo para estabelecer um exemplo para os demais” (Günther, 2009: p.61).

A decisão sobre se punir e, principalmente, sobre como punir dependeria dos efeitos desejáveis sobre terceiro, e não sobre o próprio autor do delito. A quantidade e a amplitude dos sofrimentos infligidos por meio da pena seriam determinados pela intensidade da demanda de prevenção e não por qualquer outro motivo relacionado ao delito ou ao próprio infrator.

Dentre os resultados esperados pelo legislador com a criação de novos crimes, o aumento de penas e a inclusão de condutas no rol de crimes hediondos, aqueles associados à prevenção geral negativa foram, sem dúvida, os mais frequentes. Algumas das Justificativas foram explícitas ao ponto de se referirem explicitamente ao termo “prevenção geral”.

Nossa proposta, então, é no sentido de incrementar as penas cominadas em abstrato, para sinalizar aos fraudadores que o Estado brasileiro está atento para essa conduta criminosa tão prejudicial à Administração Pública.

Esperamos, com isso, mais efetividade na prevenção geral desse delito, razão pela qual pedimos aos nobres Pares que votem pela aprovação do projeto215.

Esse dado revela, por si só, que as penas cominadas em abstrato para os crimes próprios dos funcionários públicos não estão sendo suficientes para a prevenção geral desses crimes. (...) Em outras palavras, as penas cominadas abstratamente não inibem a conduta delituosa do servidor216.

Os efeitos intimidatórios atribuídos à pena pelo legislador se fizeram notar quando afirmou que as alterações então propostas, “[seriam] de grande importância para o desencorajamento dos crimes contra a Administração Pública (...)”217; o mesmo ocorreu quando pretendeu

“desestimular [as]práticas nocivas que prejudicam toda a nação brasileira”218, por meio do

aumento da pena e da inclusão da corrupção (lato sensu) no rol de crimes hediondos219. Sob o argumento de que a pena “[desencorajaria] tais condutas”, o legislador propôs “a criminalização dos atos de improbidade administrativa”, justificando que tais atos “são absolutamente lesivos a toda comunidade”.

Apesar de cremos que a utilização do termo “prevenção” pelo legislador se referiu aos efeitos de prevenção geral negativa comumente atribuídos à pena, os trechos a seguir (todos trazendo referências aos efeitos dissuasivos e preventivos da sanção penal) não excluem - ao menos em tese - das intenções do legislador outros efeitos preventivos. No entanto, por se tratar a prevenção geral negativa de um dos mais importantes pilares do direito penal, optamos por relacioná-los nessa seção e não naquela em que apresentaremos os pressupostos das teorias da prevenção geral positiva e especial negativa.

O combate à corrupção pressupõe a existência de critérios objetivos que permitam punição (...) exemplar220.

Conclamamos os ilustres Pares para aprovação deste projeto, que, transformado em lei, permitirá maior prevenção das condutas proibidas de corrupção, que têm impedido o suprimento das necessidades sociais das áreas de saúde e a educação221.

É imperioso, portanto, que se exaspere esses intervalos penais, na busca de se garantir a efetiva punição dos criminosos, em quantidade necessária e

215 PL 232 – Senado Federal. 216 PL 92/2011 – Senado federal. 217 PL 253/2006 – Senado Federal.

218 PL 2489/2011 – Câmara dos Deputados.

219Sob o argumento de que a pena “[desencorajaria] tais condutas”, o legislador propôs “a criminalização dos

atos de improbidade administrativa”, justificando que tais atos “são absolutamente lesivos a toda comunidade” (PL5581/2009 – Câmara dos Deputados).

220 PL 4324/2012 – Câmara dos Deputados. 221 PL 35/2009 – Senado Federal.

suficiente para a reprovação e prevenção do crime, reduzindo, assim, os altos prejuízos provocados na moralidade pública e na economia de nosso País222.

Como a saúde e a educação devem ser prioridades primeiras em qualquer instância governamental, o que deflui da própria Constituição Federal, na medida em que são as verbas destinadas a esses fins as únicas de caráter obrigatório, conforme arts. 60 e 77 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias faz-se necessário que os desvios realizados em relação a essas verbas sejam apenadas de forma mais gravosa, até mesmo como medida de prevenção223.

O país e a população têm que estar protegidos contra os corruptos, por meio de uma resposta penal que, rigorosamente, previna e sancione infrações que atentem contra a própria existência do Estado224.

A implantação de ouvidorias, nos diversos órgãos públicos, e a colocação, à disposição da população, de números de telefones destinados ao recebimento de denúncias, comumente denominados de “disque-denúncia”, têm-se mostrado um instrumento bastante eficiente para a obtenção de informações que permitam a prevenção, a apuração e a repressão a crimes e a ilícitos administrativos225.

Com efeito, esse exército de anônimos, quase uma abstração, deve ser protegido pelo Estado, mediante resposta penal que, rigorosamente, previna e sancione estas infrações que atentam contra a própria existência do Ente público enquanto promotor do bem comum226.

Benzer Belgeler