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O termo sustentabilidade urbana, de um modo geral, tem sido amplamente disseminado como referência à concepção de cidades mais justas, que ofereçam qualidade de vida a todos, ao mesmo tempo em que promovam condições de preservar o meio ambiente natural. Entretanto, deve-se considerar que a ideia de sustentabilidade urbana está em constante processo de evolução em virtude de novas demandas geradas pela própria dinâmica da sociedade. Tal fato pode ser observado pela diversidade de compreensões e conceitos existentes, com valores e significados distintos que são associados a esta temática.

Envolver-se no diálogo sobre a sustentabilidade urbana significa considerar as dimensões da sustentabilidade, as quais Sachs (2000) define em oito perspectivas, nas quais se internalizam as crescentes necessidades do ser humano. O quadro 2 fundamenta-se nas considerações do autor sobre as dimensões da sustentabilidade e suas respectivas estratégias de ação.

QUADRO 2: Dimensões da sustentabilidade

Dimensões Estratégias

Ecológica

Intensificação de processos que imponham a redução de substâncias poluentes por meio da adoção de medidas de conservação de energia e recursos, reciclagem, substituição por recursos renováveis abundantes e inofensivos e o desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir ao mínimo os resíduos, ao mesmo tempo em que alcançam a máxima eficiência dos recursos utilizados.

Econômica

Desenvolvimento de um fluxo constante de investimentos públicos e privados, bem como de um manejo eficiente sobre os recursos naturais.

Social

Utilização de mecanismo de política pública que conduza a uma distribuição de renda mais equânime, assim como a um padrão de crescimento mais estabilizado.

Espacial Configuração territorial mais equilibrada, voltada ao estabelecimento de uma rede de reservas da biosfera que ofereça a proteção à diversidade biológica e auxílio ao bem-estar da população.

Cultural

Trata de questões específicas que permitem a perpetuação da cultura regional e de seu respectivo ecossistema.

Ambiental Diz respeito à capacidade de suporte, resiliência e resistência dos ecossistemas.

Política Nacional

Fundamentada na democracia e no respeito aos direitos humanos, sendo o Estado o responsável pela implementação de projetos nacionais em parceria com agentes ambientais.

Política Internacional

Utilização de princípios baseados na precaução da gestão de ativos ambientais, na promoção e cooperação internacional nas áreas financeiras e de ciência e tecnologia, e garantir a paz entre as nações.

Entretanto, este trabalho almeja discutir questões que remetem às dimensões ecológica, social e cultural da sustentabilidade sobre o ambiente urbano.

O âmbito da sustentabilidade ecológica tem produzido transformações no contexto urbano. Este, diante de uma crise ecológica marcada por uma estrutura desenvolvimentista fragmentada, exploratória e desigual, define-se em elementos como população, tecnologias existentes, recursos naturais e padrão de consumo. Desse modo, evoca-se a sustentabilidade ecológica como estratégia para promover a consolidação de um meio ambiente urbano com novos paradigmas de desenvolvimento e bem-estar, que ofereçam um ambiente com capacidade de suporte às atividades urbanas.

Silva (2011) reforça esta ideia ao discorrer que devido à crise ambiental e urbana ao longo das últimas décadas, a noção de sustentabilidade passou a ser enfatizada como uma perspectiva à obtenção de uma condição de vida qualificada ao longo do tempo. Ao transferir a esta noção para o contexto urbano, a autora infere sobre a possibilidade em corrigir os rumos tomados até então por meio do planejamento de cidades cujas estruturas sociais, econômicas, políticas, ecológicas e culturais se preservem. Este discurso permite consolidar termos como “cidades sustentáveis”, “estratégias sustentáveis”, “projetos sustentáveis”, dentre outras composições semelhantes alinhadas à iniciativas de atuação que incluem parâmetros relacionados à proteção do meio ambiente, equidade social e a garantia à perpetuação de recursos e serviços necessário a manutenção da vida humana.

Segundo Costa (1999) a expressão meio ambiente urbano sintetiza dimensões físicas da cidade, a qual incluem aspectos naturais e artificiais, às dimensões de ambiência, que dizem respeito às práticas da vida urbana, associadas à busca de qualidade de vida. Tal situação remete a busca de uma equidade socioambiental, assim como à possível consolidação de equilíbrio entre condições ambientais e materiais.

De modo similar ao contexto apresentado por Costa (1999), Demantova e Rutkowski (2007) argumentam sobre a construção da sustentabilidade urbana, em que há uma necessidade de mudança de percepção sobre o que se entende pelo espaço urbano e como as metodologias de análise espacial se aplicam às cidades. Assim, segundo as autoras, as cidades deixam de ser espaços absolutos (restrito a aspectos físicos) e passam a ser espaços relativos (aspectos sociais e ambientais integram-se).

Visão semelhante, que analisa a sustentabilidade urbana como a combinação entre bem-estar humano a fatores ecológicos é apresentada por Monte-Mór (1994), uma vez que para o autor ela tem como base o grau de permeabilidade e integração entre os espaços social e natural, onde as condições ecológicas são adequadas às particularidades de cada sociedade.

O processo de obtenção da sustentabilidade urbana para Rogers et al. (2001) é análogo aos argumentos dos autores citados anteriormente, já que a compreensão do autor parte do princípio de que questões ambientais e sociais não devem diferir entre si, mas sim reforçar-se mutuamente como forma de promover a qualidade de vida urbana e consequentemente garantir cidades sustentáveis.

Spirn (1995) também alega que a cidade precisa ser compreendida como parte integrante da natureza, onde seu processo de criação deve se orientar de acordo com os processos naturais e as potencialidades da natureza para a obtenção de um habitat urbano sustentável.

A partir destas considerações, compreende-se que é fundamental ao processo de construção da sustentabilidade ecológica urbana articulá-la, simultaneamente, ao elemento social e cultural, provendo, desse modo, qualidade de vida mediante serviços ofertados pelos ecossistemas naturais (regulação, suporte, saúde e lazer). Assim, a oferta de ambientes urbanos ecologicamente equilibrados constitui um reflexo de ações presentes, nas quais existe o envolvimento da sociedade.

Benzer Belgeler