SAĞLAYABİLMEK İÇİN ALINMASI GEREKEN ÖNLEMLER
2. YARGI ÖZNEL BAĞIMSIZLIĞINI SAĞLAYABİLMEK İÇİN YARGICA TANINMASI GEREKEN TEMİNATLAR
O desenvolvimento das diversas ferramentas existentes na Contabilidade abriu a necessidade de visualização de um contexto geral de operação das mesmas evitando compartimentar o conhecimento. Contextualizar passa a ser condição fundamental para a eficiência da função cognitiva e o conhecimento de informações isoladas não é suficiente para dar significado (BASTIEN apud MORIN, 1999, p. 14). O paradigma da não redução passa a ser o paradigma da contextualização dos fenômenos e esta proposta é trazida para o ambiente de educação contábil por meio deste trabalho.
Para satisfazer essa necessidade de aperfeiçoamento das formas de pensar foram buscadas teorias que suportassem esse objetivo. A Teoria da Complexidade aparece neste momento, então, para dar o aparato teórico necessário para trazer à Contabilidade a postura não reducionista da realidade, fornecendo assim, as condições de interpretação do ambiente que levassem em conta a introdução desses pensamentos na educação em Contabilidade. As relações humanas são complexas demais para caber dentro da perspectiva simplista de que a Contabilidade é mera fornecedora de informações econômicas para usuários racionais e o entendimento do papel da Contabilidade na sociedade e sua evolução pressupõem um entendimento mais amplo do ambiente social e de suas inter-relações (MARTINS; LOPES, 2005, p. 2). A reorganização do conhecimento ultrapassa o diálogo entre os conteúdos disciplinares (MORIN apud ALMEIDA, op. cit., p. 81).
A TC é uma teoria amparada por diversas disciplinas que correspondem ao estudo do entrelaçamento e da contínua interação da infinidade de sistemas e fenômenos que compõem o mundo natural, configurando-se como uma visão do mundo que aceita e procura compreender as mudanças contínuas do real e não nega o aleatório, as incertezas e as multiplicidades das coisas e busca conviver com elas (MARIOTTI, 2000). A TC se estabelece a partir de vários autores de diversas áreas se mostrando uma teoria apta a navegar por áreas tão distintas quanto a biologia, a sociologia, antropologia e educação, entre outras (THOMAS; MENGEL, 2008).
Os principais conceitos ligados a essa Teoria são o conceito de caos, de propriedades emergentes, aleatoriedade, visão holística, adaptação e evolução. Caos é um modo particular de comportamento (ROSENHEAD, 1998), por isso aperiódico e imprevisível, que se apresenta em sistema extremamente sensível a variações das condições iniciais (THOMAS; MENGEL, op. cit.; SINGH; SINGH, 2002). É também definido como imprevisibilidade de um comportamento específico, dentro de um comportamento de estrutura geral previsível (SINGH; SINGH, 2002). A imagem de fronteira do caos se apresenta também na figura da evolução. Na medida em que evoluímos, também o fazem nossos competidores, e para nos mantermos em forma, temos que nos adaptar às suas adaptações (KAUFFMAN, 1995, p. 26). Quanto às propriedades emergentes, dizemos que estas são fenômenos onde comportamentos agregados bem definidos nascem a partir de um conjunto de comportamentos individuais e localizados. A noção de propriedades emergentes coloca que tais comportamentos individuais quando agregados a um conjunto maior de comportamentos distintos dá origem a algo novo e global que difere sobremaneira de suas origens, tais noções são importantes quando consideramos que sistemas descentralizados são peças chaves no estudo de Sistemas Complexos (MILLER; PAGE, 2007, p. 44-46).
E ao estudar a Teoria da Complexidade é necessário atentar também para o entendimento dos Sistemas Adaptativos Complexos (SAC). Estes são sistemas onde uma variedade de relações entre componentes integrantes, sem um comando central identificado e com regras simples de operação, dá origem a um comportamento coletivo complexo, a um sofisticado processo de informação, e adaptação via aprendizado ou evolução. É um sistema que exibe comportamentos emergentes, não triviais e auto-organizadores (MITCHELL, op. cit., p.13).
Não importa se estamos nos referindo aos organismos vivos ou economias, regras gerais governam os processos adaptativos, e a Complexidade também se apresenta potencialmente como uma regra geral (KAUFFMAN, op. cit., p. 26).
Um conjunto de fatores liga a questão do aprendizado ao funcionamento de tais sistemas. Num extremo se encontra a idéia de que mecanismos evolucionários resultam em sistemas compostos de agentes que empregam altos graus de habilidade de processamento de informação e leva o sistema a adaptação e então a evolução (MILLER; PAGE, op. cit., p. 81). Problemas hoje tratados pela TC já vêm sendo documentados há algum tempo pelas teorias na Ciência da Gestão e na Ciência Contábil. Para exemplificar, citamos a menção de Carter, para quem as organizações sempre resistem às mudanças mesmo quando ameaçadas de extinção pelo ambiente e isso se deve à busca constante pela estabilidade e as tentativas de desvios das incertezas (CARTER, 1971 apud MLLER; FRIESEN, op. cit.). A questão da evolução também se faz presente nos trabalhos de Scapens (2006) ao mencionar que se estudarmos as regras e as rotinas que moldam uma organização e a forma como essas regras e rotinas evoluem nós seremos capazes de melhor entender as mudanças nas práticas gerenciais. Questões ligadas ao grau de estabilidade das práticas contábeis já são compartilhadas por diversos autores (BURNS; VAIVIO, 2001), o que leva a uma reflexão mais atenta sobre o aspecto de caos e de instabilidade dos comportamentos das organizações. Os parâmetros de incerteza, as necessidades de divisões dos objetivos de estudo e posterior reunião, a perspectiva da não-linearidade dos fenômenos, a simplificação excessiva da realidade, e a visão holística e sistêmica dos fenômenos são abordagens presentes no campo da Contabilidade, mesmo que tais conceitos se encontrem espalhados por diversas teorias (GREEN; WALSH, 1988; WOODWARD, 1970; FISHER, 1995; MEYER et. al., 1993). As habilidades de adaptação; a visão integradora do mundo natural; e a perspectiva de recombinação de conhecimentos para a geração de novos saberes que emergem com a evolução da atuação humana no ambiente passam a ser ingredientes possíveis de serem introduzidos na educação contábil a partir desse conjunto de conceitos abarcados na Teoria da Complexidade, fornecendo, portanto, a possibilidade de suavizar os efeitos colaterais da cultura das simplificações dos modelos explicativos na realidade.
Para migrar essa forma de pensamento presente na Contabilidade, no entanto, uma possibilidade é agir na base da formação das pessoas que atuam nesta área, oferecendo uma alternativa de pensamento aos já tradicionalmente disponibilizados. Para articular e organizar, e então reconhecer e compreender os problemas do mundo, nós necessitamos de uma reforma do pensamento e esta reforma é paradigmática e não programática, é a questão fundamental para a educação porque está ligada à nossa habilidade de organizar o conhecimento (MORIN, 2001, P. 29).
Para materializar essa abordagem complexa da realidade na educação, um caminho possível foi buscar metodologias de ensino que levassem em consideração novos modelos de produção e organização do conhecimento. Essa necessidade foi satisfeita pela Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) (ARAÚJO; SASTRE, 2009, p.7). Trata-se de um método de aprendizagem em que os estudantes primeiro se deparam com um problema para, então, ser seguido de um questionamento sistemático e de um processo de reflexão (BARROWS, 1980
apud MENNIN, 2007). Essa metodologia se apóia nos princípios e nas teorias educacionais,
nos quais pequenos grupos de aprendizagem baseada em problemas estão apoiados, possuem estreitas relações com as perspectivas dos Sistemas Adaptativos Complexos (SAC) e também estão compreendidos no entendimento de que as pessoas conhecem o mundo interagindo com ele no contexto de experiências prévias (MENNIN, 2007).
Diante da incerteza dos fatores e da mudança constante dos padrões, uma habilidade importante para o indivíduo passa a ser então, a habilidade de solução de problemas em que, para a geração de uma solução satisfatória, é necessária a conexão de diversas partes dos fenômenos para primeiro haver um entendimento e, em seguida, uma proposta de solução. Diante de algo inédito, uma condição importante é a da autonomia do sujeito em trilhar caminhos em busca de informação e conhecimento que desencadeará o aprendizado de um dado fenômeno (SIMON, 1980, p. 85). Autonomia que gera aprendizagem e soluciona problemas passa a ser o elemento principal da abordagem deste trabalho.
A aprendizagem como vista até aqui pode ser expressa no sentido mais amplo, em que aprendizagem passa a ser um processo adaptativo se desenvolvendo no tempo, em razão das respostas dada pelo sujeito a um conjunto de estímulos anteriores e atuais (PIAGET; CHOMSKY, 1983, P. 26-28), e a habilidade de solução de problemas fica sintetizada como
sendo a habilidade de adaptar conhecimentos adquiridos a uma outra situação (LEME, 1993, p. 521 apud BERTOLOZZI, op. cit., p. 3).
Diante desses fatos, o questionamento principal que recai sobre este trabalho é se uma abordagem complexa da realidade no processo de ensino-aprendizagem na Contabilidade, por intermédio da ABP, provê aos alunos a percepção de maiores ganhos de autonomia, de aprendizagem e de habilidades em solução de problemas se comparados com os ganhos providos pelo ensino tradicional expositivo, e ainda, comparar essas percepções com o desempenho dos alunos em solução de casos de ensino e de testes de Contabilidade de Custos como forma de melhorar a interpretação dessas percepções.
Para responder a esta questão, primeiramente houve uma aproximação entre a TC e ABP como forma de conferência de que essa metodologia de ensino se enquadra nos requisitos daquela teoria. Essa aproximação visa evidenciar uma metodologia que capacita o estudante a desenvolver habilidades sustentáveis apropriadas para um ambiente em que as organizações estão em constante mudança e desenvolvimento (FRASER; GREENHALG, op. cit.) e demonstrar que a ABP oferece um processo favorável ao entendimento da convivência com o incerto, com o instável e com o caótico, e também, fomenta as reflexões necessárias nas ações e sobre as ações dos indivíduos, o que em si, é essencial para o contínuo aprendizado e desenvolvimento (MENNIN; op. cit.).
Satisfeita essa etapa, um quase-experimento foi desenvolvido como forma de comparar os resultados entre as modalidades de ABP e a tradicional expositiva. Dois grupos, sendo cada um com 22 integrantes, se revezam entre grupo experimental e grupo de controle durante um experimento de duas etapas de 45 dias cada. Diversos instrumentos de coleta de dados foram utilizados, sendo eles pré-teste e pós-testes, questionários de percepções e depoimentos dos participantes coletados por escrito. Comparações entre os grupos e dentro do mesmo grupo são efetuadas para avaliar as diferenças de percepções e de desempenho entre os estudantes nos quesitos autonomia, aprendizagem e habilidade em solução de problema, que foram assim mensurados:
a) Para os quesitos de autonomia e habilidade de solução de problemas é levada em consideração a qualidade da explicação escrita dada a um caso de ensino em que o
assunto principal foi o Custeio ABC, conhecimento este que não era de domínio dos integrantes dos grupos; e
b) Para a variável aprendizagem foi utilizado o desempenho dos estudantes em questionário que tratou sobre conceitos básicos de Contabilidade de Custos como mensuração para efeito de comparações. Este questionário, como já explicitado, contém 15 questões extraídas dos trabalhos de Guerreiro et al (2004) e Martins e Rocha (2008), que abordam diversos aspectos de custeio.
Essas comparações reforçaram a análise das percepções dos estudantes, coletadas através da aplicação de questionários, quanto às próprias capacidades de aprendizagem, de solução de problema e presença (ganhos) de autonomia.