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3.6.1 Índice de Massa Corpórea (IMC)

O IMC, também conhecido como índice de Quételet, é utilizado na avaliação do estado nutricional de populações, sendo obtido a partir da divisão da massa corporal em quilogramas, pela estatura em metro, elevada ao quadrado (kg/m2)

(ACUÑA & CRUZ, 2004). É o indicador antropométrico mais utilizado para avaliação do risco nutricional por ser uma medida de fácil aplicabilidade, baixo custo, e pouca diferença entre examinadores. No entanto essa medida é muito questionada no idoso, principalmente quanto à sua classificação, por não considerar as mudanças de distribuição regional de gordura no envelhecimento (PFRIMER; FERRIOLLI, 2008).

Mudanças na composição corporal ocorrem com o avanço da idade resultando na diminuição da massa livre de gordura e no aumento da massa gorda, a qual é armazenada intra-abdominal e intramuscularmente, em vez de subcutaneamente, como no adulto jovem. Alterações no conteúdo de minerais da massa livre de gordura e na quantidade de água intra e extracelular também são observados, sendo que estas afetam os parâmetros de avaliação antropométrica do idoso, levando a uma provável mudança na relação entre adiposidade corporal e IMC, com o avanço da idade (CERVI; FRANCESCHINI; PRIORE, 2005).

Durante o envelhecimento há um declínio progressivo na estatura, decorrente de diversas modificações na coluna vertebral, como achatamento dos corpos vertebrais, redução dos discos intervertebrais e deformidades como acentuação da

cifose dorsal, lordose ou escoliose, e também do arqueamento dos membros inferiores e do achatamento do arco plantar, além da redução da massa corporal, em função da diminuição da água corporal e da massa muscular (BRASIL, 2004; COELHO; PEREIRA; COELHO, 2004; SAMPAIO, 2004; COELHO; AMORIM, 2007). Essas alterações levam a mudanças no IMC que são menores do que seriam nos grupos mais jovens com uma estatura estável, nos quais as mudanças no IMC refletiriam principalmente alteração na massa corporal (CERVI; FRANCESCHINI; PRIORE, 2005).

Outro aspecto a ser considerado diz respeito à obtenção dos dados de massa corporal e estatura, visto que é comum indivíduos idosos apresentam problemas para caminhar até as balanças e antropômetros, ou mesmo manter o equilíbrio postural, dificultando ficarem em posição correta, parados ou em pé um certo tempo, para uma boa aferição das medidas antropométricas (COELHO; PEREIRA; COELHO, 2004).

Desta forma, a literatura tem considerado que o IMC deve ser analisado simultaneamente a outros indicadores, tendo em vista que o mesmo não reflete a distribuição regional de gordura, a massa muscular ou qualquer outra mudança na distribuição de gordura ocorrida com o processo de envelhecimento (PERISSINOTTO et al., 2002; SAMPAIO, 2004; CERVI; FRANCESCHINI; PRIORE, 2005).

Não existe um consenso sobre a definição de IMC alto ou baixo para idoso, sendo verificado que existe divergência entre vários estudos quanto aos critérios de avaliação empregados (BASSLER; LEI, 2008; ROMERO-CORRAL et al., 2008; SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009; FERRA et al., 2011; WANG et al., 2010; IBGE, 2010). Alguns autores propõem classificações específicas para faixas etárias avançadas, em virtude da alteração corporal típica do envelhecimento. Os quadros a seguir apresentam os critérios de avaliação do IMC através dos parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde - OMS (1998), por Lipschitz (1994) e por Perissinotto e cols (2002).

Tabela 1. Classificação do Índice de Massa Corporal segundo a OMS, 1998. IMC (kg/m²) Classificação < 18,5 Baixo peso 18,5 – 24,9 Eutrofia 25,0 – 29,9 Sobrepeso ≥ 30,0 Obesidade Fonte: OMS (1998)

Tabela 2. Classificação do Índice de Massa Corporal segundo LIPSCHITZ, 1994. Classificação IMC (Kg/m2)

Baixo peso < 22

Eutrofia 22 – 27

Sobrepeso > 27

Fonte: LIPSCHITZ (1994)

Tabela 3. Classificação do Índice de Massa Corporal segundo PERISSINOTTO e cols (2002). Classificação IMC (Kg/m2)

Baixo peso < 20

Eutrofia 20 – 30

Sobrepeso > 30

Fonte: PERISSINOTTO e cols (2002).

Observa-se ainda que o IMC para indivíduos idosos pode ser avaliado segundo os percentis de referência de NHANES III, considerando como normalidade os valores encontrados entre P10 – P90 (KUCZMARSKI; KUCZMARSKI; NAJJAR, 2000).

Tabela 4. Percentis de IMC (Kg/m2) de acordo com a idade para idosas.

Idade 5 10 25 Percentis 50 75 90 95 70-74 18,4 20,2 23,1 26,3 29,5 32,4 34,2

75-79 18,1 19,8 22,8 26,1 29,4 32,4 34,1

80-84 17,1 19,0 22,1 25,5 28,9 32,0 33,9

85+ 16,7 18,2 20,8 23,6 26,4 29,0 30,5

3.6.2 Bioimpedância (BIA)

A BIA é um método simples, rápido, não invasivo e relativamente barato para avaliar a composição corporal, sendo adequado para indivíduos idosos por causa da pouca demanda física para a realização da avaliação (COELHO; DE AMORIM, 2007; COELHO; PEREIRA; COELHO, 2004).

É um método de determinação da composição corporal baseado no princípio da condutividade elétrica, que consiste na passagem de uma corrente elétrica de baixo nível (500 a 800 A e 50kHz) através do corpo do cliente e a impedância (z), ou oposição ao fluxo da corrente, é medida com um analisador de BIA. A partir da medição da impedância pode-se estimar a água corporal total, que possibilita o cálculo da quantidade de massa corporal magra (esqueleto, músculo, colágeno, tendões e derme), considerada boa condutora de corrente elétrica por conter grande quantidade de água e eletrólitos condutores, e massa corporal gorda, que se comporta como isolante, oferecendo resistência a passagem da corrente elétrica (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000; HEYWARD, 2004).

Existem aparelhos de BIA em que os percentuais de água, gordura e massa magra já saem calculados e outros que vêm acompanhados de software para avaliação corporal, sendo que em ambos estes percentuais podem ser calculados diretamente através das equações (Tabela 4). Para idosos até 70 anos recomenda- se as equações de Lohman (1992) e Gray et al. (1989) e para indivíduos muito idosos, de 65 a 94 anos, a equação de Baumgartner et al. (1991) (COELHO; DE AMORIM, 2007; COELHO; PEREIRA; COELHO, 2004).

Tabela 5. Equações de predição de massa livre de gordura para idosas pelo método da bioimpedância.

Mulheres Equação Referência

50 – 70 anos MLG (Kg)=0,474 (AL2/R)+0,180(PC)+7,3 Lohman,1992 22 – 74 anos MLG (Kg)=0,00151 (AL2) – 0,0344 ( R) + 0,140(PC) –

0,158(Idade) + 20,387

Gray e Cols., 1989 65 – 94 anos MLG(Kg) = 0,28 (AL2/R) + 0,27 (PC) + 0,31 ( C. coxa) –

1,732

Baumgartner e cols., 1991 Fonte: Adaptado de Heyward & Stolarczyk, 2000.

MLG= massa livre de gordura; AL= altura(cm); PC= peso corporal(Kg); R= resistência; Xc= reactância; C= circunferência( cm).

A classificação do percentual de gordura corporal pode ser avaliada a partir dos valores de referência de Lohman (1992), conforme demonstrado na tabela 6, ou a partir do valor preconizado pela OMS (1995), que considera obesidade, em mulheres, valores de porcentagem de gordura corporal superior a 35%.

Tabela 6. Valores de referência de gordura corporal a partir da classificação de Lohman (1992). Classificação da % GC %GC em mulheres

Risco de doenças associadas à desnutrição ≤ 8

Abaixo da média 9 – 22

Média 23

Acima da média 24 – 31

Risco de doenças associadas à obesidade ≥ 32 Fonte: Lohman (1992).

3.7 PREFERÊNCIA ALIMENTAR E DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO

Benzer Belgeler