5. SIRALAMA VE SÜZME İŞLEMLERİ
5.5. Özet Tablo
É importante frisar que a massa que apoiou o golpe militar de 64 era de uma ideologia liberal, no entanto, o novo governo formado em sua maioria por militares possuía um discurso modernizante e visava a abrangência do papel do Estado na sociedade, “através de um restrito pacto de dominação entre elites civis e militares, sob os aplausos das classes médias assustadas com o turbulento período anterior” (TAVARES & ASSIS, 1985, p.11).
A intervenção seria em todos os níveis: na economia com o plano de estabilização (PAEG) e nas reformas institucionais e no plano político com a instauração dos Atos Institucionais e com a criação de um novo sistema de inteligência o SNI (Serviço Nacional de Informações). “Na realidade, em qualquer dimensão relevante do conceito de ‘liberalismo’, o ideário da “revolução” se revelou rapidamente, um mero cacoete ideológico” (TAVARES & ASSIS, 1985, p.14).
Um dos porta-vozes deste cacoete ideológico liberal era Eugenio Gudin, fazia muito mais essa função do que ser, realmente, um teórico econômico inovador, “[...] ele cumpre o sofisticado papel de dar corpo às idéias neoliberais no intricado cenário caboclo, marcado pelo atraso econômico e político” (BORGES, 2000, p.112).
Gudin defende o que chama de capitalismo policiado. A idéia seria a manutenção de uma economia capitalista liberal com certa ajuda do Estado para manter a boa funcionalidade da economia de mercado.
A corrente neo-capitalista é favorável a uma mais estreita colaboração da economia privada com o Governo no sentido de uma “economia policiada”, com o amparo à Livre Concorrência e combate aos monopólios, as restrições e aos abusos das patentes, de um vasto programa de obras públicas, preparado de antemão para ser aplicado quando isso se tornar necessário para compensar o declínio da
atividade privada (GUDIN e SIMONSEN, 1977, os. 73 e 74 apud BORGES, 1996, pp.135 e 136).
Além disso, o economista do capitalismo policiado apresentava, em seus argumentos, simpatia ao capital estrangeiro. Acreditava que a economia do país deveria aceitar as regras do jogo sem bater de frente com o imperialismo. Com a ascensão do governo militar no ano de 1964, ficou evidente que uma das grandes preocupações do novo governo era o incentivo ao capital internacional.
Uma das políticas de Campos e Bulhões para isso foi a redução de impostos dos lucros de empresas estrangeiras, se os lucros fossem reinvestidos na produção. Outro atrativo para o capital estrangeiro era se alguma empresa importasse bens de capital, esse produto “era classificado como investimento estrangeiro direto, ficando livre de impostos” (ALVES, 2005, p.92).
Ainda com o objetivo de atrair o capital estrangeiro mudou-se a regulamentação relacionada à classe trabalhadora. Houve forte intervenção nos sindicatos e criou-se uma nova Lei de Greve para controle dos trabalhadores. A nova Lei de Greves de junho de 1964 definiu que, “Funcionários públicos federais, estaduais e municipais ou de empresas estatais recebiam expressa proibição de entrar em greve” (ALVES, 2005, p.93).
Com essa lei e as normas preconizadas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que definiam que trabalhadores só poderiam fazer greves com a autorização de um Tribunal Regional do Trabalho, impossibilitaram qualquer ação de greve por parte dos trabalhadores, pois o governo havia feito forte intervenção nos tribunais federais. Dessa forma a idéia do governo era transformar o ambiente político nacional, controlando as agitações e greves dos trabalhadores passando uma imagem de ordem política para o capital internacional.
Mas mesmo com a preponderância do capital multinacional, o tripé econômico do desenvolvimento econômico brasileiro se sustentava durante o regime militar. O capital multinacional tem em mãos setores estratégicos da economia brasileira da indústria, da agroindústria, de exploração de recursos naturais e do capital financeiro. O capital nacional é integrado com o capital mundial fazendo a função de complemento, comércio e serviços da economia brasileira. E, por fim, o Estado brasileiro nos
investimentos em infra-estrutura industrial e como articulador entre os capitais nacionais e internacionais para a economia brasileira. De acordo com Afonso e Souza (1977), esse modo de desenvolvimento tem um alto custo social, observa-se o aumento das desigualdades sociais e regionais, atrelado a isso há a marginalização de um grande número da classe trabalhadora, grande preocupação governamental em relação à segurança interna e aumento da repressão política, e por fim, no âmbito macroeconômico, maior dependência do capital externo para seu desenvolvimento.
A partir e durante o regime militar brasileiro, a função do Estado é reforçada como grande articulador para o desenvolvimento do capitalismo brasileiro. Essa tarefa muitas vezes contraditória, pois seria necessário conciliar interesses da indústria nacional, do governo federal, das multinacionais aqui instaladas e setores capitalistas de países desenvolvidos.52
Outro papel importante foi o de garantidor da segurança e da ordem social, essa função no regime ditatorial brasileiro foi à custa da liberdade e com forte uso da violência como forma de evitar a desordem político-social.53 No período populista a ordem social permitia certa flexibilização para os interesses dos sindicatos, e para as classes populares. Os trabalhadores possuíam certo poder de barganha com o Estado. Com o término do pacto populista e a ascensão do regime autoritário impõe-se uma nova forma da relação entre trabalhadores e patrões. Com a proibição das greves, como foi comentado anteriormente, congela-se o debate para reivindicações de aumentos salariais ou qualquer ação da vida política.
52 O Estado capitalista brasileiro assumiu um papel importante no desenvolvimento econômico industrial do país. Nas décadas de 30 e 40, o estado administrava as políticas de comércio exterior, os planejamentos econômicos e controlava os diferentes interesses das classes de sustentação do poder do populismo.
53 Em uma sociedade capitalista, a função coercitiva do Estado tem como principal objetivo impor ou manter a relação do capital sobre o trabalho em detrimento deste último.
“Manter o capital numa posição hegemônica e o trabalho numa posição subordinada constitui uma constante histórica em relação à teoria e à prática do estado brasileiro. As variações ocorridas são de ênfase ou de estilo. Mesmo nos períodos considerados populistas (Vargas, Goulart) esta era a ideologia e a prática, mediatizadas por algumas concessões menores ao trabalho (oferecidas no campo da assistência e previdência) ou por uma flexibilidade (às vezes importante) em relação às políticas salariais” (AFONSO e SOUZA, 1977, p.35).
3.4 O uso do autoritarismo