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ÖZEL SAĞLIK SERMAYESİNİN SÖYLEMLERİ VE GERÇEKLER

Antes de qualquer coisa: FORA TEMER! Este tem sido o grito de resistência pelo Brasil a fora. Vive-se um momento único na história da política do país. E esta será uma das questões apontadas nas entrevistas pelos surdos, a questão impeachment, e inclusive a falta de acesso a ele para os surdos. Preciso então iniciar esta sessão fazendo uma breve ponderação a este respeito.

Após vinte e quatro (24) anos dos ―caras pintadas‖ e de um presidente eleito da era democrática ser impechemado, a primeira Presidente da República, indo contra uma hegemonia patriarcal histórica na política brasileira, é também protagonista de uma história cinematográfica, dantesca, triste, ilegítima, mas digna de um belo filme, por isso me referi ao termo cinematográfico.

E para fazer esta breve e modesta reflexão sobre o impeachment sofrido pela Presidente Dilma Rousseff aos 31 dias de Agosto de 2016, com 60 votos favoráveis e 20 contrários. Usarei alguns teóricos para me salvaguardar de quaisquer equívocos, já que esta não é a temática central deste trabalho. Entretanto, é preciso vir à tona, pois como qualquer cidadão, os surdos também votam, e não poderia falar do processo eleitoral e suas nuances para a comunidade surda brasileira passando por cima do maior fato histórico do Brasil no ano de 2016.

Em sua coluna, Huff Post Brasil, Fontes (2016) fez análises profundas sobre o processo de impeachment, concluindo que foi ilegítimo e com base em questões levantadas por juristas, foi também ilegal. A Presidenta foi imputada o crime de responsabilidade fiscal, as famigeradas pedaladas fiscais. Intrigantemente, outros presidentes que a antecederam fizeram os mesmos atos, tanto Fernando Henrique quanto Lula usaram das pedaladas para equilibrar as finanças do país. Mas diz Fontes (2016) em sua coluna, de acordo com o Deputado Carlos Sampaio, aprovou a abertura do processo de impeachment porque Dilma teria usado as pedaladas por 14 meses, enquanto os outros dois presidentes mencionados, apenas quatro vezes, entretanto, para estes não houve crime, implica dizer que só se configura crime pelo número elevado de vezes que o/a presidente fizer uso do mecanismo das pedaladas.

Até a publicação do sociólogo Fontes (2016), que foi em 14 de abril do corrente ano, o impeachment era um processo aberto na câmara dos deputados e que ainda seguiria para o Senado Federal, logo, muitas conjecturas ocorriam de

vários juristas, sociólogos, economistas, educadores renomados. Contudo, todos em suas análises, sempre consideravam a perda do mandato, caso se consumasse o processo e também a perda dos direitos eleitorais, pela presidente e, nisto, algo mais esdrúxulo aconteceu, pois a Presidente perdeu seu mandato, porém, não perdeu seus direitos políticos, o que fomentou muita discussão. Como dissociar a pena de um crime? Como ela teria cometido às pedaladas e não sofreria por isso a sanção de perder os direitos de se candidatar? Notadamente, seus algozes demonstraram a fragilidade, e a precariedade do ponto de vista jurídico do processo. Mas voltemos um pouco na história para tentar compreender como é o processo eleitoral no Brasil. Goldeman (1991), comentando as eleições no Brasil, nos adverte de que o voto é uma conquista do povo brasileiro, e de que, não se pode esquecer os períodos da Ditadura Militar (1954-1989) e antes dela, o Estado Novo (1938-1945) e o processo de redemocratização que se iniciou no país nos idos de 1945-1990. Até este período, o povo brasileiro não poderia votar e assim escolher seus representantes, por isso é considerado uma grande conquista para o povo e pelo povo brasileiro.

Goldman & Palmeira (1996), diz que é muito recente o interesse de antropólogos em compreender sociedades mais complexas, ou seja, as sociedades das quais eles fazem parte e a política aparece como um dos grandes rituais presentes nestas sociedades.

Neste sentido, até para que entendamos o sistema político brasileiro, será um grande desafio, entretanto, não posso me furtar a refletir sobre a questão. Sobretudo, quando vivemos em 2016, o ano de um dos maiores eventos políticos da história do Brasil.

Neste contexto, uso aqui a fala de dois interlocutores. Valho-me da expressão, ―fala‖, por entender que o surdo ao sinalizar, ou seja, usar a Libras para se comunicar, tem o mesmo sentido do falar, ou oralizar, e como todas as entrevistas e conversas com os surdos foram em libras, sempre usarei o termo falar, para dizer que os interlocutores da pesquisa fizeram suas inferências sobre as temáticas abordadas, tanto quanto faria um não surdo, usando a língua portuguesa. Faço aqui uma nova alusão a esta questão por entender que esta pesquisa não está sendo feita no campo da educação, por isso, é importante deixar algumas expressões claras aos leitores. O que não seria necessário se fosse uma pesquisa no âmbito da educação.

Neste sentido, um dos interlocutores, Bianor, já apresentado anteriormente, falou sobre as eleições municipais, o processo do impeachment, ocorrido no último dia 31 de agosto, já mencionado no início desta sessão, e ainda do processo de tradução na propaganda eleitoral.

A primeira questão abordada por Bianor foi o impeachment. Disse que sabe que a presidente perdeu o mandato, que isso é muito estranho, mas não consegue falar profundamente sobre o assunto:

Durante todos estes meses, assim como eu, muitos surdos ficaram sem estas informações, na medida em que nenhum jornal televisivo da tv aberta dispunha de intérprete de Libras. Em casa já é bem sabido que nós não temos informação, ninguém sabe língua de sinais, então não conseguem nos informar e explicar o que estava ocorrendo. Consegui algumas informações com alguns amigos surdos, mais esclarecidos, que tentaram difundir nas redes sociais o que estava acontecendo na política do Brasil. Mas informação muito solta sabe? Tenho muita raiva disso, queria entender o que é impeachment da Dilma, mas não tem informação para surdo. Quando o assunto é voto, eleições, para o ouvinte é fácil, mas para o surdo não. O direito a votar é de todos, mas não tem acesso ao surdo. Na verdade assim como em outras áreas, não somos respeitados, na política é a mesma coisa. Faltam intérpretes em todos os lugares, concurso público, Enem, na saúde. Este é ainda pior, porque o surdo morre por falta de alguém que saiba se comunicar. Em vários espaços, temos direito ao acesso, mas na prática precisa avançar muito. Se as coisas funcionassem como deveria, tudo seria melhor para os surdos, mas se, por exemplo, precisa de intérprete na autoescola, não tem, parece que surdo não precisa tirar habilitação, porque é surdo, não saberá dirigir. Porque, por exemplo, o ouvinte quando vai votar ele sabe o que o candidato falou, mostrou de proposta. E o surdo? Onde tem acesso para o surdo saber de política? Para saber as propostas de candidatos? Não tem nada, em lugar nenhum. Eu quero votar sim porque é meu direito, mas não quero votar desse jeito sem saber nada do candidato. Na política é igual na escola, falta acesso para o surdo, as aulas são oralizadas, não tem intérprete e o surdo fica só olhando sem entender nada. Na política é igual, tudo é oralizado, não tem intérprete, e o surdo vota por obrigação, não tem consciência de nada porque não tem acesso as informações (fala de Bianor, refletindo sobre a politica. Entrevista em 17/09/2016).

Nas palavras (sinais) de Bianor, fica latente a discussão de um grupo nitidamente apagado socialmente. Em Santos (2006), a ecologia dos reconhecimentos incide na discussão da desqualificação e que recai incisivamente nos agentes sociais. Assim dizendo, quem é igual e diferente a partir da

colonialidade do poder capitalista, que identifica diferença com desigualdade, e determina quem é igual e diferente.

É por esta razão que se traz para esta discussão o surdo. Historicamente excluído socialmente se enquadrando no paradigma imposto pela monocultura do inferior, que está aquém da igualdade da sociedade. E por assim dizer, diferente e, por conseguinte, inferior. Nesse sentido, a sociologia das ausências, proposta por Santos (2006), está contra este princípio colonial que determina o diferente e o igual, e propõe uma nova articulação entre esta dicotomia.

Nesta proposição aqui elencada por Bianor, ao falar de seus direitos como cidadão, em vários campos sociais, e, sobretudo, no campo da política, há poucos dias atrás, meados de agosto do corrente ano, a Federação Nacional de Surdos (FENEIS), divulgou um vídeo em que demonstra as consequências negativas da falta de acesso que o surdo sofre na sociedade, por esta não possuir a Libras devidamente integrada, e por não ter intérpretes em momentos tão necessários da vida destas pessoas. O vídeo circula em muitas páginas nas redes sociais e os grupos de surdos e associações têm difundido para que estes se empoderem de seus direitos como cidadãos, e busquem garanti-los. Abaixo algumas imagens do vídeo produzido pela Feneis.

Figura 64: Vídeo Feneis sobre a fata de acesso em Libras para o surdo.

Figura 65: Vídeo Feneis sobre a fata de acesso em Libras para o surdo

Fonte: acervo de pesquisa Ronaldo Manassés. .

E assim como muitos surdos jovens de sua idade, Bianor tem se engajado na luta por mais direitos. Ele diz:

Precisamos de intérpretes em todos os espaços, não aceito mais intérpretes que não têm fluência, que fala sinais soltos, ou a pessoa está lá falando, falando, o intérprete, sinaliza três ou quatro sinais e acha que isso me convenceu, eu não aceito, você aceitaria um médico que não sabe ler seu exame? Por que eu tenho que aceitar um intérprete qualquer? Precisa melhorar, precisa ter fluência, conhecimento profundo. Eu tenho curso superior, sou formado, preciso de informações precisas e não ser tratado como criança que ainda não sabe nada (fala de Bianor, refletindo sobre a politica. Entrevista em 17/09/2016).

De acordo com Santos (2006), a vida da comunidade surda amapaense se relaciona diretamente com a lógica da produção social, extirpando socialmente o surdo e o colocando como inferior socialmente, frente aos demais atores sociais. Ao que parece, a lógica do apagamento tem sido uma constante na vida destas pessoas e se pensar numa questão tão importante como o voto, a escolha de seus representantes, a exclusão fica ainda mais latente.

Ainda seguindo no campo da política, a professora surda (Josy) também mencionou como tem sido para os surdos. Como ela percebe este momento de campanha política:

Precisamos considerar algumas questões sobre isso. Primeiro porque os surdos não se interessam em ver o horário político mesmo com a janelinha de tradução. E eu disse bem, porque é

uma ―janelinha‖, quem consegue enxergar aquilo? É muito ruim para ver. Os intérpretes sinalizam muito rápido porque tem o tempo da televisão né? E também muitos só vão ali pelo dinheiro, não se preocupam se vai ficar boa a imagem, se o tamanho é adequado, se o tempo é suficiente para o surdo ver, enfim. Eu por exemplo, até hoje, sou adulta, formada, mãe, mas não me interesso em ver ―aquilo‖ (fez um sinal de desprezo neste momento). E os outros programas de TV? Por que não tem tradução? Novela, jornal, filme, séries, tanta coisa que tem na televisão, e em nenhuma delas eu vejo tradução em Libras. Só agora que acham importante? Não sou boba, só querem voto. Alguns até falam de inclusão, de ônibus adaptado, Libras. Mas quando acaba a campanha esquecem os surdos. E outra questão importante, os candidatos escolhem os intérpretes não por ter fluência, mas por proximidade, são seus amigos pessoais e muitos desses intérpretes vão pelo dinheiro, infelizmente. Por isso, muitos surdos e eu não nos interessamos em ver propaganda política. Precisa haver acesso em toda a campanha. Não vejo candidato nenhum dizer que colocará tradução permanente nos programas de televisão, um sequer. Já seria um bom começo. Um absurdo! Muitos surdos não sabem reconhecer isto, mas já tem alguns que sabem e aí fico revoltada com isso. Por que não colocam tradução no jornal da Globo, que todo mundo assiste? Engraçado isso né? Agora disso, o que é ruim, é que a maioria, digo, quase todos os surdos, posso até contar aqui os que sabem votar. Porque a grande maioria vota assim: o pai, a mãe, no dia da eleição lhe entrega um papel com os números para votar. Os surdos votam sem consciência nenhuma. Nem sabem o que estão fazendo naquele momento sabe? (fala de Josy sobre a política. Em 18/09/2016).

No pleito eleitoral de 2016 em Macapá têm-se sete (7) candidatos para a vaga de prefeito. Em todos há a janela de tradução, com um intérprete sinalizando o que os candidatos falam. Para vereador, exatos trezentos (309) candidatos, destes, a grande maioria, também contam com a janela de tradução em Libras. Vejamos alguns exemplos do que tem sido veiculado no horário político local.

O tamanho da janela de tradução, como bem disseram Josy e Bianor, muito aquém, as dimensões e a qualidade da imagem, tão baixas que comprometem o entendimento do telespectador. É importante dizer que as fotos que aqui serão apresentadas sobre a campanha política, já passaram por edição, para que pudessem ser melhor visualizadas, e podermos destacar a janela de tradução na imagem. Evidentemente que, se forem questionados (os candidatos), todos dirão que estão atendendo a legislação eleitoral, estão garantindo a acessibilidade de

pessoas surdas. A eterna 27performance nos termos de Goffman (2012), pois ao analisarmos as falas de Bianor e Josy, é possível identificar o quanto estas ações, a disponibilização de janela de tradução, a contratação de intérpretes, mesmo sem fluência em Libras, existem muito mais por amizade do que por competência técnica, ou por serem muito conhecidos entre os surdos, e assim garantirão muitos votos. Em todas estas ações percebe-se grandes performances.

Figura 66: campanha eleitoral para prefeitura de Macapá 2016.

Fonte: acervo de pesquisa Ronaldo Manassés.

Goffman (2012) afirma que, na busca pela preservação de sua fachada, um indivíduo naturalmente irá performar. Neste caso, percebe-se a performance do candidato, porque busca com atitude ―politicamente correta‖, dar a acessibilidade aos surdos, sem que seja questionado por esta comunidade. Bem como performa também o/a intérprete, na medida em que, tenta demonstrar conhecimento linguístico de Libras, quando não o tem.

Josy disse: ―E outra questão importante, os candidatos escolhem os intérpretes não por ter fluência, mas por proximidade, são seus amigos pessoais e muitos desses intérpretes vão pelo dinheiro, infelizmente. Por isso eu, e

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A expressividade do indivíduo é, portanto sua capacidade de dar impressão; pode ser a expressão que ele transmite e a expressão que emite. A que transmite abrange os símbolos verbais, ou seus substitutos, que usa propositalmente para se comunicar e a que emite inclui uma gama de ações. O individuo transmite informação falsa intencionalmente por meio de ambos estes tipos de comunicação, o primeiro fraude e o segundo dissimulação. Assim, quando uma pessoa chega à presença de outras, existe, em geral, alguma razão que a leva a atuar de forma a transmitir a elas a impressão que lhes interessa transmitir. As vezes o individuo agirá de forma calculada, expressando-se de determinada forma somente para dar aos outros o tipo de impressão que irá provavelmente levá-los a uma resposta específica que lhes interessa obter. Ocasionalmente, expressar-se-á intencional e conscientemente de determinada forma, mas, principalmente, porque a tradição de seu grupo ou posição social requer este tipo de expressão (GOFFMAN, 2012).

muitos surdos, não nos interessamos em ver propaganda política‖.

E além da janela de tradução, existe a legenda em português. Mas como já se viu aqui neste trabalho, português não é a língua natural do surdo, ela deve ser ensinada na modalidade escrita aos surdos, mas isto não acontece. Os surdos vão à escola sem saber Libras e, por conseguinte, não aprendem a segunda língua, o português.

Figura 67: campanha eleitoral para vereador de Macapá 2016.

Fonte: acervo de pesquisa Ronaldo Manassés.

Josy em sua entrevista:

Precisamos considerar algumas questões sobre isso, disse ela. Primeiro porque os surdos não se interessam em ver o horário político mesmo com a janelinha de tradução. E eu disse bem, porque é uma ―janelinha‖, quem consegue enxergar aquilo? É muito ruim para ver.

Figura 68: campanha política para prefeitura de Macapá 2016

Fonte: acervo de pesquisa Ronaldo Manassés.

Josy em sua entrevista :

Agora disso, o que é ruim, é que a maioria, digo, de quase todos os surdos, posso até contar, aqui, os que sabem votar. Porque a grande maioria vota assim: o pai, a mãe, no dia da eleição, lhe entregam um papel com os números para votar. Os surdos votam sem consciência nenhuma. Nem sabem o que estão fazendo naquele momento sabe.

Em 2015, o Ministério da Educação, por meio da Secretaria do Audiovisual, lançou um guia para organizar e tentar normatizar as produções audiovisuais no país, quando das traduções em Libras ou legendas em português, para pessoas surdas. E audiodescrição para pessoas cegas. No documento, constam as dimensões para as janelas de tradução, bem como quais as especificações, inclusive de formação, do profissional que fará as referidas traduções.

O documento tem como princípio normativo Leis, como a nª 10.098 de 2000, chamada Lei da Acessibilidade. A Lei nº 10.436 de 2002, o Decreto nº 5626/2005, tanto a Lei quanto o Decreto dispõem sobre a Libras. Sendo assim, o guia surge a partir de uma possível política de acessibilidade para pessoas com deficiência.

O mesmo documento ainda faz uma conceituação daquilo que define como ―janela de interpretação em Libras‖. Que seria toda tradução de uma língua de sinais para uma língua oral, ou o contrário, ou entre duas línguas de sinais, que deve ser feita por tradutor especializado. Sendo então o conteúdo de uma produção

audiovisual, traduzido ―preferencialmente‖ no canto inferior direito da tela da televisão, simultaneamente ao programa. Importante salientar o preferencialmente, dando uma ideia de não obrigatoriedade, deixando as produções e televisões, livres para fazer a tradução como queiram.

O mesmo guia dá as especificações sobre tamanho da janela de tradução, que deve ser de uma altura de zero vírgula cinco (0,5) cm e de largura zero vírgula vinte e cinco (0,25) cm. Cor de fundo, iluminação, posição do intérprete, ou seja, enquadramento diante das câmeras. Estas devem estar entre dez (10) a quinze (15) cm da cabeça do intérprete na parte superior e na inferior, cinco (5) cm abaixo do umbigo (BRASIL, 2015).

Refletindo então sobre as condições em que a política é apresentada aos surdos. É preciso dizer que em suma, grande parte, senão a totalidade das informações e até da necessidade delas em chegar aos surdos, está se esvaindo e estes, assim como a massa da população do Amapá, de Macapá especificamente, estará como disse Josy, votando sem nem saber o que estará fazendo naquele momento.

Levados por um movimento coercitivo, da família em primeira instância, e pelo Estado posteriormente, os surdos votam por uma obrigatoriedade legal e não como deveria ser — fazendo o exercício de sua cidadania. O que não é privilégio somente dos surdos, mas de grande parte da população brasileira, e do Amapá. A questão básica aqui levantada é a da comunicação. Não comunicação, consequentemente, não dá acesso aos surdos, assuntos tão importantes como a política, eleições, e voto. Questões elementares para entender de sua realidade, e da realidade do país, pois, entender o processo eleitoral brasileiro, significa entender as nuances do poder institucionalizado no Brasil e, pensando na realidade local, entender o processo de ―clientelismo‖ que ainda sobrevive, e que é determinante em quase todos os aspectos da sociedade amapaense.

Quem é do Amapá ou mesmo quem está aqui há alguns anos sabe que a ―velha política‖ ainda determina o futuro da cidade de Macapá e do Estado. Existem acordos obscuros entre os políticos e que quase sempre são feitos entre suas famílias. Aqueles de muito prestígio local, que buscam a todo custo à manutenção do poder, numa eterna manutenção de cargos comissionados e contratos temporários, muitas famílias são obrigadas a fazer campanha, as famigeradas ―bandeiradas‖, na orla da cidade aos fins de semana. Caminhadas num clima

―ameno‖ de 40º à sombra, geralmente as 15h00min, em bairros periféricos. Ou ainda, os candidatos à reeleição, que usam o horário político para falar de seu amor por Macapá, de sua vontade de renovação da política amapaense, mas não prestam conta dos mandatos anteriores, como se fosse a primeira vez que estivesse se candidatando.

Questões como as relatadas acima, que deixam de serem conhecidas pelos surdos. A estrutura da política, as macro e micro questões que estão muito aquém

Benzer Belgeler