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Özel Koleksiyondan Şalvar, Örtü (Dokuma, Su Yollu Kıl Örtü)

Em primeiro lugar, vamos apontar o que há em comum em verbos como sentar,

hospitalizar e jogar, cujas classes representamos em (131)-(133), que parece determinar a

decausativização que sofrem quando eles são reflexivizados. Partimos do pressuposto segundo o qual certo comportamento linguístico semelhante (nesse caso, a decausativização) indica um traço semântico comum, conforme Levin (1993).

O traço semântico compartilhado por verbos de mudança de estado com locativo, como sentar, verbos de mudança de locação, como hospitalizar, e verbos de movimento, como

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metapredicado (MOVE) que representa essa ideia. Já nos verbos de mudança de estado com locativo (sentar) e de mudança de locação (hospitalizar), o movimento é um acarretamento decorrente da combinação dos metapredicados na estrutura semântica. A combinação de BECOME e IN acarreta um movimento necessário para o participante que sofre a mudança, como já dissemos. Aqui, não distinguimos se o movimento é com deslocamento, como nos verbos tipo jogar, ou sem deslocamento, como nos verbos com argumento locativo, como sentar. Propomos que a ideia de movimento, contida no sentido de um verbo (na forma do metapredicado MOVE ou como um acarretamento a partir da combinação de BECOME e IN) é o determinante semântico para a decausativização que ocorre quando esse verbo é reflexivizado, formando o que chamamos de uma “média”. É necessário, então, explicar qual é a relação entre o movimento e a decausativização.

A fim de fornecer essa explicação, partimos da hipótese de Vendler (1984) (apud PARSONS, 1990), já mencionada, segundo a qual há ambiguidade nas construções que expressam movimento. O autor propõe que uma sentença como John moved his arm (João moveu

seu braço) é ambígua entre uma leitura não-causativa e uma leitura causativa. Coloquemos

contextos hipotéticos para evidenciar cada leitura. Em uma leitura não-causativa, João simplesmente ergue ou balança um braço, sem nenhum instrumento. A paráfrase poderia ser algo como John directly moved his arm (João moveu seu braço diretamente). Já a leitura causativa poderia descrever uma situação na qual João, com a ajuda de um instrumento, como uma alavanca, por exemplo, e usando um braço para manuseá-la, faz seu outro braço se mover. Essa leitura poderia ser parafraseada como John caused his arm to move (João causou o movimento de

seu braço). O autor sugere, então, que o verbo move é ambíguo entre significar cause to move

(causar o movimento) ou directly move (mover diretamente).

Podemos relacionar essa ambiguidade apontada por Vendler (1984) com a diferença entre os dois tipos de conjunções com que lidamos neste trabalho. Enquanto o movimento sem a alavanca é uma concomitância de ações, conceptualizada como uma só eventualidade (um movimento volitivo), o movimento com a alavanca é uma sequência de ações, relacionadas por uma causa. Se fôssemos representar essas duas leituras na linguagem da decomposição de predicados, então, usaríamos, para a primeira, a conjunção & e, para a segunda, a conjunção CAUSE. É importante, no entanto, atentar para o fato de que falta uma informação na proposta de Vendler. Não é qualquer ação de movimento que apresenta a ambiguidade entre uma leitura

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causativa e uma leitura não-causativa. Por exemplo, usando o próprio verbo mover, em uma sentença como João moveu a pedra, não há qualquer ambiguidade na relação entre a ação de João e o movimento da pedra. É apenas em situações de reflexividade que ocorre a ambiguidade.

Vamos, então, explorar a intuição de Vendler (1984) acerca das ações de movimento, acrescentando a ela a restrição de que só há ambiguidade em situações de reflexividade. Vamos propor relacionar as duas leituras do movimento reflexivo, causativa e não-causativa, a uma oposição entre um “motor externo” e um “motor interno” dos movimentos, que por sua vez se relacionam com a animacidade. O motor interno está contido nos seres animados e o motor externo ocorre causando o movimento de uma entidade qualquer. O motor interno é uma força interna ao participante animado, que o põe em movimento, e o motor externo é uma força exterior ao objeto que se move. Se o motor é interno, o participante age e se move ao mesmo tempo, ou, em outras palavras, se move volitivamente; a ação e o movimento ocorrem em um mesmo corpo e de maneira sobreposta em uma linha do tempo. Se o motor é externo, o participante age anteriormente ao movimento (seu próprio movimento ou o de um participante diferente), e essa ação é a causa do movimento; os dois subeventos ocorrem em dois corpos (ainda que correspondam a um mesmo participante no mundo), pois não se sobrepõem em uma linha temporal.

Se seguirmos essa hipótese da ambiguidade do movimento reflexivo, então, todos os verbos que contêm a ideia de movimento na forma reflexiva deveriam apresentar a ambiguidade entre uma leitura causativa, na qual há um motor externo, e uma leitura não-causativa, na qual há um motor interno. Porém, vimos que apenas os verbos do tipo jogar apresentam ambiguidade na forma reflexiva; os demais verbos de movimento – os da subclasse de sentar e os da subclasse de

hospitalizar – parecem apresentar apenas uma leitura não-causativa (média) quando

reflexivizados. Repetimos, abaixo, alguns exemplos:

(135) João se jogou na piscina. (136) João se sentou na cadeira. (137) João se hospitalizou.

Vimos que uma sentença como em (135) pode ter ambas as leituras reflexiva não-causativa (média) e causativa. Na leitura causativa, seria necessário um contexto bem marcado, no qual o

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participante usa, por exemplo, uma catapulta para jogar a si mesmo na piscina. Kemmer (1993), na verdade, propõe um contexto muito marcado, no qual se poderia atribuir uma leitura causativa a uma sentença como em (136): um contexto no qual o participante é paralítico e, devido à sua condição peculiar, é conceptualizado como dois indivíduos – um que habita a mente e outro, inanimado, que habita o corpo. Se o participante João tem tal condição física, ele aciona um motor externo, como um determinado aparelho fisioterápico, por exemplo, que faz o seu corpo, desprovido de motor interno, ficar sentado na cadeira. A leitura causativa de verbos reflexivos que exprimem movimento, então, parece possível, porém apenas em situações muito marcadas. Para interpretar a leitura na qual o motor do movimento é externo, é necessário entender que um participante age e, como resultado conseguinte de sua ação, é movido. Esse movimento seria como o de um objeto inanimado, cuja causa é uma força externa a esse objeto. Porém, se o participante não tem um motor interno que o faça se mover (como um portador de paralisia física), deve dispor de algum instrumento (como uma catapulta ou um aparelho fisioterápico), que sirva de motor (externo) do movimento do seu corpo. Podemos, então, generalizar a partir da sugestão de Vendler (1984): há sempre ambiguidade no movimento reflexivo. Porém, devemos ressaltar que os verbos reflexivos de movimento recebem, preferencialmente, uma interpretação não-causativa, ou “média” e, apenas em contextos muito marcados, podem receber uma interpretação causativa. Isso é esperado se associamos animacidade com a presença de um motor interno, em situações normais.

Resumindo o que foi dito nesta seção, vimos que o que é chamado de “média” na literatura pode receber uma definição mais precisa, se usamos a linguagem da decomposição de predicados: a média é uma reflexiva não-causativa. No corpus analisado, vimos que ocorre a interpretação média na reflexivização de verbos de modo de afetação e de verbos que denotam movimento. No primeiro caso, a não-causação é esperada, já que o verbo é não-causativo em sua forma básica (a reflexivização apenas altera a denotação dos argumentos). No segundo caso, dos verbos que denotam movimento, ocorre uma decausativização no processo de reflexivização, ou seja, o verbo perde a ideia de causa, na forma básica, substituindo-a pela simultaneidade, na reflexiva. Postulamos que o determinante para essa decausativização é a ideia de movimento presente nos verbos, e que isso se deve ao fato de conceptualizarmos o movimento dos seres animados como movimentos que partem de um motor interno. O motor interno é uma ação concomitante ao movimento que desencadeia. Assim, a relação entre a ação e o movimento é a de

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simultaneidade, ocorrendo de maneira sobreposta em uma linha do tempo e em um mesmo corpo. Vimos também que em contextos muito marcados o movimento reflexivo dos seres animados pode ser causativo, se entendemos que o ser é desprovido de um motor interno (como na paralisia motora). Assim, reforçamos (e desenvolvemos) a hipótese de Vendler (1984) acerca da ambiguidade do movimento.

Para finalizar, apesar de muito se referir a uma forma “média” e de se buscar traçar a sua diferença em relação a uma forma “reflexiva strictu sensu”, na verdade, trata-se em ambos os casos de uma semântica reflexiva. Ocorre apenas que a primeira é não-causativa, na qual os subeventos são sobrepostos, e a segunda é causativa, na qual os subeventos são sequenciais.

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