Uygulamaları ve Çalıştırma Kampları Araş.Gör Nurbek KHAIRMUKHANMEDOV ∗
7. Özel Kamplar (Osoblag)
como colocam Celso Furtado (1959) e Maria da Conceição Tavares (2000). A principal característica desse modelo é que o setor exportador, cuja demanda era determinada exogenamente, representava o centro dinâmico da economia, sendo exclusivamente responsável pelo crescimento do produto. Ou seja, o desempenho exportador e a conseqüente capacidade de importar determinavam a renda interna.
No bojo do modelo exportador, surgiram, principalmente após a política de Rui Barbosa (1889-1891) de expansão da demanda, indústrias tradicionais voltadas para o mercado interno. Essas indústrias, basicamente processadoras de alimentos e têxteis, abasteciam o mercado interno e tinham um baixo nível de produtividade quando comparadas ao setor exportador. Os demais bens de consumo e investimento eram importados.
A característica mais importante desse modelo é sua característica dual:
O setor exportador era um setor bem definido da economia, geralmente de alta rentabilidade econômica, especializado em um ou poucos produtos ... Já o setor interno, de baixa produtividade, era basicamente subsistência, e somente satisfazia parte das necessidades de alimentação, vestuário e habitação (TAVARES, 2000, p.221/222).
Esse esquema dual de divisão de trabalho e a grande desigualdade de renda interna geraram uma “tremenda disparidade entre a estrutura de produção e a composição da demanda interna, cujo o ajuste se dava por intermédio do mecanismo de comércio exterior” (TAVARES, 2000, p. 222).
A grande depressão dos anos 30 causou uma forte queda na receita de exportação e conseqüentemente uma queda abrupta de cerca de 50% na capacidade de importar, o que
provocou uma ruptura com o modelo exportador. Essa ruptura foi denominada por Celso Furtado (1959) como deslocamento do centro dinâmico, ou seja, o centro dinâmico deixa de ser o setor exportador e passa a ser o setor interno. Assim, o principal componente da renda passa a ser o investimento, determinado endogenamente e não mais as exportações, exógenas. Ou seja, existe a possibilidade de aumento da renda interna via aumento de investimento para modificação da estrutura de importação, mesmo sem um aumento proporcional nas exportações.
No Brasil, uma forte depreciação cambial pós-crise de 30, a necessária restrição e controle das importações, e a manutenção da renda interna através da política de compra e queima do café foram as responsáveis pelo estimulo a substituição de importações e o conseqüente deslocamento do centro dinâmico. Em uma época de efetiva restrição de divisas, a existência de uma capacidade ociosa fruto da industrialização pré 30 também foi um fator primordial para o processo.
Assim, a partir da crise de 1930, a economia brasileira passa a viver um novo modelo de desenvolvimento, classificado pela literatura como PSI, Processo de Substituição de Importações. O investimento na industria para substituir as importações passam a ser o elemento dinâmico da renda interna. O primeiro impulso para esse processo, possibilitado pela existência de capacidade ociosa, foram o aumento do preço das importações e a manutenção da demanda interna. Posteriormente esse processo ganhou sua dinâmica própria.
Uma consideração importante que Tavares (2000) coloca em relação ao PSI é que ele foi um processo bastante concentrado no setor industrial e para mercado interno. Ou seja, a economia preservou seu caráter dual, pois a pauta de exportação não refletiu as mudanças na estrutura produtiva interna. Em outras palavras
(...) a mudança na divisão do trabalho social (ou consignação de recursos) que involucra o processo de industrialização, tal como se apresentou na região, não foi acompanhada de uma transformação equivalente na divisão internacional do trabalho (p. 224).
Essa falta de dinamismo das exportações resulta no estrangulamento externo que é a base da própria dinâmica do PSI.
Tavares (2000) define o PSI como um “processo de desenvolvimento interno que tem lugar e se orienta sob o impulso de restrições externas e se manifesta, primordialmente, através de uma ampliação e diversificação da capacidade produtiva industrial” (p.230).
Assim, o processo inicia-se com o Estrangulamento Externo gerado pela grande depressão nos anos 30. A manutenção da demanda interna e o encarecimento das importações estimularam uma primeira onda de substituição de importações, possibilitada pela existência de capacidade ociosa. Quando essa capacidade é plenamente utilizada, aumenta o investimento e conseqüentemente cresce a demanda por importações de bens de investimento. A não disponibilidade de divisas na mesma proporção que o aumento da demanda por importações barra o processo de substituição de importações e gera um novo estrangulamento externo. O novo estrangulamento externo gera uma nova onda de substituição de importações, e assim o processo se repete diversas vezes.
Ou seja, durante o processo de industrialização, reproduziram-se os problemas de balanço de pagamentos e desemprego estrutural da fase pré-industrialização, pois cada fase da substituição de importações, por um lado aliviava as importações, mas por outro impunha novas exigências. É na superação dessas contradições que está a dinâmica do processo, lembrando que à medida que o processo avança vai se tornando cada vez mais difícil e custoso perseguir. O processo deve continuar até “um ponto na divisão do trabalho com o exterior que correspondesse ao aproveitamento máximo dos recursos internos existentes”.
Do ponto de vista deste trabalho é importante ressaltar, ainda, que a dinâmica do PSI brasileiro tem dois fundamentos que são a base dos modelos de restrição externa que serão estudados no próximo capítulo, ou seja, a dependência entre investimento e importações e a insuficiência exportadora, fruto de uma industrialização incompleta.
A ordem natural é que primeiro se substituam produtos de consumo terminados, com menor componente tecnológico e baseados na demanda interna existente. No entanto, é preciso que a substituição também avance para os setores de intermediários e bens de capital para evitar que uma excessiva rigidez na pauta de importações comprometa o aprofundamento do processo.
Essa foi, ainda segundo Tavares (2000), uma característica importante do PSI brasileiro, ou seja, o PSI se aprofundou em setores de bens de capital e intermediários já nas etapas iniciais. Dessa forma, já na década de 30, além de aprofundar a substituição nos setores de bens de consumo leves, ou seja, alimentos e têxteis, os setores de Ferroligas, Aços Planos, Aços Longos, Cimento, Papel e Química tiveram um crescimento expressivo, como pode ser visto na Tabela 11.
O Estado foi o agente primordial do processo, entrando diretamente no processo de industrialização nos setores em que o setor privado não tinha condições ou interesse de entrar. Esse foi o caso das principais indústrias de base e de intermediários, necessárias para o prosseguimento do processo de substituição de importações, como energia elétrica, petróleo, siderurgia, telecomunicações, entre outras.
Além da participação direta no processo de industrialização, a política econômica durante grande parte desse período esteve primordialmente voltada para o projeto da industrialização por substituição de importações. Vários foram os instrumentos utilizados pelo Estado para “guiar” esse processo de reestruturação produtiva.
Na década de 40, por exemplo, para estimular a substituição de importações, o governo adotou as Licenças de Importação associadas à valorização da taxa de câmbio que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Ou seja, as importações necessárias para investimentos industriais eram liberadas a uma taxa de câmbio bastante favorável, enquanto as importações de produtos que concorriam com a produção interna eram limitadas. No entanto, a valorização cambial foi bastante prejudicial às exportações não tradicionais. Já a partir de 1952 foi adotada a taxa de câmbio múltipla que permitiu uma política industrial mais direta com maior controle do Estado sobre os setores que seriam incentivados e penalizados.
Dessa forma, ou seja, com explicito e preponderante apoio estatal, foi ocorrendo a reestruturação produtiva. A partir do governo Kubitschek (1955), o PSI se aprofundou nos setores de química, máquinas e equipamentos elétricos, plásticos, equipamentos de transporte, metalurgia e iniciou a substituição nos setores de bens de consumo duráveis, especialmente automóveis. O governo participou diretamente da industrialização no período através de um extenso plano de investimentos públicos em infra-estrutura e bens intermediários (Plano de Metas). Um aspecto fundamental do aprofundamento do PSI que ocorreu nesse período foi o
aumento significativo da participação do capital externo, principalmente nos setores de duráveis. Isso foi possibilitado pela Instrução 113 da SUMOC que permitia o investimento sem cobertura cambial.
No inicio dos anos 60, a economia brasileira presenciou uma diminuição da taxa de crescimento do PIB e uma queda da taxa de investimento, o que, aliado a um coeficiente significativamente baixo do coeficiente de importação, levou diversos economistas a diagnosticarem o fim do crescimento via PSI. Era necessário aprofundar o processo nos setores de bens de capital, intermediários e infra-estrutura urbana, no entanto, a ausência de mecanismos de financiamento do setor privado e público inviabilizava os investimentos que necessitavam de cada vez mais recursos financeiros à medida que a industrialização se aprofundava.
Com o golpe militar de 1964, o ambiente não democrático facilitou a implementação de profundas reformas. Assim, as reformas do PAEG (1964-68) reconstruíram os mecanismos de financiamento público e privado e dotaram o Estado de maiores instrumentos de intervenção na economia. Logo, pode-se dizer que a partir de 1968, o Processo de Substituição de Importações voltou a se aprofundar e a promover o crescimento do país, ainda sobre forte influencia estruturalista. Entre 1968-1973, período do chamado milagre econômico, o produto cresceu em média 10% a.a., liderado pelo setor de bens duráveis.
O choque do petróleo no final de 1973 encerrou a fase do Milagre Econômico Brasileiro e colocou o novo governo que assumiu em 1974 diante de uma difícil escolha dada a mudança no cenário internacional. Uma opção seria o ajustamento provocando uma desvalorização cambial para ajustar o setor externo e adotando medidas de contenção de demanda, o que provocaria uma inevitável queda no crescimento do produto. Uma segunda opção seria o financiamento do déficit em transações correntes enquanto se faria o ajustamento da oferta interna. O governo optou pela segunda estratégia, lançando o II PND, II Plano Nacional de Desenvolvimento. O fato é que se iniciou uma fase de aprofundamento do PSI em setores de intermediários, comandado por estatais, e bens de capitais, comandado pelo setor privado com incentivos do governo. Pela primeira vez, além do aprofundamento do PSI, houve um claro esforço no sentido de incentivar as exportações de produtos não tradicionais, ou seja, “grande ênfase nas indústrias básicas, e o da eletrônica pesada, assim como no campo de insumos básicos, a fim de substituir importações e, se possível, abrir novas frentes de exportação”
(Carneiro, 1990: p.310). Assim, nesse período houve uma forte expansão nos setores de produção e prospecção de petróleo, energia elétrica, alumínio, petroquímica, bens de capital, papel e celulose, metais não ferrosos, fertilizantes e aço. Segundo Carneiro (1990), “as conclusões têm sido favoráveis no sentido de que objetivos gerais de reestruturação da oferta foram atingidos” (p. 313). No entanto, o aumento do endividamento externo e público aliado à reversão da situação de liquidez internacional que culminou no aumento abrupto da taxa de juros internacional em 1979 jogou a economia brasileira na sua mais profunda crise na década de 80.