BÖLÜM 2: YILDIZ ÇİNİ VE PORSELEN FABRİKASININ TARİHİ VE ÜRÜN
2.4. Yıldız Çini ve Porselen Fabrikasının Ürünleri
2.4.8. Özel Ürünler
Do conjunto de imagens, móveis e mutantes, observadas e refletidas no interior de nosso caleidoscópio, vamos agora apresentando algumas dessas imagens a partir da incidência do atravessador Instituição31 na rede de relações na unidade estudada.
As instituições vão tecendo um “pano de fundo” do qual as figuras que emergem são subjetividades/individualidades em relação.
Vamos olhar para a rede de relações dos trabalhadores considerando que as instituições ao mesmo tempo contribuem para os possíveis contornos dessa rede e as “sustentam”, fazem como no quadro o fundo possível para que se configurem.
Aqui, vamos trazer alguns aspectos da forma como o trabalho está se dando na Unidade de Saúde estudada: a organização do trabalho, a planta física, as tecnologias utilizadas (instituídas e instituintes), para onde este trabalho parece estar se encaminhando (finalidade/Obra), os movimentos de vida e de morte presentes e a articulação desses aspectos à rede de relações.
3.2.1. Algumas características do estabelecimento estudado - os espaços autorizados, os espaços de interstícios, as portas e comportas
A Unidade de Saúde estudada é um estabelecimento da organização
SMS-RP, que se articula de forma mais explícita com a Instituição Saúde. Como
vimos, as instituições são normas e regras compartilhadas implícita e explicitamente, que estão presentes no pensar e fazer dos trabalhadores. A instituição saúde vem histórica e socialmente se constituindo como espaço de
“tratamento” e alívio da dor e sofrimento, em que pessoas cuidam de pessoas. Vida e morte em interjogo habitam as organizações de saúde.
As instituições se interpenetram, então temos também presentes as instituições do trabalho, ensino, linguagem e justiça, entre outras.
Nosso estabelecimento está situado num bairro periférico da cidade, os processos e as relações que estudamos ocorrem num prédio de alvenaria construído há cerca de 12 anos.
Sua planta física não é exclusiva, pois a SMS-RP detém outros prédios construídos na mesma disposição, e que guardam diferenças na forma de funcionamento, tendo ao longo de sua história sofrido adaptações. Tanto as adaptações efetuadas como a disposição da planta física e do mobiliário podem já nos revelar alguns dos contornos presentes e articulados às Instituições saúde e trabalho.
Pensar a planta física desse estabelecimento pode revelar os instituídos e instituintes, pode revelar as finalidades que vão se conformando e conformam a rede de relações aí presentes.
Para LAPASSADE (1983) o sistema institucional existe também na disposição material dos lugares: “Todo sistema institucional já existe, entre nós, aqui e agora, Ele existe na disposição material dos lugares e dos instrumentos de trabalho; nos horários, nos programas, nos sistemas de autoridade.” (LAPASSADE, 1983, p.15).
A disposição das salas, a decoração, os cartazes que preenchem as paredes, e que aparentemente são detalhes ao acaso, constroem um significado, revelam concepções presentes nesse espaço-tempo-finalidade. Vamos tendo na
Unidade de Saúde espaços autorizados e não autorizados, eles demarcam poder, expressam subjetividades e revelam acordos implícitos e explícitos presentes na rede de relações.
“A Unidade de Saúde possui vários cartazes no hall de espera onde os clientes aguardam, alguns são impressos de laboratórios, outros são do Ministério da Saúde, e falam sobre doenças. Outros são produzidos pela Unidade e expressam pedidos aos clientes tais como: pedido para que os carrinhos de bebês, trazidos pelas mães, não fiquem no corredor (parece que são percebidos como atrapalhando a circulação de pessoas).
Um outro cartaz se inicia com os dizeres: "Você sabia?" e diz sobre a preferência de idosos nos atendimento dos agendados no horário.
Chama também atenção a existência de uma faixa de pano de cerca de seis metros com os seguintes dizeres: “Comissão Local de Saúde, você
sabe o que é? Venha representar o seu bairro - Procure a UBS X”.
Essa faixa parece estar colocada há bastante tempo, pois apresenta-se com pó, sinais de desgaste, está um pouco tombada, como se tivesse saído do local onde foi afixada." (Observação).
Estas comunicações escritas explicitam uma certa normatização para os usuários, revelando incômodo pela aglutinação de carrinhos de bebê próximos à sala da pediatria ou da imunização; pode também ser lido como delimitação de espaço que apesar de “permitido” o é com regras e restrições como que lembrando a quem esse espaço de fato pertence. Esses carrinhos são para as usuárias propriedade de valor para a locomoção de crianças ao posto, e a alternativa para a colocação dos carrinhos noutro espaço, em que não atrapalhem mas onde estejam de alguma forma protegidos de furtos, parece não ser alvo da preocupação dos trabalhadores.
Não estamos aqui desconsiderando as dificuldades que podem decorrer se várias mães trouxerem seus carrinhos ao atual espaço destinado à espera de usuários, já que provavelmente aconteceria a impossibilidade de deslocamento dos trabalhadores e usuários. Assinalamos que isso pode revelar que, desde a elaboração da planta física, houve destinação de espaço restrito para os usuários,
revelando talvez uma certa concepção ou “vontade” de que a permanência do usuário deva ser breve, e que a demanda fosse algo imutável e sem crescimento.
Por outro lado, nos escritos, parece ser motivo de preocupação a explicação da prioridade aos idosos, talvez para evitar que outros usuários reclamem ou para informar e atender o idoso de forma mais humana; ou, quem sabe, as duas coisas.
A formação e funcionamento da Comissão Local de Saúde também parece ser uma preocupação de tempos atrás (ou passada). Parece haver um descrédito sobre esse possível fórum de participação popular. Durante o período de observação, nos propusemos a participar da reunião mensal, mas a mesma não ocorreu devido à ausência dos usuários, e aconteceu uma “brincadeira” por parte de uma trabalhadora: “essa comissão é só a gerente.” (Observação), que pode ser denunciadora de que trata-se de uma atividade normatizada e imposta verticalmente, não apresentando um conteúdo que traduza os princípios do SUS.
Voltando a olhar para a planta física, vemos uma estrutura de cimento com salas, destinadas a atendimentos específicos, que se abrem todas para um hall onde clientes aguardam.
“A Unidade possui duas portas de entrada e saída possíveis, uma que se dá pelo estacionamento dos carros, atravessa a copa (espaço destinado ao café dos trabalhadores) e que é utilizada somente pelos trabalhadores. Outra é a porta de entrada e saída para os usuários.”(Observação).