BÖLÜM 1: KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ LİTERATÜR
1.1. Öz-duyarlık Teorisi
1.1.2. Öz-duyarlık ve Benlik Saygısı Arasındaki İlişkiler
A Lei 11.445/07 (LNSB) foi promulgada pela União no exercício de sua competência para estabelecer as diretrizes para o saneamento básico no Brasil (art. 21, inciso XX). Trata-se de marco regulatório muito aguardado e muito celebrado, tendo tramitado por mais de 20 anos no Congresso Nacional.
A partir da LNSB a pauta do saneamento básico retorna com grande vigor e prioridade à agenda brasileira, visto que sua universalização é essencial para a efetiva inclusão social e desenvolvimento socioambiental sustentável.
A LNSB se volta principalmente aos institutos e instituições envolvidos na gestão dos serviços públicos de saneamento básico. Conforme apontam Marcos Paulo Marques Araújo e Victor Zular Zveibil, a LNSB busca incorporar uma “visão mais estratégica de
planejamento e de custos, ligados à manutenção e qualidade da prestação dos serviços” ao
setor de saneamento, instituindo a obrigatoriedade de planejamento, regulação e fiscalização das atividades, bem como a priorização da sustentabilidade dos serviços69. Não almeja, portanto, estabelecer normas técnicas sobre sua prestação, restringindo-se a aspectos institucionais da prestação dos serviços, e nem tampouco regular serviços de saneamento básico que não estejam definidos como serviços públicos.
O primeiro avanço da LNSB é estabelecer legalmente o conceito para os serviços públicos de saneamento básico, o qual passa a reunir os serviços de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, e drenagem de águas pluviais urbanas70.
Wladimir Ribeiro afirma que embora a LNSB o tenha consolidado, tal já era o conceito de saneamento básico no mundo científico:
No entendimento científico, o saneamento básico sempre foi compreendido como as condições ambientais fundamentais para a conservação e promoção da saúde humana, produzidas mediante o abastecimento de água potável; o afastamento seguro de esgotos sanitário
extensa, com inúmeras ramificações, certos temas serão tratados apenas superficialmente, pois não se trata do escopo principal do presente estudo.
69 A relação titular-prestador nos serviços de Saneamento Básico. In: BRASIL. Ministério das Cidades.
Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental. Lei Nacional de Saneamento Básico: perspectivas para o
setor: Prestação dos serviços públicos de saneamento básico. 2ª impressão. Brasília: Ministério das Cidades,
Livro 3, pp. 469-485, 2011, p. 469.
70
[sic], resíduos sólidos e águas pluviais e o combate a reservatórios e vetores de doenças, A Lei n. 11.445/07 consagrou esse entendimento71.
Ao sedimentar o conceito de saneamento básico de forma abrangente, envolvendo as quatro vertentes supramencionadas, a LNSB oferece meios e estimula a que todos os quatro sistemas sejam considerados de modo articulado, e não mais como políticas individualizadas.
Trata-se de importante inovação, haja vista que todos eles são fundamentais para a saúde pública e preservação do meio ambiente, e também possuem relações de dependência entre si. O acúmulo de resíduos sólidos em centros urbanos, por exemplo, impacta severamente na drenagem das águas pluviais. Já o serviço de esgotamento sanitário, por sua vez, gera resíduos que posteriormente serão incluídos no ciclo dos resíduos sólidos, e assim por diante. Daí a necessária articulação entre estas quatro vertentes, formando a política de saneamento básico.
A LNSB estabeleceu também os princípios que regem a prestação dos serviços públicos de saneamento básico (art. 3º), dentre os quais foram consagrados: a universalização do acesso; a integralidade da prestação; a adequação à saúde pública e proteção ao meio ambiente; a articulação com políticas de desenvolvimento urbano e regional, habitação, combate à pobreza, proteção ambiental e promoção da saúde; eficiência e sustentabilidade econômicas; a transparência das ações, baseada em sistemas de informações e processos decisórios institucionalizados; o controle social; a segurança, qualidade e regularidade dos serviços; a adoção de medidas de fomento à moderação do consumo de água (com redação dada pela Lei 12.862/13), entre outros. A fixação de princípios auxilia na interpretação das finalidades essenciais e das metas que devem ser perseguidas pelas políticas de saneamento básico.
Para além disso, a LNSB trouxe, de forma incisiva, exigências para a prestação dos serviços públicos de saneamento básico pelo Poder Público, as quais, inclusive, constituem condições de validade dos contratos, nos casos de contratação de prestador dos serviços72.
71 A relação entre os marcos regulatórios. In: JARDIM, Arnaldo; YOSHIDA, Consuelo; MACHADO
FILHO, José Valverde. Política Nacional, Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Barueri: Manole, pp. 541-559, 2012, p. 544. No que tange ao combate a reservatórios e vetores de doenças, aponta o autor que não foi considerado serviço público de saneamento básico já que se integra nas ações de saúde pública, no âmbito do SUS, e não do saneamento básico.
Trata-se de exigências que permitem maior transparência e maior controle dos serviços públicos de saneamento básico, tais como: a existência de planos de saneamento, de normas e entidades de regulação dos serviços, de contrato escrito no caso de contratação dos serviços, de viabilidade técnica e econômico-financeira, e de controle social.
Conforme veremos nos tópicos que seguem, especial ênfase foi conferida ao aspecto do planejamento, o qual foi reiterado e detalhado na Lei 12.305/10, que estabelece a política nacional de resíduos sólidos. A LNSB descreve o plano que deve ser realizado pelo titular do serviço73, como condição para a prestação dos serviços, bem como o plano a ser elaborado pela União.
A LNSB também inova ao trazer o conceito da prestação regionalizada de serviços públicos, incentivando associações entre os entes para a realização dos planos, da regulação e fiscalização dos serviços, bem como de sua própria prestação, fazendo inclusive referência expressa a convênios e consórcios públicos. Estes temas serão tratados no Capítulo III.
Zela, ainda, pela sustentabilidade econômico-financeira dos serviços públicos de saneamento básico, trazendo diretrizes para a cobrança de tributos e preços públicos para financiar sua prestação74.
Por fim, nesse aspecto não mais como norma geral, e sim como norma federal, a LNSB traz diretrizes referentes à política federal de saneamento básico, orientando e estabelecendo as prioridades para as ações da União no âmbito do saneamento básico. Nesse sentido, estabelece o conteúdo mínimo do Plano Nacional de Saneamento Básico e estabelece condições para acesso dos Municípios aos recursos da União para políticas de saneamento básico, dentre as quais está a elaboração do plano de saneamento básico pelos Municípios. Além disso, impõe a criação do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SNIS), que tem por objetivo reunir, organizar e disponibilizar informações e estatísticas referentes às condições de prestação dos serviços de saneamento básico no Brasil.
73 A lei se refere ao “titular do serviço” e não ao Município, haja vista a indefinição quanto à titularidade, que
sempre permeou a matéria. Vimos no Capítulo I, contudo, que a titularidade, via de regra, é municipal, mas passa, em certa medida, a ser compartilhada com o Estado no âmbito das regiões metropolitanas. Nesse sentido ver item 1.2.1.
2.2 Política Nacional dos Resíduos Sólidos: âmbito de incidência e inovações da