3. MATERYAL ve METOT
3.2. Metot
3.2.1. Örnekleme Noktalarının Seçimi ve Tanıtımı
Repetem-se, nos textos dos grupos, algumas evidências já pontuadas anteriormente, como a maior facilidade com a abordagem empírica e descritiva (SFORINI, 2004) sobre a formação escolar, que pode estender-se à acadêmica. Além disso, a própria tradição descritiva da geografia e da geomorfologia, como procedimento para se conhecer determinado fato, ainda constitui elemento marcante na prática dos alunos. Esse elemento pode dificultar a ruptura do obstáculo epistemológico referente à concepção e explicação do relevo como objeto de estudo metafísico, para o qual a percepção e a visualização dos processos geomorfológicos e geológicos são necessários.
Esse fato pode ser constatado quando se consideram os conhecimentos de alguns alunos (Rosa, Narciso, Lilás, Mirtilo, Psídio) nas diferentes abordagens geomorfológicas do relevo, seja na escala espacial regional ou na local. Em ambas as escalas, o aspecto descritivo sobressai ao interpretativo, que compreende o entendimento dos processos geológicos e/ou geomorfológicos.
No entendimento do relevo, que passa também pelo entendimento das formas de relevo, encontra-se o da noção de escala temporal em geomorfologia, que compreende, mas não se limita ao tempo geológico. Outro problema de escala, que merece ser discutido é o da escala geomorfológica (ênfase no fenômeno relevo) percebida, inicialmente, como escala geográfica e cartográfica da forma. Em Geomorfologia não deve ser negado o entendimento da noção de escala geográfica e cartográfica durante o estudo da espacialidade e a representação gráfica das formas de relevo. Apesar disso, é importante conceber, também, a escala geomorfológica durante a apreensão do relevo. Quando esses entendimentos não estão claros para os estudantes, é possível dizer que há mais um obstáculo epistemológico referente à noção de escala espacial e temporal.
Esse fato foi verificado, indiretamente, nas respostas às questões 1, 2 e 3, sobre o relevo regional e a dinâmica de processos geomorfológicos (estudados durante o trabalho em campo), que ocorrem na unidade vertente e nas planícies fluviais. Os grupos de alunos utilizaram a noção de tempo geológico (“tempo transcorrido”) para explicar as formas de relevo em escala regional, a evolução da voçoroca e a dinâmica da linha do talvegue. Além disso, a escala espacial de estudo faz referência à dimensão real, sem
necessariamente atribuir, diretamente, medidas métricas, mas analogias como regional, local, pontual, continental, etc.
Esse problema, comum entre os alunos, deve-se à própria tradição dos estudos e ensino de Geomorfologia, durante a condução de um raciocínio geomorfológico que se utiliza de um modelo mental. Em Geomorfologia, o modelo mental compreende elementos concretos (formas, depósitos, cicatrizes, matéria) e elementos abstratos (trabalho, processos, energia, frequencia, intensidade e magnitude) que adquirem um “corpo”. O “corpo” ocupa um espaço na superfície terrestre (espaço geográfico) e na imaginação, e se revela na representação gráfica e cartográfica como meio para a síntese, a localização geográfica, a geometria do relevo. Esse aspecto reforça, somente, a dimensão física do relevo. Ao trabalhar com os modelos sobre o fenômeno relevo, é importante, mais do que apresentá-los, questionar: o que o sistema tem? Como funciona? Por que se comporta de uma determinada maneira? Quais as possíveis consequências no tempo e no espaço?
A questão da escala geomorfológica merece ser retomada em pesquisas futuras Em outra oportunidade de pesquisa, merece ser retomada com base nas discussões que Castro (1995) e outros autores fazem sobre o próprio conceito de escala (Cf. Capítulo 2, item 2.1.2).
O Quadro 15, que apresenta a síntese quantitativa do desempenho dos sujeitos desta pesquisa, sobre os conhecimentos e as dificuldades geomorfológicas verificados no trabalho em campo, evidencia os grupos de alunos que se destacaram pela frequência e pelo tipo de desempenho nas atividades. Cada nível de resposta às atividades propostas recebeu um valor que varia de 1 (um), para respostas insuficientes, a 3 (três) e 4 (quatro) para respostas satisfatórias. A soma de respostas satisfatórias permite a nota máxima de 10 pontos, que foi concebida, aqui, como também 100% de desempenho. Sendo assim, o melhor desempenho quantitativo chegou a 10 pontos em um total de 10, ou seja, 100%, enquanto o menor desempenho obteve 4 pontos ou 40%, conforme mostrado no Quadro 15. Neste quadro, encontram-se a relação dos grupos (1 a 11), as classificações do conhecimento dos grupos por abordagem geomorfológica, realizada no trabalho em campo, e a pontuação obtida na soma dos resultados por grupo.
Quadro15
Conhecimentos geomorfológicos: desempenho dos sujeitos da pesquisa
Grupos de sujeitos
Abordagem Geomorfológica e Conhecimento Total
REGIONAL - Conhecimento LOCAL ( vertente) - Conhecimento LOCAL ( planície fluvial) -
Conhecimento Bem Elaborado (3) Básico e suficiente (2) Básico e insuficiente (1) Microscópico (4) Microscópico e visão linear (3) Macroscópico suficiente (2) Macroscópico deficiente (1) Microscópíco (3) Macroscópico (2) Macroscópico deficiente (1) 100% ou (10) 1 Margarida Violeta Jasmim X X X 7 ou 70% 2. Alecrim Magnólia Rosa X X X 6 60% 3. Lilas, Tuia Sálvia X X X 8 80% 4. Narciso Melissa X X X 4 40% 5. Dália Malva X X X 8 80% 6. Gerânio Mirtilio Tarumã X X X 7 70% 7. Girassol Pitanga X X X 9 90% 8. Palma Resedá X X X 10 100% 9. Mirra Faia X X X 10 100% 10. Orquídea Peônia X X x 7 70% 11. Linho Psidio Romã X X x 8 80%
Os Grupos 8 e 9 apresentaram desempenho satisfatório e total (100%) em todas as abordagens geomorfológicas (Regional e Local), enquanto o Grupo 7 apresentou desempenho, predominantemente, satisfatório (90%). Os Grupos 1, 3, 5, 6, 10 e 11, por outro lado, oscilaram entre desempenho satisfatório e suficiente (entre 80 e 70%). Os Grupos 2 e 4, no entanto, apresentaram desempenho variável, entre suficiente e insuficiente (60% e 40%).
As principais dificuldades entre os grupos 2 e 4 são a deficiência em explicar o relevo e as formas de relevo pela dinâmica dos processos geológicos ou geomorfológicos, e pela escala espacial local ou regional. Alia-se a essa deficiência a dificuldade em operar conceitos diversos (depressão como uma unidade de relevo, agente, processos, condicionantes e outros), empregados no campo da Geomorfologia ou da Geologia, o que remete à ideia de obstáculo conceitual.
Os grupos com pontuação entre 70 e 80% apresentaram dificuldades, não com processos geomorfológicos e geológicos para explicar a gênese do relevo, mas de nível de conhecimento desses processos (microscópico e macroscópico). Tanto esses grupos, quanto os que obtiveram notas 9 e 10 apresentaram habilidade em conciliar observação em campo, orientações, explicações e arcabouço teórico nas suas argumentações e interpretações geomorfológicas.
Entre os alunos que compõem os grupos com nota 90% (Girassol e Pitanga) e 100% (Palma, Resedá, Mirra e Faia) verificam os que apresentaram também conhecimento satisfatório da concepção de Geomorfologia e de relevo (Resedá, Palma, Mirra e Faiá). Os demais não responderam o questionário (Q7p-I), portanto não foi possível verificar suas concepções sobre Geomorfologia e relevo. Apesar disso, acredita-se que os mesmos apresentariam desempenho satisfatório, em virtude de seus desempenhos sempre satisfatórios em outras atividades (provas individuais) as quais não foram consideradas nessa pesquisa.
Além dos desempenhos apresentados acima, vale destacar que para a questão 1, que contempla o estudo do relevo na escala regional, 9 entre os 11 grupos ilustraram, por meio de um mapa temático, as unidades geomorfológicas, geológicas e o percurso do trabalho em campo, entre Belo Horizonte e Diamantina. Desses 9 grupos, apenas 01 apresentou, em seu mapa, a maioria dos elementos externos, como coordenadas geográficas (orientação), título, escala e legenda (Grupo 8). Os demais xerocaram parte dos mapas (Grupos 1, 3, 5 e 9), ou compilaram os mapas e acrescentaram alguns
elementos externos (Grupos 2 e 4) ou, simplesmente, adaptaram algumas informações espaciais (elemento interno) dos mapas originais (Grupos 6 e 7). A Figura 10 é um exemplo dos “mapas” elaborados por 4 grupos.
Além das questões referentes às normas para representação cartográfica, apenas os alunos do Grupo 3 (Lilás, Tuia e Sálvia) fizeram, no corpo dos seus textos, chamada para o mapa e seu conteúdo. Os demais alunos, dos outros 8 grupos, apenas anexaram o mapa como uma ilustração, sem comentários e link com o texto elaborado. Esse aspecto revela a falta de aproveitamento dos mapas no processo de análise geomorfológica da região visitada e, mostra, ainda, descaso ou desconhecimento das normas técnicas para a representação cartográfica. Esse assunto é retomado no Capítulo 6.
Figura10 – Exemplo de representação das unidades geomorfológicas e geológicas elaborada por alunos. Fonte: Relatórios de trabalho em campo (2005).
6 CONHECIMENTOS E DIFICULDADES EM GEOMORFOLOGIA:
LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS REFERENTES À VISUALIZAÇÃO
E REPRESENTAÇÃO BI E TRIDIMENSIONAL
A linguagem gráfica, assim como a falada e a escrita, está indissoluvelmente associada à atividade mental e é uma exteriorização do pensamento humano.
(Lívia de Oliveira, 1977) Todo pensamento humano é uma re- presentação, isto é, passa por articulações simbólicas.
(Gilberto Durant, 1998)