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2.6. Almanya

2.6.3. Örnek Program: Waldkindergarten Flensburg e.V

Durante o período de vigência da Lei Kandir e da Emenda Constitucional n.º42/2003 o Estado do Pará acumulou perdas fiscais decorrentes da renúncia heterônoma de ICMS na exportação não obstante compensação financeira paga diretamente pela União aos Estados membros na medida de seus coeficientes de exportação.

Ocorre que o coeficiente de exportação acima esboçado é estático, enquanto o volume de exportação dos Estados é dinâmico, ocorrendo, por vezes, perdas fiscais que os Estados não teriam, caso a exação de ICMS sobre a exportação não tivesse sofrido a renúncia fiscal heterônoma.

Assim passa-se a demonstração das perdas fiscais estimadas do Estado do Pará já considerados os repasses feitos a título de compensação previstos o art. 31 da lei Kandir.

Abaixo segue quadro demonstrativo de estudo realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Pará por técnicos desse tribunal administrativo com base em fontes indicadas no próprio quadro:

O quadro apontado indica uma perda fiscal para os cofres do Estado do Pará acumulada de 1997 a 2010, mesmo período de vigência da Lei Kandir, com valores corrigidos em 2011 (dois mil e onze) na soma de 21 (vinte e um) bilhões de reais e frações.

Considerando outras variantes KLAUTAU (2011) observou que o estudo do TCE estaria pontuado por equívocos na elaboração de seu cálculo, vez que, dentre outros erros esteve o de considerar o valor global de exportação, enquanto só poderia ser considerado o valor referente a exportação de matérias primas e semi-elaborados, pois os produtos industrializados já são imunes desde a promulgação da Constituição em 1988, bem como falta de critério para a aplicação do índice do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA para correção dos valores, pois não há aplicação provável de fundo financeiro que o Estado do Pará pudesse investir que fosse corrigido por tal índice, Ademais, tais correções no estudo do TCE não foram feitas aos repasses recebidos a título de compensação.

Destarte o aludido estudioso reelaborou a tabela acima exposta e a retificou nas falhas indicadas reeditando-o nos seguintes termos:

PLANILHA FORMATADA NO TRABALHO DOS TÉCNICOS DO TCE (com as alterações enunciadas)

DEMONSTRATIVO DA ESTIMATIVA DAS PERDAS DE ICMS APÓS A LEI KANDIR, DE 1997 a 2010

Exercício Exportações (1) Icms Devido Compensações Financeiras da União Perdas Índice Exportações Exportações ICMS Devido VN Lei Kandir FinanceiroAuxílio Total Valor Nominal Perdas Valor Nominal Taxa de Câmbio

Exercício US$ mil FOB R$ mil (*) R$ mil (**) R$ mil R$ mil R$ mil R$ mil US$ / R$

2010 11.100.303 18.486.445 2.403.238 63.819 121.107 184.926 2.218.311 1,6654 2009 6.822.203 11.873.362 1.543.537 63.819 107.811 171.631 1.371.907 1,7404 2008 8.781.871 20.516.207 2.667.107 63.819 164.257 228.076 2.439.031 2,3362 2007 6.219.971 11.012.459 1.431.620 63.819 158.199 222.019 1.209.601 1,7705 2006 5.319.322 11.368.455 1.477.899 63.819 158.199 222.019 1.255.881 2,1372 2005 3.996.758 9.352.014 1.215.762 111.275 146.030 257.305 958.457 2,3399 2004 3.106.324 8.242.941 1.071.582 111.275 111.275 960.308 2,6536 2003 2.161.388 6.242.953 811.584 105.459 105.459 706.124 2,8884 2002 1.966.069 6.945.139 902.868 129.361 129.361 773.507 3,5325 2001 1.975.681 4.582.790 595.763 117.214 117.214 478.549 2,3196 2000 2.090.690 4.086.463 531.240 126.689 126.689 404.551 1,9546 1999 1.864.681 3.334.423 433.475 138.249 138.249 295.226 1,7882 1998 1.972.753 2.384.467 309.981 118.813 118.813 191.167 1,2087 1997 2.021.958 2.257.314 293.451 6.712 6.712 286.738 1,1164 TOTAIS 59.399.972 120.685.430 15.689.106 1.284.144 855.604 2.139.748 13.549.357

Fontes: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Banco Central do Brasil (Calculadora do Cidadão), SEFA (Balanços Gerais do Estado), SIAFEM-PA.

(*) Valores convertidos em Real pela cotação do dólar à época;

(**) Alíquota de 13% referente ao ICMS s/ exportação, aplicado sobre o valor das exportações em Real; (1) Exclusive Produtos Industrializados (Manufaturados)

(2) Os valores referentes às Taxas de Câmbio foram fornecidos pelo TCE

Dados preliminares indicam que o Estado do Pará teria, aproximadamente, valores próximos de R$ 9 bilhões de créditos de ICMS.

A tabela elaborada por KLAUTAU (2011) aponta, portanto, um valor menor de perda com a renúncia fiscal aludida, no mesmo período de 1997 a 2010 o Estado do Pará teria perdido 9 (nove) bilhões de reais em créditos de ICMS.

Os valores alcançados nas duas tabelas diferenciam-se além do dobro em termos numéricos concordando em pelo menos uma constatação: a perda para os cofres do Estado do Pará com a renúncia fiscal heterônoma, de 1997 a 2010 é um fato inconteste, sendo possível afirmar o nexo causal entre a vigência da Lei Complementar Federal n.º 87 de 13 de Setembro de 1996; Emenda Constitucional n.º 42/2003 com a restrição econômica sofrida pelo Estado do Pará.

9.3 HISTÓRICO DAS PERDAS DA LEI KANDIR NO ESTADO DO PARÁ O debate acerca das perdas fiscais sofridas pela renúncia fiscal heterônoma de ICMS na exportação não é novo e não se aplica homogeneamente a todos os Estados, senão que respeita-se a peculiaridade de cada detentor da competência de instituir o ICMS.

De acordo com MACHADO (2002) “o principal e mais forte impacto da Lei Kandir foi sobre a arrecadação de ICMS dos Estados.” E “este impacto variou de Estado para Estado segundo a importância das exportações no PIB e, especialmente, de acordo com o peso dos bens primários e semi-elaborados na pauta de exportação” (p.21)

No que pertine especificamente ao Pará, o mesmo autor afirma que: O Pará é um Estado exportador. Enquanto a participação das exportações no PIB do Brasil foi de 7,84% para o período de 1997-2000, no Pará, para o mesmo período, a participação foi de 19,50%. Além disso, as exportações do estado são fortemente concentradas em bens primários e semi- elaborados. (MACHADO, 2002, p. 21)

Ademais, a maioria dos produtos exportados pelo Estado do Pará são produtos primários e semi-elaborados de extração mineral e vegetal e representam praticamente a totalidade das exportações paraenses no exterior (MACHADO, 2002, p. 21)

Tal constatação nos permite levar à conclusão junto com MACHADO (2002) que tais produtos primários possuem baixo valor agregado e “escassos enlaces (linkages) com a economia regional” (p. 21)

No sistema econômico temos com MACHADO (2002) que “os enlaces podem ser para trás, quando geram novas instalações produtoras de insumo à atividade principal, ou para frente, quando conduzem a investimentos em instalações que utilizam o produto(...)” (p. 22)

Há ainda os efeitos indiretos decorrentes da produção local, em primeiro lugar os “ ‘enlaces de consumo’, ou efeito lateral da demanda, que é o efeito indireto provocado pela renda gerada pela atividade principal” e que viabiliza a “oportunidade de negócios para o atendimento da demanda local por bens e serviços” (MACHADO, 2002, p 23)

fiscal’, que decorre da capacidade de o Estado arrecadar impostos com a atividade principal e canalizá-lo para investimentos” (MACHADO, 2002, p 23)

Desta forma, antes do advento da Lei Complementar 87/1996 Paulo Machado (2002) explica que:

No caso paraense, um dos poucos e mais importantes enlace com o sistema econômico local era a arrecadação de ICMS sobre a comercialização para o exterior destes bens, que gerava determinado grau de enlace fiscal na economia estadual . (p. 23)

Assim, MACHADO(2002) nos relata que “segundo estimativas da Secretaria de Fazenda do Pará, a perda média mensal de receita decorrente da desoneração das exportações foi de 14% em relação à arrecadação corrente” (p. 24-25).

Entre 1997 e 2001 o Estado do Pará acumulou resultado negativo líquido de R$30.000.000,00 (trinta milhões de reais) entre a perda de arrecadação de ICMS sobre a exportação e a compensação prevista na Lei Complementar 87/1996 (art. 31), em outras palavras, o Estado deixou de dispor de menos trinta milhões de reais para utilizar, por força constitucional, em serviços públicos como da educação, por exemplo (art. 212, CF/88).

9.4 OS CUSTOS DO DIREITO

Para HOLMES ET SUSTEIN (1999)5em sua obra “The cost of rights”

ou em tradução livre: “os custos do direito”, temos que todos os direitos são positivos, pois tão somente existindo no ordenamento jurídico, e, acrescentamos, possuindo eficácia plena, devem ser prontamente prestados pelo Estado, o que implica custos, os custos do direito.

Deste modo, SCAFF (2007) aponta a “perplexidade que assoma” o fato do Brasil arrecadar quase 38% do PIB em tributos (R$733 bilhões, em 2005) e “grande parte deles destinado à área social (...). Mas no IDH – Índice de Desenvolvimento Humano o Brasil aparece em 63º lugar (2005)” (p.18)

5HOLMES, Stephen et SUSTEIN, Cass. The Cost of Rights: Why LibertyDepends on Taxes. Nova York: W.W. Norton, 1999. Texto extraído do capítulo 1, disponível em:

Assim, coloca que:

A despeito da Constituição Federal estabelecer uma longa teia de Vinculações Orçamentárias e a obrigação de utilização dos recursos arrecadados com as Contribuições nas finalidades que ensejaram sua criação – quase que sempre vinculados aos Direitos Humanos-, uma dúvida assoma: Será que o dinheiro é insuficiente (...)? Qual a práxis desse Sistema? (SCAFF, 2007, p. 18)

No caso estudado, resta concluído por meio da literatura e dados disponíveis que o Estado do Pará certamente deixou de arrecadar tributo de ICMS nos produtos semi-elaborados destinados à exportação e obteve o prejuízo no período de 1997 a 2010 de no mínimo 9 (nove) bilhões de reais, dinheiro esse que, certamente, seria utilizado na aplicação de direitos fundamentais, como educação, saúde, lazer, moradia, dentre outros, tendo em vista, principalmente, a vinculação da receita de impostos para direitos fundamentais, a título de exemplo da educação em 25% anuais (art. 212, CF/88).

CAPÍTULO 10. HERMENEUTICA CONSTITUCIONAL DA RENÚNCIA

Benzer Belgeler