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3.4. Doğrusal Elastik Olmayan Hesap Yöntemiyle Çözüm

3.4.5. Kolonlar için birim şekil değiştirme istemlerinin hesabı… 50

3.4.5.2. Örnek kolondaki kesme kapasitesi kontrolü

Em maio de 1733, por ocasião de uma solene procissão que trasladou o Santíssimo Sacramento da capela do Rosário dos Pretos para o novo recinto da Matriz do Pilar, Vila Rica era “por situação da natureza, cabeça de toda a América, pela opulência das riquezas, a pedra preciosa do Brasil”. Simão Ferreira Machado tratou de exacerbar a importância da localidade, ressaltando o papel benfeitor da cristianização no

47 Segundo Maria Fernanda Bicalho, os privilégios concelhios conferiam prerrogativas de fidalguia aos

camaristas. Estavam ligados a permissão de portarem armas, não serem presos (salvo em casos específicos), tinham isenções militares e financeiras, entre outros. Ver BICALHO, Maria Fernanda. As Câmaras Municipais no Império Português...

48 RUSSELL-WOOD, A. J. R. O governo local na América portuguesa... p. 38.

49 “A atividade comercial misturava-se à mineração, à produção de gêneros agrícolas e pecuários,

predominando os pequenos estabelecimentos comerciais, especialmente de molhados e bebidas”. FURTADO, Júnia Ferreira. Homens de negócio... p. 222.

190 aumento do grêmio da Igreja.50 Até então, a vila, que havia passado por inúmeras

instabilidades políticas e sociais, dava agora um sinal inconteste da exuberância daquela sociedade que se formava no interior do território.51

Alguns anos antes do Triunfo Eucarístico, em 1729, um capitão-mor da vila enviara uma petição ao rei solicitando o hábito da Ordem de Cristo e alegando bons serviços à monarquia. Henrique Lopes de Araújo era um personagem emblemático da primeira elite que se constituiu em Vila Rica. No começo da década de 1730, tinha por volta de 70 anos, fora para Minas logo no início da ocupação e em 1714 já era capitão- mor. Natural de Braga, era enjeitado, filho de um padre, fora “criado de servir”, abegão, guardador de éguas e viera degredado por 10 anos para a América, condenado por um assassinato. No Rio de Janeiro fora taverneiro, fazia “covos de pescar” (redes de pesca) e, depois, tornara-se “mercador de loja aberta”. Sua ascendência era igualmente modesta: “sua mãe e as duas avós, mulheres de segunda condição, o avô paterno serigueiro52 e o materno lavrador que vivia de alguma fazenda própria em que trabalhava”.53

Embora soubesse que diante de uma origem tão humilde teria poucas chances de conseguir o privilégio, Henrique Lopes centrou forças na série de serviços prestados ao rei, ao longo de sua estadia nas Minas: oferecera a residência para os governadores sem cobrar aluguel; socorrera o conde de Assumar com 80 escravos armados à suas custas, durante as sublevações de 1720, razão pela qual recebeu um agradecimento régio;54 votara a favor e se encarregara de recolher pessoalmente o donativo de 12 arrobas de ouro para a construção das Casas de Fundição, em 1722; cuidara da segurança da vila, prendendo “vadios” e certificando-se do bom funcionamento da mesma.55

50 FERREIRA, Simão Machado. Triunfo Eucarístico In: ÁVILA, Affonso. Resíduos seiscentistas em Minas... p. 197.

51 SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do ouro... p. 19-42. 52 Indivíduo que faz obras de seda.

53 ANTT, Habilitações da Ordem de Cristo, Letra H, Maço 4, f. 31. 54 AHU, Minas Gerais, cx. 2, doc. 110.

55 “no decurso do referido tempo fez sempre a sua obrigação com zelo do real serviço fundando para a sua

habitação umas casas nobres, com todas as comodidades convenientes, despendendo nelas muitas arrobas de ouro pelo exorbitante preço e grande carestia dos materiais as ofereceu para morada dos governadores daquelas Minas sem que para elas quisesse receber aluguel algum; na ocasião das sublevações que naquelas Minas houve mostrou uma grande distinção das mais pessoas sendo o primeiro que com a sua pessoa e 80 escravos seus, armados à sua custa, se pôs pronto a defender as reais ordens; consta os que assim pugnavam tendo grande cuidado em trazer quieto e pacífico aquele povo de tal maneira que o governador d. Lourenço de Almeida lhe agradeceu da parte do mesmo Senhor o bem que tinha servido; no ano de 1722 por se achar na junta que se fez para os povos concorrerem todos os anos por acrescentamento do donativo com mais 12 arrobas de ouro além do que se pagavam e com grande zelo votou em que se contribuísse com o dito donativo e para a obra das Casas de Fundição e moeda; não só concorreu com um donativo mas com grande instância andou pessoalmente pedindo pelos moradores que

191 Henrique Lopes de Araújo não conseguiu a mercê, fora barrado nas provanças, porque, embora fosse limpo de sangue, ele e sua família exerceram funções mecânicas e vis. Contudo, tornou a recorrer ao rei alegando ser capitão-mor de Vila Rica e que o hábito deveria ser concedido pelos “serviços pessoais de 19 anos”. Além do mais, argumentava, vivia à “lei da nobreza com cavalos e o mais trato que costumam ter os nobres”. Em virtude dos serviços e de seus costumes, reclamava a dispensa de qualquer impedimento. A solicitação foi novamente indeferida, em 1732. Henrique Lopes, que fora listado como um dos homens bons passíveis de ocupar a Câmara em 1711,56 mas jamais exercera um cargo no Concelho, faleceu em 1733 como uma das principais figuras de Vila Rica, sem, no entanto, o desejado hábito que, havia tempos, almejava.57

Naquele mesmo ano de 1733, o capitão-mor faria um testamento, em que sugeria a criação de uma Misericórdia, uma irmandade que, virtualmente, ele jamais poderia participar em cargos de chefia. Àquela altura, nem a vila, nem qualquer outra localidade da capitania tinha apoio institucional aos pobres, não obstante o ideal de piedade continuasse vigoroso entre os habitantes, constatável numa época pródiga em números de missas, na grande quantidade de irmandades, nas doações à Misericórdia do Rio. Nada indicava o surgimento de uma nova mentalidade afeita a uma espécie de individualismo precoce, ou ainda a um tipo de mentalidade específico de Minas.58

O testamenteiro universal do capitão-mor, o marechal de campo Mathias Barbosa da Silva, encaminhou as averbações que repassavam ao Concelho uma série de propriedades e legados. Segundo Francisco Antônio Lopes, o capitão-mor “era, pelos seus haveres, um dos principais moradores de Vila Rica. Seu nome figura entre os vários registros da época, principalmente nos que se referem ao legado que fez para a instituição de um hospital”.59 Henrique Lopes era o proprietário do dito “palácio” que

servia de moradia aos governadores da capitania, até aquele momento, destituídos de uma residência oficial. Legou-o para a Câmara “para habitação dos seus governantes ou para o que for mais útil e conveniente à mesma Câmara e bem comum da república”

concorressem o que fizeram quase todos e sendo encarregado da prisão dos vadios residentes da sua comarca o [fizera] com muita pontualidade rondando pessoalmente a cadeia por ser pouco segura e por ser o sítio e por ser o sítio da fundação das casas da moeda monturo [mandou] por várias vezes setenta escravos seus a aplainar a terra poupando a despesa que se havia de fazer da Fazenda Real.” ANTT, Habilitações da Ordem de Cristo, Letra H, Maço 4, f. 31.

56 RAMOS, Donald. A social history of Ouro Preto…. p. 316-317.

57 Em 1722, d. Lourenço de Almeida havia prometido o hábito da Ordem de Cristo a várias pessoas, entre

elas, Henrique Lopes de Araújo, pelo zelo do serviço e execução das reais ordens, o que, no caso do referido capitão-mor não se concretizou. IHGB. Arquivo 1.1.21. fls.89v-90.

58 BOSCHI, Caio Cesar. O assistencialismo na capitania do Ouro... p. 25-41. Voltarei a esse tema adiante. 59 LOPES, Francisco Antônio. Os palácios de Vila Rica... p. 10.

Benzer Belgeler