4. TEKSTĠL DĠELEKTRĠK MALZEME TABANLI DĠKDÖRTGEN, DAĠRE VE
4.5. Tekstil Dielektrik Malzeme Tabanlı MikroĢerit Antenlerin 2.4, 3 ve 5.8 GHz
4.5.1. Örnek anten hesaplaması
Neste trabalho, busco examinar a existência de economia étnica no Brasil para diferentes grupos de estrangeiros e avaliar o impacto da inserção em tal economia sobre os rendimentos salariais e as probabilidades de os imigrantes internacionais manterem- se empregados. Para investigar esses pontos, proponho testar as seguintes hipóteses, fundamentadas na literatura:
1) existe uma economia étnica no mercado de trabalho brasileiro, uma vez que os imigrantes internacionais se inserem em um mercado de trabalho paralelo ao mercado aberto, constituindo uma economia própria, definida como economia étnica;
2) tomando como pressuposto de que a economia étnica é uma rota alternativa para a mobilidade ascendente de imigrantes, e não uma fuga do desemprego ou de ocupações desqualificadas, os trabalhadores imigrantes inseridos na economia étnica têm maior probabilidade de permanecerem empregados e têm retornos superiores do que seus compatriotas inseridos no mercado aberto;
3) partindo do princípio de que os efeitos da economia étnica sobre a situação econômica dos imigrantes estão associados com as origens dos imigrantes, os efeitos da participação em uma economia étnica são heterogêneos entre as etnias/origens nacionais presentes no Brasil.
Para tanto, o primeiro desafio encontrado foi o de operacionalizar o termo “economia étnica” para aplicação em estudos empíricos, como é o caso deste trabalho. Não há pesquisas brasileiras, de meu conhecimento, que tenham investigado essa questão por meio de metodologia quantitativa e comparativa (Vilela e Lopes, 2011). Nesse aspecto, ressalto uma contribuição deste trabalho, na medida em que sistematizo critérios para classificação da economia étnica no contexto brasileiro. A partir da definição de economia étnica como o conjunto de empresas que estão na posse de imigrantes ou que empregam membros da comunidade étnica, em números significativos, independentemente do tipo de negócio, dimensão e concentração espacial da empresa (Zhou, 2004:1043), construo quatro situações, que variam de uma inserção do imigrante
em empresa completamente dentro da economia étnica (situação 1) até aquela em uma economia totalmente aberta (situação 4), quais sejam:
• Economia étnica
Situação 1 - Diretor é estrangeiro e coétnico com os funcionários, e 1/3
dos funcionários é coétnico.
Situação 2 – Diretor não é estrangeiro ou não é coétnico com os
funcionários, e um 1/3 dos funcionários é coétnico.
• Economia aberta
Situação 3 - Diretor é estrangeiro e coétnico com os funcionários, e menos
de 1/3 dos funcionários é coétnico.
Situação 4 – Diretor não é estrangeiro ou não é coétnico com os
funcionários, e menos de 1/3 dos funcionários é coétnico.
Para testar as hipóteses colocadas, utilizo uma abordagem quantitativa, a partir de uma amostra dos microdados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do ano de 2010, por meio da aplicação de duas técnicas, quais sejam: Modelo Hierárquico de Regressão Logística Binominal e Modelo Hierárquico de Regressão Linear.
A utilização da RAIS como banco de dados para o desenvolvimento desta análise, também, aponto como uma contribuição metodológica dessa pesquisa. Normalmente, estudos sobre a inserção dos imigrantes no mercado de trabalho brasileiro são realizados por meio do Censo Demográfico (Sala, 2005, Vilela, 2011), porém a RAIS, que também é concebida como um censo dos trabalhadores do mercado formal, mostrou-se uma excelente ferramenta e ainda tem como avanço a identificação das empresas que cada imigrante encontra-se empregado, variável que defini como o segundo nível dos modelos hierárquicos dessa pesquisa.
Quanto às técnicas estatísticas para escolha dos modelos hierárquicos de regressão (logístico e linear), baseio-me na ideia de que os trabalhadores estrangeiros ocupados
em uma mesma empresa compartilham de características comuns, uma vez que estão sob as regras de um mesmo ambiente normativo e desigualdades contextuais que afetam suas oportunidades no mercado de trabalho. Defino, então, dois níveis de análises, sendo o primeiro correspondente às características individuais e o segundo nível relativo às empresas.
Sob essa perspectiva, verifico a existência de economia étnica no mercado de trabalho brasileiro para todos os grupos de estrangeiros analisados neste estudo, uma vez que, em maior ou menor grau, os imigrantes internacionais se inserem em empresas classificadas como étnicas (situações 1 ou 2), formando um mercado de trabalho paralelo ao mercado aberto. Portanto, confirmo a hipótese 1 levantada neste estudo para todos os 13 grupos de imigrantes pesquisados.
Dentre os grupos analisados, noto maior incidência de trabalhadores inseridos na economia étnica entre paraguaios (25,7%), bolivianos (20,6%), chineses (15,8%) e uruguaios (13,7%), grupos de imigrantes que pesquisas anteriores indicam serem discriminados negativamente no mercado de trabalho brasileiro (Vilela, 2011). Esses resultados sugerem que trabalhadores estrangeiros que têm maior dificuldade de entrada no mercado local devido, por exemplo, à discriminação tendem a se inserir em empresas do mercado étnico. Por outro lado, os imigrantes com menor proporção de trabalhadores no mercado étnico são os espanhóis (1,1%), chilenos (1,2%), portugueses (1,7%), alemães (2,5%) e norte-americanos (3%).
Os mercados étnicos são predominantemente observados nos estados do Sudeste e Sul do Brasil, com destaque para concentração em São Paulo (SP). Já na região Norte, não é observada a formação da economia étnica de nenhum grupo de imigrantes estudados, apesar de existir concentração de imigrantes nessa região, como no caso de chineses e japoneses no Amazonas (AM).
Quanto às características das empresas inscritas no mercado étnico, o tamanho do estabelecimento é um aspecto discriminante em relação às organizações do mercado aberto. Empresas étnicas tendem a um número menor de empregados (78% têm até 19 funcionários), enquanto as organizações do mercado aberto apresentam maiores proporções (29% têm mais de mil empregados). Já no que tange ao setor de atuação
dessas empresas, não observo grande divergência entre os ramos de atividades desenvolvidos. Ainda no que se referem às características descritivas desses mercados, trabalhadores inseridos na economia aberta têm rendimentos médios superiores a dos empregados no mercado étnico.
Os resultados dos modelos estatísticos confirmam uma pior inserção dos imigrantes do mercado étnico em comparação ao mercado aberto. As estimações realizadas por meio das regressões logísticas indicam que os imigrantes inseridos no mercado étnico apresentam menores chances de se manterem empregados do que os trabalhadores no mercado aberto. Nessa perspectiva, o mercado étnico não pode ser entendido nem mesmo como uma rota de fuga dos imigrantes à situação de desemprego (Sanders e Nee, 1987; Chiswick 1999), visto que em tal economia são menores as chances de eles permanecerem empregados. No que diz respeito ao efeito da economia étnica para os rendimentos dos imigrantes, os resultados indicam que a permanência em tal economia reduz as médias salariais dos estrangeiros, se comparadas aos trabalhadores do mercado aberto.
A partir desses resultados, a hipótese 2 é completamente refutada, aproximando os resultados desse estudos aos argumentos de Nee, Sanders, e Sernau (1994), Nee e Sanders (2001), Sanders e Nee (1987), Chiswick (1999) que afirmam que a permanência na economia étnica acarreta para o imigrante uma situação de desvantagem no mercado de trabalho da sociedade hospedeira. De acordo com essa perspectiva, os autores indicam que permanência em tal economia dificulta a assimilação de imigrantes, diminuindo a taxa de aquisição de capital humano (por exemplo, a linguagem) acarretando em perdas salariais.
Também observo que os efeitos da participação em uma economia étnica são heterogêneos entre as etnias/origens nacionais presentes no Brasil. Italianos (-74%), chilenos (-73,8%) e franceses (-68,8%) são os imigrantes que apresentam os maiores efeitos negativos nos salários quando inseridos no mercado étnico. Por outro lado, os paraguaios (-25,3%) e bolivianos (-26%) são os que têm menor redução, apesar de também apresentarem efeitos negativos nos salários em razão da permanência em mercados étnicos.
Ressalto, portanto, que o local de origem do trabalhador deve ser incorporado aos estudos relativos à economia étnica, visto que o efeito de tal economia varia conforme o país do estrangeiro, e confirmo a hipótese 3 construída para esta pesquisa.
Sugiro ainda que a pior situação dos estrangeiros pertencentes ao mercado étnico pode ter como explicação características organizacionais próprias às empresas, já que, como visto anteriormente, essas apresentam traços diferenciadores das inscritas na economia aberta. Nesse sentido, outras questões podem ser investigadas em estudos futuros com detalhamento das variáveis relativas ao segundo nível de análise nos modelos hierárquicos, que passam a ser foco de pesquisa.
No desenvolvimento dessa dissertação, também ficaram apontadas outras questões a serem pesquisadas futuramente. Uma iniciativa diz respeito à investigação da economia étnica para o contexto das mulheres imigrantes. Será que para as mulheres estrangeiras a economia étnica apresenta-se da mesma forma do que para os homens, acarretando em perdas salariais e de emprego? Esse exercício torna-se importante devido às evidências de aumento na participação das mulheres nos movimentos migratórios e do crescimento da inserção das imigrantes no mercado de trabalho (Sassen, 2011; Zavala e Morales, 2011; Vilela e Noronha, 2013).
Outra proposta de estudos futuros é o desenvolvimento de uma análise longitudinal de painel com esses 13 grupos de imigrantes internacionais, nos quais identifico a existência de economia étnica. Dessa forma, será possível acompanhar a trajetória de um mesmo indivíduo e uma mesma empresa no mercado de trabalho e investigar a constituição da economia étnica e seus efeitos, ao longo do tempo, para a mobilidade social de tais grupos, em comparação aos trabalhadores estrangeiros inscritos na economia aberta.