4. PARILTI ETKİLERİ ÜZERİNE BİR UYGULAMA
4.8. Örnek Fonksiyonel Parıltı Hesabı
Este capítulo tem a finalidade de apresentar subsídios para a criação de uma metodologia de valoração e proteção da paisagem dos espaços litorâneos, em virtude de suas peculiaridades naturais e jurídicas. Os procedimentos propostos neste capítulo são divididos em duas etapas: método indireto e método direto. O primeiro toma por foco o ponto de vista de análise da autora, sem a influência da opinião dos usuários em geral; já o segundo método fundamenta-se exclusivamente na relação dos moradores e visitantes com o lugar, através de suas avaliações pessoais da qualidade da paisagem.
Para a aplicação do método indireto tomou-se como referência os trabalhos de Raquel Tardin (2008) e Eduardo Cuesta, Encarnación Algarra e Isabel Pastor (2001). A primeira autora enfoca na avaliação de quatro atributos: biofísicos, perceptivos, de planejamento e de acessibilidade, dos quais serão aqui explorados apenas os três primeiros19, com uma adaptação do atributo biofísico, o qual será aqui chamado de “biofísicos e antrópicos” em razão das peculiaridades do universo em estudo neste trabalho. Sua avaliação – essencialmente qualitativa, ou seja, feita a partir da descrição visual – faz-se essencial e foi utilizada de forma combinada com a avaliação quantitativa exposta por Cuesta, Algarra e Pastor (2001), os quais propõem a avaliação matemática da qualidade da paisagem, a partir da consideração dos seguintes componentes: topografia, hidrografia, vegetação e influência humana, esta última definida pela quantificação de toda a área construída dentro do universo de estudo.
Já a construção do método direto foi baseada na pesquisa de Letícia e Carlos Hardt (2010), a qual também explora os métodos indireto e direto, sendo este último de maior relevância para o presente trabalho. Nesta fase os referidos autores realizaram entrevistas nas quais os usuários (moradores e visitantes) avaliaram a qualidade da paisagem no universo estudado, unicamente através da percepção de cada um20. Cabe ressaltar que algumas adaptações foram necessárias em decorrência das particularidades do caso estudado, melhor explicadas no decorrer deste capítulo.
19 Para a caracterização e avaliação dos atributos físicos das zonas costeiras, além dos autores mencionados, são utilizados conceitos apresentados pelo Projeto Orla. Disponível em: < PROJETO ORLA: Fundamentos para a gestão integrada. Brasília: MMA/SQA; Brasília: MP/SPU, 2002.>.
20 Convém ressalvar que, apesar de o método direto basear-se na percepção visual, este se diferencia dos atributos perceptivos, por ter como observador o usuário (seja ele morador da localidade ou visitante), e por adotar procedimentos distintos dos utilizados na primeira fase.
Para tal, foram utilizadas cartas temáticas em conjunto com a adoção de classificações de qualidade da paisagem, através dos softwares AutoCAD e ArcGis. Estes instrumentos tornam o procedimento de análise mais rápido e preciso, constituindo atualmente ferramentas indispensáveis ao planejamento urbano.
Com base nos procedimentos adotados por Hardt e Hardt (2009), a aplicação desta metodologia parte da definição das Zonas de Análise (ZAs), isto é, quadrículas aqui delimitadas em dimensões de 500m x 500m, cujo objetivo é possibilitar a aplicação matemática do método, através do cálculo dos atributos de maneira proporcional a cada zona (250.000 m² ou 25 ha). A partir daí foram selecionadas cinco zonas de análise para aplicação desta metodologia, cujo critério de escolha objetiva contemplar uma maior variedade de qualidades de atributos – áreas de notório valor paisagístico, de grande índice de ocupação do solo, situadas próximo ao mar ou mais ao interior do continente, dentre outras situações – na busca por resultados também mistos, o que possibilita ajustes e melhorias futuras no método.
4.1 MÉTODO INDIRETO
4.1.1 Atributos perceptivos
Após a definição das zonas de análise, dá-se início à primeira etapa do método indireto, referente à avaliação dos atributos perceptivos. Nesse quesito tomou-se como foco a percepção visual dos espaços, através da identificação de características físicas que ganham destaque na paisagem e que conferem à mesma, identidade visual. O objetivo desta avaliação é apontar e descrever quais áreas apresentam potencialidade paisagística para serem conservadas.
Para isso, tomou-se como base o trabalho de Tardin (2008), a qual estabelece uma classificação para os espaços por meio de três categorias distintas. São elas: elementos cênicos, áreas de emergência visual e fundos cênicos, todas adotadas no desenvolvimento do presente trabalho. Vale salientar que, devido ao seu caráter subjetivo, este tipo de estudo possibilita considerações distintas, segundo cada autor/observador.
Os elementos cênicos são definidos por Tardin (2008, p. 144) como sendo “[...] os componentes naturais dos espaços livres com maior atrativo visual, o que lhes confere uma qualidade intrínseca”. A importância de preservação desses espaços se reflete na manutenção da identidade visual, referência importante para aqueles que ali residem, e atrativo primordial para o visitante. Nesse item se destacam, por exemplo, formações vegetais com variedade de
cores e texturas, singularidades na conformação do relevo, bem como a presença de água (mar, rios e lagoas).
As áreas de emergência visual, por sua vez, podem ser definidas como sendo “faixas” da paisagem vistas a partir do percurso das vias principais, sejam elas formações topográficas singulares ou amplas lâminas d’água. Seu valor cênico se faz presente principalmente no contraste com seu entorno edificado. Tardin (2008, p. 148) alerta para a importância dessas áreas: “Detectar as áreas de emergência visual permite identificar e preservar as principais referências topográficas e hidrográficas dos espaços livres com focos visuais que caracterizam a estrutura física do lugar”. Essas “aberturas” funcionam como elementos que despertam o interesse do visitante pelo seu entorno visual, constituindo espaços de alta visibilidade e que merecem ser preservados.
Já os fundos cênicos constituem as vistas mais amplas da paisagem, através das quais podem ser visualizadas combinações e contrastes entre os elementos cênicos mais significativos (vegetação, hidrografia e topografia). Segundo Tardin (2008, p. 152) essas vistas podem ser classificadas como panorâmicas ou parciais. Porém, como o universo estudado situa-se em uma planície costeira, com poucas áreas de cotas elevadas, optou-se por não seguir esta divisão, considerando todas como vistas panorâmicas de fundos cênicos.
Após a devida identificação e descrição dos atributos paisagísticos, partiu-se para a sua espacialização em mapa, com o intuito de delimitar aqueles espaços relevantes para a conformação visual do lugar, e que por isso requerem restrições legais no que tange o grau de ocupação do solo. Nesse mapa são explicitadas as áreas de emergência visual (classificadas segundo topografia ou hidrografia), as vistas dos fundos cênicos, e os espaços cuja hidrografia, vegetação ou topografia apresentam significância na paisagem.
Com o intuito de tornar a avaliação mais objetiva, foram associados aos preceitos de Tardin (2008) os procedimentos matemáticos de Eduardo Cuesta, Encarnación Algarra e Isabel Pastor (2001). Assim sendo, a cada categoria anteriormente especificada foram atribuídas classes e valorações, dentro do intervalo de 0-100. Os valores 100, 60, 20 e 10 serão mantidos como valoração padrão ao longo deste capítulo, sendo realizadas, a partir do mesmo, as adaptações necessárias conforme forem retiradas ou acrescentadas novas classes, tomando sempre como base aquelas utilizadas por Cuesta, Algarra e Pastor (2001).
Partindo da premissa de que quanto maior a quantidade de elementos perceptivos presentes em determinado lugar, maior a qualidade da paisagem, adotou-se a seguinte classificação: naquelas zonas de análise em que se encontrarem menos de dois dos atributos anteriormente listados foi classificada como de baixa qualidade, onde foram identificados entre
dois e cinco atributos recebeu a classificação média qualidade, e por fim, aquelas zonas que apresentaram mais de cinco, foram classificadas como de alta qualidade paisagística, como mostra o quadro 3.
Quadro 3 – Classificação e valoração dos atributos perceptivos da paisagem.