3. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ
3.1. ARAŞTIRMANIN PROBLEMİ
O Estado de Goiás situa-se na região centro-oeste do país e resultou das investidas de aventureiros que, em diversas expedições - “entradas”, “descidas”, “bandeiras” - , percorreram as terras goianas desde o primeiro século de colonização. No contexto da história brasileira, marcada por ciclos econômicos, a história de Goiás começou no ciclo do ouro. O nome do estado derivou do nome da tribo indígena guaiá, que quer dizer indivíduo igual, gente semelhante, da mesma raça (RISTOFF e GIOLO, 2006).
A ocupação de Goiás ocorreu inicialmente pela região do Rio Vermelho, local que mais tarde tornou-se a cidade de Goiás, a qual foi capital do Estado por duzentos anos. Já o povoamento desse Estado“[...] em consequência da mineração do ouro, ocorreu de forma irregular e instável, sem qualquer planejamento ou ordenação[...]. A ocupação humana, nas zonas despovoadas, deu-se pela expansão da pecuária e da lavoura de subsistência nos séculos XIX e XX“. (MENDONÇA, 2005, p. 93)
Goiás, oficialmente descoberto por Bartolomeu Bueno da Silva, em 1722, nasceu no ciclo da mineração. E por ter sido descoberto por paulistas, pertencia à Capitania de São Paulo. “Sob essa condição, o sujeito que nele foi valorizado, era o ‘mineiro”, que, naquela época, significava o proprietário de lavras e escravos. “Ser mineiro era a profissão mais honrosa, significava o mais alto status social. Todos queriam ser mineiros e ninguém queria ser chamado de roceiro, profissão desprezada”. ( PALACIN e MORAES, 2001, p. 19)
Diante disso, a sociedade goiana não se diferia da sociedade colonial do restante do Brasil. Por isso, era caracterizada por relações de dominação e de subordinação, marcadas por diferenças relevantes nas questões que envolviam direitos, deveres e obrigações. A economia, de modo geral, baseada no trabalho escravo que, nas minas, era demasiado penoso e desumano.
Vida de escravo nas minas era extraordinariamente dura. Em primeiro lugar, todos os males do garimpo: trabalho esgotador, má alimentação(os escravos alimentavam-se quase que exclusivamente de milho) e graves doenças(reumatismo, pelo contínuo trabalho com os pés na água, doenças de coluna e dos rins, pelo trabalho curvado com o sol nas costas, enfermidades venéreas e verminoses etc). A isto há de se acrescentar os males da falta de Figura 1 - Localização do
Estado de Goiás - Brasil divisão regional antes de 1988
liberdade: arbitrariedades, castigos. Eram considerados mais como coisas que como pessoas. (PALACIN e MORAES, 2001, p.34)
1.1.4.1 A educação no período colonial
O ensino/educação, durante o período colonial brasileiro, teve na Companhia de Jesus a responsável pelo processo. Esta atuou de 1549 a 1759, quando foi expulsa do Brasil e de Portugal pelo Marquês de Pombal.
Os Jesuítas, obedecendo às ordens régias, apenas ensinavam a Língua Portuguesa, o catecismo e algumas orações aos nativos. Essa posição era justificada porque “a Capitania de Goiás que só era lembrada por seu ouro e diamante que abastecia os cofres portugueses” (Mendonça, 2005, p. 97).
Segundo Brzezinski (1987), a posição geográfica de Goiás não facilitava a comunicação com as outras capitanias mais desenvolvidas. Em vista disso, nem o ensino jesuítico ou as aulas régias conseguiram estabelecer qualquer influência significativa para a sociedade goiana. Para esta autora, a economia, com base na mineração, provocou a ausência de uma sociedade coesa e estruturada que considerasse relevante a existência da escola. [...] "na Capitania de Goiás com as missões jesuíticas [...] se pode concluir que a companhia de Jesus não fundou nenhuma escola, propriamente dita, nos sertões por eles explorados, como fizeram em outros lugares” (Bretas, 1991, p. 23).
Em Goiás, o ciclo da mineração não teve vida longa. ”A mineração propriamente dita teve vida breve em Goiás. Tem início em 1726, declinando após a década de 1750, que marca o apogeu da mineração em Goiás”(Chaul, 2002, p.34).
Goiás permaneceu em decadência3 até os primeiros anos do século XIX e sofria o impacto das dificuldades econômicas decorrentes da conjuntura internacional que apresentava as consequências das guerras napoleônicas.
As principais consequências da decadência da mineração podem ser assim resumidas: a) pobreza/miséria da população; b) defasagem sócio-cultural; c) nascimento de
3 A decadência em Goiás é contestada por CHAUL(2002). Segundo esse autor, os viajantes europeus que
embrenhavam pelo interior de Goiás, analisavam-no com os olhos e as idéias voltados pra o continente europeu. “Contraste perfeito, cenário pobre, corrompido e corroído, e a imaginação dos europeus sonhadores de mitos tropicais que ao visitar Goiás registram a aparência modesta como regra perpétua. A idéia de decadência reponta como explicação absoluta”(p.18). E acrescenta: ”Dentre os mais variados argumentos alegados para justificar a decadência, temos a precariedade das estradas, a falta de incentivos da Coroa para colocar em funcionamento novos meios de comunicação e o constante ócio em que vivia o povo de Goiás. [...] Repetida pelos historiadores contemporâneos, Goiás passou a ter um perfil de terra da decadência, retrato de uma sociedade que parecia não possuir o mínimo básico para existir devido a sua inoperância, sua carência de tudo, sua solidão traduzida em isolamento, sua redoma de preguiça”. (CHAUL, 2002, p. 41)
uma economia agrária, fechada, de subsistência; e) êxodo/migração da população para ouras regiões “mais desenvolvidas”. Nesse ciclo, não foi formada uma classe média bem estruturada e forte. E, diante desse contexto, os poderes econômico, social e político ficaram concentrados nas mãos de poucas famílias que sobreviveram à derrocada da mineração.
Com a expulsão dos Jesuítas pelo Marquês de Pombal, em 1759, quase todas as escolas existentes no Brasil foram fechadas, à exceção das poucas mantidas por particulares e religiosos Carmelitas e Franciscanos, particularmente. Goiás nada sofreu com a extinção da Companhia de Jesus. Entretanto, vale sintetizar, considerando os acontecimentos ocorridos em Portugal e no Brasil, relacionados à Instrução:
a) que os Jesuítas não abriram em Goiás escolas, na exata acepção do termo, quando por aqui passaram, interessados na formação da mão-de-obra para as fazendas que pretendiam fundar visando à produção de gêneros, para isso ensinado o catecismo e a língua portuguesa, usando apenas a expressão oral, sem a preocupação de ensinar as letras; b) que Portugal não se interessava por dar as luzes das letras às populações dos sertões dos Goiases, constituídas estas somente de mineradores, sem residência fixa, e que também a estas igualmente não interessava o conhecimento das letras; c) que, embora não se encontre nos anais da Capitania de Goiás nenhuma referência, oficial ou particular, com respeito a ensino de primeiras letras, se pode ter como certo que uma ou outra família de brancos, com residência fixa nos arraiais e povoações, contratou mestres para seus filhos; nesse caso esses mestres particulares seriam sacerdotes ou funcionários do Rei, porque estes não eram proibidos de ensinar em domicílio. (Idem, p. 36-7)
As transformações processadas na economia goiana durante os séculos XVII e XVIII não tiveram expressão. A Capitania de Goiás diante do contexto sócio-econômico-político que predominava não contou com escola até o século XIX. As primeiras escolas públicas instaladas em Goiás, nos tempos coloniais, foram criadas quando vigorava a reforma pombalina. E a despeito da criação do imposto pelo “Subsídio Literário”, as escolas Régias e os mestres que nela atuavam passaram por uma prolongada penúria, a qual adentrou no período Imperial como flagelo crônico (Ibdem).