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BÖLÜM 1: KURAMSAL TEMELLER

1.1. Değer

1.1.4. Örgütsel Değer

administrativos foi, no transcorrer dos anos 60 e 70, infiltrado de críticas ao seu conservadorismo em defesa do status quo e de sua epistemologia objetivista.

Estes ataques “radicais” de grupos marxistas, humanistas (Sartre, anarquismo) e interpretativistas levarão a um desenho mais pluralista da produção do conhecimento sobre Administração. E, ao contrário do que os atacantes imaginaram, o “cachorro não estava morto”, mostrando uma capacidade do funcionalismo em se renovar até mesmo com questões lançadas pelos radicais.

Podem-se olhar as críticas do pensamento estratégico como uma dessas renovações (talvez seu principal autor Henry Mintzberg não aprove esta colocação), mas claramente é de grande aceitação no meio empresarial e muito celebrada no meio acadêmico, dando, portanto, sinais de ser uma renovação do paradigma funcionalista com questões importantes colocadas pelos seus adversários, como o aprendizado e a participação dos “de baixo” na criação de estratégia.

3.1. Os Ataques “Radicais” à Teoria Funcionalista das

Organizações

As contribuições de Durkheim, Weber e Marx para a reflexão dos problemas das suas sociedades deram a elas um caráter de “teoria social”, por causa da sua perspectiva geral e macroorientada. O que veio a ser chamado de Administração, enquanto uma área de conhecimento autônoma, com os trabalhos pioneiros de Taylor, Fayol e Mayo, tem um caráter de “microorientada”, dada sua perspectiva específica na eficiência do trabalho. Em um provocante artigo, Tragtenberg (1971) afirma que “o aumento da dimensão da empresa no período da segunda Revolução Industrial, além de ocasionar uma mutação, onde as teorias sociais de caráter totalizador e global (Saint-Simon, Fourier e Marx) cedem lugar às teorias microindustriais de alcance médio (Taylor, Fayol), implica no plano da empresa em uma separação entre direção e execução (p.15)

[...] Os modelos administrativos Taylor–Fayol correspondem à divisão mecânica do trabalho (Durkheim), onde o parcelamento de tarefas é a mola do sistema” (p.17).

O racionalismo teve grande influência no surgimento da Teoria Administrativa e, apesar das críticas recebidas no desenvolver do século XX, permaneceu ao menos em “espírito” nas teorias contemporâneas. “A despeito do fato de estar presente nos primórdios do desenvolvimento da teoria organizacional, o modelo racional nunca teve domínio ideológico e intelectual completo. Sempre foi contestado por linhas alternativas. Os contestadores freqüentemente compartilhavam o projeto político e ideológico do modelo racional” (REED, 1998, p.69).

Esses contestadores foram, em princípio, os autores da escola de Relações Humanas e, em seguida, os autores do Estruturalismo–Sistêmico. Esta última concepção foi a dominante nas décadas 40 a 60 (ou até 70 com a Teoria da Contingência) e dissimula “conflitos de valor sobre fins e meios em questões técnicas que podem ser “resolvidas” por meio de um projeto eficaz de sistema e de administração” (REED, 1998, p.71); em outras palavras, oculta a questão política.

Toda essa tradição é criticada politicamente (por desenvolver e manter a dominação nas organizações) e epistemologicamente (por abordar a realidade de forma objetiva e querer modá-la à sua vontade); assim, “à medida que os anos 60 avançam modelos alternativos de interpretação já começam a emergir para questionar o funcionalismo, baseados em tradições intelectuais e históricas muito diferentes” (REED, 1998, p.72).

Como foi dito anteriormente neste texto, o trabalho de Weber sobre burocracia foi mutilado, apoderado e divulgado pelo parsonismo funcionalista da sociologia estadunidense e teve enorme influência na Teoria das Organizações e nas discussões sobre Administração. “Tão logo o Weber politicamente de esquerda e intelectualmente idealista foi ressuscitado, o projeto da teoria organizacional transformou-se em luta. A teoria organizacional, daquele dia em diante, foi um “terreno contestado” em seus aspectos políticos, epistemológico e metodológico” (BURRELL, 1998, p.440).

A partir desse momento, há uma teoria ortodoxa e administrativamente orientada ao lado de uma (melhor seria dizer, várias) teoria heterodoxa e criticamente orientada. Ao final dos anos 70, um livro teve forte impacto na literatura da área: “Sociological Paradigms and Organizational Analysis” de Burrell e Morgan de 1979. De acordo com Burrell (1998, p.448), o referido “livro argumenta que o estado normal da ciência organizacional é pluralístico”.

Burrell e Morgan (1979) constroem quatro paradigmas para a Teoria das Organizações, cada um fundamentado em um contexto sociológico. Os quatro paradigmas são construídos a partir de duas dimensões: uma sobre a natureza da ciência social, e a outra sobre a natureza da sociedade. A dimensão “natureza da ciência social” pode ser compreendida pelo quadro 3.

Quadro 3 – A dimensão objetivista-subjetivista Fonte: Burrell e Morgan, 1979, p.1-8

Abordagem subjetivista

à ciência social Pressupostos sobre a ciência natural Abordagem objetivista à ciência social

NOMINALISMO realidade é produto da consciência ANTI-POSITIVISMO conhecimento subjetivo e baseado em experiência IDEOGRÁFICA enfatiza a compreensão do que é particular e usa

métodos qualitativos

ONTOLOGIA

refere-se à realidade investigada

VOLUNTARISMO

ser humano criador do seu ambiente EPISTEMOLOGIA refere-se à compreensão e transformação do conhecimento NATUREZA HUMANA refere-se ao relacionamento do ser humano com seu

ambiente

METODOLOGIA

refere-se ao modo como investiga e obtem conhecimento REALISMO realidade externa ao indivíduo POSITIVISMO conhecimento real e transmitido de forma tangível

DETERMINISMO

ser humano condicionado pelo seu ambiente

NOMOTÉTICA

enfatiza a compreensão do que é universal e usa métodos quantitativos

A dimensão “natureza da sociedade” pode ser compreendida pelo quadro 4, lembrando que essas dimensões refletem uma construção de Dahrendorf, no entanto alteradas por Burrell e Morgan (1979, p. 29).

Quadro 4 - A dimensão regulação – mudança radical. (Fonte: Burrell e Morgan, 1979, p.18)

SOCIOLOGIA DA REGULAÇÃO SOCIOLOGIA DA MUDANÇA

RADICAL

Status quo Mudança radical

Ordem social Conflito estrutural

Consenso Modos de dominação

Integração e coesão social Contradição

Solidariedade Emancipação

Satisfação de necessidades Privação

Realidade Potencialidade Desta forma, a combinação da dimensão “natureza da ciência social” dada pelas

abordagens objetivismo–subjetivismo com a dimensão “natureza da sociedade” dada pelas abordagens ordem–mudança radical produz quatro paradigmas, conforme figura 7.

Subjetivo Objetivo

Ordem Mudança

radical

Natureza da ciência social Humanismo radical Estruturalismo radical Funcionalismo Interpretativo N atur ez a da so ciedade

Figura 7 – Os quatro paradigmas para análise da teoria social Fonte: Burrel e Morgan, 1979, p.22

Burrell e Morgan (1979, p.23-5) observam que “a definição [de paradigma] não implica em completa unidade de pensamento [...] há muito debate entre os teóricos [de um mesmo paradigma] que adotam pontos de vista diferentes. O paradigma, contudo, tem uma unidade subjacente em relação aos seus pressupostos básicos, os quais separam um grupo de teóricos localizados em um paradigma de outro grupo em outro paradigma”.

Em passagem anterior, Burrell (1998) disse que o propósito era mostrar o pluralismo na compreensão e produção do conhecimento sobre teoria das organizações. Na verdade, refletia uma forte contestação do domínio e predomínio da teoria funcionalista das organizações e sinalizava o “ataque” à ortodoxia neste campo.

Em um artigo de reconhecimento da realidade pluriparadigmática da Teoria das Organizações, Gioia e Pitre (1990, p.586) registram uma nova “versão dos paradigmas de Burrell e Morgan que descreve a dominação relativa do funcionalismo no estudo organizacional”, conforme figura 8.

Subjetivo Objetivo Ordem Mudança radical Humanismo Radical Estruturalismo radical Interpretativo Funcionalismo

Figura 8 – Uma representação do domínio do funcionalismo na pesquisa e teoria organizacional

Portanto, essa visão uniparadigmática existente até o pós-guerra ocultava um “descontentamento” invisível sobre a Teoria das Organizações. “O que tivemos nos anos 60 foi meramente um período de oposição silenciosa antes que o volume do murmúrio aumentasse [...] era a realidade da fragmentação, ficando mais clara quando ficou brilhantemente óbvio que um grupo particular de teóricos da contingência [leia-se, do funcionalismo] tinha, até este ponto, calado as outras vozes do outro lado da estrutura” (BURRELL, 1998, p.444), do edifício da Teoria das Organizações.

Não se pode ser ingênuo e achar que grupos de teóricos lutam entre si em busca da “verdade”, pois “a criação de uma teoria é uma prática intelectual situada em dado contexto histórico e que está voltada para a construção e mobilização de recursos ideais, materiais e institucionais para legitimar certos conhecimentos e os projetos políticos que deles derivam” (REED, 1998, p.64). Qualquer semelhança com o ambiente acadêmico, institucional e político no Brasil não é mera semelhança.

Quem já participou de grupos de pesquisa “radicais”, movidos por “certos trabalhos em administração [que] parecem agregar à área algumas tendências mais humanistas” (AKTOUF 2004, p.217), sabe que as palavras escondem segundas intenções (muitas vezes, terceiras e quartas). Talvez, por isso, que Chanlat (1992, p.19), ao convidar pessoas a participarem do “Groupe Humanisme et Gestion” observa que ser membro significa aceitar as contribuições dos outros e “viver em concordância com os valores que o grupo busca promover”.

3.2. As Críticas “Dissidentes” à Teoria Prescritiva sobre