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3. KURAMSAL VE KAVRAMSAL ÇERÇEVE

3.1. Örgütsel Adalet

3.1.2. Örgütsel Adalet Boyutları

Durante o contexto da guerra interna vivida pelo Peru, entre 1980 e 2000, o governo de Alberto Fujimori (1990-1995 e 1995-2000) acionou uma equipe paramilitar, o “Grupo Colina”, com a premissa de “combater” as ações dos grupos políticos de guerrilha, envolvidos diretamente com as práticas violentas que assolavam o país desde o começo da década de 1980265. O enfrentamento direto das forças armadas contra os grupos de esquerda revolucionários atingiu ainda mais a população civil, que já vinha sofrendo as consequências de um conflito que se estendeu até o fim da década de 1990, resultando na morte e no desaparecimento de mais de 69 mil peruanos (homens e mulheres)266. Neste contexto, as “denuncias de violaciones de derechos humanos perpetradas por las fuerzas del orden proseguían y eran difundidas por organismos internacionales sin que ello causara efecto alguno sobre la marcha de las operaciones contrasubversivas”267 (COMISIÓN DE LA VERDAD Y RECONCILIACIÓN DEL PERÚ, 2003, p. 81).

No início desses eventos violentos, em 1983, o escritor peruano Mario Vargas Llosa (1936) presidiu, a convite do então presidente, Fernando Balaúnde Terry (1912-2002), o

264 A ideia de “dramaturgia expandida” remete a um tipo de experiência teatral que, a partir de um exercício metateatral, busque elaborar uma dramaturgia através do exercício de autorreferencialidade cênica e explore a potencialidade da linguagem dos sonhos introduzida no real da ficcionalidade dramática.

265 Todos os detalhes sobre os envolvidos em ações políticas e de guerrilha se encontram no Informe Final da CVR. Sesión segunda: Los actores del Conflicto. Neste documento, explica-se o envolvimento das forças policiais que atuaram inicialmente contra os grupos subversivos, na década de 1980. Eis um trecho revelador em que se pode ler: “Segundo a análise e os testemunhos recolhidos pela CVR, o chamado Grupo Colina não atuou à margem da instituição militar, mas era um destacamento orgânico e funcional situado durante este governo na estrutura do Exército na medida em que utilizava os recursos humanos e logísticos da Direção de Inteligência do Exercito (DINTE), do Serviço de Inteligência do Exército (SIE) e do Serviço de Inteligência Nacional. Portanto, para a sua constituição e funcionamento devia contar com uma partida secreta que cobriria os requerimentos de um contingente militar dedicado exclusivamente a uma atividade ilícita que implicou graves violações aos direitos humanos.” (COMISIÓN DE LA VERDAD Y RECONCILIACIÓN DEL PERÚ, 2003, p. 130). Disponível em: <http://wwwcverdad.org.pe/ifinal/pdf/TOMO%20III/Cap.%202%20Los%20actores%20 polIticos/2.3%20LA%20DECADA%20DEL%2090.pdf> Acesso em 12 de abr. 2011.

266 Cf. Anexo 2: ¿Cúantos peruanos murieron? Estimación de víctimas causadas por el conflicto armado interno entre 1980 y el 2000. COMISIÓN DE LA VERDAD Y RECONCILIACIÓN DEL PERÚ, 2003. Disponível em: <http://www.cverdad.org.pe/ifinal/pdf/Tomo%20-%20ANEXOS/ANEXO%202.pdf>. Acesso em 12 de abr. 2011.

267 “[...] denúncias de violações de direitos humanos perpetradas pelas forças da ordem prosseguiam e eram difundidas por organismos internacionais, sem que isso causasse efeito algum sobre a marcha das operações contra-subversivas” (COMISIÓN DE LA VERDAD Y RECONCILIACIÓN DEL PERÚ, 2003, p. 81).

123 Relatório da Comisión Investigadora de los Sucesos de Uchuraccay268. Esse relatório é considerado o primeiro documento oficial, confeccionado por um grupo de pessoas indicadas pelo Estado peruano, sobre a etapa de violência que afligiu o Peru, na qual direta ou indiretamente as Forças Armadas Nacionais estavam envolvidas269. A Comissão270 organizou- se a fim de elaborar um relatório a partir da investigação sobre o assassinato de oito jornalistas, que teria sido cometido por camponeses da Comunidade de Uchuraccay, em Huanta, no estado de Ayacucho. O erro cometido pelo escritor e seus parceiros de trabalho foi o de redigir um relatório utilizando como estratégia retórica uma visão conservadora sobre a cultura andina, respaldando-se na “autoridade intelectual”. Como base para a confecção do documento foram usadas descrições antropológicas que desconsideravam o quão complexo havia sido o processo de modernização, bem como a situação de marginalidade e abandono na qual se encontravam as comunidades esquecidas pela política estatal271.

No relatório não se atribui aos camponeses de Uchuraccay uma autoconsciência comunitária, não se considerando o que Spivak chama de efecto-sujeto: “aquello que parece obrar como sujeto puede ser parte de una inmensa red discontinua (texto en sentido general) de hebras que se pueden llamarse política, ideología, economía, historia, sexualidad, lenguaje, etc”272 (SPIVAK, 2007, p. 303). Edward Said (2003, p. 129) considerou que, neste relatório, as comunidades andinas haviam sido descritas como integrantes de uma realidade cultural que representaria, desde a pré-modernidade até o momento desses crimes, uma consciência atrelada à barbárie, à violência ritualizada e ao terrorismo. De fato, a principal reação causada na comunidade internacional e peruana, quando da divulgação do Relatório de Uchuraccay, foi a de pensar que a mentalidade colonial, manifestada no discurso intelectual pós-iluminista e imperialista, voltava a justificar os atos de violência. O ser emudecido do camponês seguiu

268 Comissão Investigadora dos Acontecimentos de Uchuraccay. 269

Cf. LÓPEZ MAGUIÑA, In: HAMANN; MAGUIÑA LÓPEZ; PORTOCARRERO; VICH, 2003, p. 257-275. 270 Faziam parte dessa comissão o importante jornalista Mario Castro Arenas e o advogado Abraham Guzmán Figueroa, além de uma equipe de antropólogos, formada por Juan Ossio, Fernando Fuezalida e Luis Millones. 271 Embora o Informe quisesse defender as comunidades indígenas da acusação de terem cometido a chacina, uma de suas perguntas-chave era: “O Peru oficial tem o direito de reclamar, desses homens aos quais seu esquecimento e descaso os mantiveram no marasmo e no atraso, um comportamento idêntico ao dos peruanos que, pobres ou ricos, andinos, rurais ou urbanos, participam realmente da modernidade e se regem pelas leis, ritos, usos e costumes que desconhecem (ou dificilmente poderiam entender) os iquichanos?” Além dessa, outras perguntas são feitas relacionando o terror dos grupos de esquerda a um terror “justificado”, uma vez que: “Em comunidades distantes e isoladas de toda autoridade, como Uchuraccay, é comum a prática de executar sumariamente os ladrões.” (Cf. Informe de la matanza de Uchuraccay – Comisión Vargas Llosa. Disponível em: <http://javi270270.blogspot.com/2009/05/ informe-de-la-matanza-de-uchuraccay.html>. Acesso em: 20 jan. 2011).

272 “[...] aquele que parece atuar como sujeito pode ser parte de uma imensa rede descontínua (texto, no sentido geral) de fios, que podem se chamar política, ideologia, economia, história, sexualidade, linguagem, etc” (SPIVAK, 2007, p. 303).

124 em silêncio e aquele massacre inicial dos oito jornalísticas teve consequências locais catastróficas, considerando que, entre os anos de 1983 e 1984,

Murieron 135 personas en una comunidad que en 1981 tenía 470 habitantes. La crueldad con la que los mataron ahonda la tristeza y el dolor; muchos recuerdan que sus familiares y amigos fueron asesinados con hachazos, apedreados, acuchillados o ahorcados. En varios casos los cuerpos fueron arrojados en los cerros, siendo comidos por los perros. Algunos nunca fueron hallados. Tampoco fueron denunciados como desaparecidos273 (Informe Final da CVR, Tomo V. Capítulo 2. Histórias representativas de la violencia. 2.4. El caso Uchuraccay 2003, p. 146, Disponível em: <http://www.cverdad.org.pe/ifinal/pdf/TOMO%20V/SECCION%20TERCE RALos%20Escenarios%20de%20la%20violencia%20(continuacion)/2.%20 HISTORIAS%20REPRESENTATIVAS%20DE%20LA%20VIOLENCIA/2 .4%20UCHURACCAY.pdf> Acesso em 12 de abr. de 2011).

No ano de 1987 o poder judicial do Peru concluiu uma segunda investigação sobre os assassinatos em Uchuraccay. Esse processo penal, que, segundo o Relatório Final da Comissão da Verdade, foi confuso e bastante demorado, condenou três camponeses (Dionisio Morales Pérez, Simeón Auccatoma Quispe e Mariano Ccasani Gonzáles) à prisão, por considerá-los responsáveis pela chacina dos oito jornalistas, ainda que a promotoria de acusação não tenha apresentado provas contundentes sobre participação direta dos três homens nos assassinatos. A condenação dos três camponeses mais parecia uma resposta imediata que as instituições de justiça do Estado necessitavam oferecer à sociedade. Muitos dos detalhes sobre o que de fato ocorreu em Uchuraccay (incluindo a lista com o nome de urucchacaínos mortos e desaparecidos) só viriam a ser investigados quase duas décadas depois.

273 “Morreram 135 pessoas em uma comunidade que, em 1981, tinha 470 habitantes. A crueldade com a qual os mataram tornam ainda mais profundas a tristeza e a dor; muitos recordam que seus familiares e amigos foram assassinados com ferimentos feitos com enxadas, muitos outros foram apedrejados, esfaqueados ou enforcados. Em vários casos, os corpos foram abandonados nas montanhas, sendo comidos pelos cachorros. Alguns nunca foram encontrados, muito menos denunciados como desaparecidos”(Informe Final da CVR, Tomo V. Capítulo 2. Histórias representativas de la violencia. 2.4. El caso Uchuraccay 2003, p. 146, Disponível em: <http://www.cverdad.org.pe/ifinal/pdfTOMO%20V/SECCION%20TERCERALos%20Escenarios%20de%20la %20violencia%20(continuacion)/2.%20HISTORIAS%20REPRESENTATIVAS%20DE%20LA%20VIOLENCI A/2.4%20UCHURACCAY.pdf> Acesso em 12 de abr. de 2011).

125 FIGURA 14 – O processo judicial do caso Uchuraccay, em

1987. Da esquerda para a direita Simeón Auccatoma Quispe, Dionisio Morales Pérez e Mariano Ccasani Gonzáles.

Fonte: Disponível em: <https://www.facebook.com/photo .php?fbid=209666489181150&set=a.10489821632464510149. 100004134008311&type=3&theater>. Acesso em 12 de abr. de 2011.

Em 2001, após serem descobertos os escândalos de corrupção envolvendo o presidente Alberto Fujimori e sua cúpula de assessores (especialmente Vladimiro Montesinos), quase vinte anos depois desse episódio violento em Uchuraccay e também de tantos outros fatos ocorridos em virtude do Conflito Armando Interno, a sociedade civil peruana mobilizou-se de forma mais ampla, com o objetivo de pensar as consequências do conflito interno e de ler, por outras vias, este texto social. Nesse ano, Alberto Fujimori havia fugido do país, rumo ao Japão, onde assumiu sua segunda nacionalidade, deixando um débito moral e econômico para a população. Em resposta a essas “dívidas”, o governo de transição, comandado por Valentin Paniagua (1936-2006), que assume a presidência após a fuga de Fujimori, apoia a necessidade de se organizar uma Comissão da Verdade. Esta, no governo seguinte, com Alejandro Toledo, passa a se denominar Comissão da Verdade e Reconciliação. Sobre ela, o seu ex-presidente, Salomón Lerner Febres (1944), comenta:

[…] fue una organización estatal independiente, sin atribuciones judiciales, e integrada por doce ciudadanos elegidos sin criterio de representación, que trabajó durante veintiséis meses para cumplir un mandato legal muy complejo y abarcador: investigar los crímenes y violaciones de derechos humanos cometidos entre 1980 y 2000; contribuir a que se haga justicia penal; brindar una explicación de los factores que hicieron posible el

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conflicto; determinar las secuelas dejadas por este en la población peruana; hacer recomendaciones de reparaciones para las víctimas; hacer recomendaciones de reformas institucionales, y dejar iniciado un proceso de reconciliación. (FEBRES, 2007).274

As investigações realizadas pela CVR tiveram como base os relatos orais de milhares de vítimas da guerra interna, bem como de pessoas que estiveram envolvidas com os grupos armados, tanto os de esquerda, quanto os das Forças Armadas Oficiais do Estado.275 O Relatório Final, um documento que analisa minuciosamente aspectos sociais relativos ao contexto em que se inicia e desenvolve o conflito armado, no Peru, desmistificou a primeira tentativa de 1983, empreendida pela Comissão de Uchuraccay, ao chamar a atenção para a complexidade dos eventos em questão. A CVR demonstra como as causas do conflito recente possuíam raízes no passado colonial e nos processos de independência e modernização do país que, na forma como foram conduzidos, instituíram relações sociais, econômicas e culturais diferenciadas, apoiadas numa divisão de classes e poderes excludente e segregadora. Finalmente, a CVR sugere à sociedade peruana a necessidade de enfrentar, em um momento pós-conflitivo, o desafio da reconciliação.

As principais discussões que se alçaram no seio da intelectualidade peruana, após a divulgação do Relatório Final, em 2003, deviam-se à sugestão e expectativa de uma “reconciliação”. O que significava reconciliar? Para alguns poderia essa palavra estar por detrás de outra (“impunidade”) na medida em que entendiam que, para que houvesse, naquele momento, uma reconciliação, seria necessário o perdão das vítimas para os responsáveis pela violência eclodida durante o CAI e, em consequência disso, o esquecimento sobre os crimes que haviam sido perpetrados naqueles anos276. Contra essa concepção, na medida em que passam os anos após a divulgação desse relatório, apresentou-se a ideia de que, quando

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“[...] foi uma organização estatal independente, sem atribuições judiciais, e composta por doze cidadãos escolhidos sem critério de representação, que trabalhou durante vinte e seis meses para cumprir um mandato legal muito complexo e amplo: investigar os crimes e violações de direitos humanos cometidos entre 1980 e 2000; contribuir para que se fizesse a justiça penal; apresentar uma explicação dos fatores que tornaram possível o conflito; determinar as sequelas deixadas por ele na população peruana; fazer recomendações de reparações para as vítimas; fazer recomendações de reformas institucionais, e deixar iniciado um processo de reconciliação.” (FEBRES, 2007. Disponível em: <http://blog.pucp.edu.pe/ archive/ 490/2007-07>. Acesso em 11 de mar. de 2011).

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Interessa notar que, de acordo com o Relatório Final, 75% das vítimas fatais tinham como língua materna o quéchua ou outras línguas indígenas, e que 79% viviam no campo, sendo que, deste montante, 56% se ocupavam de trabalhos agropecuários275. Através de audiências públicas, os testemunhos dos sobreviventes eram arquivados e avaliados, servindo para atribuir a quem caberia a “responsabilidade” pela violência que acometeu o país. Com sua intervenção junto à sociedade, a CVR prestava um importante serviço aos sobreviventes do conflito, uma vez que “rescatósus palabras y las convirtió en verdad pública innegable”275 (LERNER FEBRES, 2007. Disponível em: <http://blog.pucp.edu.pe/archive/ 490/2007-07>. Acesso em 11 de mar. de 2011).

127 sugeriu uma reconciliação, a CVR não estava pensando em acertar as contas com o passado por meio do perdão e de uma subsequente amnésia. Ela estava propondo à sociedade que se disponibilizasse a aceitar um processo histórico que tinha início na transição de um governo autoritário para um democrático e vinha acompanhado pela necessidade de “someter a crítica la memoria de la violencia vivida, así como las formas sociales y políticas que tendrían que configurarse para evitar que esta clase de conflictos violentos pudiesen repetir en el futuro”277 (GAMIO GEHRI, 2010, p. 284).

A meu ver, a reconciliação proposta pela CVR teve seu início durante o trabalho dessa comissão, ao permitir que as vítimas da violência pudessem ser escutadas por uma parcela da população com a qual, territorialmente, socialmente e culturalmente dividiam o sentimento de nacionalidade sem se sentirem residentes no mesmo país. Como dissemos no primeiro capítulo, a CVR promove um trânsito, partindo de Lima em direção às regiões interioranas, onde as estatísticas de vítimas da violência eram devastadoras278, a exemplo do caso Uchuraccay.

Para o que nos interessa, os testemunhos e confissões necessários para o trabalho de apuração dos acontecimentos, durante as audiências públicas convocadas pela CVR, implicavam um momento de rememoração do traumático para aquelas pessoas que, durante os anos de conflito, viveram silenciadas. Considerando que não se havia feito um trabalho de luto sobre esses episódios, cometidos em situações não esclarescidas, as testemunhas manifestavam além da necessidade de expor suas experiências pessoais, o desejo de denunciar e elevar seu testemunho a um “expediente judicial”279. Nesse momento, portanto, elas puderam compartilhar um desejo de justiça e iniciar um trabalho de luto. Ao serem levadas para os auditórios, no contexto das audiências públicas, essas vítimas se encontraram num lugar que, mesmo não se opondo totalmente ao arquivo jurídico com os quais trabalhou a CVR, proporcionou as condições necessárias para que pudessem falar e fazer com que toda a sociedade peruana ouvisse e reconhecesse o seu discurso.

Os testemunhos oriundos dessas audiências, para além de sua importância no que diz respeito ao trabalho da CVR e da manutenção da memória recente no Peru, tornaram-se

277 “submeter à crítica a memória da violência vivida, assim como as formas sociais e políticas que teriam que ser configuradas para evitar que estes tipos de conflitos se repetissem no futuro” (GAMIO GEHRI, 2010, p. 284).

278 Segundo Carlos Iván Degregori em Chungui, no estado de Ayacucho, por exemplo, entre os anos de 1983 e 1984, registrou-se 1.384 mortos e desaparecidos, o equivalente a 17% da população. Em suas estimativas, se naquela ocasião esta violência tivesse acontecido em Lima, com a mesma intensidade, teriam desaparecido por completo os distritos de La Molina, Miraflores, San Isidro, Surco, Surquillo, Villa María del Triunfo e El Salvador. Cf. DEGREGORI, In: JIMÉNEZ, 2009.

128 materiais para a invenção de narrativas cênicas, pensando, anacronicamente, nas experiências de César Vallejo e do Yuyachkani com o teatro. Em Vallejo, porque ele já pensava em questões relacionadas à condição do sujeito andino, como sujeito subalterno, nas décadas de 1920 e 1930, junto a um projeto de vanguarda que quis atribuir locus enunciativo àquele sujeito, como forma de denúncia contra os abusos de poder e diversas formas de discriminação que seriam tópicos de discussão durante os trabalhos da CVR. No Yuyachkani, porque o coletivo acompanhou de perto o trabalho da CVR, sendo algumas de suas montagens alimentadas pela temática oferecida pelos testemunhos de sobreviventes, os quais são incorporados na dramaturgia cênica, a partir dos processos de acumulação sensível280.