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Örgütsel Adalet Algıları ve İş Doyumu İlişkisi

2.2. Örgütsel Adalet Algıları ve İş Doyumu

2.2.5. Örgütsel Adalet Algıları ve İş Doyumu İlişkisi

Um grande espaço no campo do processo penal é destinado a matéria de prova e, por certo, algumas questões são altamente controvertidas. No que interessa ao presente trabalho, há grande debate acerca do valor probatório do depoimento da vítima,141 especialmente no caso de delitos que são cometidos na clandestinidade, entre eles os delitos sexuais.

Inicialmente, como se sabe a vítima penal não é considerada testemunha no processo penal, ou seja, pela regra o depoimento da vítima “teria” menos valor que o depoimento de uma testemunha (sem qualquer vínculo com as partes)142. O ofendido é parcial, possui interesse no resultado da causa, e, por esse motivo, não presta compromisso de dizer a verdade e não compõe o número máximo de testemunhas.143 Apesar da impossibilidade de cometer o delito de falso testemunho, poderá o ofendido incorrer no delito de denunciação caluniosa.

Mesmo com essa clara parcialidade do depoimento do ofendido, os tribunais brasileiros tem admito sua força, para fins de condenação, quando ausente outras testemunhas. A razão para isso é que em alguns delitos (especialmente os sexuais),

141 Nesse sentido, DEZEM, Guilherme Madeira. Da prova penal: tipo processual, provas típicas e

atípicas. Campinas: Millennium, 2008. p. 227: “Questão da mais controversas refere-se ao valor probatório das declarações do ofendido. Tendo em vista seu natural interesse no feito, seu depoimento não tem o mesmo valor que o depoimento de uma testemunha.”

142

Conforme, LOPES JUNIOR, Aury. Direito Processual Penal e sua conformidade

Constitucional. 5. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. v. 1, p. 645. “Assim, se no plano

material está contaminada (pois faz parte do fato criminoso) e, no processual, não presta compromisso de dizer a verdade (também não pratica o delito de falso testemunho), é natural que a palavra da vítima tenha menor valor probatório e, principalmente, menor credibilidade, por seu profundo comprometimento com o fato.”

143 Segundo, DEZEM, Guilherme Madeira. Da prova penal: tipo processual, provas típicas e

atípicas. Campinas: Millennium, 2008. p. 226: “Não se confundem os conceitos de testemunha e de ofendido. Com efeito, o papel de cada um no processo penal é distinto: a testemunha é terceiro estranho ao quadro do processo e dela pode-se esperar imparcialidade. Já o ofendido é diretamente atingido pelo delito e dele não se pode exigir a imparcialidade, daí porque o ofendido: (a) não presta compromisso; (b) presta declarações e não depoimento; (c) não compõe o rol do número máximo de testemunhas;”

por sua natureza, não contam com testemunhas144. Dessa forma, leva-se em conta o depoimento da vítima e alguma outra prova que venha a reforçar sua versão, como por exemplo o DNA do acusado145.

No entanto, essa interpretação desenvolvida pelos tribunais pátrios gera inúmeros riscos às garantias dos acusados e somente deve ser utilizada quando existir alguma outra prova (robusta) que indique a autoria e a materialidade. Fala-se em riscos, pois a estrutura do processo penal, baseada na presunção de inocência, determina que a prova deve ser realizada pela acusação146 e que, se restar dúvidas ao final do processo, o resultado deverá ser a absolvição (in dubio pro reo).

Assim, a possibilidade de condenação criminal baseada na palavra da vítima não se conforma com a garantia da presunção de inocência e com o in dubio pro reo, pois se trata de depoimento que a vítima sequer é compromissada a dizer a verdade.

Para além disso, se a palavra da vítima for considerada como prova suficiente de basear uma condenação criminal, a lógica do processo será invertida, pois o acusado, diante da acusação da vítima, é que deverá provar a sua inocência

144 DEZEM, Guilherme Madeira. Da prova penal: tipo processual, provas típicas e atípicas.

Campinas: Millennium, 2008. p. 227: “No entanto, é sabido que muitos crimes têm como característica a clandestinidade, ou seja, a ausência de testemunhas, fato que motivou a jurisprudência a atenuar o rigor na análise deste depoimento e a permitir a condenação com base no depoimento da vítima.”

145

LOPES JUNIOR, Aury. Direito Processual Penal e sua conformidade Constitucional. 5. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. v. 1, p. 646. “Nesse casos, considerando que tais crimes são praticados – majoritariamente – às escondidas, na mais absoluta clandestinidade, pouco resta em termos de prova do que a palavra da vítima e, eventualmente, a apreensão dos objetos com o réu (no caso de crimes patrimoniais), ou a identificação de material genético (nos crimes sexuais). Nesse casos, a palavra coerente e harmônica da vítima, bem como a ausência de motivos que indicassem a existência de falsa imputação , cotejada com o restante do conjunto probatório (ainda que frágil), têm sido aceitas pelos tribunais brasileiros para legitimar uma sentença condenatória. Mas, principalmente nos crimes sexuais, o cuidado deve ser imenso. Se de um lado não se pode desprezar a palavra da vítima (até porque seria uma odiosa discriminação), por outro não pode haver precipitação por parte do julgador, pois a história judiciária desse país está eivada de imensas injustiças nesse terreno (a recordar, sempre, entre centenas de outros, o chamado “Caso Escola Base”, em São Paulo).”

146 LOPES JUNIOR, Aury. Direito Processual Penal e sua conformidade Constitucional. 5. ed. Rio

de Janeiro: Lumen Juris, 2010. v. 1, p. 536. “É importante recordar que, no processo penal, não há distribuição de cargas probatórias: a carga da prova está inteiramente nas mãos do acusado, não só porque a primeira afirmação é feita por ele na peça acusatória (denúncia ou queixa), mas também porque o réu está protegido pela presunção de inocência.”

buscando provas negativas de sua participação no delito, o que, como se sabe, não é nada fácil.

Ainda, essa modificação de valoração do depoimento da vítima de acordo com o delito que sofreu não afronta as regras de processo penal? Apenas em certos delitos o depoimento da vítima é considerado como suficiente para a condenação? Só as vítimas dos delitos sexuais é que falam a verdade? Não se pode admitir a flexibilização da norma da forma proposta pelos tribunais brasileiros. Se a palavra da vítima tem a força de uma condenação, deve ser submetida aos mesmos procedimentos das outras testemunhas. Em sendo submetida aos procedimento de uma testemunha qualquer, seu depoimento deverá ser válido para todo e qualquer delito, sob pena de criarmos leis processuais para cada tipo de delito.