O turismo na natureza é dividido em vários segmentos, dentre eles o ecoturismo e o geoturismo (NASCIMENTO; RUCHKYS; MANTESSO NETO, 2008). Segundo Fennell (1998), provavelmente o primeiro a utilizar o termo ecoturismo foi Hetzer (1965), que também identificou quatro princípios fundamentais a serem seguidos pelas atividades ecoturísticas: minimizar o impacto ambiental, respeitar as culturas existentes no local turístico, maximizar os benefícios à população local e maximizar a satisfação do turista.
Apesar de Hetzer ter utilizado o termo em 1965, é de Ceballos - Lascuráin (1987) uma das primeiras definições. Ele definiu que ecoturismo é a "realização de viagens para áreas naturais que não tenham sido perturbadas ou contaminadas com o objetivo de admirar, estudar e apreciar a paisagem, plantas e animais, bem como as manifestações culturais (passadas ou presentes) encontradas nessas áreas”.
De acordo com a International Ecotourism Society (2013), um conceito que é internacionalmente aceito e utilizado como referência quando se trata de ecoturismo é o proposto pela própria TIES (1990), "ecoturismo é uma viagem responsável para áreas naturais que conservam o meio ambiente e promovem o bem-estar da população local".
No Brasil, o conceito foi definido pela EMBRATUR como “um segmento da atividade turística que utiliza de forma sustentável o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações" (BRASIL, 1994).
Orams (2001) afirma que o surgimento de termo ecoturismo ocorreu de forma muito rápida. Em 1980, o termo não existia e agora, pouco tempo depois, vários autores possuem definições a seu respeito. Entretanto, o termo tem sido alvo de muitos debates: O que é? Como deveria ser? E como deve funcionar? São questões presentes na literatura. Outro grande problema é que, atualmente, não existe ainda um entendimento dos fatores que estão envolvidos com o ecoturismo.
As definições de ecoturismo mais recentes, The Ecoturism Society (1991), Ecoturism Association of Australia (1992), National Ecotourism Strategy of Australia (Allcocket al., 1994) e Tickell (1994), diferentemente das mais antigas, Ceballos – Lascuráin (1987) e Boo (1990), tendem a ressaltar os princípios associados com o conceito de desenvolvimento sustentável (BLAMEY, 2001). Analisando as definições existentes, o mesmo autor sugere que o conceito de ecoturismo deve seguir três princípios fundamentais: ser baseado na natureza, promover a educação ambiental e cultural e a gestão sustentável.
O ecoturismo deve-se caracterizar pela utilização do patrimônio natural de forma sustentável, no entanto a denominação patrimônio natural não está relacionada apenas aos aspectos biológicos, mas também, aos geológicos. Assim, alguns pesquisadores buscando conservar e valorizar os aspectos geológicos do patrimônio natural vem promovendo a divulgação do geoturismo (NASCIMENTO; RUCHKYS; MANTESSO NETO, 2008).
Este novo segmento do turismo de natureza, geoturismo, foi definido pelo professor inglês Thomas Hose, em 1995, em sua publicação na revista Environmental Interpretation. Segundo Hose (1995), geoturismo é “a provisão de serviços e facilidades interpretativas que possibilitem aos turistas a aquisição de conhecimento e entendimento da geologia e geomorfologia de um sítio (incluindo sua contribuição para o desenvolvimento das ciências da Terra), além de apreciação estética".
Em 2000, o mesmo autor reviu esta primeira definição, considerando agora o termo como sendo:
A provisão de serviços e facilidades interpretativas que promovem o valor e os benefícios sociais de lugares e materiais que possuem atrativos geológicos e geomorfológicos, de modo a assegurar a sua conservação para uso de estudantes, turistas e outras pessoas com interesses turísticos ou de lazer.
No ano de 2008 e 2012 este conceito foi novamente revisado pelo mesmo autor op. cit. De acordo com o conceito definido em 2012a, o termo deve ser utilizado para designar:
A provisão de serviços e facilidades interpretativas para geossítios e geomorfossítios e sua topografia abrangente, juntamente com seus artefatos in situ e ex situ associados, com vistas à sua conservação para as gerações atuais e futuras por meio da apreciação, aprendizado e pesquisa.
Além das definições de Hose, outros autores também tentaram definir o termo geoturismo, entretanto uma discordância foi gerada em torno dessa definição. O conteúdo abordado nos principais conceitos existentes são descritos por Hose (2012a):
Hose (1995) - geointerpretação, geoconservação, geohistória, aprendizagem/compreensão, locais urbanos e rurais;
Larwood e Prosser (1998) - geoconservação, compreensão, satisfação e viagem; Frey (1998) - educação/aprendizagem;
Hose (2000) - geointerpretação, geoconservação, geohistória, educação/aprendizagem, apreciação, locais urbanos e rurais.
Slomka e Kicinsha-Swiderska (2004) - educação, estética e viagem; Ruchkys (2005) - geointerpretação, geoconservação e geohistória; Joyce (2006) - aprendizagem e viagem;
Ruchkys (2007) - geointerpretação, geoconservação, geohistória e apreciação; Nekouie-sadry (2009) - geointerpretação, geoconservação, aprendizagem e locais rurais;
Amrikazemi (2010) - aprendizagem, apreciação e viagem;
Dowling e Newsome (2010) - geointerpretação, geoconservação, aprendizagem/compreensão, apreciação e locais rurais;
Hose (2012) - geointerpretação, geoconservação, geohistoria, aprendização e locais urbanos e rurais.
Visando atenuar a discordância na definição do termo, Newsome e Dowling (2010) integraram os conceitos propostos por Hose (1995; 2000; 2008), Joyce (2006) e Dowling e Newsome (2006), definindo geoturismo como:
"Uma forma de turismo em áreas naturais focado especialmente na paisagem e na geologia, promovendo o turismo em geosítios, a conservação da geodiversidade e o entendimento das ciências da terra por meio da apreciação e aprendizado. Isso é alcançado por meio de visitas guiadas às características geológicas, uso de geotrilhas e pontos de observação (mirantes).”
Essa discordância na definição do termo é pequena quando comparada a existente entre os conceitos de geoturismo e ecoturismo com os demais segmentos do turismo. Considerando esse problema, Newsome e Dowling (2010) analisaram a relação existente entre esses conceitos, como pode ser observado na Figura 1. O geoturismo tem uma forte ligação com o ecoturismo e uma ligação fraca com o turismo cultural e ambos estão conectados ao turismo de aventura por uma ligação fraca. Uma atenção deve ser dada para a relação existente entre o turismo de aventura e o geoturismo, pois existe um potencial uso conflitante, pois o turismo de aventura pode trazer danos aos geossítios. Apesar da ligação existente entre os conceitos, esses segmentos do turismo não são sinônimos, como é visto em muitas bibliografias que tratam sobre o assunto.
Figura 1 - Relação entre geoturismo e ecoturismo com os outros segmentos do turismo. Fonte: Newsome e Dowling (2010).