Ao abrigo do Art.º 171º do Tratado que institui a Comunidade Europeia, é criada uma Empresa Comum que permita realizar progressos consideráveis em matéria de desenvolvimento de tecnologias relacionadas com os sistemas de controlo aéreo durante a fase de desenvolvimento e preparar a fase de implementação do Projeto SESAR.
O Regulamento (CE) nº 219/2007 do Conselho, de 27 de Fevereiro de 2007, estabelece a constituição de uma Empresa Comum para a realização do sistema europeu de gestão do tráfego aéreo de nova geração (SESAR), alterado posteriormente pelo Regulamento (CE) nº 1361/2008 do Conselho, de 16 de Dezembro de 2008. Com o objetivo de
alinhar o estatuto jurídico da Empresa Comum ao abrigo do Projeto SESAR pelo das outras empresas comuns entretanto criadas de modo a garantir que esta beneficie do mesmo tratamento àquelas reservado.
À Comissão foi atribuída a incumbência de garantir que a Empresa Comum SESAR, até final de 2010, apresenta a primeira atualização do Plano Diretor ATM ao Conselho de Administração.
A Declaração do Conselho de 9 de Junho de 2006 relativa à proposta de regulamento do Conselho alusivo à constituição de uma empresa comum para a realização do sistema europeu de gestão do tráfego aéreo da nova geração (SESAR),diz respeito a uma parceria público-privada entre a UE e o Eurocontrol como membros fundadores e com abertura à indústria e a outras organizações internacionais, o que torna possível racionalizar e coordenar os esforços de investigação e desenvolvimento da ATM em toda a UE, com uma abordagem orientada para a sua implementação. A Empresa Comum permite aumentar e juntar financiamento e know-how, bem como reduzir a fragmentação causada por outros projetos nacionais e regionais semelhantes. Possibilita também explorar as competências e a capacidade de inovação do sector privado, com uma partilha adequada dos riscos com as entidades públicas. Permite, igualmente, congregar os esforços de investigação e desenvolvimento da UE, no âmbito do SESAR.
A Empresa Comum, com sede em Bruxelas, é um órgão da UE com personalidade jurídica e é financiada pelas contribuições dos respetivos membros, incluindo as empresas privadas. A contribuição da UE é proveniente, nomeadamente, do orçamento dos Programas-quadro de investigação, inovação e desenvolvimento e das redes transeuropeias.
As atividades levadas a efeito pela Empresa Comum ao abrigo do Projeto SESAR são essencialmente de investigação, desenvolvimento e validação do SESAR mediante a combinação de fundos públicos e privados fornecidos pelos seus membros e a utilização de recursos técnicos externos, aproveitando nomeadamente a experiência e o conhecimento especializado do Eurocontrol. Assim sendo, o financiamento comunitário deverá ser pago em especial pelos seus programas-quadro de investigação e desenvolvimento. O financiamento suplementar poderá ser pago pelo programa relativo à rede transeuropeia de transportes, nos termos da alínea g) do artigo 4.o da Decisão nº 1692/96/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de Julho de 1996, sobre as
orientações comunitárias para o desenvolvimento da rede transeuropeia de transportes, que prevê a possibilidade de financiar ações no domínio da investigação e desenvolvimento.
Nos termos do nº 4 do Art.º 5º do Regulamento (CE) Nº 219/2007 do Conselho, considerando os blocos funcionais do espaço aéreo e as dimensões locais, devem ser submetidas ao Comité do Ceu Único, todas as alterações do Plano Diretor ATM, devendo observar um processo formal, em estreita participação com os Estados- Membros e todos os intervenientes com relevância.
A Empresa Comum SESAR, nos termos do nº 5 do Art.º 1º do Regulamento (CE) Nº 219/2007 do Conselho, tem a responsabilidade de execução do Plano Diretor ATM e mantém o controlo das tarefas delegadas ao Eurocontrol e da fase de desenvolvimento, incluindo o financiamento adequado.
Responsabilidades da Empresa Comum SESAR
• Organizar e coordenar o desenvolvimento do Projeto SESAR, de acordo com o “Plano Diretor ATM”;
• Garantir o financiamento das atividades necessárias, combinando e gerindo fundos públicos e privados;
• Executar e atualizar o “Plano Diretor ATM”;
• Organizar o trabalho técnico de investigação e desenvolvimento, de validação e de estudo evitando a sua fragmentação;
• Garantir a participação no projeto dos intervenientes do sector da gestão do tráfego aéreo (fornecedores de serviços, utilizadores, organizações profissionais, aeroportos, industriais, bem como a comunidade e as instituições científicas);
• Supervisionar as atividades de desenvolvimento de produtos comuns devidamente identificados no “Plano Diretor ATM” e, se for caso disso, lançar concursos específicos.
A Empresa Comum extingue-se 8 anos após a aprovação pelo Conselho do Plano Diretor ATM, salvo decisão em contrário do Conselho.
O resultado da primeira avaliação intercalar da Empresa Comum do Clean Sky (CS JU), publicado em 2011, refere uma avaliação positiva quanto à eficiência do JU e respetivo
progresso na direção da concretização de tecnologias inovadoras para o transporte aéreo civil não agressivas do meio ambiente.
A Empresa Comum SESAR colabora com a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) e outros parceiros europeus e norte-americanos, num programa internacional para redução das emissões das aeronaves (AIR – Iniciativa de Interoperabilidade Atlântica para Redução de Emissões). O SESARJU tem a responsabilidade da gestão deste programa numa perspetiva europeia.
A definição de um sistema de desempenho53 com objetivos limiares ao nível da UE54 é um dos exemplos da contribuição do SESII para a execução dos objetivos perseguidos pela CE.
O sistema de desempenho em aplicação desde 2012 baseia-se em quatro Domínios de Desempenho Fundamentais (KPA – Key Performance Areas): i) a segurança; ii) ambiente; iii) a capacidade e iv) relação custo-eficácia. A monitorização destes domínios é efetuada através dos Indicadores de Desempenho (PI – Performance Indicators), conforme tabela 10.
Tabela 10: Domínio de desempenho fundamentais e indicadores de desempenho respetivos
KPA PI
Segurança Eficácia da Gestão da Segurança
Aplicação da Ferramenta de Análise de Risco (RAT) “Just Culture”
Ambiente Eficiência média do voo em rota horizontal
Utilização eficaz das estruturas do espaço aéreo (civil e militar)
Capacidade Minutos de atraso ATM em rota por voo
Capacidade específica do ANS dos aeroportos e terminais
Custo-Eficácia Taxa unitária determinada para os ANS em rota Taxa unitária determinada para os ANS de terminal
Fonte: Documentação do SESAR
Cada Estado-Membro, baseando-se nos KPI, tem de definir um Plano de Desempenho (PP-Performance Plan) ao nível nacional.
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Regulamento (CE) nº 691/2010 da Comissão Europeia de 29 de Julho 2010, que altera o Regulamento (CE) nº 2096/2005
54
Decisão da Comissão de 23 de Fevereiro de 2011
Seguindo um raciocínio prático e fazendo a análise apenas dos valores dos KPI, verificamos que os objetivos são muito ambiciosos e, para o seu cumprimento os Serviços de Navegação Aérea (ANS) têm de alterar a tendência que se identifica para a taxa de rota, eficiência e atrasos gerados nos últimos anos. Uma outra contrariedade para se alcançarem as metas, reside no facto da regulamentação se apoiar em pressupostos, como as previsões de tráfego e de crescimento da economia. Uma das maiores lacunas deste sistema de desempenho assenta em que o “core business” da indústria ATM ser a segurança contudo, não foi indicado nenhum KPI relacionado à segurança.