Neste capítulo, inicialmente, são abordados os referenciais teóricos da ORC, apresentados por Fujita (2008), que esclarece que esse domínio está sistematizado em seu próprio nome, composto por dois conceitos fundamentais: a Organização do Conhecimento e a Representação do Conhecimento, combinados entre as categorias Ação + Objeto. Em seguida, analisa-se a estrutura da área – ORC – dividida nos seus três núcleos básicos: Fundamentos, Organização e Representação. (GUIMARÃES, 2001).
Nesse contexto, abordamos as LDs, como instrumentos de estrutura de Representação Documentária, construídas para possibilitar a comunicação entre os conteúdos dos documentos e os usuários de um sistema de informação.
Logo após, faz-se um breve relato epistemológico sobre as teorias e normas de construção de LDs, destacando a sistematização de etapas da construção de tesauros por meio do “Modelo Metodológico Integrado para Construção de Tesauro”, com a interface da Terminologia, elaborada por Cervantes (2009). Constata-se que domínio é o “subconjunto de uma área determinado por um sistema de noções, sendo a área uma parte do saber cujos limites são definidos segundo um ponto de vista particular de uma ciência ou técnica” (ISO 1087, 2000), o que aponta para a construção de vocabulários controlados, as LDs, que se configuram como estruturas de representação da informação no domínio da Economia.
Apresenta-se, ainda, as principais características de três LDs do domínio da Economia: o VC-USP, o Tesauro ISOC de Economia e a tradução da LCSH,
utilizada pela BN para, no próximo capítulo, descrever as estruturas de representação documentária, contextualizadas no estudo sobre o conceito de informação do domínio da Economia.
3 O CONCEITO DE INFORMAÇÃO DO DOMÍNIO DA ECONOMIA E SUAS ESTRUTURAS DE REPRESENTAÇÃO DOCUMENTÁRIA
Neste capítulo apresentam-se as estruturas de representação documentária em documentos específicos da área de Economia, depois de delimitar, conceitualmente, a informação como sinônimo de indicador econômico, do domínio da Economia.
A Economia é o somatório de toda produção realizada pelo ser humano para fins de industrialização, comércio e serviços, assim como as escolas que a teorizam e que agregam valor à sociedade como um todo.
Para Sandroni (2004, p.189), sintetizando, Economia é a “Ciência que estuda a atividade produtiva”.
O professor Sandroni, em “Novíssimo Dicionário de Economia” (2004), reúne um arcabouço teórico em forma de termos e conceitos do domínio da Economia, atualmente com mais de quatro mil verbetes, com a finalidade primeira de ajudar os leitores da coleção “Os Economistas”, tendo obtido a colaboração de leitores, alunos e professores, nas edições seguintes, principalmente os da Faculdade de Economia e Administração da Universidade Católica e da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.
Nessa obra são conceituados vários termos relacionados com o termo Economia como, por exemplo, Econometria, Economia Aplicada, Economia Centralizada, Economia de Subsistência, Economia Informal, Economia Livre, Economia Mista, Economia Política, Economia Póskeynesiana, Microeconomia, Macroeconomia, além das Escolas de Economia, como a Escola Clássica e a Escola de Chicago, com pequenas biografias de seus fundadores. Segundo ele, a Economia pode ser conceituada da seguinte forma:
Ciência que estuda a atividade produtiva. Focaliza estritamente os problemas referentes ao uso mais eficiente de recursos materiais escassos para a produção de bens; estuda as variações e combinações na alocação dos fatores de produção (terra, capital, trabalho, tecnologia), na distribuição de renda, na oferta e procura e nos preços das mercadorias. Sua preocupação fundamental refere- se aos aspectos mensuráveis da atividade produtiva, recorrendo para isso aos conhecimentos matemáticos, estatísticos e econométricos.
De forma geral, esse estudo pode ter por objeto a unidade de produção (empresa), a unidade de consumo (família) ou então a atividade econômica de toda a sociedade. No primeiro caso, os estudos pertencem à microeconomia e, no segundo, à macroeconomia. A palavra “economia”, na Grécia Antiga, servia para indicar a administração da casa, do patrimônio particular, enquanto a administração da polis (cidade-estado) era indicada pela expressão “economia política”. A última expressão caiu em desuso e só voltou a ser empregada, na época do mercantilismo, pelo economista francês Antoine Montchrestien (1615); os economistas clássicos utilizavam- na para caracterizar os estudos sobre a produção social de bens visando à satisfação de necessidades humanas no capitalismo. Foi somente com o surgimento da escola marginalista, na segunda metade do século XIX, que a expressão “economia política” foi abandonada, sendo substituída apenas por “economia”. Desde então, é a denominação dominante nos meios acadêmicos, enquanto o termo “economia política” ficou restrito ao pensamento marxista. Modernamente, de acordo com os objetivos teóricos ou práticos, a economia se divide em várias áreas: economia privada, pura, social, coletiva, livre, nacional, internacional, estatal, mista, agrícola, industrial etc. Ao mesmo tempo, o estudo da economia abrange numerosas escolas que se apóiam em proposições metodológicas comumente conflitantes entre si. Isso porque, ao contrário das ciências exatas, a economia não é desligada da concepção de mundo do investigador, cujos interesses e valores interferem, conscientemente ou não, em seu trabalho científico. Em decorrência disso, a economia não apresenta unidade nem mesmo quanto a seu objeto de trabalho, pois este depende da visão que o economista tem do processo produtivo. (SANDRONI, 2004, 189).
Ou seja, a Economia procura representar a realidade econômica, micro e macroeconomicamente, por meio de análises com parâmetros científicos, alicerçados pelos recursos da administração, da estatística, da matemática, além dos econométricos, buscando atingir o seu objetivo: mensurar a produção econômica e o seu desenvolvimento.
Essa representação ocorre por ensaios teóricos, que, por sua vez, se baseiam nos indicadores econômicos que, segundo Sandroni (2004), são o
Conjunto de dados estatísticos, passíveis de mudança e oscilações, capaz de dar uma idéia do estado de uma economia em determinado período ou data. Também chamados indicadores de conjuntura, em geral fornecem dados sobre produção, comercialização e investimentos. Entre os indicadores econômicos mais relevantes estão os referentes a desemprego, oferta de empregos, empréstimos bancários, reservas, preços de certos produtos (como petróleo), taxas de juros, movimentos de importação e exportação, produção
industrial geral e setorial, produção de aço e veículos, preços de materiais de construção e consumo energético, entre outros. (SANDRONI, 2004, p. 296).
Fazendo uma analogia com o conceito de informação de Barreto (BARRETO, 1999, p. 167), infere-se que o indicador econômico ou indicador de conjuntura informa sobre dados econômicos agregados, pois são “conjuntos significantes” (conjunto de dados estatísticos) que representam o “estado de uma economia” em uma determinada conjuntura, com a finalidade de agregar conhecimento econômico “modificador da consciência do homem e de seu grupo social”.
A conjuntura econômica, constituída dos indicadores econômicos ou indicadores de conjuntura, é “o fluxo e o refluxo das atividades de uma economia ou, de maneira mais genérica, o estudo da totalidade das condições de mercado”. Alguns autores ainda a consideram como “o conjunto de fatores estritamente econômicos”, e outros, “como a soma total das condições que afetam o mercado”. (SANDRONI, 2004, p. 122).
Ainda, segundo Sandroni, os indicadores de conjuntura representam
um grande número de variáveis econômicas, que se encontram em relações múltiplas e complexas: produção, estoques, número de pessoas empregadas, taxa de juros, receita e despesa do governo, dívida pública, taxa de formação de capital, renda nacional e índices de preços, entre outras. A análise conjunta desses indicadores e de seus movimentos fornece um quadro da situação econômica em que se encontra o país naquele momento, ou seja, em que ponto se encontra a economia dentro do ciclo econômico. Sua identificação e mensuração permitem delinear a evolução futura e fazer previsões, que serão utilizadas na elaboração de políticas econômicas mais eficientes. (SANDRONI, 2004, p. 122).
Nessa pesquisa, por tratarmos da informação do domínio da Economia, no âmbito da Representação da Informação, seguiremos as diretrizes terminológicas do “Novíssimo Dicionário de Economia (Sandroni, 2004) e consideraremos o termo indicador econômico como sinônimo de indicador de conjuntura.
Os documentos que têm como conteúdo a informação do domínio da Economia, na forma sinônima de indicadores econômicos ou indicadores de
conjuntura, são os periódicos denominados Boletins de Conjuntura Econômica.
3.1 ESTRUTURAS DE REPRESENTAÇÃO DOCUMENTÁRIA EM DOCUMENTOS