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Öneriler

Belgede T. C. MALTEPE ÜN (sayfa 116-152)

4. TARTIŞMA

4.3. Öneriler

O mundo contemporâneo está caracterizado por economias globalizadas, alianças políticas e culturais, avanços científicos e tecnológicos. É um período que pode ser particularizado por mudanças que transformam os diversos modos de produção, de comunicação e de interação, no qual as pessoas interagem pela Internet, mesmo estando geograficamente distantes e sendo provenientes de diferentes culturas. Este período tem sido denominado por diversos autores de “Economia do Conhecimento” ou de “Sociedade do Conhecimento”; nele, o conhecimento tem sido caracterizado como um recurso essencial.

Neste contexto, as TICs apresentam papel preponderante, pois elas têm tornado propício, entre outros procedimentos, a conectividade, as interações, as articulações e os vínculos entre indivíduos e entre organizações; enfim, têm proporcionado o surgimento de VCoPs. Estas são comunidades, são espaços virtuais que reúnem pessoas com interesses em práticas comuns e que são utilizados para a criação e para o compartilhamento de conhecimentos.

Pelo fato de a literatura evidenciar que existem vários fatores que influenciam na criação e no compartilhamento de conhecimentos (ver tópico 4.2) – alguns deles já foram abordados em diversas pesquisas realizadas –, para o presente trabalho, estabeleceu-se como objetivo geral propor um modelo de gestão para promover a criação e o compartilhamento de conhecimentos em VCops.

Com a intenção de atingir o que foi proposto, foram definidos três objetivos específicos. A realização de uma revisão bibliográfica e de um estudo de caso proporcionou o alcance de dois deles, ou seja: o de identificar como o conhecimento é criado e compartilhado em VCoP e o de identificar os principais pré-requisitos para promover a criação e o compartilhamento de conhecimentos em VCoP.

Na revisão bibliográfica, no capítulo dois desta tese, foram mencionados os principais fundamentos teóricos do conhecimento, tendo como foco principal seus modos de conversão e os fatores que influenciam na criação e no compartilhamento de conhecimentos.

A literatura evidencia que existem duas dimensões do processo de criação do conhecimento: a dimensão ontológica, que engloba as entidades criadoras de conhecimento, que são os indivíduos, os grupos e as organizações; e a dimensão epistemológica, que trata da distinção entre os conhecimentos tácitos e explícitos. O tácito é pessoal e difícil de ser formalizado e compartilhado, entretanto, alguns métodos são

utilizados para a preservação desse tipo de conhecimento nas organizações, conforme demonstrado no tópico 2.1.4. Já o explícito pode ser compartilhado facilmente. A interação entre esses conhecimentos, tácito e explícito, e entre os indivíduos e as organizações ocorre de quatro modos, que são: a exteriorização, a combinação, a interiorização e a socialização (ver tópico 2.1.4).

As formas de conversão do conhecimento, citadas anteriormente, proporcionam a criação do conhecimento e, neste sentido, existem cinco condições capacitadoras que promovem a criação do conhecimento organizacional: a intenção, a autonomia, a flutuação e o caos criativo, a redundância de informações e a variedade de requisitos (ver tópico 2.1.5).

O modelo aqui proposto contempla as cinco condições capacitadoras mencionadas anteriormente, nele, a intenção organizacional é estabelecida na fase 2, ao definir-se a visão de futuro para o conhecimento. Já as outras condições estão contidas nas demais fases; por exemplo: a autonomia é abordada no procedimento que trabalha a mobilização do grupo, realizado na fase 1; a redundância de informações e a variedade de requisitos também estão incluídas tanto na mobilização, quanto no procedimento de identificação dos fatores que influenciam a gestão do conhecimento. No que se refere à flutuação e o caos criativo, estes são gerados nas fases 1 e 2 do modelo.

O processo de criação do conhecimento também envolve cinco fases: o compartilhamento do conhecimento tácito, a criação de conceitos, a justificação de conceitos, a criação de um arquétipo e a difusão interativa do conhecimento (ver tópico 2.1.5). Estes elementos também constituem o modelo, proposto nesta tese, no momento em que a comunidade procura identificar o que influencia a gestão do conhecimento e quando ela se propõe a definir as questões e as ações que capacitam seus membros para o conhecimento.

O processo de compartilhamento do conhecimento envolve quatro etapas: na primeira, existe a necessidade de conhecimento; na segunda, há a abordagem do processo real de compartilhar o conhecimento; na terceira, a pessoa que recebe as informações as utiliza para construir seu conhecimento; na quarta, o conhecimento é aplicado no contexto relevante (ver tópico 2.1.6). O modelo aqui proposto contempla tais etapas.

Vale salientar que a gestão do conhecimento proporciona condições que auxiliam nas atividades que capacitam as pessoas para o conhecimento. Isso foi abordado no tópico 2.2, de forma a contribuir para o alcance do segundo objetivo específico desta tese (de identificar os principais pré-requisitos para promover a criação e o

compartilhamento de conhecimentos em VCoP). Os fundamentos abordados nos tópicos 2.3, 2.5 e 2.6 também foram necessárias para que tal objetivo fosse alcançado.

Pelo exposto, ficou constatado que a gestão do conhecimento envolve o gerenciamento da cultura, da visão compartilhada, das tecnologias, das pessoas e das iniciativas que capacitam para o conhecimento, tais como: identificar, criar, armazenar, compartilhar, utilizar conhecimentos e ainda monitorar e avaliar as atividades desenvolvidas nesse processo, conforme as necessidades das pessoas e das organizações. Vale ressaltar que, para esta tese, entende-se que a gestão do conhecimento deve ser direcionada por dois objetivos: o de gerir eficazmente o conhecimento explícito e o de garantir uma cultura de apoio para incentivar o compartilhamento do conhecimento tácito.

Verificou-se, ainda, neste trabalho, que a aprendizagem é todo processo sócio técnico em que há interação para a criação do conhecimento. Duas principais teorias pedagógicas contribuem para o entendimento da necessidade de interação no aprendizado e para a importância da aprendizagem colaborativa mediada por computador: a Epistemologia Genética de Jean Piaget e a Teoria Sociocultural de Lev Vygotsky.

Destaca-se a utilização dos ambientes virtuais como suporte no desenvolvimento de todas as atividades das VCoPs. Como característica desses ambientes é necessário salientar a utilização de múltiplos recursos que apóiam a colaboração e a interação, os quais são importantes para a criação e compartilhamento de conhecimentos em VCoPs.

Existem diversos fatores que caracterizam as VCoPs, mas os principais são seus elementos estruturais (o domínio, a comunidade e a prática) e os níveis de participação de seus membros (grupo nuclear, adesão completa, participação periférica, participação transacional e acesso passivo). Estas comunidades apresentam alguns estágios de desenvolvimento, que indicam a necessidade de atenção para diversos fatores críticos de seu sucesso.

A literatura tem evidenciado que, entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento e para a realização das atividades nas VCoPs, destacam-se: a identificação dos domínios de interesses, o que dá aos membros um senso de empreendimento comum e que os mantém juntos; a confiança entre os membros; os relacionamentos anteriores; a solução de conflitos baseada na transparência; o aprendizado mútuo; a interiorização das melhores práticas; a identificação de potenciais líderes; a presença; a visibilidade; o ritmo da comunidade; as interações; os envolvimentos; o valor da comunidade para seus membros; a motivação; a cultura; a visão compartilhada; os objetivos

comuns; as tecnologias de suporte. Esses fatores, entre outros, são abordados no modelo.

Para esta tese, ficou claro que, para desenvolver o gerenciamento em VCoPs, de forma a promover a criação e o compartilhamento de conhecimentos, é preciso criar condições em que haja um senso de empreendimento comum, um envolvimento mútuo e um repertório compartilhado de ações.

Na sequência, para atingir o terceiro objetivo específico (delinear um modelo de gestão para promover a criação e o compartilhamento de conhecimentos em VCoPs), além do referencial teórico citado anteriormente, foram abordadas algumas teorias que serviram de suporte para o delineamento do modelo, tais como a gestão estratégica e a gestão da mudança organizacional (ver tópico 2.4), e também utilizou-se da realização de um estudo de caso (ver tópico 4.1).

A literatura utilizada como suporte, mostrou que a cultura é um facilitador ou uma barreira para a gestão do conhecimento e para os estágios de desenvolvimento das VCops. Assim, tornou-se necessário analisar seus elementos constituintes. Identificou-se que uma das ferramentas utilizadas, que trabalha com o desenvolvimento da cultura nas organizações, tem sido a gestão estratégica. Por este motivo, tal ferramenta de gestão também foi analisada, de forma a proporcionar elementos que pudessem contribuir para o desenvolvimento da cultura de VCoPs.

Ficou constatado que a gestão estratégica possui algumas etapas fundamentais do seu desenvolvimento e da sua forma de implementação, que mantêm similitudes com alguns elementos dispostos pela gestão do conhecimento, tais como: visão de futuro compartilhada, objetivos e estratégias e mecanismos para monitoramento e avaliação de todo o processo de gestão.

Além disso, foi possível perceber que a gestão do conhecimento e a gestão estratégica podem receber suporte de alguns procedimentos que são abordados nos modelos de mudança organizacional. A teoria utilizada demonstra que as pessoas tendem a dar maior ênfase à mudança de componentes físicos, que são visíveis e tangíveis, e que constituem parte das dimensões da mudança, deixando de lado os componentes psicológicos que são fundamentais para os processos de mudança, nos quais envolvem aspectos relacionados à resistência às mudanças.

É pertinente salientar que os modelos de mudança organizacional englobam elementos que ajudam a reduzir a complexidade dos processos de gestão. Eles implicam em uma série de itens que devem ser verificados, ou uma série de procedimentos que devem ser realizados, entre os quais se destacam:

• a catalisação, a participação, a mobilização e a comunicação das pessoas;

• a utilização, como apoio, da qualificação das pessoas; • o apoio de pessoas-chave;

• o controle das mudanças;

• o aperfeiçoamentos das atividades que não estiverem sendo realizadas conforme o planejado;

• a definição de um patrocinador para todo o processo de mudança. Entende-se que a participação e o comprometimento de todos na melhoria da VCoP, na adaptação da cultura e no estilo de gestão, entre outros, serão essenciais para o sucesso na criação e no compartilhamento de conhecimentos. Por tal motivo, o modelo de gestão para promover a criação e o compartilhamento de conhecimentos em VCoP apresenta uma estreita relação com as teorias relacionadas à cultura, à gestão estratégica e à mudança organizacional, pois, por meio da integração destes elementos, as pessoas ficam mais comprometidas com a forma de gestão a ser proposta e menos inclinadas a realizar mudanças indevidas.

Cabe destacar que, após serem identificados os requisitos necessários para o estabelecimento do modelo, foram delineadas as etapas que deveriam conter o modelo de gestão, para promover a criação e o compartilhamento de conhecimentos em VCoP. Após o delineamento do modelo, buscou-se, pela utilização do Método Delphi, um consenso de opiniões de especialistas a respeito dele, de forma a verificar sua consistência.

Na análise das Tabelas 1, 2, 3, 4 e 5, no tópico 4.4, pode-se verificar que a aceitação do modelo ficou acima do limite mínimo estabelecido para este estudo, que pretendia 50% de especialistas concordando plenamente com as questões apresentadas para avaliação. Após a aplicação do questionário, as análises dos especialistas geraram uma reflexão sobre alguns pontos do modelo que, então, foram melhorados e a versão final foi proposta.

Assim, pode-se afirmar que o modelo proposto atende ao objetivo geral e aos objetivos específicos, definidos para esta tese, pois ele é decorrente da fundamentação teórica e da aplicação do Método Delphi. Este último procedimento confirmou a aceitação pelos especialistas das etapas estabelecidas para o modelo.

O modelo proposto está estruturado em quatro fases que englobam alguns modos de proceder que precisam ser desenvolvidos em sequência. O modelo desenvolvido começa com a preparação da VCoP.

Sugere-se que ela seja realizada por meio de fóruns, compreendendo os seguintes procedimentos:

• escolha de um patrocinador para todo o processo de gestão;

• esclarecimentos sobre a gestão que procura promover a criação e o compartilhamento de conhecimentos;

• formação dos grupos e definição dos ativistas do conhecimento. Posteriormente, na segunda fase, que também pode ser desenvolvida por meio de fóruns, é preciso identificar os fatores que influenciam na gestão do conhecimento. Esta fase envolve cinco procedimentos que precisam ser desenvolvidos na sequência, são eles:

• analisar a cultura vigente, para identificar os princípios essenciais da VCoP;

• identificar a visão de futuro para o conhecimento, compartilhada pelos membros da VCoP;

• diagnosticar a situação atual da VCoP, no que se refere aos elementos que capacitam os seus membros para o conhecimento; • fazer a análise ambiental da VCoP (identificar pontos fortes e

fracos, oportunidades e ameaças);

• identificar os fatores críticos de sucesso da VCoP.

Na sequência, evidencia-se a terceira fase do modelo, que também pode ser realizada por meio de fóruns, a qual contempla:

• estabelecer as questões que capacitam para o conhecimento; • estabelecer as ações que capacitam para o conhecimento; • estabelecer indicadores de desempenho;

• definir o plano de ação.

Após o desenvolvimento dessas fases, há a última fase do modelo, que está composta pelos seguintes procedimentos:

• divulgação do plano de ação;

• monitoramento e avaliação de todo o processo de gestão.

Finalizando, cabe ainda dizer que o modelo foi desenvolvido para ser utilizado em VCoP, sancionada como uma entidade valiosa para uma organização, ou seja, ela é legitimada como importante para uma organização, uma vez que a participação dos membros na comunidade é incentivada. Além disso, destaca-se que o modelo é para ser aplicado em comunidades já constituídas e que todos seus elementos a ser abordados devem ser respondidos por membros da comunidade, desde que eles queiram participar deste processo de gestão.

Belgede T. C. MALTEPE ÜN (sayfa 116-152)

Benzer Belgeler