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5. TARTIŞMA, SONUÇ VE ÖNERİLER

5.4. Öneriler

Em algumas coleções, além dos objetos relacionados à natureza, observavam- se instrumentos que refletiam os aprimoramentos técnicos da época e outros que simbolizavam as revoluções do pensamento. Tricoli Ruggieri (2004) destaca a presença, nos gabinetes, de relógios, mapas-múndi e outros objetos que se destinavam ao estudo da astronomia e da matemática. Os relógios, por exemplo, eram necessários para medir espaço nas viagens (por meio do cálculo de tempo era possível identificar meridianos, longitudes) e eram deslocados para os gabinetes de curiosidade devido à sua função técnica, científica.

Observa-se que as viagens de descobrimento apresentam uma estreita relação com o desenvolvimento do saber nas universidades europeias nas quais geógrafos e astrônomos assumem cadeiras ao lado das de moral e ética. Em Portugal, notam-se os progressos que os descobrimentos promoveram para o pensamento humanista do Renascimento (HEYNEMANN, 2010). A autora ressalta o cenário português, uma vez que as frequentes viagens ao Brasil permitiam a convivência com povos diferentes em novos cenários e descobertas naturais nunca antes imaginadas.

É nesse contexto que a Europa vai presenciar a revolução científica e a evolução de suas instituições de ensino, com destaque para a reforma promovida no ensino de Portugal por Marquês de Pombal. Esse projeto implicou mudanças estruturais promovidas no país a partir da segunda metade do século XVIII. Suas ações não se restringiam apenas à educação, mas implicavam também mudanças político-administrativas.

Entre as diversas universidades portuguesas, a Universidade de Coimbra foi espaço para formação de gerações de intelectuais, cientistas e técnicos, inclusive brasileiros, e proporcionou a “consolidação de uma elite que desempenhou um papel importante no conhecimento e formação da grande nação brasileira.” (SANTOS, 2004, p. 11). Como parte da reforma pombalina, o ensino de Ciências na Universidade de Coimbra foi implantado a partir de 1772. Os novos estatutos da instituição

determinavam que o ensino integrasse observações e demonstrações experimentais dos três reinos da natureza. Além da criação de um Gabinete de Física, foram criados o Museu de História Natural, o Jardim Botânico e o Laboratório de Química.

Hoje, a instituição possui um grande acervo de instrumentos e documentos representativos da revolução científica do século XVIII e XIX. Na época, essa era a maior coleção europeia existente. Hoje, esse material está preservado em acervos do Museu de Física e no Observatório Astronômico, ambos da Universidade de Coimbra, na Biblioteca Nacional Portuguesa, entre outras coleções.

A Universidade abriu espaço para que os laboratórios ganhassem dimensões que não eram possíveis na configuração dos gabinetes. Assim,

com eles [cientistas, técnicos, etc. da Universidade de Coimbra] transformou- se o pequeno laboratório de experiências, num grande laboratório à escala planetária: um laboratório do mundo. Podemos ainda atribuir outro sentido ao laboratório do mundo: as leis que os físicos, químicos, astrônomos e, mais tarde, biólogos foram formulando, eram leis universais, válidas em qualquer parte do mundo. Os horizontes alargaram-se, então, muitíssimo. (MOTA; CASALEIRO, 2004, p. 16).

É importante mencionar que, nesse período, os cientistas já contavam com uma rede de distribuição do conhecimento entre diferentes universidades e países. As propostas da época configuram o início da divulgação científica, pois

percorreu-se um longo caminho desde que o papel da experiência começou a ser posto na ordem do dia, e durante o século XVIII deram-se importantes passos nesse trajeto. São disso sinal o papel dia a dia mais importante desempenhado pelas Academias, a criação de novas revistas científicas, as sessões públicas de experiências, particularmente de Física. Estas sessões têm um caráter pedagógico, de divulgação, são uma forma de criar um novo senso comum e têm mesmo funções de entretenimento, mas destinam-se também a criar uma confiança nos sucessos científicos com bases sólidas. (RUIVO, 2004, p. 28).

O ensino das ciências, baseado na experiência e na demonstração, espalha- se rapidamente na Europa, das Universidades a outros centros de aprendizagem, extravasando mesmo a comunidade científica. Realizam-se lições e demonstrações de Física nas Academias, mas também em clubes, sociedades, salas alugadas pelos chamados físicos demonstradores que viajavam com seus instrumentos, e até em reuniões sociais em casas particulares. A experiência seduz os espíritos cultos. (ANTUNES, 2004, p. 106, grifo do autor).

na medida em que a ciência e tecnologia vão se tornando cada vez mais estratégicas para as esferas política, econômica e cultural, vai crescendo também o interesse geral por assuntos referentes aos postulados avanços da ciência e suas possibilidades de melhorar a vida cotidiana dos diversos estratos sociais. (SOUZA, 2009, p. 158).

Diante disso, pode-se afirmar que os estudos desenvolvidos nos laboratórios acadêmicos ganham destaque, pois, além de sua relevância, têm chancelas de instituições do conhecimento.

Os museus de Ciências não se desenvolvem somente a partir dos laboratórios acadêmicos. Na França, o Conservatoire des Arts et Métiers é inaugurado em 1794 com uma coleção de máquinas, livros de artes e ofícios, ferramentas, modelos, desenhos e inventos destinados à educação dos artesãos (LOUREIRO; FURTADO; SILVA, 2007). Sobre esse museu, aponta-se que ele “não constituía assim, como hoje, uma instituição cultural complementar da Escola: ele era, em larga medida, a própria Escola.” (BRAGANÇA GIL, 1988, p. 77). No fim do século XVIII e início do século XIX, também surgem as exposições universais. Elas se constituíam como espaços para demonstração de descobertas, artes, materiais e equipamentos industriais. O fenômeno se espalhou na Europa, e, muitas vezes, as coleções apresentadas eram preservadas e alocadas em espaços que dariam origem a diferentes museus. Um exemplo é o Science Museum de Londres, inaugurado em 1857, cujo acervo inicial foi proveniente da Great Exhibition, de 1851. O Palais de la

Découverte, em Paris, também foi criado a partir da Exposição Universal realizada na

cidade, em 1937, assim como o Museo Nazionale della Scienza e della Tecnica

Leonardo da Vinci, na cidade de Milão, cuja exposição ocorreu em 1906.

O século XIX foi quando os museus se consagraram. Uma vez abertos a toda a população, eles passaram a ser identificados como “mostruários do poder das sociedades: expondo objetos valiosos e representativos da memória de uma nação, materializavam perante as demais seu grau de civilização e progresso.” (LOUREIRO; FURTADO; SILVA, 2007). No Brasil, foi no fim do século XIX que os museus ganharam importância. A introdução dessas instituições no País se deu a partir dos museus de História Natural.

Ao longo do século XX, os museus de Ciência multiplicaram-se, tendo hoje diversas instituições representativas, como o Deutsches Museum, de Munique, o Museu de Chicago, e surgem os science centers. São exemplos dessa “nova categoria” o Exploratorium, de São Francisco, o Ontario Science Center, em Toronto,

o Questacon – The Australian National Science and Tecnology Center, em Camberra,

e o La Villette, de Paris. Em sua grande maioria, os science centers são fruto dos desenvolvimentos das técnicas de Museologia a partir das novas tecnologias de comunicação.

Na verdade, é possível observar, na atualidade, duas direções distintas para os museus de Ciências. De um lado, os museus tradicionais se concentram na preservação da memória coletiva do domínio científico, por meio da preservação e conservação dos instrumentos e documentação das gerações passadas. Essas coleções são construídas principalmente por objetos e exercem sua função educativa a partir de uma exposição explicativa e capaz de instigar o interesse na Ciência pelo fato de ilustrar como e a partir do que o conhecimento se constrói. É importante ressaltar que acervos de instrumentos antigos, como, por exemplo, as peças apresentadas em 2004 na Pinacoteca do Estado de São Paulo na exposição “Laboratório do Mundo – Ideias e saberes do século XVIII”, podem também ser vistos como peças de valor artístico, pois, muitas vezes, têm mesmo características de obras de arte. A produção delicada desses instrumentos era também uma característica da época. O fascínio que essas peças proporcionam ao público ultrapassa as fronteiras do seu valor científico.

Figura 2 – Conjunto destinado ao estudo da porosidade (Index Instrumentorum, 1788: A.III.16 Coimbra, Museu de Física da Universidade de Coimbra, Inv. 188).

Figura 3 – Autômato representando um centauro (Index Instrumentorum, 1788: F.III.159 Coimbra, Museu de Física da Universidade de Coimbra, Inv. 79).

Fonte: Alves et al. (2004).

Do outro lado, estão os science centers, que se configuram em uma perspectiva mais dinâmica da exposição de Ciência. Isto é, as características dessas instituições correspondem ao uso de ferramentas interativas; ausência de contextualização histórica da evolução da Ciência; maior preocupação com o cenário contemporâneo da Ciência; e maior número de atividades complementares às exposições visando potencializar sua função educativa, entre outros. Seus entusiastas apontam que esse modelo corresponde à própria inserção da tecnologia no cotidiano da sociedade; ela permite que o museu também seja um ambiente onde o visitante demonstra uma determinada autonomia de produção. Assim, é comum encontrar as reproduções de ambientes e experimentos que convidam o visitante a se inserir de forma realista na atividade científica. Porém, a forma como as instituições colocam em prática esse modelo do “aprender fazendo” é vista, na contemporaneidade, como desafios para a mediação. Contudo, o que prevalece é que essas duas formas de abordagens que convivem no cenário contemporâneo do museu de Ciências pretendem fomentar a educação da sociedade, contribuir para a identificação do valor cultural e para a memória da Ciência.

Diante do exposto, percebe-se que a evolução desses museus se relaciona com o progresso científico ocorrido, sobretudo a partir do Renascimento. Esse progresso associa-se ao avanço tecnológico, como demonstrado no caso de Portugal, em que a supremacia herdada das Grandes Navegações e dos Descobrimentos

esteve diretamente ligada ao desenvolvimento do pensamento científico na Universidade de Coimbra.

Diferentemente dos museus de História Natural, nos quais as atividades giram em torno da acumulação de objetos/espécimes, os museus de Ciências se configuram de forma dinâmica, a partir das descobertas. Mesmo aqueles que se enquadram em um perfil mais histórico, como apontado anteriormente, têm essa especificidade de demonstrar uma evolução constante da Ciência, diretamente vinculada ao desenvolvimento socioeconômico das nações.

Em determinado momento, a sociedade, em geral, também se apropria das descobertas científicas. Ou seja, as experiências não estavam mais restritas aos laboratórios, e havia, agora, um crescimento pelo fascínio e interesse pelo conhecimento científico. Daí, os museus de Ciência também expandem suas perspectivas para o aspecto de divulgação científica, no sentido de uma educação para a sociedade em geral. Para Suano (1986, p. 74), “o museu batalhou arduamente para deixar de ser um armazém de objetos e transformar-se em gerenciador de cultura. E é sabido, afinal, que o museu será tão sólido quanto seja a pesquisa científica que nele se processa.” Essa consideração recupera uma discussão que hoje vem ao encontro das tentativas de promover a educação por meio da atividade cultural e das propostas de novas formas de mediação.

Benzer Belgeler