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6. GENEL SONUÇLAR ve ÖNERİLER

6.2. Öneriler

No primeiro capítulo, buscamos reconstituir brevemente a trajetória dos cordões carnavalescos para entendermos as tensões e demandas dos sambistas ao reivindicar verbas do poder público, o que resultou na oficialização dos desfiles das escolas de samba e contribuiu com a extinção dos cordões carnavalescos nos bairros da cidade. Nos dedicamos a analisar as mudanças institucionais a partir das mudanças na forma e na organização dos desfiles de carnaval. Estas são referentes às mudanças na legislação municipal e à postura dos órgãos públicos frente aos desfiles carnavalescos. Durante o período estudado por esta pesquisa, a cidade de São Paulo teve mais de onze prefeitos, e a maior parte deles, no período entre 1969 e 1985, ou seja, durante a ditadura militar, foi nomeada pelo governador do Estado, sem eleição. Este período sem eleições municipais

39 compreende a maior parte da nossa pesquisa. Apenas José Vicente Faria Lima (1965- 1969), Jânio Quadros (1986-1988), Luiza Erundina (1989-1992) e Paulo Maluf (1992- 1996) foram eleitos pelo voto direto.

São ainda muito importantes as mudanças institucionais dentro das federações carnavalescas, em especial, os regulamentos e as relações da UESP e da Liga com o poder público. A União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP) foi fundada em 1973 com o objetivo de reunir as escolas de samba e blocos e representá-los junto ao poder público. Já a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga) foi fundada em 1986, a partir de membros descontentes com a atuação da UESP, e hoje representa as escolas do Grupo Especial e do Grupo de Acesso (antigos Grupos I e II). A partir do diálogo sistemático entre as entidades e a Prefeitura é possível estabelecer como essas relações foram sendo articuladas, podendo ser visualizadas nas modificações e transformações que as escolas de samba sofreram. Essas federações de representantes das escolas de samba têm o papel de organizar, anualmente, em conjunto com a Prefeitura de São Paulo e a Secretaria de Turismo, os desfiles carnavalescos, além de intermediar e representar as escolas de samba junto aos órgãos públicos, como a Prefeitura e suas secretarias, e também se relacionar com as autarquias e a Justiça. A relação entre os órgãos administrativos municipais e as entidades carnavalescas variou de acordo com a administração, assim como a quantidade de verbas repassadas para as escolas e os locais destinados à realização dos desfiles.

No segundo capítulo são analisadas as principais transformações estéticas e musicais nos desfiles das escolas de samba, desde a oficialização até os primeiros desfiles ocorridos dentro do Sambódromo. Como parte das transformações estéticas, compreendem-se fantasias, alegorias, materiais utilizados para confecção, a evolução e profissionalização dos barracões e as mudanças na evolução e na dança dos desfiles. As transformações musicais compreenderão as principais mudanças nas baterias das escolas de samba e também as mudanças dentro dos sambas-enredos durante o período estudado. Neste capítulo optamos por uma abordagem panorâmica, na qual não serão analisadas todas as escolas e sambas, mas procuraremos destacar as mudanças profundas que influenciaram na transformação dos desfiles da cidade de São Paulo,

40 levando-o a perder cada vez mais suas características originais para se buscar um padrão cada vez com uma maior aproximação das escolas de samba do Rio de Janeiro.

O terceiro capítulo discorre sobre as transformações ocorridas a partir de 1991, quando os desfiles das principais escolas da cidade deixam o espaço público da rua e passam a se realizar no Sambódromo do Anhembi. A partir da documentação da empresa Anhembi Turismo, será analisado o projeto do Sambódromo e as principais questões envolvendo sua construção, assim como a mudança nas relações e nas demandas dos sambistas com o poder público. Foi feito o esforço para analisar, do ponto de vista simbólico, o que significou a conquista de um local fixo para os desfiles, garantindo, com isso, que a mesma prática de desfile será realizada por muitos anos, e, por outro lado, quais as perdas que os sambistas tiveram ao deixar o espaço público para desfilar em um local privado. A partir dos anos 1990, as escolas de samba do Grupo Especial são administradas sob uma lógica empresarial, com várias fontes de financiamento, contudo, atentamos que essa lógica empresarial não reflete a realidade da esmagadora maioria das escolas de samba da cidade, já que as escolas menores dos outros grupos ligados à UESP (I, II, III, IV) permanecem apresentando características mais próximas dos desfiles dos períodos anteriores. Estas escolas não têm a visibilidade e os recursos das grandes entidades, e dependem, ainda, do trabalho voluntário e artesanal, utilizando, na maior parte das vezes, a casa dos próprios componentes para produzir e armazenar os instrumentos, fantasias, adereços, alegorias e realizar a maior parte de suas atividades ao longo do ano.

Por fim, concluímos o trabalho, lançando um olhar para o final desse processo iniciado em 1968, com a oficialização dos desfiles carnavalescos da cidade de São Paulo e concluído com a construção com verba pública de um espaço dedicado exclusivamente a esse fim. Também lançamos atenção para as transmissões televisivas dos desfiles das escolas de samba de São Paulo, quando são retomadas algumas questões relacionadas com o segundo capítulo, que, como já foi descrito, trata das modificações estéticas, mas tentando compreender o porquê dessas mudanças, já que elas atendem a demandas não apenas de acordos estabelecidos com o Estado, mas também de acordos estabelecidos com a indústria cultural, contribuindo para que os

41 desfiles das escolas de samba se tornem cada vez maiores, sendo referência não só no Brasil, mas também no exterior e tentando alcançar seu objetivo de rivalizar com as escolas de samba do Rio de Janeiro. O outro lado dessa relação é que, para atender a

essas demandas, as escolas devem seguir um “padrão”, que as tornam cada vez mais

semelhantes, sem características próprias através das quais o público em geral possa distinguir os desfiles de uma determinada escola, comparando-o com os de outra.

Na segunda parte do trabalho estão transcriadas na íntegra os depoimentos dos sambistas que nos concederam entrevista, seguindo os procedimentos metodológicos da História Oral. Sem estes depoimentos, muitas lacunas ficariam abertas, dentro da presente pesquisa. Foram escolhidas para colaborar com esta pesquisa pessoas que viveram e testemunharam as transformações pelas quais passou o carnaval da cidade de São Paulo durante o período estudado (1968-1996).

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Benzer Belgeler