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6. SONUÇLAR VE ÖNERİLER

6.2. Öneriler

Este estudo foi delineado para ser realizado por meio de estudo de caso, com o objetivo de identificar fatores capazes de distinguir, em um serviço de urgência e emergência hospitalar, as situações de pouca ou não urgência de atendimento das situações de urgência e emergência, relativas a uma dada população.

Para a escolha do caso partiu-se da definição da população que seria tomada como referência. Para essa definição, baseou-se nas argumentações de Pessoto et al. (2007) e Ferreira (2009). De acordo com esses autores, em função das diversidades sociais, econômicas e culturais disseminadas pelo Brasil e das diferentes formas de organização e gestão do SUS, quanto menor a escala espacial para análise das condições de saúde de uma população, para Pessoto et al. (2007) um município e para Ferreira (2009), um bairro, maior visibilidade se terá sobre cada realidade local. Assim, nesse estudo optou-se por escolher uma população adstrita a um Centro de Saúde, possibilitando uma análise conjunta das três dimensões do modelo proposto por Aday e Andersen (1974): o indivíduo, que demanda pelos serviços de saúde; a sua população de origem; e os serviços de saúde oferecidos a essa população.

Definiu-se, também, que seria uma população que concentrasse maior proporção de pessoas com baixo nível de renda. A literatura científica aponta que a variável renda (variável econômica) tem forte correlação positiva com a variável educação (variável social), e ambas estão estritamente associadas à capacidade de utilização dos serviços de saúde: quanto menor o nível de renda, maiores são as restrições para a utilização dos serviços de saúde (Dachs, 2002; Ribeiro et al. 2006)51 . Além do mais, populações com menor nível de renda tendem a

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Deve-se chamar a atenção para o fato de que pessoas de maior nível de renda, como aquelas possuidoras de planos de saúde, também, encontram restrições para utilização dos serviços de saúde como aponta, por exemplo, o estudo de Pessoto et al. (2007). Pode-se dizer que um dos diferenciais entre esses grupos é que pessoas de menor renda tendem a possuir menor possibilidade de escolha, dentre os diversos serviços oferecidos pelas redes pública e privada de saúde.

ser mais vulneráveis ao risco de adoecer e morrer, tendendo a ter maior necessidade de utilização dos serviços de saúde (Buss e Pellegrini, 2007; Travassos e Castro, 2008).

Por questões de ordem operativa e por ser uma das 13 macrorregiões do Estado de Minas Gerais, oferecendo a sua população serviços em todos os campos da atenção à saúde, optou-se pelo município de Belo Horizonte. Por princípio, a sua população não precisa recorrer a serviços de outras regiões de saúde.

Definido pelo município de Belo Horizonte o próximo passo foi identificar a região desse município que concentrava a maior proporção de pessoas com menor nível de renda52. Nesse quesito chegou-se ao Distrito Sanitário de Venda Nova (DSVN) e ao Distrito Sanitário Norte. Segundo dados do Censo Demográfico 2000 do IBGE, a maioria dos responsáveis pelos domicílios particulares permanentes desses distritos (51,83% e 50,19%, respectivamente) possuem rendimento entre ½ e 3 salários mínimos (Belo Horizonte, 2008a; 2008b).

Soma-se a essas características a dependência da população em relação ao SUS. A população de Belo Horizonte exclusivamente dependente em relação ao SUS corresponde a 48% da população existente no município. No entanto, observa-se que existe uma variação importante entre os diversos distritos sanitários. Os distritos sanitários Oeste e Centro-Sul apresentam os menores percentuais (de 34 e 39%, respectivamente), enquanto Venda Nova e Norte apresentam os maiores (58% da população) (Belo Horizonte, 1999).

Além do fator renda, outro aspecto favorável à definição pelos Distritos Norte ou de Venda Nova foi à presença do Hospital Risoleta Tolentino Neves (HRTN) na região, funcionando como referência hospitalar na prestação de serviços de urgência e emergência, durante 24 horas/dia, adotando a classificação de risco do Sistema de Triagem Manchester (STM) para triagem dos indivíduos que procuram por seu Serviço de Urgência (Pronto Socorro – PS), possibilitando a identificação, por meio de seu banco de dados, de demandas classificadas, tecnicamente, como de pouca ou não urgência de atendimento, objeto de interesse deste trabalho.

Para definir pelo Distrito Sanitário de Venda Nova (DSVN) ou pelo Distrito Norte foi realizada uma análise do maior quantitativo de usuários que demandaram pelo PS/HRTN, segundo bairro de origem.

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Analisando-se os dados considerados válidos por este estudo (51.848 atendimentos53) identificou-se que o maior quantitativo de usuários que demandaram pelo PS/HRTN referia a pessoas declaradas residentes no bairro Mantiqueira, pertencente ao Distrito Sanitário de Venda Nova.

Ao se investigar qual Centro de Saúde atendia à população do bairro Mantiqueira, verificou-se que essa população era adstrita a Centros de Saúde distintos, representando assim um limitador para focar o estudo em área adstrita a um Centro de Saúde54. Para superar essa situação, optou-se pelo georreferenciamento das informações de endereço (CEP, nome e número do logradouro) contidas no banco de dados fornecido pelo HRTN55. Esse procedimento possibilitou vincular cada endereço informado no banco de dados do HRTN ao distrito sanitário, centro de saúde e setor censitário correspondente56.

Com base nas análises do georreferenciamento obteve-se um total de 34.640 registros considerados válidos57. Desses, confirmou-se que a maioria das demandas pelo PS/HRTN era de pessoas procedentes do Distrito Sanitário de Venda Nova (63,0% dos casos), seguido dos Distritos Norte, Nordeste e Pampulha (TAB. 1).

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Ao todo o banco de dados fornecido pelo HRTN, possui 61.994 registros. Desses, 51.848 (83,63%) contendo o registro da classificação risco; 2.496 (4,03%) classificados como cor branca, representando atendimentos agendados (consulta não espontânea ou eletiva); e 7.650 casos (12,34%), sem registro da classificação. Considerando-se o escopo desse trabalho foram considerados neste estudo apenas os registros que especificavam a classificação de risco.

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A área de abrangência dos centros de saúde do município de Belo Horizonte é definida a partir de um conjunto de setores censitários contíguos que não obrigatoriamente abrange a região de um bairro (Minas Gerais, 2009d).

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Georreferenciamento é um processo de associação de um dado com endereço, a um mapa municipal. Essa possibilidade foi identificada por meio de uma entrevista realizada com a Professora Paula Martins, Gerente da Gerência de Urgência da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, a quem fica aqui, também, registrado o agradecimento.

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Apesar do processo de georreferenciamento especificar o setor censitário correspondente a cada atendimento, propiciando a identificação da equipe da ESF responsável por aquela área, essa informação não pode ser aproveitada neste estudo por falta de informação atualizada no CSVN (entenda-se o sistema de informação da PBH) sobre os setores censitários correspondentes a cada equipe.

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Deve-se salientar que só foram considerados como válidas as informações consideradas como exatas e aproximadas (+/- 100 m) pelo processo de georreferenciamento e que tiveram, naturalmente, o Centro de Saúde e Distrito Sanitário identificados.

TABELA 1

Atendimentos realizados no PS/HRTN, com classificação de risco segundo o Protocolo de Manchester, por distrito sanitário de residência. Período Ago./2009 a Jul./2010. Município de

Belo Horizonte.

Distrito Sanitário Quant. %

VENDA NOVA 21.811 63,0 NORTE 4.964 14,3 NORDESTE 3.182 9,2 PAMPULHA 2.642 7,6 NOROESTE 859 2,5 LESTE 449 1,3 CENTRO SUL 269 0,8 BARREIRO 266 0,8 OESTE 198 0,6 Total geral 34.640 100,0

Fonte dos básicos: Banco de dados Setor de Tecnologia de Informação / HRTN

Nota: incluído apenas atendimentos classificados pela classificação de risco do Protocolo de Manchester e cujo georreferenciamento foi exato ou aproximado.

Esses dados não surpreenderam. O HRTN é referência em situações de urgência e emergência para os Distritos Sanitários de Venda Nova, Norte e Pampulha, estando situado no primeiro deles. Para a escolha do centro de saúde cuja população seria tomada como referência adotou-se o mesmo critério para a escolha do Distrito Sanitário. Analisando-se os registros referentes ao DSVN, segundo Centros de Saúde, TAB. 2, identificou-se o Centro de Saúde Venda Nova (CSVN) como sendo o que correspondia à maioria dos atendimentos registrados pelo Serviço de Triagem do PS/HRTN (10,1%), seguido dos Centros de Saúde Mantiqueira, Lagoa e Minas Caixa, cada um representando cerca de 8% dos atendimentos. Ou seja, não se observa diferenças marcantes nos registros relativos a esses Centros de Saúde.

TABELA 2

Atendimentos realizados no PS/HRTN, com classificação de risco pelo Protocolo de Manchester, distribuídos por centro de saúde de residência. Período Ago./2009 a Jul./2010;

população dos centros de saúde referentes ao Distrito Sanitário de Venda Nova, Censo Demográfico 2000 (IBGE); e proporção dos atendimentos, na população. Distrito Sanitário de

Venda Nova, Município de Belo Horizonte.

Centro de Saúde População Censo

IBGE/2000 (A)

Benzer Belgeler