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6. SONUÇLAR VE ÖNERİLER

6.2 Öneriler

Nascido da experiência do ex-detento Luiz Mendes, de São Paulo, que, depois de cumprir 31 anos e 10 meses de prisão, alcançou a liberdade e não teve, nos primeiros momentos, como reorganizar a sua vida, passando por inúmeras dificuldades. Questões simples como não ter CPF e Título de Eleitor impediram-no, por exemplo, de abrir conta corrente em instituição bancária e, com isso, de exercer outros direitos básicos de um cidadão, dificultando, enormemente, a reconstrução de sua vida fora dos muros da prisão.

Depois de tanto tempo preso, ele não sabia mais se localizar na cidade. Não sabia onde procurar amparo para os seus direitos mais simples, tornando árdua a sua luta pela recuperação e resgate social.

Assim, surgiu o “DICAS – O QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA FICAR LIVRE DE VEZ”, apresentando orientações básicas para o egresso ou liberado condicional desde os

primeiros momentos de sua saída do cárcere, indicando, por exemplo, lugares onde poderá buscar ajuda e orientação para começar a reorganizar a sua vida (Albergues Municipais, Pastoral Carcerária, Associação SOS Carentes), apontando endereços (incluindo mapas da cidade) e telefones de contato, bem como informações sobre lugares onde dormir, comer e conviver nos primeiros dias; sobre como conseguir roupas mais baratas ou gratuitas em bazares beneficentes (bazar da pechincha); sobre os transportes públicos etc. Trata, ainda, de orientações sobre providências imediatas a serem tomadas pelo egresso, como, por exemplo, cuidar de sua situação jurídica (saber se foi dada baixa na captura, como conseguir a reabilitação), regularizar documentos (orientações sobre como fazer), onde conseguir assistência médica gratuita e, se for o caso, local para internação de recuperação de drogados, como conseguir um novo emprego ou local para aprendizado profissional, bem como orientações específicas para mulheres, inclusive grávidas, etc.

Trata-se de material fantástico, fundamental para garantir ao egresso verdadeira oportunidade de não reincidir no crime, resgatando-o para a vida em sociedade.

De tão significativo o trabalho promovido em São Paulo pela Secretaria de Administração Penitenciária, por intermédio de seu Departamento de Reintegração Social, o Juízo da Vara de Execuções Penais de Porto Velho, tomando como base o modelo citado, desenvolveu, como o auxílio do Serviço Social da VEP, material semelhante, denominado “DICAS – PROMOVENDO O RESGATE SOCIAL DO APENADO EM RONDÔNIA”, tendo como escopo evitar a reincidência e democratizar informações que amparem as necessidades prementes dos egressos ou liberados, colaborando, ainda que de forma indireta, para que reconstruam suas vidas e se integrem à sociedade de forma positiva.

Após revisão e ilustração, pretende-se que o Conselho da Comunidade de Porto Velho consiga patrocínio para reprodução gráfica do trabalho, entregando, em breve tempo, um volume para cada um dos presos que deixarem o cárcere.

III - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando cheguei a reconhecer nos piores dos encarcerados um homem como eu; quando se diluiu aquela fumaça que me fazia crer ser melhor do que ele; então compreendi que os homens não se podem dividir em bons e maus, tampouco em livres e encarcerados, porque há fora do cárcere prisioneiros mais prisioneiros do que os que estão dentro e há, dentro do cárcere, mais libertos, assim da prisão, dos que estão fora. Encarcerados somos todos, mais ou menos, entre os muros do nosso egoísmo.

Francesco Carnelutti, 1995.

A pena é tão antiga quanto o próprio homem em sociedade e, assim, desde que se formaram os primeiros grupamentos humanos, surgiu a necessidade de imposição de regras que permitissem uma razoável ordem social que garantisse a sobrevivência do grupo.

Ao longo do tempo, a idéia de pena evoluiu, passando da simples vingança (privada, divina ou pública) até chegar aos fins propostos, modernamente, para ela, incluindo, além da retribuição, a prevenção, a ressocialização e, para alguns, também a incapacitação.

Hoje, tenta-se retirar da pena a finalidade de vingança, creditando a ela somente a função ressocializadora e, quando muito, preventiva. É um equívoco, posto que pena é e sempre será castigo. Não castigo puro e simplesmente, mas retribuição proporcional ao mal praticado, associada à programas de recuperação e prevenção. Decerto, pena sem trabalho e atividades de cunho ressocializante é vingança, simples castigo que não cumpre sua função social e não atende aos interesses do Estado e da sociedade. É bem por isso que o estudo da pena tem que estar intimamente ligado ao de prisão e este, ao de sistema prisional.

A prisão, como se viu, nem sempre foi destinada ao cumprimento de pena, pois de início funcionava apenas como local de espera, de contenção até que o castigo fosse aplicado, normalmente por intermédio de martírio, suplício ou pena capital. A idéia de prisão, mais próxima do que conhecemos hoje, surgiu na Idade Média por ação de religiosos cristãos que, para expiar seus pecados, recolhiam-se em celas isoladas em um mosteiro, para meditar, orar e buscar o perdão. Portanto, com essa proposta de expiação de pecados é que se desenvolveu

na Europa a prisão moderna, graças à influência da corrente iluminista e dos movimentos humanistas.

O sucesso das prisões foi imediato (Londres - Inglaterra e Amsterdã – Holanda), haja vista que ela retirava do meio social os indesejáveis e formava mão-de-obra, lembrando que os prisioneiros eram obrigados a trabalharem dentro da instituição, a fim de que adquirissem hábitos de trabalhadores. Todavia, com o florescimento das prisões cresceu também a necessidade de controle sobre as atividades desenvolvidas no interior delas, tanto por parte dos gestores do sistema quanto dos presos, o que culminou com a criação de novas regras e princípios que, mais adiante, deram origem aos sistemas prisionais.

Os primeiros sistemas prisionais eram muito rigorosos, mais preocupados com os aspectos de contenção e prevenção do que com o resgate social do condenado, o que levou, naturalmente, ao desenvolvimento dos sistemas progressivos de cumprimento de penas mais humanos.

Importante registrar que os antigos sistemas prisionais ainda guardam semelhança com a metodologia atual de controle e desenvolvimento da pena. Viu-se, por exemplo, que, nos sistemas Pensilvânico e Auburniano, o preso permanecia recolhido em cela, em período integral, sem atividades e sem visitas, o que acabou se reproduzindo na primeira etapa de cumprimento de pena dos sistemas progressivos. Esse procedimento arcaico, em menor escala, logicamente, continua sendo praticado na maioria das unidades prisionais do país, onde o preso, ao dar entrada nas casas de detenção ou penitenciárias, fica recolhido em celas denominadas “triagem”, por tempo variável, oscilando normalmente entre três a trinta dias, período em que fica sem visitas e, de regra, não trabalha.

Não há fundamento legal para a que o preso da cela de triagem permaneça sem visita ou trabalho, ainda mais quando esse tempo se mostra excessivo, superior a cinco dias. Provavelmente, ainda se faz isso hoje em dia por influência histórica e porque, também, não

Benzer Belgeler