5. SONUÇLAR VE ÖNERİLER
5.2. Öneriler
A primeira e mais importante limitação do presente estudo é o pressuposto de independência das causas de morte. Entretanto, informações sobre causas múltiplas de óbito não estão amplamente disponíveis, sendo que essa limitação dificilmente poderia ser contornada até que se conheça melhor a relação de dependência entre as diferentes causas de óbito, no contexto brasileiro.
De qualquer forma, é preciso considerar que o pressuposto de independência pode fazer com que a redução da mortalidade nas idades mais avançadas, momento em que a co-existência de várias doenças torna-se mais frequente, tenham sido superestimadas.
O fato de algumas doenças serem fatores de risco para outras, pode fazer com que a causa final de óbito seja subestimada. Por exemplo, como foi trabalhado com diabetes como causa de óbito e essa doença é um fator de risco para a doença cerebrovascular, as estimativas deste estudo podem ter subestimado os efeitos da eliminação da doença cerebrovascular.
Também é preciso considerar que, como se trabalhou com grupo de doenças (por exemplo: doenças articulares), não foi levado em conta que doenças diferentes dentro de um mesmo grupo (por exemplo: artrite reumatóide e osteoartrose) possam ter impactos variáveis em termos de incapacidade. Do mesmo modo, também não se considerou que uma mesma doença possa levar a diferentes graus de comprometimento de funcionalidade, conforme a faixa etária. O infarto agudo do miocárdio, por exemplo, em idades mais jovens pode contribuir para uma menor incapacidade, quando comparado com as idades mais avançadas.
Outra limitação diz respeito ao fato de que a probabilidade de morrer não foi relacionada com a incapacidade na análise de regressão. Além do que, não foi considerado que a incapacidade pode predispor a doenças letais (por exemplo, a incapacidade decorrente de uma doença cerebrovascular pode predispor a pneumonia, aumentando a mortalidade). As relações entre incapacidade e mortalidade são difíceis de serem previstas, mas de qualquer forma os vieses gerados podem operar em ambas as direções, não sendo tão grande de uma maneira geral.
As informações auto-referidas, tanto em relação às doenças crônicas, quanto à presença de incapacidade, também podem trazer vieses aos resultados. Estudos realizados no Brasil tem mostrado, entretanto, a validade de informações auto- referidas, com boa sensibilidade e especificidade para detectar condições de saúde. As doenças cardiovasculares e o diabetes parecem ser adequadamente reportados pelos indivíduos, em virtude da cobertura universal pelo sistema de saúde brasileiro (BARRETO & FIGUEIREDO, 2009).
Resultados de outro estudo foram sugestivos de que uma pior auto- percepção de saúde pode estar correlacionada com a baixa prevalência de comportamentos de risco entre indivíduos com DCNT, em especial em homens com duas o mais DCNT, o que merece especial atenção na interpretação dos resultados do presente estudo. Na PNAD 2003, a prevalência de DCNT foi 62% maior entre adultos com baixa escolaridade. Apesar de os homens reportarem menos condições de saúde, eles parecem ter uma pior percepção de saúde quando diagnosticados com uma DCNT (MARCOPITO et al., 2005). Outro estudo revelou dissimilaridades na morbidade auto-referida entre homens e mulheres, mas as diferenças dependeram do tipo de morbidade considerada. Essas diferenças foram explicadas pelo comportamento de busca de assistência à saúde, percepção ou relato de problemas de saúde (MENDOZA-SASSI & BÉRIA, 2007).
Ainda em relação à auto-avaliação em saúde, um estudo recente, utilizando as PNADs de 1998 e 2003, mostrou que o uso de outro respondente não modifica a distribuição da auto-avaliação da saúde entre idosos, nem os fatores associados a ela (LIMA-COSTA et al., 2007).
Outro aspecto a ser considerado diz respeito à não inclusão de idosos institucionalizados, o que também poderia gerar uma superestimação do efeito da eliminação de doenças crônicas para essa população em especial, na medida em que esses idosos poderiam estar vivendo em instituições por motivos outros que não doenças crônicas e suas consequências.
O fato de não se haver trabalhado com dados longitudinais, usando taxas de prevalência conforme o método de Sullivan, traz desvantagens quando se tenta pensar em termos das mudanças que vem ocorrendo na mortalidade e na incapacidade da população idosa ao longo do tempo (BARENDREGT, 2002).
Entretanto, quando eliminadas, simultaneamente, a mortalidade e a incapacidade relacionadas às doenças, os efeitos dinâmicos dessas transformações, em uma mesma população, passam a não existir. Além disso, devido a sua simplicidade, as tábuas de vida em vários estudos tem sido calculadas a partir do método de Sullivan, que tem sido a técnica mais amplamente utilizada em diversos países, facilitando, assim, futuras comparações (MATHERS, ROBINE, 1997; IMAI, SONEJI, 2007).
Como implicações de pesquisa, considera-se que os estudos futuros poderiam utilizar delineamentos longitudinais que permitam compreender melhor as relações entre as diferentes doenças crônicas e as transições entre os estados de saúde, principalmente a capacidade funcional (CRUZ et al., 2007; JAGGER et al., 2007a). Estudos que incluam a população idosa institucionalizada poderiam trazer maiores informações sobre o comportamento de doenças de alta prevalência nestas condições, como as neuropsiquiátricas, por exemplo. O uso do indicador DALE para a comparação das diferenças entre os sexos, talvez possa trazer novas informações sobre as diferenças nas E.V.L.I., na população idosa. Estudos que abordem a multicausalidade dos óbitos e as relações entre multimorbidade e capacidade funcional talvez contribuam no entendimento do processo de compressão da morbidade na população idosa.
Por fim, considerando as características das transições demográfica, epidemiológica e de saúde no Brasil, futuros estudos poderiam trazer grandes contribuições científicas ao acompanhar as tendências temporais da E.V.L.I. na população idosa e as diferenças geográficas da E.V.L.I., nas várias regiões do país.