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7. SONUÇLAR VE ÖNERİLER

7.2 Öneriler

A formação em nível superior constitui-se em um dos aspectos importantes do processo de profissionalização docente da educação básica. Com um controle estabelecido pelo Estado, a formação docente pode ser entendida como mecanismo de fixar e legitimar a ocupação de trabalho dos professores (CONTRERAS, 2002; WEBER, 2003).

Para Hypólito (1999, p.97), uma escolarização mais graduada não significa necessariamente maior acesso a bens culturais, mas que a profissionalização é o resultado da melhoria da formação tanto quantitativa como qualitativa. Em uma sociedade desigual, a profissionalização depende de condições materiais para se desenvolver, mas também de “processos de formação docente que socializem o conhecimento e a produção pedagógica disponível, articulando essa produção com os diferentes contextos socioculturais e com a experiência docente do cotidiano escolar”.

De acordo com essa concepção presente na legislação vigente, a atividade docente constitui-se na base para a atuação em outras funções no magistério. O artigo 67 da LDBEN 9.394/1996 expressa tal condição:

Art. 67 – (...)

§ único - A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério, nos termos das normas de cada sistema de ensino.22

Como analisa Cury (2003, p.137), a Lei não faz associação direta entre cargos e funções do magistério podendo haver, dada a docência como base, um único cargo para todas as funções do magistério “desde que isto não mascare uma duplicidade de carreira na mesma carreira”.

Tomando o Título VI da LDBEN 9.394/1996 (Dos Profissionais da Educação) como referência e a lei em seu todo, tem-se a distinção entre o professor ou o docente de outras funções do magistério. Trabalhadores da educação, na lei, pertencem a uma categoria genérica e inclui todos os que exercem qualquer tipo de serviço permanente no estabelecimento escolar. Já os profissionais da educação devem, antes de tudo, possuir formação docente (art. 62) e/ou formação pedagógica (art. 63, II) e experiência docente (art. 67, parágrafo único).

Art. 62 – A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatros primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.

Art. 63 – Os institutos superiores de educação manterão: (...)

II – programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica.

22

O tempo de exercício prévio do magistério para que os profissionais da educação possam exercer outras funções do magistério são de, no mínimo em dois anos, conforme definido pelo parágrafo único, art. 1º, Resolução CNE 03/1997.

Na LDBEN, como esclarece Cury (2003), o ser docente stricto sensu, ou seja, o professor, só se efetiva como profissional da educação quando este último exerce sua profissão sob forma do exercício do ensino, isto é, do exercício da regência de sala de aula. Já os profissionais da educação são constituídos pelo pessoal do magistério cuja diferença está dada tanto no artigo 62 quanto no artigo 64.

Art. 64 – A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em curso de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional.

No pessoal do magistério tem-se, portanto, a distinção entre profissionais da educação para o ensino e os profissionais da educação e do ensino, isto é, o pessoal docente ou docente ou professor.

Assim, a LDBEN denomina de ‘professores’ ou de ‘docentes’ os que, em qualquer composição da educação escolar com seus níveis e etapas, estão em efetivo exercício da docência, como é o caso paradigmático do ensino presencial de sala de aula. E esses são o patamar mínimo para outras funções de magistério (art. 67, § único) ou ‘os profissionais de educação dos diversos níveis’ (art. 63, III) (CURY, 2003, p. 139).

Para Cury (2003, p.139), “somente se admitindo uma esquizofrenia na própria lei é que se pode imaginar um dualismo formador entre os profissionais da educação”. O autor também problematiza a formação dos pedagogos considerando os novos processos de trabalho em geral, os quais questionam a dualidade concepção/execução. Para ele, se o pedagogo no sentido do artigo 64 já é ou deve ser docente, nos termos já analisados anteriormente, “não há por que os processos formativos serem objetos de aparatos formadores radicalmente opostos, que implicam um dualismo que se quer superado” (CURY, 2003, p.139).

A LDBEN 9.394/1996, apesar dos avanços em diversos aspectos, ainda apresenta antigos problemas relacionados à dualidade legal entre o pedagogo, como especialista nas habilitações, e o educador/docente (CURY, 2003). As atividades de direção ou administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional são

consideradas como atividades de suporte técnico à docência, as quais devem atuar fomentando condições e meios necessários ao desenvolvimento da relação de ensino e de aprendizagem.23

As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia (Parecer CNE/CP n. 05/2005), por sua vez, prescrevem que tal formação abrangerá, integradamente à docência, a participação da gestão e avaliação de sistemas e instituições de ensino em geral, a elaboração, a execução, o acompanhamento de programas e as atividades educativas. O campo de atuação do licenciado em Pedagogia abrange a dimensão da docência na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nas disciplinas pedagógicas do curso de Ensino Médio na modalidade Normal; a dimensão da produção e difusão do conhecimento científico e tecnológico do campo educacional; e, ainda, a dimensão da gestão educacional:

(...) entendida numa perspectiva democrática, que integre as diversas atuações e funções do trabalho pedagógico e de processos educativos escolares e não-escolares, especialmente no que se refere ao planejamento, à administração, à coordenação, ao acompanhamento, à avaliação de planos e de projetos pedagógicos, bem como análise, formulação, implementação, acompanhamento e avaliação de políticas públicas e institucionais na área da educação (Parecer CNE/CP n. 05/2005, p. 8).

A Resolução que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Pedagogia, Licenciatura, prevê que:

Art. 10 – As habilitações em cursos de Pedagogia atualmente existentes entrarão em extinção, a partir do período letivo seguinte à publicação desta Resolução.

E, ainda:

Art. 14 – A Licenciatura em Pedagogia nos termos do Parecer CNE/CP n. 05/2005 e desta Resolução assegura a formação de profissionais da educação prevista no art. 64, em conformidade com o inciso VIII do art. 3º da Lei n. 9.394/96.

§ 1º. Esta formação profissional também poderá ser realizada em cursos de pós- graduação, especialmente estruturados para este fim e abertos a todos os licenciados. § 2º. Os cursos de pós-graduação indicados no § 1º deste artigo poderão ser complementarmente disciplinados pelos respectivos sistemas de ensino, nos termos do Parágrafo único do art. 67 da Lei n. 67 da Lei n. 9.394/96.

23

De acordo com o Parecer CEB 10/1997 e a Resolução CNE 03/1997, os profissionais da educação são organizados em dois grupos: aqueles que exercem atividades de docência e aqueles que oferecem suporte técnico a essa atividade.

De uma maneira geral, pode-se perceber um consenso entre diversos segmentos da sociedade interessados no assunto acerca da necessária discussão, em contraposição a uma visão fragmentada e tecnicista da formação do educador no curso de Pedagogia sobre a formação unificada do pedagogo como profissional capacitado para a docência e para outras funções técnico-administrativas (ANFOPE, 2002; Comissão de Especialistas de Ensino de Pedagogia; 1999; LIBÂNEO, 2002 e 2005a).

Enfatiza-se a importância de uma afirmação da especificidade do campo teórico- prático da pedagogia, de um reforço da formação teórica dos pedagogos no curso de Pedagogia e de um repensar dos processos de gestão da escola, de modo a construir coletivamente a autonomia da escola, bem como seu projeto pedagógico.

Benzer Belgeler