11. SONUÇLAR VE ÖNERĠLER
11.2. Öneriler
Por meio de estratégias e iniciativas radicais, Fluxus contrariou e questionou as estruturas de produção e gestão artísticas de seu período. Um questionamento que se estendeu para o próprio conceito de obra de arte.
Desrespeitando normas institucionais, extrapolando os limites das linguagens, rompendo fronteiras geográficas, criando redes eficazes e abrangentes de comunicação, criação e circulação de informações e objetos de arte, aproximando as práticas e os sentidos artísticos das vivências do cotidiano e, acima de tudo, explorando fartamente todos os suportes e meios que encontrou disponíveis, Fluxus constituiu um conjunto de práticas artísticas singular da segunda metade do Séc. XX que foi responsável pelo surgimento de poéticas que reverberam nos processos e na produção artística contemporâneas.
As práticas de Fluxus e todos os produtos decorrentes delas não foram, contudo, bem interpretadas e absorvidas pelos sistemas oficiais ao longo de muitas décadas, no entanto, essa lacuna na história vem sendo revista, sendo que como fenômeno recente, objetos, imagens, vídeos, depoimentos, “não-obras” e documentos relacionados a Fluxus vem aparecendo em diversas exposições e mostras, algumas inclusive no Brasil.
Notamos, entretanto, uma significativa carência de estudos acadêmicos e publicações acerca do tema, principalmente no mercado editorial brasileiro o que só comprova o fato de que Fluxus ainda é uma temática pouco explorada e difundida e sua presença em coleções, privadas ou públicas, continua suscitando inúmeras discussões e desafiando a lógica museológica.221
221 Nesse sentido, não podemos deixar de citar o denso estudo, talvez único já realizado no Brasil sobre a produção Fluxus, sua recepção e circulação em coleções e exposições, de Ana Paula Felicissimo de Camargo Lima “Fluxus em Museus: Museus em Fuxus”. Nesta tese de doutorado apresentada ao Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade estadual de Campinas em 2009, Lima reflete sobre os exercícios e processos característicos do museu e toma Fluxus como instrumento pra indagar alguns de seus procedimentos “[...] indicando novas dinâmicas para o trabalho com acervos culturais.” LIMA,
Destaque-se ainda que, em que pese o notório trabalho desenvolvido no Museu, diversas obras estavam sequer catalogadas, sem qualquer registro de suas jornadas até o MAC-USP o que se mostrou uma dificuldade adicional ao processo de pesquisa.
As problemáticas levantas neste estudo com as obras Fluxus no MAC-USP revelam uma realidade que se estende para toda a sua coleção conceitual. São obras que fazem parte de um patrimônio cultural as quais estão diretamente relacionadas com a história do Museu e suas atividades ao longo de duas décadas enquanto instituição de vanguarda, enquanto espaço-fórum de discussões, enquanto agente de transformação e atuante em uma realidade expandida, para além de sua estrutura física.
Os eventos e mostras promovidas pelo Prof. Zanini nas décadas de 1960 e 1970, permitiram que muitos artistas internacionais, entre eles artistas Fluxus, tomassem conhecimento da existência deste Museu aberto e receptivo às suas ideias, permitiram que muitos artistas brasileiros contassem com o MAC-USP como uma via, talvez única, capaz de dar voz às suas aspirações criativas e, sobretudo, permitiram a constituição deste acervo tão plural. No entanto, o que ressaltamos no estudo e reafirmamos ao fim dele é que estes “não- objetos”222 de arte permaneceram durante muito tempo no esquecimento, transitando dentro dos espaços do MAC-USP, entre corredores, biblioteca e arquivos, sem encontrar, como salienta a Profa. Cristina Freire, seu “lugar simbólico”223.
A multiplicidade de poéticas, linguagens e suportes tão comuns neste tipo de produção ainda escapam à conformidade das narrativas características das estruturas museológicas vigentes. Nesse sentido acreditamos que, para além das exposições, é preciso um esforço de pesquisa e reflexão acerca não apenas dos objetos em si, mas dos artistas, do contexto de suas
Ana Paula Felicissimo Camargo. Fluxus em Museus: Museus em Fluxus. Tese de Doutorado. Campinas, 2009, p. 19.
222 ZANINI, Walter. Catálogo: Prospectiva ’74. São Paulo: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de
São Paulo – MAC-USP, 16/Agosto/16 Setembro de 1974, p.4. [...] “Não/Objetos, processos desenvolvidos no envolvimento com a realidade cotidiana, de vertiginosa proliferação, estes sistemas pertencem a uma estrutura ingênita à sociologia cultural de hoje.”
criações, do contexto do próprio museu que os conserva, a fim de que se possa delinear possíveis significados que propiciem a inteligibilidade destas obras.
Para tanto, buscamos realizar a documentação e catalogação completa das obras em questão (Anexo I) bem como desfazer equívocos relativos a artistas ligados ao Fluxus, como no caso do cartão postal “Joseph Beuys, chi non sa o non ricorda ripete”, com autoria erroneamente atribuída `a Joseph Beuys (Anexo II).
Nutrimos, portanto, expectativas de que este trabalho possa contribuir com as discussões tão atuais e necessárias com relação às praticas museológicas, os acervos e arquivos conceituais, principalmente, no que diz respeito ao MAC-USP.
Por fim, é importante destacar que ao longo da pesquisa realizada para a presente dissertação, a cada descoberta restava mais evidente que há ainda muito a ser feito. No significativo e rico acervo conceitual do MAC-USP, além das obras tratadas neste estudo, encontram-se tantas outras de extrema representatividade no cenário nacional e internacional que continuam desconhecidas do público e dos pesquisadores brasileiros, de formas que, esperamos que esta pesquisa seja mais um passo de um caminho que vem sendo sendo percorrido golpe a golpe.