5. SONUÇLAR VE ÖNERĐLER
5.2 Öneriler
Sem a pretensão de abordar de maneira mais aprofundada as discussões em relação ao Livro Didático, iremos analisar aqui a importância que é dada a ele, que papel cumpre o livro didático nas aulas de Ciências e quais dificuldades que são encontradas por professores dos anos iniciais para a análise dos mesmos.
É importante observar que a história do livro didático no Brasil, até a década de 1980, resume-se a uma série de decretos-lei e iniciativas governamentais que criaram, de tempos em tempos, novas comissões, novos acordos para a produção e distribuição de livros. Contudo, não se constituíram em projetos políticos voltados de fato para a melhoria da qualidade dos livros didáticos, limitando-se a políticas assistencialistas e burocráticas que davam a falsa ideia de democratização ao deixar a cargo do professor a escolha do livro (KANASHIRO, 2008). Além disso, as decisões, na maioria das vezes, partiam de um único órgão composto por técnicos e assessores do governo, pouco familiarizados com a problemática da educação e, raras vezes, qualificados para gerenciar a complicada questão do livro didático (FREITAG; MOTTA; COSTA, 1989).
Dessa forma, muitos dos problemas percebidos ao longo da história do livro didático no Brasil sucedem de uma política educacional autoritária, burocrática e centralizadora que, por força da própria ideologia que a sustenta, exclui o docente de todas e quaisquer decisões sobre a problemática do ensino e, portanto, do livro didático (WITZEL, 2002).
Soma-se a isso tudo, a extensa história de dificuldades no exercício da prática docente brasileira (desqualificação dos professores, das estruturas precárias dos espaços escolares, a dilatação do sistema educacional) e a representação indelével dos livros didáticos no mercado editorial brasileiro – metade dos livros vendidos tem sido de livros didáticos – que potencializam a importância e, sobretudo, a dependência do livro didático pelo professor.
Vale ressaltar ainda que “[...] o livro didático acaba assumindo o papel de fonte de informações e consultas para os docentes, como complemento aos seus conhecimentos” (Megid Neto e Fracalanza, 2003 apud LONGHINI, 2008, p. 242). Assim, em vez de utilizar outras fontes de pesquisa, o livro didático acaba sendo uma ferramenta essencial para a prática do professor. Nesse panorama, a obra didática tem grande destaque dentre um grupo de materiais impressos, portanto, “[...] o livro didático continua sendo o mais fiel aliado do professor e um recurso imprescindível para os alunos.” (Nuñez et al., 2003, p. 2).
Mas, afinal, o livro didático é um material de boa qualidade, que pode ser utilizado como única fonte de informação?
É importante observar que tal situação torna-se mais problemática quando pesquisas apresentam a baixa qualidade do livro didático, em geral, e particularmente o livro didático de Ciências. Diversos autores (DELIZOICOV et al., 2002; LONGHINI, 2008; NUÑEZ, 2003; entre outros), enfatizam que estas obras geralmente induzem o leitor a criar estereótipos e mitificações em relação à produção da ciência e a sua concepção.
Considerando a importância que tem o livro didático nas aulas de Ciências, é necessário analisar e realizar a seleção dos mesmos de forma adequada. É inegável que este instrumento faz parte do cotidiano das aulas de Ciências, pois muitos professores trabalham o livro didático como recurso didático em suas aulas. Dito isto, consideramos que:
A seleção dos livros didáticos para o Ensino de Ciências constitui uma responsabilidade de natureza social e política. Por outro lado, a quantidade de livros didáticos que circulam no mercado, faz da seleção dos mesmos uma tarefa ainda mais complexa e exigente profissionalmente. [...] (NUÑEZ et al., 2003, p.2).
Para análise dos mesmos, é necessário buscar entender que concepções de educação e ciências estes materiais trazem, se as atividades presentes reforçam a ciência para poucos, neutra, linear, formada por gênios e memorística, ou se apresentam uma visão atual de ciências buscando novos caminhos para o ensino e a aprendizagem do conhecimento científico.
Em consonância com o que foi apresentado, Nuñez et al. (2001) ressaltam que:
[...] O livro se constitui no representante da comunidade científica no contexto escolar. [...] Nele a Ciência se deve apresentar como uma referência fruto da construção humana, sócio-historicamente contextualizada, na dinâmica do processo que lhe caracteriza como construção, e não como um produto fechado, como racionalidade objetiva única que mutila o pensamento das crianças. [...] (NUÑEZ et al., 2001, p. 3).
Sendo assim, o livro didático deveria cumprir o papel de estimulador da aprendizagem, contudo, muitas vezes é apresentado, segundo Lorenzetti (2002), como elemento limitador e uniformizador da aprendizagem.
Na análise dos livros didáticos, a falta de conhecimento de conteúdos científicos acaba sendo elemento limitador. Com frequência vemos sendo levadas em consideração apenas as ilustrações dos livros, ou seja, a qualidade gráfica destes manuais.
Sobre esse ponto, Longhini ressalta que:
Na carência de conhecimentos de conteúdos científicos, a interação acaba quase sempre sendo com o próprio livro didático disponível nas escolas, o que limita o aprofundamento de tais conteúdos. Além disso, a prática de consulta a livros didáticos pode reforçar alguns erros conceituais, devido à qualidade ainda sofrível de muitas destas obras (LONGHINI, 2008, p. 251).
Apesar de apresentarem erros conceituais, os livros didáticos ainda continuam como o principal controlador do currículo. Os professores utilizam o livro como o instrumento principal que orienta o conteúdo a ser ministrado, a sequência desses conteúdos, as atividades de aprendizagem e avaliação para o ensino. Tais contribuições não devem deixar de ser levadas em consideração nos cursos de formação de professores, em particular, nos cursos de Pedagogia.
Ao secundarizar ou negligenciar a questão dos conteúdos dos livros didáticos de Ciências, o professor mais facilmente estará colocando o aluno em contato com conteúdos que o levem unicamente a compreender a realidade científica de uma maneira superficial, cerceando as possibilidades de compreender a utilização do conhecimento científico e as contradições presentes na realidade em que vivem.
É necessário um maior cuidado na utilização desses materiais pelos professores. É importante que o professor busque outras fontes para o ensino e a aprendizagem em sala de aula.
Outra questão que requer atenção dos cursos de formação de professores é a utilização de diversas metodologias no ensino de Ciências.