5. SONUÇ VE ÖNERİLER
5.2. Öneriler
A prática pedagógica revela que por diversos motivos a maioria dos professores de ciências ainda releva a importância da utilização de elementos da filosofia e história da ciência como partes fundamentais no processo de ensino aprendizagem de suas disciplinas, colocando estas últimas em segundo plano ou mesmo negligenciando-as.
Grande parte dos professores não teve em sua graduação disciplinas com enfoque em história e filosofia da ciência, e isso faz com que estes não reconheçam a importância deste tipo de abordagem, o que gera dificuldade na adoção de tal prática em sua sala de aula.
Atualmente percebe-se que nos cursos de formação, mesmo de nível médio, a real necessidade da inserção de elementos históricos e filosóficos no ensino de ciências, para que seu próprio conteúdo venha a ter mais significado para quem o está estudando. Os elementos
históricos podem humanizar a ciência, tornando-a mais compreensível e também passível de questionamentos, assim como todo conhecimento humano.
Existe então uma tendência de reaproximação entre os campos do conhecimento científico e sua história e filosofia, visto que um não pode ser dissociado do outro. Isso pode ser claramente visualizado quando analisamos as reformas educacionais ocorridas ao longo dos anos em diversos países, e a necessidade de incorporar tais elementos nas salas de aula de ciências.
Segundo Matthews:
“Há muitos elementos envolvidos nessa reaproximação. Porém, o mais importante deles é a inclusão de componentes de história e de filosofia da ciência em vários currículos nacionais, o que já vem ocorrendo na Inglaterra e no País de Gales; nos Estados Unidos, através das recomendações contidas no Projeto 2061 concernente ao ensino de ciências da 5ª série do primeiro grau até a 3ª série do segundo; no currículo escolar dinamarquês; e na Holanda, nos currículos do PLON. Não se trata aqui da mera inclusão de história, filosofia e sociologia (HFS) da ciência como um outro item do programa da matéria, mas trata-se de uma incorporação mais abrangente de temas de história, filosofia e sociologia da ciência na abordagem do programa e do ensino dos currículos de ciências que geralmente incluíam um item chamado de A natureza da ciência . Agora, dá-se atenção especial a esses itens e, paulatinamente, se reconhece que a história, a filosofia e a sociologia da ciência contribuem para uma compreensão maior, mais rica e mais abrangente das questões neles formuladas. Os tão difundidos programas de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), tanto nas escolas como nas universidades, representam uma abertura importantíssima para as contribuições histórico-filosóficas para o ensino de ciências. Tais avanços têm implicações relevantes para o treinamento do profissional de educação.” ( MATTHEWS, 1995, p. 165-166).
No contexto brasileiro, a utilização da história e filosofia da ciência também é considerada de fundamental importância e preconizada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), norteadores nacionais do currículo brasileiro, dadas as competências que estes presumem que o aluno adquira ao término do ensino médio. Abaixo relacionamos tais competências ligadas a história e filosofia da ciência, contidas nos PCN:
Compreender a construção do conhecimento físico como um processo histórico, em estreita relação com as condições sociais, políticas e econômicas de uma determinada época.
Compreender, por exemplo, a transformação da visão de mundo geocêntrica para a heliocêntrica, relacionando-a às transformações sociais que lhe são contemporâneas, identificando as resistências, dificuldades e repercussões que acompanharam essa mudança.
Compreender o desenvolvimento histórico dos modelos físicos para dimensionar corretamente os modelos atuais, sem dogmatismo ou certezas definitivas.
Compreender o desenvolvimento histórico da tecnologia, no desenvolvimento da tecnologia e a complexa relação entre ciência e tecnologia ao longo da história. Muitas vezes a tecnologia foi precedida pelo desenvolvimento da Física, como no caso da fabricação de lasers, ou, em outras, foi a tecnologia que antecedeu o conhecimento científico, como no caso das máquinas térmicas. (BRASIL, 1999, p.14).
É inegável afirmar que para atingir tais competências o professor necessita inserir em suas aulas alguns aspectos históricos do desenvolvimento cientifico, para que o aluno venha a perceber não apenas os resultados finais do atual conhecimento científico, mas como se deu o processo de evolução deste conhecimento. Afinal, o arcabouço de conhecimento científico não é algo que se desenvolveu repentinamente ou está concluído, mas está em constante transformação.
Questionar como a ciência se desenvolveu e como se desenvolve, quais são seus métodos de pesquisa e quais ideias que não são mais aceitas atualmente, mas que já foram aceitas faz com que o aluno tenha um conhecimento muito mais amplo do processo de desenvolvimento científico.
Este aluno pode vir inclusive a colocar em xeque e questionar suas próprias concepções espontâneas que muitas vezes podem ser iguais àquelas de pessoas que viveram em um determinado momento histórico, ou mesmo concepções que já serviram de explicação para os fenômenos durante uma determinada época, mas que agora foram superadas.
A história da ciência pode ajudar e muito a tornar a física mais humana, sendo assim mais atrativa. A contextualização histórica dos acontecimentos pode fazer com que as pessoas percebam que a ciência não é apenas fruto de mentes geniais que repentinamente encontram a solução para os problemas que se propuseram a resolver, mas como um longo processo de
contribuições individuais que se desenvolve lenta e progressivamente, sujeita a erros, sendo condicionada por fatores psicológicos e subjetivos assim como qualquer outro empreendimento humano por excelência.
Segundo Mattews (1994), a utilização da filosofia e história das ciências:
“(...) podem humanizar as ciências e aproximá-las dos interesses pessoais, éticos, culturais e políticos da comunidade; podem tornar as aulas de ciências mais desafiadoras e reflexivas, permitindo, deste modo, desenvolvimento do pensamento crítico; podem contribuir para um entendimento mais integral de matéria científica, isto é, podem contribuir para a superação do mar de falta de significação que se diz ter inundado as salas de aula de ciências, onde fórmulas e equações são recitadas sem que muitos cheguem a saber o que significam; podem melhorar a formação do professor auxiliando o desenvolvimento de uma epistemologia da ciência mais rica e mais autêntica, ou seja, de uma maior compreensão da estrutura das ciências bem como do espaço que ocupam no sistema intelectual das coisas.”
(MATTEWS, 1995, p. 165).
É importante ressaltar que a inserção de elementos da história da ciência, não deve ser feita como uma disciplina em separado, mas que esta possa em todo momento ser resgatada, e fazer parte do processo como um todo. Não se trata de substituir o ensino clássico de ciências, mas complementá-lo com episódios que podem mostrar as relações pertinentes entre ciência, tecnologia e sociedade tornando o processo de aprender ciências ainda mais natural e agradável.
A utilização da história e filosofia da ciência mostra-se necessário, e pode contribuir sobremaneira no interesse e no aprendizado dos alunos nas aulas de ciências.