5. SONUÇ VE ÖNERİLER 99
5.2. Öneriler 100
Como mencionei na introdução desse trabalho, a discussão sobre a relação entre desenvolvimento econômico e democracia é bastante ampla, e dentro da área de política comparada representa a discussão mais volumosa. Apesar da brevidade desse trabalho, procurei incluir os principais autores das principais vertentes, sem omitir trabalhos importantes, o que observei ocorrer em revisões de literatura mais voltadas à cobertura de autores de determinada linha. De qualquer forma, os autores incluídos nessa revisão são somente uma parte dessa discussão, mas que a meu ver representa bem seus principais pontos. Está além da ambição desse trabalho demonstrar a validade de uma ou de outra teoria, no entanto, acredito ser esse o momento de explicitar meu ponto de vista.
Os autores da escolha racional, linha onde se encontram os trabalhos mais recentes sobre o tema desse trabalho, têm a virtude de buscar teorias que possam explicar a realidade de forma ampla, mas o custo dessa abrangência se mostra na atemporalidade de suas explicações. Mais além, o pressuposto da racionalidade dos agentes, subjacente às teorias dessa linha, é bastante criticado, e essas críticas, presentes entre outros em Sen (1977), Polanyi (2001), Granovetter (1973, 2000 e 2004) e Sabel (2004), me parecem pertinentes, sendo que as possibilidades de melhor entendimento da realidade a partir dessas visões são muito promissoras.
Uma outra virtude da maior parte dos autores da escolha racional é a visão clara da existência de relação entre desenvolvimento econômico e democracia, que mesmo no caso de Przeworski et al (2000), é reafirmada para a consolidação democrática. Acredito que essa visão se origina na perspectiva geral propiciada pela metodologia utilizada pelos autores da escolha racional. Nesse sentido, os autores históricos que analisam casos individuais, em geral chegam a resultados opostos, afirmando que a democracia seria uma conseqüência “não-intencional” do processo de desenvolvimento econômico, que ocorreu nos países capitalistas avançados, mas que não voltaria a ocorrer nos desenvolvimentos recentes. Já para os autores que pregam a autonomia do político,
como é o caso de O’Donnell e Schmitter (1986), essa relação não é mencionada como determinante, contrariando grande parte dos estudos abordados.
Acredito que o método histórico é mais adequado ao entendimento e conseqüente teorização da realidade, e por isso me alinho aos trabalhos de Rueschemeyer et al (1992) e Bresser-Pereira (2009). A dificuldade da maior parte dos trabalhos que utilizam o método histórico é a falta de abrangência das teorias geradas, o que não é o caso dos trabalhos de Rueschemeyer et al (1992) e Bresser-Pereira (2009), e que por essa razão foram incluídos nessa revisão de literatura. Esses trabalhos se propõem a explicar uma ampla gama de casos, enquanto a maior parte dos trabalhos se concentra em um país ou região.
Resta a questão da necessidade de buscar uma teoria que tenha alcance para explicar a realidade de forma genérica, tarefa que os modelos agrupadores se propõem a fazer, mas onde os estudos históricos individuais falham. No entanto, as duas teorias de cunho histórico apresentadas nesse trabalho são bastante bem sucedidas nesse quesito, já que são teorias que buscam gerar uma base capaz de explicar uma gama grande de casos, ao mesmo tempo em que não despreza os detalhes dos diferentes exemplos.
A partir do presente estudo, acredito ser possível evoluir em algumas direções. Vivemos na América Latina um momento interessante no que se refere à discussão sobre democracia, já que se observam movimentações políticas importantes em alguns países, e existe um questionamento claro sobre a possibilidade de que esses processos se direcionem a um resultado menos democrático. Nesse sentido, um próximo passo seria avaliar a situação em algum dos países que apresentem essa movimentação, à luz das diferentes teorias, e buscar entender a validade de cada uma delas para explicar esse movimento. Obviamente, cada teoria tem especificidades e essas especificidades levam a necessidades distintas para efetivar esse passo adiante. Caso quiséssemos buscar um entendimento vinculado à teoria de Przeworski et al (2000), seria necessário incluir os dados específicos na série de dados já existente, e verificar o resultado esperado. Por outro lado, se fossemos nos basear na teoria de Rueschemeyer et al (1992), seria necessário um levantamento histórico dos elementos delineados como determinantes.
Por outro lado, uma derivação interessante nessa linha de estudo seria buscar um entendimento mais aprofundado das implicações das teorias de sociologia econômica sobre as explicações da escolha racional para a relação entre desenvolvimento econômico e democracia, o que poderia
gerar entendimentos bastante ricos sobre essa relação, juntando os dados empíricos dos estudos de escolha racional e o entendimento mais aderente das relações humanas advindo dos estudos de sociologia econômica.
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