5. SONUÇ VE ÖNERĠLER
5.2. Öneriler
O tema da re-produção é essencialmente importante para demonstrar que o resultado do processo produtivo, que servirá de base para o próprio processo produtivo se reproduzir, nunca é igual a sua forma inicial. Como resultado, já é diferente de quando entrou no processo e, como base, também será diferente da primeira base que deu origem ao processo específico. Assim, na realidade não há
uma repetição, mas sim uma metamorfose.2
Lefebvre (1973) será o responsável pela retomada do tema da re-produção de uma maneira mais contundentemente pragmática para o entendimento da realidade. Para o autor este conceito “designe um processus complexe qui entrîne dês contradictions et non seulement lês répète, lês re-double, mais lês déplace, lês modifie”.3 A descoberta desse conceito introduz um fio condutor na análise da realidade que modifica a perspectiva de abordagem, dando ênfase, não para a descrição dos processos parciais, mas para a análise aprofundada das relações de produção. Desse modo, se desmistifica o entendimento de que a reprodução das relações capitalistas foi e continua sendo normal ou natural. Somente com o entendimento da reprodução das relações de produção é que se tornam mais evidentes algumas justificativas para que o capitalismo continue dominante.
Será no capítulo inédito de O Capital que Marx (1978) evidenciará a diferença entre a questão das relações de produção e da sua reprodução com a da reprodução dos meios de produção. Sem dúvidas, não existe uma separação entre a reprodução dos meios de produção e a continuidade da produção material com a reprodução das relações sociais. Andam juntas e fazem parte do mesmo processo.
Lefebvre (1973) propõe o retorno à dialética para analisar o real, anunciando que se descobrirá desse modo uma natureza problemática, a partir da sua dominação pelo homem. Uma Segunda Natureza. reconstruída na cidade e no urbano, uma simultaneidade de tudo o que existe socialmente. Indo além, aponta para a contradição entre o trabalho e o não-trabalho. Será pela dialética que se tornará evidente que no conhecimento do espaço está presente a contradição. A contradição específica entre o centro e a periferia torna-se evidente. Será justamente no espaço dialetizado (pela existência do conflito) que se efetivará a reprodução das relações sociais de produção. “C’est cet espace que proudit la reproduction, e y
2 Marx, já apontava para esse fato ao comentar como a produção capitalista é produção e reprodução das relações de produção especificamente capitalistas. Demonstrou como o capital produz e, mais do que isso, como ele próprio é produzido, evidenciando sua diferença no início e no final do processo produtivo: “Por um lado, o capital dá forma ao modo de produção; por outro, essa forma modificada do modo de produção e certo nível de desenvolvimento das forças produtivas materiais constituem base e condição –a premissa- de sua própria configuração” (MARX, K. O capital. Livro I, Capítulo VI (Inédito). São Paulo: Ciências Humanas Ltda, 1978, p.95).
3 “Designa um processo complexo que arrasta consigo contradições e não só as repete, as re-duplica, mas também as desloca, as modifica, as amplifica”. LEFEBVRE, Henri. La survie du capitalisme. La
introduisant des contradictions multiples, venues ou non du temps historique”.4
O conceito e a teoria da reprodução das relações de produção coloca em evidência uma característica do mundo moderno, tal seja, a predominância da repetição. A reprodutibilidade é capaz de gerar o repetitivo, que surge como novo. O próprio espaço ocupado e produzido torna-se lugar e meio do re-produtível, do repetitivo. Ainda é Lefebvre (1973) que salienta os sintomas mais reveladores desse movimento de recriação, exemplificando com a moda, que “re-passe le passé depuis qu’il existe une mode. (...) Les produits de cette société, au mieux, imitent et reproduisent les ouvres des sociétés antérieurs (pré-capitalistes), les livrant à la consommation massive”. Finalmente, conclui a este respeito, que “le répétitif engendre des differénces. Cette affirmation, qui ne remplace pas l’analyse critique du « nouveau » garantit qu’il y a aussi du nouveau. Le repétitif ne suffit pas à définir le néo-capitalisme”.5 Assim, o sistema capitalista não é um sistema fechado e acabado, garantido apenas pela produção do reprodutível, do repetitivo. No entanto, a reativação, que se parece com atividade, é uma característica importante, e cada vez mais podemos observar a velocidade com que esse processo se verifica. Há uma repetição do passado que, no entanto, não é igual ao que foi, simplesmente.
Observa-se que o falso novo batiza -se de neo, para diferenciar-se do anterior, ou antes, para evidenciar-se enquanto novo, propriamente dito. Característica importante para diferenciá-lo do anterior, uma vez que os processos avançados de re-produção material lhe garantem uma similitude quase que absoluta, a tal ponto de ser difícil distinguir o autêntico, o original, de suas cópias. Parece ser impossível criar ou inventar.
Poder-se-ia concluir que a repetição do passado e sua constância, ou seja, a continuada repetição do repetível, a mera imitação, conduziria a um processo semelhante ao da reprodução biológica, numa espécie de automatismo social, desprovido de traços políticos. No entanto tal não ocorre, devido ao fato de que a re- produção se verifica com uma produção de novas relações, não fosse assim e não
4 “É este espaço que produz a reprodução, introduzindo nela contradições múltiplas, vindas ou não do tempo histórico.” LEFEBVRE, Henri. La survie..., p. 24.
5 "Repassa o passado desde que existe uma moda. (...) Os produtos desta sociedade, quando muito, imitam e reproduzem as obras das sociedades anteriores (pré-capitalista), lançando-as no consumo massivo. (...) O repetitivo gera diferenças. Esta afirmação, que não substitui a análise crítica do novo, garante que há também o novo. O repetitivo não basta para definir o néo-capitalismo.” Ibidem, p. 42- 3.
poderíamos entender a duração prolongada do capitalismo.
Lefebvre (1973) aponta para um projeto global, a fim de responder às indagações que surgem da situação como a observamos no presente. Um projeto voltado para a possibilidade de uma outra maneira de viver, uma maneira radicalmente diferente. Fundamentalmente deve-se priorizar as necessidades sociais e não as necessidades individuais, garantindo assim uma diferença aos planos e programas inspirados pela burguesia como classe dominante, que permanecem no quadro da simples reprodução das relações. Basicamente são necessidades referidas ao urbano e especificamente corresponde “aux possibilités de la technique et de la connaissance, ainsi qu’aux exigences de la vie sociale par et pour les « masses »”.6 Trata-se de um caminho difícil de ser vencido, mas que vale a
pena ser percorrido. Não valeria a pena se não houvesse esperança.
O tema da reprodução aparecerá mesmo com maior profundidade no capítulo que ficou inédito de O Capital. Mas a análise do capitalismo, tratado por Marx em O Capital e nas obras correlatas pressupõe, na verdade, a análise crítica da produção e da reprodução dos meios de produção, ou seja, das forças produtivas (os trabalhadores e seus instrumentos de trabalho) e das máquinas e instalações. O crescimento econômico está, pois, baseado na idéia da reprodução ampliada da força de trabalho e da maquinaria. Os ciclos desenvolvidos pelo capitalismo (dinheiro/mercadoria/dinheiro e “crise/animação/depressão”) reproduzem, eles próprios, as suas condições. Assim, se torna claro que a reprodução das relações sociais que constituem a sociedade é uma característica inerente da sociedade (salvo no caso de uma crise final, a revolução). Desse modo, é possível concluir com Lefebvre (1973):
Ou bien la société bourgeoise continue, ou bien elle s’effondre. Ou bien la révolution introduit des rapports (sociaux) de production radicalement nouveaux, libérés des entraves et contradictions qui freinent les forces productives. Ou bien les anciens rapports se perpétuent par une sorte dínertie et d’effet interne. 7
6 “(...) às possibilidades da técnica e do conhecimento, bem como às exigências da vida social pela e para as massas.” LEFEBVRE, Henri. La survie..., p. 49.
7 “A sociedade burguesa ou continua ou se desmorona. Ou a revolução introduz relações (sociais) de produção radicalmente novas, liberadas dos entraves e contradições que travam as forças produtivas. Ou as antigas relações se perpetuam por uma espécie de inércia e de efeito interno.” Ibidem, p. 61.
Entretanto, não se pode admitir nesse ponto, uma concepção mecânica do pensamento de Marx, como se fosse inevitável a transposição para uma sociedade inteiramente nova. A idéia de que para Marx o crescimento atinge uma espécie de limiar que o conduz fatalmente à estagnação e à superação revolucionária, não é uma relação direta de causa e efeito. Na verdade, é preciso entender que a questão da reprodução das relações sociais de produção, dentro desse processo cumulativo, é compreendida no e pelo processo. Fica evidente a possibilidade e a necessidade de um salto qualitativo no processo, que modifique as relações sociais capitalistas, para que a continuidade do próprio processo esteja assegurada.
A partir de 1863, aparece com maior clareza na análise de Marx o conceito de reprodução total. Ao refletir sobre o Quadro Econômico de Quesnay, fica evidente que não se trata mais de uma simples circulação de bens, mas sim de um processo cujo fim (a repartição da mais-valia) representa um começo. Portanto, não se tem apenas a reprodução dos meios de produção, mas a reprodução das relações sociais.
Depois das análises de Marx, o que se verifica é um processo contraditório original. O capitalismo concorrencial tem seu fim, mas resiste às crises e revoluções. Há o surgimento do socialismo nos países economicamente atrasados, mas surge o neocapitalismo nos países fortemente industrializados. Enfim, o capitalismo sobrevive. Surge então o questionamento: como pode o capitalismo, ferido de morte, sobreviver? A resposta só poderá ser entendida a partir da re-produção das relações sociais de produção, capaz de explicar a perpetuação de um processo a partir da sua transformação. “Les générations passent; les hommes changet; les rapports « structuraux » persistent”.8
A história do capitalismo nos mostra, depois de três reconstituições em meio século (até o final da Segunda Guerra Mundial), a necessidade de substituir a análise da reprodução dos meios de produção, um conceito restrito, pela análise da reprodução das relações de produção, um conceito muito mais amplo. Afinal, eram as relações sociais de produção que estavam se reconstituindo, e garantindo a sobrevivência do processo capitalista. Finalmente, a última descoberta de Marx estava sendo redescoberta.
8 “As gerações passam; os homens mudam; as relações ‘estruturais’ permanecem.” LEFEBVRE, Henri. La survie... P. 68.
Mas, a interpretação equivocada da obra de Marx, presa a um estruturalismo limitado, impediu, na maior parte dos casos, a evolução da análise. Ao invés de dar continuidade ao pensamento iniciado por Marx, tentou-se em demasia aplicar suas interpretações, próprias para a etapa concorrencial, no neocapitalismo. As explicações obtidas foram limitadas. Afinal, buscava-se a explicação através do modo de produção, como resposta para tudo, tido como sendo a própria totalidade, englobando até mesmo as relações sociais.
Ora, o emprego do “modo de produção” não oferece nenhum ganho na análise posterior a Marx. A esse respeito, Lefebvre (1973) comenta: “Le capitalisme dure. Il durera tant qu’il durera. Quand il aura disparu, il aura disparu. Rien de changé, puisque rien ne change au sein du « mode de production » immuable comme tel”.9
O que se procura manter, com esse atrelamento exagerado à análise do modo de produção, é a coerência acima da contradição. O que possa haver de conflituoso no próprio objeto de análise é suplantado em nome da coerência. E tal não ocorre com as relações de produção, que encerram em si contradições. As contradições de classe entre capital e salário, que se amplificam nas contradições sociais, entre burguesia e proletariado e, nas contradições políticas entre governantes e governados estão presentes nas relações de produção. Procurar sobrepor o modo de produção às relações de produção, no mesmo sentido que se tenta impor a coerência à contradição, revela o sentido desta prática teórica tomada em separado: liquidar as contradições, excluir os conflitos, disfarçando o que decorre e o que advém desses conflitos. Este é o aspecto que assume o marxismo estruturalizado, que esconde o problema da reprodução das relações de produção, repetindo o óbvio (o capitalismo é o capitalismo) sem se preocupar com a análise das mudanças dentro do capitalismo, sempre em nome de uma invariabilidade estrutural. Para entender o que se passa no capitalismo, Lefebvre (1973) nos ensina que “cela se comprend par analogie, soit en se comparant au passé (ce qui reste de l’histoires), soi en anticipant sur l’avenir (ce qui reste de prévision politique)”.10
A estrutura do modo de produção é algo que se resume a uma
9 “O capitalismo subsiste e subsistirá enquanto subsistir. Quando tiver desaparecido, terá desaparecido. Não há nenhuma mudança, visto que nada muda no seio do ‘modo de produção’, imutável como tal.” LEFEBVRE, Henri. La survie..., p. 86-7.
10 “Isso se compreende por analogia, quer comparando-se ao passado (o que fica da História), quer antecipando-se ao futuro (o que resta de previsão política).” Ibidem, p. 90.
sobredeterminação do todo. Assim, teríamos, num caso concreto, como no dos fenômenos urbanos, a estrutura do modo de produção como uma relação entre dois grandes grupos de unidades: as unidades de produção, as empresas, e as unidades de consumo, as cidades. Nas cidades se reproduz a força de trabalho necessária às empresas. O próprio consumo não teria outro sentido que não o da reprodução da força de trabalho. Cria-se, desse modo, um sistema, que não serve para explicar a realidade, uma vez que está posto e acabado. Fica morta a dialética, tangencia-se a análise da essência do real, jamais se verificará que a cidade pré-capitalista após sua ruína, se constituirá, justamente em função disso, o lugar da reprodução das relações de produção. Mais acertado, para uma análise concreta, será tomar por base uma hipótese contrária a desse dogmatismo estruturalista limitado, qual seja, a hipótese de que não existe um sistema pronto, mas um esforço no sentido da sistematização, a partir das relações de produção e suas contradições.
Na perspectiva posta pelo marxismo estrutural-funcionalista, a reprodução das relações de produção não passa de uma repetição, uma duplicação dessas relações. E, Lefebvre (1973), aponta para o Estado como um dos responsáveis pela permanência das relações de produção. O Estado na qualidade de legislador e repressor, a um só tempo. Porque a capacidade legislativa e contratual não tem significado sem a capacidade repressiva, que detém os meios de constrangimento para o cumprimento do que a norma estabelece.11
O papel desempenhado pela classe operária não teve a significação prevista por Marx, no sentido revolucionário. Ela não possui, em verdade, nenhuma vocação intemporal para o combate anticapitalista e antiimperialista, sua atitude é verdadeiramente conjuntural. Em determinados momentos ela vai atuar mesmo como um núcleo gerador da integração do capitalismo, sendo, também ela, base da reprodução das relações de produção. Importa aqui a conjuntura. Entretanto, mesmo que não tenha conseguido realizar sua “missão histórica”, a classe operária continua dando consistência à frente “antiburguesia”, exercendo um papel estratégico, ampliando sua atuação à escala mundial. Mas a conclusão é de que o lugar da reprodução das relações de produção não se localiza nas empresas, ou no local de trabalho, nem mesmo nas relações de trabalho.
A pergunta que se coloca em tela, é justamente esta: Onde se reproduzem
as relações de produção? Continuando com Lefebvre (1973), vamos investigar a sua proposição para responder ao questionamento colocado. Seguindo o histórico do capitalismo concorrencial, quando se instala como classe dirigente a burguesia, no século XIX, ele é constituído basicamente por uma quantidade restrita de grandes empresas, cujo número varia de país para país, mas cujo peso econômico se torna dominante. Junto a elas, um número bem maior de pequenas empresas se instala, assim como os principais bancos, que já estão atrelados às grandes empresas. Assim, tem início o processo, seguido pelo capitalismo no decurso de sua transformação, que passou pela concentração do capital, pelo surto do capital financeiro, pelo surto e fracasso do imperialismo que lhe permitiu, ao fim e ao cabo, sobredeterminar e integrar alguns elementos formais e alguns conteúdos da prática social que o antecedeu. Mas não foi só isso:
Ces éléments de la société, le grand capitalisme les a transformé à son usage. Les prolongements de l’ere agraire en pleine ère industrielle, ces restes, il les a détruits comme tels (non sans conserver une condition essentielle de l’ère passée, à savoir la propirété privée du sol). Le capitalisme ne s’est pas seulement subordonné des secteurs extérieux et anterieurs, il a produit des secteurs nouveaux en transformant ce qui préexistait, en bouleversant de fond en comble les organisations et institutions correspondantes. Il en va ainsi pour « l’art », pour le savoir, pour les « loisirs », pour la réalité urbaine et la réalité quotideinne. Ce vaste processus, comme toujours, se revêt d’apparences et se maque d’ideologies. Par exemple, en ravageant les ouvres et les styles antérieurs pour les changer en objets de production et de consommation « culturelle », la production capitaliste reprend ces styles comme restitution et reconstitution, « néo » ceci ou cela, modes élitiques et produits de haute qualité.12
12 “O grande capitalismo transformou esses elementos da sociedade, transformados para o seu uso. Os prolongamentos da era agrária em plena era industrial, esses restos, o capitalismo destruiu-os enquanto tais (não sem conservar uma condição essencial da era passada, a saber, a propriedade privada do solo). O capitalismo não subordinou apenas a si próprio, setores exteriores e anteriores produziu setores novos transformando o que preexistia, revolvendo de cabo a rabo as organizações e instituições correspondentes. É o que se passa com a « art e », com o saber, com os « lazeres », com a realidade urbana e a realidade quotidiana. Este vasto processo, como sempre, reveste-se de aparências e mascara-se com ideologias. Por exemplo, devastando obras e estilos anteriores para transformá-los em objetos de produção e de consumo « cultural », a produção capitalista retoma estes estilos como restituição e reconstituição, como « neo » isto ou aquilo, como obras de elite e produtos de alta qualidade. “ LEFEBVRE, Henri. La survie... , p. 115-6.
Já não é a sociedade que se torna o lugar da reprodução das relações de produção (e não apenas dos meios de produção) Na verdade todo o espaço está envolvido nesse processo. Trata-se do espaço ocupado pelo neocapitalismo, por ele setorizado e homogeneizado e, entretanto, fragmentado e reduzido aos pedaços em que é vendido. O espaço passa a ser a sede do poder.
Aqui é possível observar uma metamorfose do capitalismo pela reprodução das relações de produção. Quem dispõe das forças produtivas dispõe também do espaço e pode até produzi-lo. O espaço social e natural é destruído e transformado num produto social, pela utilização do conjunto das técnicas disponíveis. Assim, a propriedade privada do solo, ao mesmo tempo em que destrói a natureza e transforma o espaço material, também retorna a potência produtiva a quadros próprios de tempos passados, da época da produção agrícola. Demonstra-se, assim, a perpetuação das relações de produção, ainda que modificadas pelas contingências históricas em que se verificam.
La estrtégie globale ici décélée (plutot que découverte sur le plan théorique, constitue une totalité nouvelle dont les éléments à fois joints (dans l’espace, par l’autorité et la quantification) et disjoints (dans ce même espace fragmenté, par la même autorité qui réunit en séparant et sépare en unissant sous son pouvoir) apparaissent. Il y a le quotidienne, réduit à la consommation programée, écarté des possibilités qu’ouvre la technique. Il y a l’urbain, réduit en miettes autour de la centralité étatique. Il y a enfin les
différences réduites à l’homogène par les puissances contraignantes.13
Mas, as contradições transparecem no espaço e se mostram como contestação à ordem que procura ser estabelecida definitivamente, ou seja, a ordem da re-produção das relações de produção. O espaço não é apenas o lugar onde se manifesta a re-produção, mas também onde se manifesta sua contrariedade. O espaço passa a ser a expressão do desejo, onde a manifestação do poder
13 “A estratégia global que aqui revelamos (mais do que descobrimos) no plano teórico, constitui uma totalidade nova, cujos elementos, simultaneamente unidos (no espaço, pela autoridade e pela quantificação) e desunidos (nesse mesmo espaço fragmentado pela mesma autoridade que reúne separando e separa unindo sob o seu poder), vão aparecendo. Há o quotidiano, reduzido ao consumo programado, afastado das possibilidades que a técnica abre. Há o urbano, reduzido a pedaços em torno da centralidade estatal. Há, por último, as diferenças reduzidas à homogeneidade