8. Kısaltmalar
5.2 Öneriler
Durante o estabelecimento da infecção, a Leishmania spp. é capaz de inibir o metabolismo oxidativo neutrofílico e prolongar a sobrevida da célula, fazendo com que o neutrófilo funcione como “cavalo de Tróia” no início da infecção, permitindo assim a replicação e expansão do parasito no hospedeiro (LAUFS et al., 2002; LASKAY et al., 2003). Entretanto, em cães com a doença já estabelecida, há aumento da produção de superóxido em neutrófilos (CIARLINI et al., 2010; GÓMEZ- OCHOA et al., 2010), o que poderia contribuir de forma significativa para o estresse oxidativo. De acordo com os dados desse trabalho, observou-se hiperplasia de neutrófilos nos animais do G1 e G2 na região UVC, porém, neste estudo, não foi avaliado o metabolismo oxidativo dessas células e por isso, não se pode afirmar a participação dessas células na instauração do parasitismo no trato intestinal com relação aos animais do G1, ou na produção de superóxido que poderia estar prevenindo o parasitismo no intestino nos cães do G2. Entretanto, a hiperplasia desse tipo celular nesses grupos indica a presença de reações inflamatórias, independentes da capacidade do protozoário L. infantum imunorregular ou inibir a ação neutrofílica, pois os neutrófilos ainda possuem importante função frente às infecções em cães com LVC, principalmente em infecções secundárias oriundas da ação imunossupressora causada por esse parasita. Com alta capacidade fagocitária, os neutrófilos recebem estímulos dos receptores Toll-like para reconhecer padrões moleculares associados com os patógenos (PAMPs) no intuito de eliminá-los (MESQUITA-JUNIOR, 2008), o que explicaria o aumento dessas células em infecções bacterianas.
A aumento no número de eosinófilo também ocorreu significativamente nos tecidos intestinais dos grupos G1 e G2 de cães com LVC. Acredita-se que a ativação dos eosinófilos, num microambiente contendo IFN-γ levaria a estimulação da
produção de vários mediadores inflamatórios. Além disso, a expressão de receptores, tais como receptores Toll-4, 7 e 8 na superfície celular dos eosinófilos ativados por IFN-γ poderia representar uma importante via de interação eosinófilo-
Leishmania spp. que promoveria a eliminação do parasito por essas células
(NAGASE et al., 2003). Dessa forma, o envolvimento de eosinófilos observados nos animais do G2, onde amastigotas de L. infantum estavam ausentes no trato intestinal, poderia representar um mecanismo leishmanicida adicional. Os eosinófilos são células importantes no combate às infecções no geral, sendo sua ação antiparasitária, especialmente contra helmintos, uma das células mais potentes e eficazes do organismo no combate de parasitas (MESQUITA-JUNIOR, 2008). No entanto, são necessários mais estudos, para saber ao certo a real colaboração dessas células no combate às infecções por L. infantum.
Como um dos destaques desse trabalho, os polimorfonucleares (PMN) como os neutrófilos e os eosinófilos, apresentaram-se em maior número no intestino delgado dos cães dos grupos G1 e G2, com diferenças estatísticas em relação ao intestino grosso, onde essas células estiveram em baixas contagens. No entanto, no grupo G1, observou-se maior intensidade de parasitas no intestino grosso, diferente da distribuição de PMN, indicando que, onde havia maior número do parasito L.
infantum ocorria uma redução no número de PMN. Similarmente nas submucosas
do íleo dos cães do grupo G1 não se observou hiperplasia dos PMN, sendo que nesse segmento e região também foi encontrado o parasita L. infantum.
Segundo Simecka (1998), apesar de um estímulo antigênico ocorrer em um local particular na mucosa intestinal, como por exemplo, na primeira porção do intestino delgado, a resposta a este estímulo, como a secreção de mediadores inflamatórios e a sensibilização celular, pode estender-se para outras porções intestinais, possivelmente através da circulação sanguínea e/ou linfática que drena toda mucosa intestinal, as placas de Peyer e/ou os linfonodos mesentéricos. Desta forma, a mucosa de todo o intestino e mesmo as mucosas mais distantes, como por exemplo, do trato urogenital e respiratório estariam também protegidas contra possíveis invasores (NEVES, 2006).
Assim como nos neutrófilos e eosinófilos, os mastócitos estavam aumentados nos tecidos intestinais dos cães dos grupos G1 e G2, com significância de 5% em
relação ao grupo controle G3. De acordo com Levy; Frondoza (1983) os mastócitos estão sempre associados às infecções parasitárias, e, além disso, podem proporcionar proteção contra agentes patogênicos bacterianos (HENZ, et al., 2001) e são importantes células sentinelas da imunidade inata para reações de defesa do hospedeiro contra patógenos intracelulares complexos (MAURER et al. 2006). Neste trabalho, os mastócitos estiveram presentes nos vilos e criptas, na submucosa, e associados ao plexo nervoso mioentérico, e também na camada muscular das porções do intestino delgado e grosso de cães positivos para LVC, com ou sem amastigotas de L. infantum intestinal, sendo assim, a hiperplasia de mastócitos nessas regiões é indicativo de suas atividades de defesa a favor do hospedeiro, conforme relatado pelos autores acima.
Nutman (1993) e Maurer et al. (2006) acreditam que os mastócitos sejam uma das primeiras células a chegar ao local da infecção, e com a liberação de seus mediadores inflamatórios, possam recrutar elementos celulares pró-inflamatórios, como neutrófilos, macrófagos e células dendríticas na tentativa de provocar um ambiente desfavorável à sobrevivência do parasita. Nos cães do grupo G1, observou-se processos granulomatosos, geralmente na submucosa do intestino grosso (cólon), com presença de macrófagos e outras células mononucleares. Nesse contexto, sugere-se que possivelmente os mastócitos presentes no intestino dos cães do G1 estiveram associados ao recrutamento desses macrófagos, auxiliando na formação desses granulomas. A proteção desencadeada pelos mastócitos depende das consequências patológicas da infecção parasitária e envolve sua influência sobre a resposta imune inata e adaptativa (VON SEBUT et al.,2003).
Outro destaque deste trabalho é que os mastócitos, diferente dos PMN, teve distribuição semelhante tanto no intestino delgado como no intestino grosso, quando avaliados entre os animais do mesmo grupo. No entanto, mastócitos foi observado em número aumentado nos grupos G1 e G2 significando que a hiperplasia celular não foi necessariamente dependente das amastigotas intestinais.