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O trabalho será realizado baseado em pesquisa de caráter explicativa com a utilização de métodos quantitativos e qualitativos, será feita pesquisa através de livros, trabalhos, artigos científicos, sites de pesquisa que versam sobre o tema.

As principais fontes de pesquisa são o Censo Demográfico de 2000 e as Pesquisas Nacionais por Amostras de Domicílios (PNAD) para os anos de 2001 a 2008. Será utilizado o índice de Exclusão Social (IES) criado por Lemos (2005), para aferir os padrões de exclusão social, entendidos no estudo como sinônimos de pobreza.

Segundo Lemos (2008, p.104):

O IES foi construído a partir da identificação das dificuldades que o IDH tem para aferir padrões de bem-estar (ou de mal-estar) nas economias mais atrasadas, justamente por causa da falta de fidedignidade do cômputo da variável esperança de vida ao nascer.

Esta forma de aferir parece de maior utilidade para ajudar na formulação de políticas públicas, pois cada município estará identificado pelo percentual e pelo total de excluídos, além de serem identificados, em termos percentuais e absolutos, os níveis de privações em cada indicador, que são as variáveis que compõem o IES.

Lemos (2008, p.105-106) propõe a seguinte equação de definição para o IES:

IESi = Pi1 Yi1 + Pi2 Yi2 +Pi3 Yi3 + Pi4 Yi4 + Pi5 Yi5; i = 1, 2, ...., n;

Na definição acima, Pij se constitui nos respectivos pesos associados a cada um dos indicadores Yij que entram na construção do IES, e que estão assim definidos:

Yi1 = PRIVAGUA é a percentagem da população do i-ésimo município brasileiro que sobrevive em domicílios particulares que não têm acesso a água tratada;

Yi2 = PRIVSANE é a percentagem da população do i-ésimo município brasileiro que sobrevive em domicílios que não têm saneamento adequado, entendido como não tendo ao menos uma fossa séptica para esconder os dejetos humanos;

Yi3 = PRIVLIXO é o percentual da população do i-ésimo município brasileiro que sobrevive em domicílios particulares que não têm acesso ao serviço de coleta sistemática de lixo doméstico, direta ou indiretamente;

Yi4 = PRIVEDUC constitui-se no percentual da população maior de 10 anos que não é alfabetizada, segundo definição do IBGE;

Yi5 = PRIVREND é o percentual da população do i-ésimo município brasileiro que sobrevive em domicílios particulares cuja renda diária por pessoa é menor ou igual a um (1) dólar americano.

Dessa forma, cada um dos cinco indicadores de exclusão social possui uma ponderação diferente, diferentemente do IDH que utiliza ponderações iguais para seus três indicadores. As variáveis PRIVAGUA, PRIVSANE, PRIVLIXO, PRIVEDUC e PRIVREND possuem os seguintes pesos no índice: 0,1460; 0,1471; 0,1310; 0,3119; 0,2640 respectivamente. Pode-se observar que o indicador de educação possui o maior peso entre os outros, sendo seguido pelo de renda, o que demonstra a importância desses indicadores, principalmente o PRIVEDUC, na explicação dos níveis de exclusão social das regiões brasileiras, principalmente a Nordeste.

Será utilizado também o índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU de 1997, além de pesquisa em sites como: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Organização das Nações Unidas (ONU), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), entre outros.

4. RESULTADOS

A importância do Programa Bolsa Família (PBF) é evidenciada através dos dados mostrados na Tabela 3. Apesar das inúmeras críticas ao programa, tomando como base os dados para o ano de 2008, o percentual das famílias atendidas sobre o total das famílias residentes nos estados nordestinos é bastante elevado, embora este percentual já tenha sido mais elevado em anos anteriores, variando entre 29,03% a 41,45%.

Em termos proporcionais, o estado de Sergipe correspondia ao estado com o menor número de famílias atendidas pelo PBF (29,03%), em relação ao total de famílias existentes.

Ao contrário do Maranhão, onde 41,45% do total das famílias recebiam o benefício. Esses dados mostram a carência dos Estados atendidos pelo programa na promoção da distribuição da renda e da atividade econômica, nas áreas mais pobres do Nordeste.

Tabela 3 - Total de famílias dos Estados do Nordeste atendidas pelo Programa Bolsa Família proporcional às famílias residentes (2008).

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), SAGI – Matriz de

Informação Social, Ano de 2008. (Elaboração Própria)

UF Residentes Famílias Atendidas Famílias (%)

AL 914.000 347.585 38,02 BA 4.386.000 1.372.763 31,3 CE 2.461.000 870.153 35,36 MA 1.760.000 729.610 41,45 PB 1.134.000 410.707 36,22 PE 2.591.000 881.591 34,02 PI 911.000 360.622 39,58 RN 937.000 292.522 31,22 SE 601.000 179.875 29,03

Os resultados observados na Tabela 3 podem ser analisados no Gráfico 1. Com estes dados pode-se observar que os estados que, proporcionalmente, possuem mais famílias atendidas pelo Programa são o Maranhão e o Piauí, com 41,45% e 39,58% respectivamente.

Gráfico 1. Famílias do Nordeste atendidas pelo Programa Bolsa Família proporcional às famílias residentes (2008).

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), SAGI – Matriz de Informação

Social, Ano de 2008. (Elaboração Própria).

Vale lembrar que, as famílias oriundas dos programas de transferência direta de renda (Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Auxílio-Gás e Cartão-Alimentação) têm prioridades sobre as famílias novas para ingressarem no PBF, de modo a cumprir com o objetivo de integração. Além disso, desde 2007, o governo federal incluiu também as famílias indígenas e quilombolas dando-lhes acesso prioritário.

Analisando a média da distribuição espacial por região geográfica das famílias beneficiadas pelo Programa entre os anos de 2004 – 2008, observa-se que o Nordeste concentra metade das famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família, já a região Centro- Oeste concentra apenas 5% como mostra o Gráfico 2.

No ano de 2004, a região Nordeste totalizava 3,3 milhões de famílias, o equivalente a 50,5% do total das famílias beneficiadas pelo PBF. Em 2008, o número de famílias atendidas pelo Programa já era de 5,4 milhões, representando 51,6% do total de famílias atendidas, um aumento de 64% em relação a 2004; os recursos desatinados em 2008 a essa região representaram 53,3% do total investido.

Gráfico 2. Brasil: distribuição espacial por região geográfica das famílias beneficiadas pelo PBF – a média entre os anos de 2004-2008.

Fonte: MDS, SAGI – Matriz de Informação Social, 2008. (Elaboração própria).

Para se ter uma idéia da dimensão dos recursos do Governo Federal repassados para os Estados do Nordeste através do Programa Bolsa Família, observe-se as evidências mostradas no Gráfico 3:

Gráfico 3. Evolução dos Recursos Repassados pelo Programa Bolsa Família no Nordeste 2004 – 2008.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), SAGI – Matriz de Informação

Para uma melhor compreensão da magnitude das famílias atendidas pelo Programa, observa-se na tabela 4 a evolução dos percentuais das famílias atendidas em relação às residentes de 2004 a 2008.

Tabela 4 – Evolução da porcentagem de famílias atendidas pelo Programa Bolsa Família em relação às residentes (2004 – 2008).

Fonte: MDS, SAGI – Matriz de Informação Social, 2008.

(Elaboração própria).

Notam-se grandes evoluções de 2004 a 2006, no estado do Maranhão, por exemplo, as famílias atendidas tiveram um aumento relativo de 23,70% para 42,51%. Já em 2008 percebe-se um decréscimo deste percentual em todos os estados do Nordeste. Essa redução percentual pode ser em decorrência de uma fiscalização mais rigorosa para com as famílias que pleitearam o cadastro no Cadúnico, fazendo com que haja o desligamento de famílias que não atendem mais aos critérios para o recebimento do Programa Bolsa Família.

A tabela 5 demonstra a evolução do IES, que é um índice de mal-estar social, nos estados da região Nordeste, especificamente de 2001 a 2008, sendo que o Programa Bolsa Família foi implantado em 2003.

FAMÍLIAS ATENDIDAS (%)