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4. BULGULAR

6.2 Öneriler

160 Nos demais processos, havia apenas um bilhete, escrito à mão e colado à capa, com a inscrição “C/ GEO” e a área em hectares. Confirmando, não oficialmente, as informações assim obtidas com servidores do Iterpa, pudemos completar, com razoável confiabilidade, os dados apresentados na coluna “Área segundo a Jari” da Tabela 6. É preciso notar que essas informações não foram validadas pelo Iterpa, o que só ocorre, de fato, após concluídas as várias etapas do processo demarcatório. Trata-se apenas do georreferenciamento apresentado pela empresa interessada.

Segundo os setores responsáveis do Iterpa, esses 19 aforamentos estão com toda documentação regular e poderão ser resgatados pela Jari em sua totalidade (3.600 ha), tal como estabelece a legislação, mediante o pagamento de dez foros e um laudêmio, correspondente 10% do valor da terra estabelecido por uma avaliação do Iterpa, conforme art. 33, § 3º do Decreto-lei n. 57/69.

Tabela 6 – Título de aforamento

EXPEDIÇÃO DATA BENEFICIÁRIO DO TÍTULO Área do Título (ha) Área segundo a Jari (ha) legitimável PGE Área máxima 1 04/12/1956 Maria de Nazaré de Almeida Guedes 3.600,00 3.537,8533 5.400,00 2 03/12/1956 Maria Rosa Antunes Martins Correa 3.600,00 3.551,0562 5.400,00

3 03/12/1956 José Joaquim Martins Júnior 3.600,00 3.599,5795 5.400,00

4 03/12/1956 Antônio Fernandes da Fonseca Teixeira 3.600,00 3.600,0000 5.400,00 5 04/12/1956 Ana Fernandes da Fonseca Teixeira 3.600,00 3.607,4973 5.400,00 6 04/12/1956 Eduardo Antônio Valente Teixeira 3.600,00 3.620,3562 5.400,00

7 03/12/1956 José Joaquim Martins 3.600,00 3.621,1547 5.400,00

8 03/12/1956 Huascar Lopes Portugal 3.600,00 3.622,7304 5.400,00

9 03/12/1956 Eugênio José Gentil Guedes 3.600,00 3.630,7496 5.400,00

10 13/03/1957 Flávia Freitas de Almeida Maia 3.600,00 3.633,2391 5.400,00 11 03/12/1956 Benedito de Oliveira Feitosa 3.600,00 3.646,8407 5.400,00

12 03/12/1956 José Tavares de Lima 3.600,00 3.647,0000 5.400,00

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EXPEDIÇÃO DATA BENEFICIÁRIO DO TÍTULO Área do Título (ha) Área segundo a Jari (ha) legitimável PGE Área máxima

14 04/12/1956 Antônio Fernandes Teixeira 3.600,00 3.661,8482 5.400,00

15 03/12/1956 Aires Júlio da Fonseca 3.600,00 3.670,8900 5.400,00

16 04/12/1956 José Fernandes Fonseca 3.600,00 3.970,8927 5.400,00

17 03/12/1956 Alzira Antunes Martins 3.600,00 5.590,3766 5.400,00

18 04/12/1956 José Antônio de Almeida 3.600,00 6.873,1512 5.400,00

19 03/12/1956 Joaquim Nunes de Almeida 3.600,00 8.199,8481 5.400,00

Total 68.400,00 78.932,6670 102.600,00

E, como lembra o parecer da PGE, “se a empresa provar ocupar mais áreas vinculadas a este título”, há, ainda, a possibilidade de incorporação de 1.800 ha de área excedente a cada aforamento (PGE, 2006, p. 48), o que daria um total de 102.600 ha. Essa centena de milhares de hectares poderia ser atingida, segundo a PGE, sem a necessidade de consulta ao Congresso Nacional:

a área excedente poderá atingir nos presentes casos o máximo de 1.800 ha, sendo uma forma de concessão de terras públicas, ainda que tendo origem pelo legislador vinculada ao contrato de aforamento. Aplica-se os critérios definidos em lei para a transferência do domínio ao particular de terras públicas, especialmente o art. 241, caput e incisos, da Constituição Estadual, dependendo da área a ser apurada, estando excluída, neste caso, a incidência do art. 188, § 1°, da CF/88, pois não será a área superior a 2.500 ha, quando se exige prévia aprovação do Congresso Nacional. (PGE, 2006, p. 47)

Como podemos ver na Tabela 6, as áreas apresentadas pela Jari contêm excessos, em três casos maiores que os permitidos pela legislação.

Atualmente, o Decreto n. 1.805, de 21 de julho de 2009, art. 3º, inciso IV, determina uma situação oposta à orientação da PGE, uma vez que:

nos casos de aforamento em que houver área excedente, e a somatória da área total objeto do resgate for superior a 2.500 hectares o Congresso Nacional deverá ser

162 consultado nos termos do art. 188, § 1º da Constituição Federal.

Porém, a Instrução Normativa n. 05, de 15 de setembro de 2010, do Iterpa, continua indicando que os excessos de aforamentos serão tratados em separado: “Art. 2º. § 1º no caso de haver excedente do aforamento, este será considerado de forma autônoma, não computando-se para fins das respectivas autorizações legislativas a área aforada.”

163

164

165 4.4.4 Os títulos de posse não legitimados

Em 26 de novembro de 1976, a Jari protocolou no Iterpa o pedido de legitimação de 32 posses, formalizando o já mencionado Processo 05562/76. Como já vimos, os títulos de posse foram uma peculiaridade da legislação paraense, após a Proclamação da República, usados na tentativa de regularização fundiária e como forma de alienação das terras públicas estaduais.

Todos os imóveis tratados nessa seção têm sua origem em títulos de posse, ou seja, em um documento que enseja o início do processo de destacamento da terra do patrimônio público. Como dito, o título de posse não é um instrumento que completa a alienação, mas o primeiro passo de um protocolo que termina com a legitimação do título de posse, e, então, caracteriza-se a alienação do imóvel e seu destacamento do erário público.

A emissão dos títulos de posse, desde o Decreto n. 410 de 1891, teve regulamentação no tocante a vários aspectos, inclusive, limites máximos de áreas passíveis de alienação e, neste tópico, iremos, a partir de análises jurídicas, contrastar a documentação dos pretensos imóveis da Jari e essas regulamentações, de modo a identificar ou não vícios de origem.

Dos imóveis listados na escritura de compra e venda onde José Júlio de Andrade vende seus imóveis à empresa Jari Ltda., em 24 de dezembro de 1948138, constavam os 32 títulos de posse não legitimados (os já legitimados, configuram títulos de propriedade e, no respectivo tópico, foram tratados). Após uma sequência de prorrogações que se estendeu por décadas, o prazo para que os pedidos de legitimação de tais títulos fossem feitos se esgotou definitivamente em 1996139. Assim, ainda que esses títulos de posse ainda não tenham sido legitimados, o pedido de legitimação foi feito tempestivamente, em 1976.

138 Lavrada, como já dito, às fls. 01 do livro n. 320 do Cartório de Notas Chermont, localizado em

Belém, e transcrita, em 18 de janeiro de 1949, no Cartório de Registro de Imóveis do município de Monte Alegre, às fls. 07 a 11 do livro 3-E, sob o número de ordem 829.

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Benzer Belgeler