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As verbalizações dos sujeitos no decorrer da leitura da forma representativa da moldura da superestrutura da notícia e da leitura da moldura do texto/fonte foram significativas para que chegássemos ao nível de consciência lingüística do grupo da pesquisa porque, pelo processo de cada sujeito, constatamos o tipo de estratégias adotado: estratégias cognitivas (inconscientes) ou metacognitivas (conscientes). Dessa forma, através

da verbalização dos sujeitos (quadro 2), chegamos ao quadro 3, onde pudemos constatar que o grupo encontra-se entre o nível de consciência plena (CP) e o de pré-consciência (PC).

Chegamos a esse resultado, conforme figura 6, pela possibilidade de cada sujeito obter 14 pontos no máximo no momento da identificação das sete marcas presentes na forma representativa da moldura da superestrutura da notícia. Essa pontuação máxima justifica-se no momento em que o sujeito apresenta consciência plena (2 pontos) para cada uma das marcas. Considerando os 30 sujeitos obtendo o máximo de 14 pontos, temos então, o total de 420 pontos. Dessa forma, se todos os sujeitos demonstrassem pré-consciência (1ponto) teríamos alcançado 210 pontos. Assim, analisando as justificativas obtidas, o total de pontos do nível de consciência lingüística resultou em 245.

Níveis e pontuação Pontuação X quantidade de marcas Pontuação máxima para cada nível CP 2pontos 2 pontos x 7 marcas = 14 14 x 30 = 420

PC 1 ponto 1 ponto x 7 marcas = 7 7 x 30 = 210

I 0 ponto 0 ponto x 7 marcas = 0 0 x 30 = 0

Figura 6 - Nível de consciência lingüística Fonte: A Autora (2006).

Verbalizações como “tem uma manchete como um título e um subtítulo que normalmente tu não encontra num texto convencional, mas numa reportagem jornalística tu sempre encontra”; “é tipo uma apresentação, tá dizendo o nome do jornal, a data o número da página; são os dados mais específicos do jornal” exemplificam o bom nível de consciência lingüística do grupo de sujeitos.

Outra etapa importante da pesquisa e que merece ser analisada diz respeito às verbalizações dos sujeitos no momento em que comparavam a forma representativa da moldura da superestrutura da notícia com a moldura do texto/fonte ao trabalharem com hipóteses e com escolhas selecionadas a partir das pistas. Interjeições denotativas de satisfação, como “era bem isso que eu tinha pensado”, tornaram-se significativas para este estudo porque, ao comparar a forma representativa da moldura com a moldura do

texto/fonte, os sujeitos perceberam que haviam ativado as mesmas marcas, reforçando as sinapses que já haviam sido estabelecidas. As verbalizações interjetivas, portanto, demonstraram a recordação do processo anterior, ou seja, houve o reconhecimento de que as previsões dos sujeitos, feitas durante a leitura da forma representativa, concretizaram-se no decorrer da leitura da moldura do texto/fonte.

Após as primeiras verbalizações de surpresa, compreendidas aqui como uma espécie de satisfação, chegamos às manifestações dos sujeitos que justificam a ligação entre a forma representativa da moldura da superestrutura e a moldura do texto/fonte, pela presença das mesmas marcas; ao mesmo tempo, diferenciam os dois instrumentos pela inserção do conteúdo no texto/fonte. A seguir são transcritas algumas respostas dos sujeitos, através das quais podemos verificar esse dado: “então a semelhança que já é notável, mesmo não tendo o conteúdo inserido, é de estrutura. Eu tenho os mesmos aspectos que são a foto, a manchete, os dados gerais, a introdução, a estrutura que marca mais”; “aqui eu não consigo ler as coisas. Só tem ‘enes’, então não tem como saber exatamente a notícia”; “de semelhante eles têm títulos, têm as mesmas coisas que já disse antes. Têm tudo, só que no primeiro não tá em palavras, não tem significado. E de diferente é que esse tem letras, tem palavras mesmo e que significam alguma coisa. Eu sei ler o que significa”.

Também o vocabulário utilizado pelos sujeitos é extremamente variado e significativo ao compararem os dois instrumentos: “dá pra imaginar que aqui é o texto, o dia, o e-mail”, “é muito semelhante porque, vamos dizer que o antigo ele é mais ou menos um mesmo estilo”, “as marcas conferem exatamente”, “de diferente tem que esse é mesmo um texto e esse outro tá representando, tá simulando um texto”. Analisando as palavras destacadas podemos concluir que elas traduzem, de certa forma, a relação básica trabalhada na presente pesquisa: todo gênero textual está configurado a partir de uma superestrutura. Assim, os alunos pontuaram, com o emprego dos verbos imaginar e conferir, a ocorrência de um processo cognitivo de leitura, ou seja, é necessário prever, inferir para chegarmos à constatação de uma idéia. Da mesma forma as idéias de simulação e de estilo estão ligadas à noção de representação, de composição característica da notícia.

5.1.4 Utilização das marcas da moldura da superestrutura na produção textual

Prosseguindo, nossa análise recai nas produções das notícias pelos sujeitos da pesquisa. Nesse momento, evidencia-se claramente o cuidado que têm em construir seus textos a partir da moldura da superestrutura da notícia, nos quais as marcas identificadas na forma representativa da moldura e reconhecidas na moldura do texto/fonte passaram a ser determinantes para o gênero que estava sendo produzido. A tabela 3 e a figura 7 evidenciam, esse cuidado dos sujeitos na utilização, nos seus textos, das marcas da moldura da superestrutura da notícia.

Tabela 3 - Identificação da utilização de marcas da moldura da superestrutura da notícia na produção textual

Ordem Marcas Utilização Percentual

1 M1 23 76,7 2 M2 30 100,0 3 M3 12 40,0 4 M4 25 83,3 5 M5 30 100,0 6 M6 30 100,0 7 M7 15 50,0

M1: dados de identificação do jornal; M2: manchete; M3: nome do jornalista; M4:

lead; M5: corpo da notícia; M6: imagem com legenda e M7: e-mail do jornalista

(total de respondentes = 30) Fonte: Lorí Viali (2006).

Na Tabela 3, existem três elementos com 100% de utilização. A marca menos destacada continua sendo “o nome do jornalista” (M3), com 40,0% de utilização, agora.

0 5 10 15 20 25 30 M1 M2 M3 M4 M5 M6 M7

Figura 7 – Identificação da utilização de marcas da moldura da superestrutura da notícia na

produção textual.

Fonte: Lorí Viali (2006).

Nesse momento, observamos que três marcas obtiveram o índice máximo: manchete (M2), corpo da notícia (M5) e imagem com legenda (M6). Um dos fatores que influencia esse índice é o conhecimento prévio, pois, de todas as marcas da moldura da superestrutura da notícia, sem dúvida essas possuem uma representatividade unânime entre os leitores desse gênero. Ao se referirem a uma notícia, todos os leitores destacam a manchete como o elemento de chamada para a leitura, o corpo da notícia como a possibilidade de apresentar os detalhes ou as particularidades do fato noticiado e, como um complemento do texto verbal, a imagem ou fotografia que retrate ou destaque parte da notícia.

Por outro lado, o nome do jornalista (M3) continuou sendo a marca menos destacada na produção da notícia pelos sujeitos, embora o índice de utilização dessa marca tenha sido maior que no momento da aplicação dos instrumentos anteriores, ou seja, 40% em contrapartida aos 23,3 % na forma representativa da moldura e 26,7 no texto/fonte. O princípio de intencionalidade, principalmente pelo fator marcante da autoria do texto, isto é, eu escrevo para que alguém leia dentro de uma situação sociocomunicativa, deve ser considerado como um aspecto importante em relação ao aumento desse índice.

Além da seleção e da presença de determinadas marcas da moldura da superestrutura da notícia, todos os sujeitos demonstraram a preocupação com a

diagramação do texto, observando as colunas e o posicionamento de determinadas marcas, além do destaque gráfico, letras em maiúsculas e em negrito, compondo a superestrutura da notícia. Complementando a preocupação com a superestrutura, apareceram dados significativos em relação à escolha para o nome do jornal, para o tipo de seção na qual a notícia seria veiculada, para a manchete e, como tiveram a opção por um assunto de seu interesse, para a determinação do assunto.

Dessa forma, os exemplos a seguir apresentados ilustrarão um pouco do interesse desse grupo de sujeitos de 6ª série. Primeiramente, os assuntos selecionados aproximam-se da realidade dos sujeitos e discutem questões que, no entendimento do grupo, mereceriam transformar-se em notícias: Internacional e Grêmio, teatro de bonecos, Rebeldes, Black Eyed Peas, basquete, viagem e jogos de computador (Fans Ragnarok) ou de cartas (Magic The Gathering). Outras marcas da moldura da superestrutura da notícia, além do destaque gráfico anteriormente comentado, receberam uma atenção especial quanto ao conteúdo veiculado. Assim, manchetes como “O Mundo é Vermelho”, “Temos Black Eyed Peas”, “Rebeldia no Palco”, “Grêmio Ganha o Mundo” ou “O Jogo que a Garotada Está Curtindo” já determinam a intencionalidade presente no corpo da notícia e instigam a leitura da mesma. O nome e a seção do jornal também merecem nossa análise qualitativa, pois diversificaram-se os interesses, como percebemos em “Jornal Colorado”, “Jornal do Chico”, “Hora Certa”, “O Profeta Diário”, que são exemplos de alguns nomes de jornais, e em “Polícia”, “Esporte”, “Cultura”, e “Cinema”, exemplos de seções de jornal selecionadas.

Mais do que nunca, a análise que fazemos é de que o foco da pesquisa foi entendido pelos sujeitos, uma vez que compreenderam a importância da moldura da superestrutura da notícia como uma forma convencional, um modelo esquemático, a ser ativada sempre que forem ler ou produzir um texto do mesmo gênero.

Benzer Belgeler