3. BÖLÜM
5.6. Öneriler
De acordo com Marques (2007, p 9), a operacionalização das idéias do estudo prospectivo passa pelo estabelecimento de cinco conceitos cruciais para os estudos prospectivos, representados na Pirâmide Prospectiva (figura a seguir): através dela, os prospectivistas interpretam a realidade e procuram descrever futuros possíveis.
Ilustração 5. A Pirâmide Prospectiva (Marques, 2007)
O autor define o Sistema como sendo um conjunto de elementos em relação entre si e suficientemente definidos para serem distintos de seu ambiente.
Na representação S = (X, R), X indica o conjunto de elementos do sistema e R o conjunto de suas inter relações. O sistema deve ser visto como um todo indissociável de elementos ativos, cujo significado só pode ser completamente percebido quando analisado simultaneamente com o conjunto de suas inter relações. Em outras palavras, o sistema é constituído por variáveis, cujas relações são estudadas para a formação dos possíveis cenários.
De acordo com Marques (2007), são estas relações que estabelecem a lei de evolução do sistema, a sua dinâmica, e correspondem à sua estrutura.
Para melhorar a descrição do sistema, nós o dividimos em subsistemas ou dimensões, que são agrupamentos de variáveis, definidos segundo um critério misto de homogeneidade analítica e utilidade para o planejamento. A homogeneidade se apóia sobre as categorias normalmente adotadas para a descrição da realidade, através da Economia, da Sociologia, da Ciência Política, da Tecnologia, e outras características oriundas do ambiente externo, e do contexto vivenciado que caracterizam as chamadas variáveis exógenas9. A utilidade permite que os aspectos ambientais mais relevantes para a organização sejam ressaltados. Já as variáveis pertinentes ao nicho analisado, ao negócio estudado, ao ambiente interno, são caracterizadas como variáveis endógenas10.
Estratégia de Atores
Embora no estudo presente ela não seja muito explorada, a Estratégia de Atores possui grande contribuição da prospectiva, chamando atenção para o papel que os atores exercem sobre a formação do futuro.
O começo da reflexão prospectiva equipara se com a crítica aos métodos tradicionais de projeção de tendências e, desde logo, descobriu se que uma das
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fontes de incerteza eram os atores que, ao tentar implantar seus projetos de futuro, acabavam por influir na própria formação deste. Fluentemente, a intensidade da influência varia com o poder dos atores. No nosso caso, interessamo nos apenas pelos atores mais proeminentes, aqueles capazes, efetivamente, de exercer influência sobre o sistema.
No estudo de cenários, o papel dos atores é introduzido em duas oportunidades: na análise de suas estratégias e na análise de sua influência sobre variáveis, isto é, no apontamento de como, com que meios e com que resultados um ator influencia sobre o comportamento futuro de uma ou mais variáveis.
No intuito de identificar as estratégias dos atores, Godet (1993) propõe o modelo Mactor, cuja essência está em identificar temas de debate difusos no sistema e daí apontar os objetivos gerais e ver como cada ator se situa em relação a cada um deles. Analisando a posição de dois atores em relação a um objetivo, identifica se qual o nível de relação entre eles: se é situação de aliança ou de conflito (havendo também a possibilidade da neutralidade). Concluindo esta análise para todos os pares de atores em função dos objetivos, obtém se o quadro final de alianças e conflitos no cenário. Para Marques (2007), essa conclusão tem duas utilidades: determinar se o ator apóia ou se opõe ao cenário e dar informações para explicar sua influência sobre o desempenho futuro das variáveis, como já referido.
Modelos
Conforme explicado por Marques (2007, p13), os modelos podem ser conceituais ou quantitativos. Nos modelos conceituais buscam se lógicas entre as variáveis enquanto nos modelos quantitativos são tratados os dados quantificáveis.
Ainda que os modelos quantitativos sejam mais fáceis de lidar, é certo considerar que grande parte das mudanças estruturais se dá a partir de variáveis conceituais.
Os modelos prospectivos, que não projetam tendências, mas procuram captar rupturas, prestam se aos ambientes turbulentos e a longo prazo delineiam uma característica, que pode ser considerada uma fraqueza, de serem muito dependentes de julgamento pelos especialistas. Por outro lado, esta característica
faz com que estes modelos sejam de grande utilidade nos trabalhos em equipe e na melhoria do entendimento dos participantes sobre o ambiente externo e suas manifestações futuras. Além disto, estes trabalhos em grupo favorecem a adesão aos valores e objetivos da organização.
Para Marques (2007), o bom estudo de cenários é aquele em que há judiciosa combinação de modelos, permitindo cobrir a zona cinzenta do curto para o longo prazo e dando a transição ao longo do tempo entre o que permanece e o que muda. Uma importante exigência da etapa de modelagem é a dupla preocupação com o que é relevante e com as mudanças estruturais, que devem ser ordenadamente pesquisadas, pois a percepção de germes de mudança e de tendências de peso inspira os atores mais poderosos a antecipar as suas mudanças em um ambiente já conturbado.
Diversos são os métodos de estudo da prospectiva, contudo, no trabalho presente, será utilizada a ferramenta URCA CHIVAS, que utiliza uma metodologia de julgamento com impactos cruzados. A metodologia de julgamento consiste em criar um quadro que discipline a tomada de opinião de especialistas sobre o futuro e a exploração da riqueza das informações assim obtidas. O método dos impactos cruzados visa obter efeitos de reforços e enfraquecimentos que ocorrem como resultado das mútuas influências entre variáveis.
Em uma análise de impactos cruzados procura se atribuir probabilidades à realização de vários eventos, tanto cada um isoladamente, quanto condicionado à realização e à não realização de outros eventos. Calcula se em seguida a probabilidade de realização de uma seqüência de eventos, portanto de um cenário. As probabilidades fornecidas a priori pelos especialistas consultados em geral não obedecem às regras do cálculo de probabilidades, sendo necessário corrigi las a posteriori. No método original de impactos cruzados a correção era feita por intermédio da introdução de índices de influência entre as perguntas, portanto por intermédio de mais uma etapa de julgamento.
O método CHIVAS (cálculo de hierarquização de variáveis em análise de sistemas) parte das inter relações entre variáveis, através da matriz estrutural construída com o modelo URCA, sem, entretanto, lançar mãos de probabilidades. O objetivo do URCA/CHIVAS é hierarquizar as variáveis pela sua capacidade de influir no sistema como um todo, um critério natural quando se pensa no caráter proativo do planejamento. Como conseqüência também se obtém a hierarquização pela
receptividade das variáveis às influências do sistema. O cálculo da hierarquização é feito com o uso de uma função exponencial da matriz estrutural. Esta função, chamada série de matriz, permite levar em conta os efeitos de influências indiretas como uma propriedade da potenciação da matriz. As variáveis mais importantes na hierarquização, muito influentes ou muito sensíveis, serão especialmente observadas nos cenários (Marques, 2007, p.15).
Sistemas de Informações
O enredamento dos sistemas é um dado do mundo real, e o que se faz normalmente é adotar mecanismos que permitam reduzi la, através da redução do número de variáveis significativas a analisar.
Por ser grande o número de dados e informações a analisar, sempre se enfrenta o problema da inexistência de dados fundamentais, quer porque o sistema estatístico não os registra em séries convenientemente longas, quer porque são informações guardadas confidencialmente, ou ainda porque se trata de fenômeno novo sobre o qual se tem pouca informação. Estas razões obrigam ao estabelecimento de um esforço prévio de organização e busca de dados e informações.
Enfim, mesmo em caso de dados quantitativos bem definidos, ocorrem problemas com a sua exatidão. Por exemplo, o consumo agregado é calculado por resíduo, implicando na inclusão da variação de estoques em seu valor. A adoção da amostragem para levantar importantes dados da economia também é fonte de imprecisão nos valores obtidos.
O sistema de informação é um instrumento de alerta para ameaças e oportunidades, podendo ser sofisticado ou se resumir a anotações organizadas e criteriosas sobre as informações necessárias. A regra fundamental é que não se deve parar ou desacelerar o processo prospectivo à espera de que o sistema de informação fique pronto, para não perder o + do processo. Do ponto de vista da realização de cenários, um SIR deve conter pelo menos o histórico (quantitativo e/ou qualitativo) das variáveis relevantes do estudo (Marques, 2007, p.17).
A Figura a seguir, define as etapas do processo Prospex que foram utilizadas no desenvolvimento do estudo de cenários do Direito Autoral. Cabe ressaltar que, essa dissertação utiliza recursos do Método Prospex, mas não se apresenta no mesmo layout por seguir normas e regras de apresentação acadêmica.
Ilustração 6 Etapas do Processo de Elaboração de Cenários adotadas neste estudo Adaptado de Eduardo Marques, 2007