5. SONUÇ
5.1 Öneriler
Conforme foi dito no início desse trabalho, o Telensino foi reconhecido pelo Conselho de Educação do Estado por meio do Parecer 760/74 e adotou o currículo oicial do estado do Ceará, elaborado pela Secretaria de Educação.
Esse currículo foi adaptado e estruturado, na medida do possível, visando aos aspectos e carências dos usuários do sistema. Os meios de comunicação utilizados para conduzir o conhecimento eram: a televisão, o manual de apoio e o caderno de atividades.
O currículo do Telensino se baseava em três princípios:
a) Totalidade – o currículo deveria ser trabalhado como um todo, e não como um aglomerado
de disciplinas separadas.
O currículo adotado teria que trabalhar as disciplinas em conjunto e dentro do contexto do discente. A aprendizagem aconteceria de maneira mais proveitosa para o educando se esta fosse signiicativa para ele; ou seja, a aprendizagem precisa revelar-se interessante, necessitava prender a atenção do estudante. E para que isso ocorresse, o conteúdo precisava ser explorado de maneira que permitisse ao estudante compreender o que tinha diante de si, examinando e descobrindo o vínculo entre o que ele aprendeu e a sua vivência.
Ao falar sobre os princípios que regiam o currículo do Telensino, Gerardo Campos é enfático ao airmar
[...] Quais eram: totalidade, estudarmos o todo, pra acabar com o que vocês viram: a dicotomização e essa desintegração. [...] totalidade, que tinha que ver o todo primeiro, era a Gestalt, primeiro é o todo, depois e que você vai estudando as partes [...] (OLIVEIRA, 2004, p. 22).
b) Interdisciplinaridade – segundo este princípio, as disciplinas deveriam permear umas às
outras.
O currículo era uma composição em que suas partes se interligavam. Era necessário existir a interdisciplinaridade para que o aluno pudesse situar-se. Para Campos,
Sendo o currículo um todo, uma organização em que as partes se interligam, a interdisciplinaridade tem necessariamente de permear as atividades teledidáticas que visam um conhecer global. Sem interdisciplinaridade ao se pode pensar numa nova pedagogia da comunicação. [...] Um enfoque interdisciplinar é fundamental para a inalidade a que se propõe a TV Educativa [...] (1983, p. 43-44)
Em entrevista concedida a Oliveira (2004), Campos explicou o que era interdisciplinaridade de uma maneira bem didática, airmando que na TVE existia uma equipe de professores de todas as disciplinas para integrar as disciplinas do currículo.
[...] a gente juntava as coisas como vocês viram ali como eu juntei ali a geograia, história, Oriente, Ocidente, estava tudo ali. Então, na televisão a gente fazia isso, tinha até uma equipe só de professores de todas as disciplinas para integrar. Quer dizer, os professores de cada disciplina faziam e ia pra lá. Ai os professores todos juntos diziam: “Isso aqui tá muito isolado, está muito separado um do outro, tem que juntar isso!”. Não só conteúdo, por que a gente sabe que nem todo conteúdo se junta, não é pra juntar conteúdo, é pra integrar o conteúdo com o outro, então pra mim é uma das tarefas do professor [...] (OLIVEIRA, 2004, p. 22-23).
c) Flexibilidade – a lexibilidade referia-se à circunstância de que os professores deveriam
elaborar seus conteúdos programáticos de maneira lexível, e não de uma forma rígida. (FUNTELC, 1990).
O Telensino tinha como um dos princípios a lexibilidade, pois era um ensino que possuía como prioridade uma educação de sujeitos críticos e criativos. Era este princípio que deveria romper
[...] os dogmatismos, os preconceitos positivistas, a obediência cega e a rigidez de um repetitivo trabalho mecânico. Um currículo lexível pode possibilitar mais facilmente a invenção, satisfazer necessidades que surjam de improviso numa situação concreta e até levar a obediência a ter valor mais humano
fazendo com que ela passe de dependência (cumprir o dever) para um ato de autonomia (ser responsável). [...] (CAMPOS, 1983, p. 44).
Segundo Gerardo Campos, a partir do momento que os módulos deixaram de ser ao vivo e passaram a ser gravados, a lexibilidade deixou de existir. Quando as aulas eram ao vivo existia a criatividade, o erro fazia parte do processo.
[...] Por isso nós botamos outro princípio: a lexibilidade. A televisão tinha que ser lexível. Então, tinha que dizer, tinha que mudar, por isso, no primeiro ano ninguém gravou nada. A televisão começou a decair, vou dizer mesmo, quando começaram a gravar. Ficou um ano, dois anos, três anos, quatro anos gravados. Ora, se a televisão gravasse... atingisse a perfeição... gravava ali e guardasse um script e depois desgravasse e depois desgravasse aqui [...] Mais que “calor humano” tinha a criatividade humana. O erro... ai é sempre uma mania que nós temos de dizer o povo que não pode errar. Se o homem aceitasse, essa é a minha teoria, se o homem aceitasse que errava, e disser “Eu erro, eu errei”, era muito melhor o mundo, mas porque o homem não aceita errar, quem erra é sempre o outro e ele sempre acerta. Essa é a teoria terrível que a gente vive, sempre o erro é dos outros, nunca é nosso. Então, a televisão tinha que ser lexível ao vivo o professor podia errar, sabe... E o menino que estava lá dizia “Ah, eu vou crescer nessa escola, porque eu posso errar”. (OLIVEIRA, 2004, p. 24).
Além desses três preceitos, existiam também os componentes curriculares do sistema Telensino. São eles: telealunos; orientadores de aprendizagem; organização da telessala; temas integradores; conteúdos programáticos; processo de veiculação da mensagem didático- pedagógica, aula integrada e o módulo de aprofundamento (teleaulas); questionamento; metodologia (dinâmica do processo ensino-aprendizagem, incluindo a dinâmica de grupo; sistema de avaliação e outros. (FUNDAÇÃO DE TELEDUCAÇÃO DO CEARÁ, 1990, p. 10).
Os conteúdos programáticos eram divididos por área de estudo e disciplina, tomando por base o currículo oicial do Estado, e eram deinidas, para cada série, oito temas integradores que executavam papel importante na estrutura curricular. Cada tema integrador equivalia a uma unidade do programa. Dessa forma, o conteúdo programático de cada série era distribuído em oito unidades. (FUNDAÇÃO DE TELEDUCAÇÃO DO CEARÁ, 1990).
A função do tema integrador era a de agregar os conteúdos selecionados em torno de uma ideia central que o tema exprimia e permitir uma maior integração entre os conteúdos de cada disciplina.
Dessa maneira, o tema integrador beneiciava a organização dos conteúdos produzindo um conjunto e proporcionando um entrosamento entre os conteúdos de cada disciplina permitido, com isso, seguir os princípios da totalidade e da interdisciplinaridade.
O tema integrador era trabalhado em duas perspectivas: a incorporação entre os conteúdos de uma mesma disciplina e a integração entre os conteúdos de várias disciplinas, o que podia ser denominado de integração vertical e integração horizontal. (FUNDAÇÃO DE TELEDUCAÇÃO DO CEARÁ, 1990).
É válido destacar que o tema integrador, além de colaborar com a organização dos conteúdos, visando aos princípios da interdisciplinaridade e da totalidade, e para ser compreendido e trabalhado pelos alunos, deveria ser decifrado e reconstruído por eles.