5. PERFORMANS VE KARŞILAŞTIRMA
5.2 Önerilen Sistemin Yeniden İnşa Performansı
“Durante mais de um século, do princípio de 1860 e 1870, as organizações se basearam na propriedade. A empresa típica possuía, ou no mínimo controlava, tudo que lhe dissesse. Fornecedores e distribuidores independentes existiam, mas eram ‘de fora’. A empresa em si estava fundamentada no comando e no controle, ancorada na propriedade. Essa ainda é a estrutura das empresas tradicionais. Todavia, cada vez mais o estilo de comando e controle está sendo substituído ou combinado com todos os tipos de relações (alianças, empreendimentos conjuntos, participações minoritárias, parcerias, acordos comerciais e tecnológicos) nas quais ninguém controla ou comanda. Essas relações tiveram de pautar-se em objetivos, políticas e estratégias comuns; no trabalho em equipe e na persuasão – ou jamais funcionariam. Onde a antiga organização de comando e controle, baseada na propriedade, era vista como permanente, muitas das novas relações são temporárias e de acordo com a necessidade”.
Peter F. Drucker
A produção acadêmica em torno do conceito de empresa é muito vasta e encontra-se, fundamentalmente, na área do Direito e da Administração, sendo, portanto, desnecessário um aprofundamento. Vamos contemplar a empresa apenas para uma composição da área espacial ou do ambiente de nosso principal foco, qual seja, as mulheres empresárias.
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Para tanto, tentamos, sucintamente, trazer o conceito atual de empresa, perfazendo, primeiramente, uma rápida incursão em sua trajetória. De início, adverte-nos Souza:
A palavra “empresa” oferece tão variados sentidos, que se torna temerário empregá- la apenas em significado jurídico, ou econômico, como de hábito, desprezando, dentre outras, as preocupações sociológicas, políticas, antropológicas que a envolvem.530
Portanto, apesar do nosso retrocesso, mesmo que rápido, na evolução do conceito de empresa para uma melhor compreensão do seu significado atualmente, percebe-se que o mesmo continua provocando muitas controvérsias.
A concepção de empresa, segundo Requião,531 surgiu dentro do contorno do Direito Comercial por meio do Código francês de 1807. A partir deste momento, os comercialistas começaram a pesquisar o conceito de empresa.
Com a nova organização do capital e do trabalho no século XIX, o Código Napoleônico incluiu as empresas de manufatura, de transporte, de fornecimento, de vendas, de comissão, de espetáculos e outras, sob a jurisdição comercial dos atos de comércio.532 No Código francês, então, no artigo 632, o conceito de empresa significa a repetição dos atos de
comércio em cadeia. Esse conceito foi considerado inadequado pelos comentadores do
Código Napoleônico, porque trazia ao mesmo tempo a noção do ato de comércio e comerciante, confundindo o sistema objetivo com o subjetivo de comércio.
O conceito de empresa teve que evoluir frente ao desenvolvimento do capitalismo durante a fase moderna.
No lugar da definição de “cadeias de atos de comércio isolados”, a empresa comercial foi definida como “[...] a organização dos fatores de produção, para a criação ou oferta de bens ou de serviços em massa”.533
Na França, o maior ponto que personificou a empresa ocorreu com o autor Despax,534 em 1957, o qual, por sua vez, adotou o conceito econômico de empresa de outro autor, M. James, dissociando a idéia de empresário(a) da idéia de empresa, sendo essa a causa de tantas dúvidas da concepção jurídica da empresa. Despax dizia ainda que a empresa era considerada
530
SOUZA, Washington Peluso Albino de. Conceito de empresa: um desafio que persiste? Síntese Jornal. Op. cit. p. 17.
531
REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. Op. cit.
532
Ibidem.
533
Ibidem, p. 14.
534
pelo direito como independente e distinta da figura do(a) empresário(a), podendo até, em certos momentos, possuírem interesses diferentes.
Na Alemanha, pelo Código Comercial de 1897, foi restabelecido o conceito de empresa com a modernização da concepção do conceito subjetivo.
Pela definição do art. 343, atos de comércio são todos os atos de um comerciante que sejam relativos a sua atividade comercial. Em face dessa definição, tanto o ato de comércio como o comerciante somente adquirem importância para o direito comercial quando se refiram à exploração de uma empresa. Desaparece, nela, a preponderância do ato de comércio isolado, como também se esmaece a figura do comerciante. Surge, assim, esplendorosa, a empresa mercantil, e o direito comercial passa a ser o direito das empresas comerciais.535
Também na Itália, em 1942, foi estabelecido um Código unificado, ancorado no conceito acima. A empresa passou a ser o centro do sistema, de cunho corporativo, banindo do Código italiano a pessoa e a palavra comerciante, porque este simbolizava o antigo personagem do mundo capitalista. Nesse momento, a ideologia dominante fascista propôs a sua superação pelo ordenamento corporativo.
Contudo, antes desse Código Unificado da Itália, Vivante,536 professor da Universidade de Roma, reverenciado como o renovador do Direito Comercial e o maior comercialista da era moderna, após confessar um engano seu por ter defendido a unificação, revelou seu erro e confirmou sua crença na dicotomia do Direito Civil e do Direito Comercial.
Estas concepções de Vivante situam-se no final do século XIX e início do século XX, por volta de 1912. Conforme o autor, haveria um grave prejuízo para o Direito Comercial, caso ocorresse a unificação desse com o Direito Civil, justificando que o Direito Comercial tem um caráter universal, cosmopolita, decorrente do comércio, com transações à distância, em massa e mesmo entre pessoas ausentes. Já o Direito Civil não se ocupa destas formas de comércio, e sim, de atos isolados.
Os juristas italianos dedicaram-se com empenho ao estudo sobre a conceituação de empresa, com observações de vários proeminentes juristas. Dentre os já citados, também Asquini537 reconheceu a complexidade do termo empresa, o que acarretava as dificuldades entre os comercialistas e juristas para a sua definição.
Segundo Asquini, o termo empresa nunca poderia ter um conceito unitário, porque a empresa é um fenômeno multiforme e que “[...] apresentando o fenômeno econômico da
535
REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. Op. cit., p. 14.
536
VIVANTE, Cesare. Trattato di Diritto Commerciale. 4. ed. Milão: Casa Editrice Dott. Francesco Vallardi, 1912.
537
empresa, perante o direito, aspectos diversos, não deve o intérprete operar com o preconceito de que o mesmo caiba, forçosamente, num esquema jurídico unitário”.538
Tanto o jurista Asquini como Ferri539 discordavam da noção jurídica da empresa, apenas. Ferri, inclusive, reforça essa concepção com a expressão “aspectos jurídicos” da empresa econômica, abrangendo tanto os aspectos jurídicos quanto os econômicos da mesma. Conforme Asquini, a empresa se apresenta de diversas maneiras, quais sejam:
a) o perfil subjetivo, que vê a empresa como o empresário; b) o perfil funcional, que vê a empresa como atividade empreendedora; c) o perfil patrimonial ou objetivo, que vê a empresa como estabelecimento; d) o perfil corporativo, que vê a empresa como instituição.540
O conceito de empresa, portanto, como já afirmamos, é bastante polêmico, possuindo diversas interpretações.
Surgiram definições de empresa sustentadas pelo caráter econômico, outras pelo caráter jurídico, outras pelo caráter misto, ou seja, uma noção de empresa econômica e jurídica ao mesmo tempo.
A noção econômica, segundo Ferri,541 explica-se pelo fato de que a empresa se constitui de uma atividade especializada e profissional com mecanismos econômicos concretizados, por meio da organização dos fatores de produção, de acordo com as necessidades e exigências do mercado. Nesse ponto de vista, a empresa se enquadra no sistema objetivo, que combina elementos pessoais e reais com fins econômicos, dirigida por um indivíduo – o(a) empresário(a) e, portanto, ligados entre si, ou seja, a empresa só funciona por meio dos impulsos do(a) empresário(a).
A noção jurídica de empresa, diz-nos Requião,542 apóia-se no conceito econômico de empresa, tendo em vista que os juristas não conseguiram um conceito originalmente jurídico para a definição da empresa. Existem vários focos da empresa pelos quais o direito tem interesses, explicitados a seguir:
a) A empresa como expressão da atividade do empresário543. A atividade do empresário está sujeita a normas precisas, que subordinam o exercício da empresa a determinadas condições ou pressupostos ou o titulam com particulares garantias. São
538
ASQUINI apud REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. Op. cit., p. 52.
539
FERRI, Giuseppe. Manuale di Diritto Commerciale. Op. cit.
540
ASQUINI apud REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. Op. cit., p. 52-3.
541
FERRI, Giuseppe. Manuale di Diritto Commerciale. Op. cit.
542
REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. Op. cit.
543
Denunciamos novamente que todas as referências ao empresário sempre vêm no masculino. Transcrevemos, portanto, de acordo com o original.
as disposições legais que se referem à empresa comercial, como o seu registro e condições de funcionamento. [...] b) A empresa como idéia criadora, a que a lei concede tutela. São as normas legais de repressão à concorrência desleal, proteção à propriedade imaterial (nome comercial, marcas, patentes, etc.). [...] c) Como um complexo de bens, que forma o estabelecimento comercial, regulando a sua proteção (ponto comercial), e a transferência de sua propriedade. [...] d) As relações com os dependentes, segundo princípios hierárquicos e disciplinares nas relações de emprego, matéria que hoje se desvinculou do direito comercial para se integrar no direito do trabalho.544
Ainda, reforça Ferri545 que, na interpretação jurídica, a empresa significa uma atividade desempenhada pelo(a) empresário(a), distinguindo e realçando, dessa forma, a sua figura no âmbito jurídico. Portanto, a doutrina jurídica da empresa significa a doutrina da
atividade do(a) empresário(a), bem como a proteção jurídica da empresa significa a proteção
jurídica da atividade, exercida pelo(a) empresário(a).
Após tantos debates entre os juristas italianos, o professor Francesco Ferrara546 propõe uma conclusão dizendo que a empresa é uma organização através da qual se pratica a atividade e que o conceito de empresa não possui importância jurídica porque os efeitos da empresa são os próprios efeitos do(a) empresário(a), ou seja, aquele(a) que exercita a empresa.
Na Espanha, a concepção defendida por Garrigues547 foi pela unificação, justificando que o Direito Comercial torna-se, dessa forma, unitário e harmônico, por ser limitado ao direito das empresas.
Lembramos, neste ponto, a grande diferença desse conceito jurídico italiano de empresa do conceito de empresa no direito francês, elaborado pelo autor Michel Despax,548 já abordado anteriormente, o qual faz a dissociação da noção de empresário(a) da noção de empresa, considerando a empresa uma entidade independente e diferente da pessoa do(a) empresário(a).
E, como veremos mais adiante, será a conceituação de Despax de 1957, ou seja, a dissociação entre empresa e empresário(a), a conceituação definida atualmente pelo Código Civil brasileiro de 2002.
544
REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. Op. cit., p. 49.
545
FERRI, Giuseppe. Manuale di Diritto Commerciale. Op. cit.
546
FERRARA, Francesco apud REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. Op. cit.
547
GARRIGUES, Joaquín. Tratado de Derecho Mercantil. Revista de Derecho Mercantil. Madri, 1947.
548