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5. TARTIŞMA VE SONUÇ

5.1 ÖNERİLER

Nesta seção, retomo e respondo às perguntas de pesquisa que nortearam este estudo, apresentando algumas reflexões sobre o coaching na formação de professores de inglês. Para isso, retomo, a seguir, as perguntas de pesquisa que nortearam esta pesquisa:

5.1.1. Quais são as emoções presentes no cotidiano de uma professora de escola privada?

Conforme discutido no Capitulo 4, Nina mostra estar imersa em sua profissão e comprometida a fazer sempre o seu melhor. Ela demonstra ser uma profissional bastante engajada e comprometida a auxiliar seus alunos a construir o conhecimento teórico e também a educação como um todo. O carinho parece ser uma emoção que é parte de sua personalidade, mas que também transpareceu em sua prática com seus alunos de diversas formas, como na atenção que tinha para com eles e no senso ético de responsabilidade de sempre preparar boas aulas. Nina se mostrou uma profissional envolvida e engajada com sua profissão, dedicada e positiva e que sempre queria e procurava fazer o melhor para seus alunos. Ela mostrou ser bastante carinhosa, receptiva e paciente com os alunos, como também aberta a brincadeiras e à descontração em sala de aula. A relação entre ela e os estudantes, geralmente, era tranquila e cercada por afeição.

No entanto, emoções negativas, tais como medo, baixa autoestima, insegurança, raiva e tristeza também foram identificadas. O medo tinha como

fonte os pais dos alunos e o que eles poderiam fazer com Nina caso não gostassem da sua forma de ensinar, a perda do emprego e a opinião dos outros. A baixa autoestima estava relacionada à sua dificuldade em lidar com a rejeição dos outros em relação a ela ou às suas aulas, ou seja, a baixa autoestima estava conectada à autocobrança e à insegurança. Já a insegurança estava relacionada: ao medo que ela sentia de perder o emprego; ao medo de que sua reputação fosse abalada; e à sua proficiência linguística. Acredito que aquelas emoções negativas podem ser mais frequentes devido à geografia física defendida por Hargreaves (2001). Esta, como discutido no capítulo 2, ocorre quando não acontece interação entre professores, alunos, e pais.

A raiva também foi uma emoção identificada no dia a dia de Nina e era relacionada ao comportamento de algumas pessoas com as quais a participante convivia, ao ensino que teve na graduação, à dúvida de outras pessoas em relação à sua capacidade profissional e às situações gerais que os professores vivenciam. A tristeza de Nina se manifestava em relação à coordenação da escola, ao comportamento dos alunos e também era desencadeada pela autocobrança excessiva da participante.

Essas emoções negativas estavam relacionadas a fatores desencadeadores das emoções negativas que são: cansaço, perfeccionismo e cobrança, considerando que este último foi uma consequência do perfeccionismo. Esses fatores desencadeadores de emoções são fatores contextuais que influenciaram o surgimento ou a intensificação de determinada emoção. Percebo que há uma relação entre as emoções e os fatores desencadeadores, visto que o medo gerou insegurança, a insegurança gerou cansaço e o cansaço gerou tristeza, assim como a cobrança (que surge do perfeccionismo), por sua vez, gerou insegurança, cansaço, medo e raiva e tristeza. A cobrança e a insegurança se destacaram, pois elas acabaram por comandar o surgimento de outras emoções e até de fatores que vieram a desencadear o aparecimento de outras emoções.

A insegurança, o medo e a tristeza de Nina estão relacionados com estruturas de poder e hierarquia das escolas particulares e da posição do professor na sociedade brasileira, bem como dos professores de inglês que não têm o respeito dos pais ou superiores e que, portanto, precisam se submeter a uma rotina desgastante, não lhes sobrando qualidade de vida ou

115 ânimo para se rebelarem contra isso. As emoções são dinâmicas e estão relacionadas com esse contexto. Dessa maneira, acabam sendo influenciadas pelo meio no qual o professor está inserido. Isso é defendido por Benesch (2012), que afirma que as emoções devem ser analisadas de acordo com o contexto interacional dos quais as relações dos indivíduos fazem parte. Assim, essa autora corrobora e cita Bonny Norton (2000) que explica que as emoções são claramente conectadas às relações de poder existentes ao redor dos sujeitos nas suas interações sociais.

5.1.2. Como o coaching feito por uma profissional formada em Letras Inglês/Português pode auxiliar no entendimento, bem como na forma de lidar com as emoções vivenciadas, em sala de aula, pela professora participante?

No que se refere ao auxílio emocional propiciado pelo processo de CI, foi possível perceber que este ajudou Nina a lidar melhor com suas emoções. Nesse sentido, a relação de confiança e cumplicidade estabelecida entre Nina e eu foi baseada no princípio da “Parceria de Aprendizagem” (WOOD e MCQUARRIE, 1999 apud KNIGHT, 2004, p.1) que estabelece a parceria entre os membros. Em se tratando de um apoio emocional, essa parceria foi ainda mais forte, pois exigiu um grau elevado de confiança para que Nina pudesse se abrir e, consequentemente, se expor comigo. Nesse sentido, mesmo os assuntos considerados delicados foram tratados, tais como: a relação da participante com os pais dos alunos, com seus superiores e com seus alunos. Também foram discutidos conflitos emocionais internos de Nina, dentre os quais se destacaram a insegurança e autocobrança excessivas.

Dessa forma, pude comprovar, assim como é colocado por Knight (2007), que a confiança, a parceria e a cumplicidade são essenciais no processo de CI. Constatei também que, ao compartilhar minhas experiências profissionais com Nina, consegui estreitar ainda mais nossa relação e mostrar a ela que todas as pessoas passam por instabilidades emocionais e problemas na profissão, porém a forma com a qual lidamos com tais percalços é que faz a diferença. Assim, como coach, tive o objetivo de instruí-la nesse sentido, para que sua dor emocional fosse amenizada, o que foi conseguido com sucesso.

Para isso, a reflexão de CUREE (2004-2005) também foi proposta por mim, para que ela pensasse sobre sua prática, sobre suas vivências no contexto de trabalho e fora dele, sobre suas obrigações como profissional, sobre a relação com as pessoas que a cercavam, sobre suas emoções e sobre forma com ela lidava com tudo isso. Ao final do processo de CI, Nina percebeu como a reflexão pôde auxiliá-la a entender melhor tudo que se passava ao seu redor e também dentro dela. Assim, Nina ficou mais tranquila, mais segura sobre sua prática e começou a se cobrar menos.

5.1.3. Como o coaching pode auxiliar na prática (considerando aspectos pedagógicos) da professora participante?

O apoio pedagógico dado à participante também foi baseado no princípio da “Parceria de Aprendizagem” (WOOD e MCQUARRIE, 1999 apud KNIGHT, 2004, p.1). Dessa maneira, pudemos estabelecer uma relação de companheirismo e trabalho conjunto, com o objetivo de melhorar a prática de Nina e facilitar seu dia a dia. Por meio da análise das sessões de coaching, foi possível perceber que o apoio pedagógico aconteceu em vários momentos, por exemplo: na preparação e sugestão de atividades, na confecção de planos de aula, na preparação do planejamento anual e do cronograma, na discussão sobre maneiras de lidar com as emoções dos aprendizes e nas discussões acerca da forma de lidar com os pais dos alunos e com a coordenação, considerando que, nesse último caso, houve uma mistura de apoio pedagógico emocional.

Por meio dos relatos de Nina, foi possível perceber que sua prática foi facilitada e melhorada pelo auxílio pedagógico. Além disso, suas relações interpessoais no contexto de trabalho também foram modificadas para melhor, pois foi feita uma preparação para que Nina se sentisse segura para argumentar sobre possíveis problemas ocorridos.

Benzer Belgeler